Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 311

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Você vai aceitar?" perguntou o gato, seu pelo prateado reluzindo como água sob a luz fraca do sol azul e frio. Seus olhos estreitos, com tonalidade de gelo, transmitiam uma seriedade incomum enquanto fixavam profundamente os olhos prateados de Meris.

Meris demorou a responder. Sua mente ainda lutava para compreender a situação.

De cabeça vazia, ela olhou ao redor, absorvendo a vasta extensão de geada que se estendia até onde seus olhos alcançavam, com casas de gelo irregulares emergindo do chão como uma floresta congelada, formando uma beleza estranha, um ninho feito para gatos.

Ela estava ajoelhada no chão frio, no meio da cidade, ou pelo menos assim presumia, pois à sua direita havia uma colossal estátua de um gato, com água escorrendo de sua boca, esticada, antes de derreter e se transformar em água a poucos centímetros do pequeno lago azul-prateado abaixo dela.

Era o mesmo que ela tinha visto na Zona Proibida da Gélida da Lua.

Numerosos gatos, com pelos em tons de roxo, prata e azul, a observavam de todos os cantos daquela cidade gelada. Alguns com curiosidade, outros com cautela, e mais alguns com o que parecia desprezo, ou talvez desgosto.

Meris não tinha certeza.

Após tudo o que viu, ela finalmente deixou seu olhar retornar ao grande gato prateado, seus olhos carregando uma paciência estranha e uma compreensão inquietante.

Meris suspirou baixinho, controlando suas emoções. Então sua expressão mudou, seus olhos se iluminaram como os de uma criança diante de um brinquedo novo. Sua voz ecoou na estranha calmaria, magnetizante e melodiosa.

"Não seria uma tola se recusasse uma oferta tão interessante?" Ela riu. "Onde mais eu poderia encontrar uma cidade cheia de gatos tão fofos?" ela perguntou, seu olhar passando rapidamente por todos os lados antes de seu sorriso se ampliar.

"Uma cidade de gatos feita de gelo e água. Ah, até neve? Aye, aye, aye," ela murmurou com um sorriso sardônico. "Talvez eu tenha vislumbrado o paraíso."

O gato prateado sorriu, revelando dentes afiados diante da reação de Meris. "Interessante," ela disse de forma arrastada, "é a primeira vez que vejo o descendente de um Elamin como você."

"Como eu? Claro que não, senhora gato. Mas..." ela inclinou a cabeça, "...você nos conhece?"

"Mais do que você pensa," respondeu o gato prateado.

Meris abriu a boca para falar novamente, mas o gato prateado falou antes dela.

"Você herdou as afinidades de um de seus maiores ancestrais, e ainda assim, minha pequena. Você está tão atrasada em todos os aspectos."

Meris franziu o rosto diante da afirmação repentina.

"Mas nenhuma culpa será imputada a você," continuou o gato prateado, "pois foi impedida de exercer adequadamente seu poder."

Então, numa rajada de gelo, ela apareceu no topo da cabeça de Meris, suas patas frias segurando-se firmemente nos cabelos roxos da garota, fazendo-a tremer de instantâneo reflexo.

Os olhos de Meris se arregalaram. Sem entender exatamente por quê, ela sentiu uma vontade intensa de desviar o olhar do gato. Tentou se mexer, mas não conseguiu, nem um dedo obedecia à sua vontade. Droga, até seus olhos se recusaram a piscar, como se estivesse petrificada. E, no entanto, ela não estava, ou melhor, não no sentido físico da palavra.

Um medo gelado invadiu seu coração, forçando-a a sentir algo que ela nunca se lembrara de sentir antes.

Pela primeira vez desde seu nascimento, Meris sentiu frio.

O gato prateado, sentado em sua cabeça, sorriu como a criatura travessa que era, observando o estado de importância de Meris com um divertimento silencioso.

"Você será testada," ela disse, com a pata brilhando com uma luz prateada intensa. "E talvez você não tenha reparado nisso, mas esta cidade se chama Cidade dos Gatos. Então..."

Instantaneamente, todos os gatos ao redor fizeram uma expressão de sorriso conjunto.

Seu coração começou a bater mais forte do que nunca, quase ao ritmo caótico que acelerava toda vez que Kaden se aproximava.

