Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 310

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden e Aurora chegaram a um local específico dentro da Cidade de Asterion. Ambos franziram a testa simultaneamente, pois o lugar onde haviam chegado era nada menos que o grande portão dourado em arcos, que dava as boas-vindas às criaturas na cidade.

Lá, dois guardas em armaduras dourado-prateadas se posicionavam, com posturas mais retas que hastes de aço, os rostos esculpidos em pedra, olhos fixos em Kaden e Aurora assim que perceberam sua chegada.

Aurora estava entrando em pânico por dentro. Ainda estava nos braços de Kaden, aconchegada como uma princesa que não deveria tocar o chão por medo de se sujar com a sujeira.

Era uma sensação agradável, ela se recusava a admitir isso, sentindo-se culpada até por gostar do momento. Ela cutucou o peito de Kaden com o cotovelo e, em um tom sussurado…

"Me coloca no chão, impostor!" ela sussurrou, com a voz quase inaudível, com medo de que alguém pudesse escutar.

Ela não queria que nenhum dos guardas a reconhecesse e alertasse Solaris. Não tinha medo por si mesma; sabia bem que Solaris nunca a faria mal.

Se não fosse pelo amor que ele afirmava sentir por ela, certamente pelo valor que ela ainda tinha para ele.

Mas Kaden? Ele não teria a mesma misericórdia. E, embora ela não quisesse admitir em voz alta, ela já se acostumara à presença inteligente e irritante dele, e não suportava a ideia de que ele se metesse em encrenca por causa dela.

Então, por ele, ela sussurrou novamente, pedindo que a deixasse no chão.

Obviamente, Kaden não ouviu. Na verdade, ele nem sequer prestou atenção naquilo. Sua atenção estava inteiramente focada na expressão severa dos guardas e nas poucas pessoas que passavam, conversando e rindo como se nada estivesse acontecendo.

Sua percepção se expandiu, cobrindo todo o espaço dentro de um raio de um quilômetro, absorvendo cada som, cada sussurro, cada movimento, tudo na sua mente. E, mesmo assim, seus olhos insistentemente voltavam para os guardas.

Aurora não tinha lhe mostrado tudo; isso teria enfraquecido ela mesma muito mais do que já era. Pelas pistas que Kaden conseguiu captar naquela visão, era aqui, exatamente neste lugar, que ele deveria encontrar o caminho até aquele reino obscuro.

Agora, a questão era como.

Os olhos vermelhos de Kaden brilharam intensamente, formando um breve flash de vermelho no ar. Aurora, que tinha se contorcido nos braços dele poucos instantes antes, congelou. Sua expressão mudou instantaneamente para uma de seriedade.

Seus olhos estrelados brilharam mais intensamente, olhando para cima, fixos nos olhos rubros dele, que pareciam um mar de sangue fervente. Era hipnotizante, ela precisava admitir.

Então, ela ficou em silêncio, percebendo que ele buscava o caminho. Internamente, um sorriso irônico se formou. Sentiu-se culpada por não ter mostrado tudo a ele.

Mas não podia.

Fazer isso significaria eliminar demais de seu poder e vitalidade, e ela ainda tinha um caminho crucial que precisava ver todos os dias. O caminho que prometeu, desde criança, seguir até o fim.

De repente, o peso daquela promessa pesou ainda mais em sua alma. Seu interior se revirou.

'Preciso pintar… Preciso pintar…' ela sussurrou para si, sentindo uma inquietação que a puxava para se perder novamente na criação.

"Minha senhora," disse Kaden, sua voz cortando limpidamente suas pensamentos sombrios. "Tenho uma questão."

Aurora piscou, saindo de seu devaneio, inclinando um pouco a cabeça de curiosidade. "Qual é?"

Os olhos de Kaden nunca perderam o contato com os guardas na porta. Eles olhavam de volta, o clima carregado de uma tensão que ambos não conseguiam nomear.

Seus passos oscilavam, um leve arrastar contra a pedra, e então, sem aviso, começaram a caminhar em direção a Kaden e Aurora.

"Qual o seu poder nesta cidade?" perguntou Kaden, sua voz tranquila cortando o ar enquanto seus olhos vermelhos seguia os approaching guardas com indiferença silenciosa.