"Você precisa ser um gato para ficar aqui. Mas não só para ficar aqui, minha pequena. Você vai mostrar do que é capaz. Crie sua própria casa com seu corpo de gato e viva como qualquer gato viveria."

A sensação de frio e realização atravessou a alma de Meris, como uma facada de horror congelado.

"Se fizer direito, terá nossa aprovação," concluiu o gato prateado, e uma luz brilhante envolveu todo o corpo de Meris em um abraço de coco.

Dentro da luz, Meris sentiu seu corpo começar a se transformar. Seus músculos encolheram, tornando-se menores e mais flexíveis; seus olhos e ouvidos ficaram mais afiados e alienígenas; sua pele mudou e, atrás dela, algo começou a brotar.

Durante tudo isso, ela queria gritar, chorar, resistir, mas tudo dentro dela congelou, deixando-a incapaz de fazer qualquer coisa.

Pouco tempo depois, a luz prateada começou a desaparecer.

Quando se foi, uma pequena gata roxa, com tatuagens azuis que se desenhavam como ondas em sua pelagem, e olhos prateados com fendas, como vidro, permanecia de pé.

Bem, pelo menos por pouco tempo. A gata imediatamente caiu sobre o chão congelado.

Meris ainda estava balançando com a transformação, sua mente girando enquanto tentava compreender a estranheza avassaladora de seu novo corpo. Tudo parecia desconhecido… como ficar de pé, caminhar, até mesmo perceber o mundo ao redor.

Além disso, ela tinha acabado de perceber como o chão estava escorregadio e frio, e precisava usar suas afinidades apenas para caminhar sem escorregar.

E, para piorar, ela tinha que construir sua própria casa, caçar sua comida e viver como eles e com eles…?

Ao perceber tudo isso, involuntariamente, um sorriso louco e sem vida apareceu em seus lábios de gatinha. Ela se esforçou para levantar a cabeça, olhando fixamente para o gato prateado à sua frente.

"Você está disposto?" perguntou novamente o gato prateado.

O sorriso de Meris se alargou.

"Ah. Aye, aye, aye. Eu vou aproveitar isso," ela disse, com a voz mais fria do que o gelo ao seu redor. E então, de repente, seu tom se tornou alegre e animado, como um gato empolgado.

"Vou me tornar a melhor gata!" ela miou.

Os gatos da cidade olhavam para ela com expressões de desconfiança, cada rosto refletindo o mesmo pensamento:

Ela é louca?

"Que coisa mais interessante," murmurou finalmente o gato prateado, notando algo em Meris que nenhuma das outras percebera.

"Realmente, muito interessante."

Fokay — Cidade da Tristeza, Igreja da Tristeza

"Que cansaço insuportável," pensou Rea internamente, caminhando lentamente pelas paredes cinzentas da Igreja da Tristeza. Seus passos suavemente tocavam o piso de pedra fria, seu corpo encoberto pela túnica cinza do acólito lágrimas, marcada no ombro esquerdo por um símbolo preto que se assemelhava a uma lágrima, indicando sua patente.

Sua mente fervilhava de pensamentos, ecoando com força em sua cabeça, dando-lhe vontade de suspirar, sentar-se, fechar os olhos por um instante.

Mas ela não podia.

Ao redor, as pessoas observavam. Seus olhares pesavam mais do que qualquer coisa que Rea já havia suportado.

Eles a julgavam, tentando ver se ela era digna da distinção que os outros lhe concediam, ou procurando a menor fraqueza para explorar, para derrubá-la.

Ela era como uma ovelha cinza em meio a um rebanho de brancas. E os olhares dos lobos, sem dúvida, também se voltariam para ela, ansiosos para ver e experimentar o que a tornava diferente.

Ela estava exausta.

Havia meses — ou seria que realmente? — Rea nem tinha certeza, pois tudo o que via eram corredores cinzentos, paredes cinzentas, pisos cinzentos, cinza, cinza, cinza… só cinza, puta que pariu.

E mesmo assim, seria mentira dizer que ela tinha se acostumado com isso.

Porém, ela tinha aprendido o suficiente para esconder sua exaustão por trás de uma expressão de dor profunda, condizente com a Igreja.

Então ela se ocultou.

Então ela sorriu tristemente.

E assim, seguiu caminhando.

Após mais de cinco minutos, virando à esquerda e à direita por inúmeras interseções, Rea finalmente chegou diante de uma porta cinza bem larga.

Não havia ninguém guardando, mas ela se aproximou lentamente e com calma, e a porta se abriu sozinha com um ranger.

Por dentro, o espaço se enchia de uma escuridão tão espessa que dava para tocar e se afogar nela. Assim que entrou, a porta se fechou atrás dela com um estrondo, fazendo a escuridão ondular, selando-a em um lugar onde nenhuma luz jamais chegaria.

Rea permaneceu ali silenciosa, como uma estátua de pedra. Seu corpo não se moveu, seus olhos não piscaram, encarando o abismo com uma intensidade angustiante e foco de navalha.

Na verdade, ela nem respirava.

Esse era o estado que precisava manter, a condição na qual tinha que estar, se não quisesse perder tudo o que sabia ou tudo que era dentro daquele lugar.

Depois de tudo, ela estava na presença da Discípula da Perda…

Seus mestre.

"Você nunca deixa de me surpreender, minha linda Rea," uma voz feminina profunda e melodiosa ecoou através da escuridão sufocante, fazendo-a ferver como um mar inquieto.

Rea permaneceu imóvel.

A mulher — a Discípula da Perda — sorriu suavemente, e um som de clique ecoou, ressoando pelo silêncio. A escuridão ondulou e dispersou-se quando uma luz cinza tênue surgiu no centro da câmara, flutuando como uma água-viva fantasma.

"Hah… hah… hah…" Rea finalmente permitiu-se mover e respirar, seu peito subindo e descendo em um ritmo irregular. Ela ergueu o olhar e olhou para cima, em direção ao palco elevado formado pelo Intent de seu mestre.

Lá, flutuando assustadoramente, havia um único globo ocular cinza, adornado com cílios longos e elegantes.

Ele piscou.

Rea fez o melhor que pôde para abaixar a cabeça sem tremer antes de falar: "Encontrei a Discípula da Perda," disse respeitosamente.

"Você é interessante, minha linda Rea," a voz do globo ocular projetou, suave e ecoante. "Eu te amo. De verdade. Mas um rank de Intermediário dificilmente será útil para mim. Você nem consegue olhar para mim sem tremer, minha linda Rea."

Rea reprimiu um calafrio sob o peso da voz de seu mestre. Era profunda, melódica e carregada de sentimento.

"Por isso, você precisa evoluir mais. Precisa se tornar uma Mestre," ela disse, adicionando de forma maliciosa, "Tenho uma Pedra de Evolução… mas você precisa ganhá-la."

Ela fez uma pausa, o silêncio se alongando como uma lâmina, antes de continuar lentamente,

"Diga-me, minha linda Rea, o que você está disposta a perder para obtê-la? Que parte de si mesma pode me entregar?"

Rea mordeu o lábio.

"Que rank de Pedra de Evolução, posso perguntar, Mestre?"

"Depende do que você estiver disposta a perder," respondeu a Discípula com suavidade.

Rea hesitou.

Esse era o poder de seu mestre — ela podia criar um contrato no qual você entregaria algo que estivesse disposta a perder, e, em troca, ela concederia o que você desejasse.

Uma coisa perigosa de fazer.

Mas Rea sabia bem que ser uma Intermediária não era suficiente. Sabia disso ainda mais claramente no momento em que entrou na Igreja.

Contudo, ela não tinha liberdade para buscar uma Pedra de Evolução em outro lugar, nem liberdade para agir além do que seu mestre permitia. Cada movimento, cada respiração, era controlada pela Discípula da Perda, aquela que parecia mantê-la em alta consideração — ou talvez, em excesso.

Tempo demais, para o gosto de Rea.

Às vezes, ela se perguntava se havia escolhido o caminho errado. Mas já era tarde demais para esses pensamentos.

Agora, ela só podia aceitar a mão do diabo, pois o diabo tinha tornado aquela a única mão que sobrara para a dela segurar.

Ela sorriu tristemente, e lentamente partiu seus lábios.

"Estou disposta a perder uma parte dos meus sonhos, Mestre."

Ela fez uma pausa, e com lentidão deliberada, murmurou:

"Você vai aceitar?"

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