"Hmm," refletiu ela, "poder suficiente," respondeu Aurora simplesmente.

"Suficiente para encobrir homicídios de guardas?" retrucou Kaden.

Aurora hesitou. Lentamente, virou a cabeça, seus olhos estrelados ocultos atrás de óculos pretos enquanto afixava o olhar nos guardas. Então, um sorriso discreto surgiu em seus lábios.

"Depende de quão limpo você os matou."

Ela não duvidava de seu cavaleiro.

"Ah, não se preocupe com isso, minha senhora," disse Kaden, esboçando um leve sorriso de malícia. "Sou profissional."

No instante em que as palavras saíram de sua boca, Kaden lançou Aurora para cima, bem alto.

Um grito agudo, assustado, escapou de seus lábios — metade surpresa, metade indignação — ecoando pelas portas douradas.

"Você! O que está fazendo?!" rosnou um dos guardas, com uma voz como de uma fera, antes que ambos pulassem do chão e avançassem em direção a Kaden, com passos pesados o bastante para quebrar a pedra sob eles.

Ao redor, a multidão parou de surpresa. O ar tremeu. O medo apertou suas gargantas enquanto a tensão se acumulava como fumaça. Alguns, com instintos mais apurados, começaram a correr.

Mas somente com a permissão de Kaden.

Ele deu um passo.

Suas mãos permaneciam calmamente cruzadas nas costas. Sua expressão parecia vazia, quase entediada.

E então…

Sangue jorreu de seus passos, espalhando-se como um oceano, pintando o chão num círculo amplo, perfeito, com meio quilômetro de diâmetro.

"O-que—?"

"O-que é isso?! Mãe! Eu não consigo—!"

Seus gritos se interromperam no meio, enquanto sangue cobria seus rostos e olhos, selando seus sentidos. Eles não conseguiam ver, falar, mover-se sequer.

Nesse único passo, o mundo ao redor virou uma zona de sangue.

Somente os dois guardas conseguiram se mover, embora com dificuldade, pois o sangue era anormalmente denso e pesado, cada passo parecendo que puxavam as pernas de um abismo sem fundo de morte.

Em menos de um segundo, Kaden neutralizou todos ao redor.

Ele deu outro passo.

O sangue dentro dos guardas começou a ferver violentamente, borbulhando como água em queimando. Seus olhos arregalaram de forma grotesca, as veias rastejando sob a pele como vermes desesperados por escapar.

Eles abriram a boca para gritar, mas, antes que qualquer som saísse, numa fração de segundo, Kaden apareceu na frente deles e mergulhou de mãos profundas na boca estirada de ambos.

Seus corpos se convulsionaram, espasmos incontroláveis, enquanto um gag desesperado ecoava no ar, misturando-se ao grito distante de Aurora, que caía em direção ao chão.

O foco de Kaden era impecável. Seu olhar permanecia fixo nos dois guardas de alta patente, agora tão impotentes quanto galinhas diante de um açougueiro.

Sua percepção se aguçava além do normal. Com as mãos dentro deles, ele sentia tudo — mana, sangue, órgãos, até a composição sutil de seus corpos — e algo mais.

Uma runa?

'Não,' pensou friamente. 'Um artefato.'

Ao perceber isso, seus dedos tocaram algo sólido alojado dentro deles. Sem hesitar, firmou a pegada e os arrancou.

"ARGHHHH!!!"

Os gritos se rasgaram no ar, sufocados e gorgolejantes, as gargantas rasgadas enquanto sangue explodia para fora, jogando vermelho por toda parte.

As sobrancelhas de Kaden tremeram, e ao seu lado, uma cama feita de sangue fluido começou a se formar, pulsando como se fosse uma criatura viva.

Um instante depois, Aurora caiu suavemente sobre ela, o carpete de sangue balançando uma vez sob seu peso, amortecendo-a perfeitamente.

Ela preparava-se para xingar Kaden, mas silenciou-se ao sentir o leito sob ela, inesperadamente confortável. Sorriu e, sem vergonha, disse: "Sabe de uma coisa, impostor? Foi uma boa experiência. Perdoo essa ofensa." Sua voz era leve e divertida, e seu corpo parecia revigorado, uma leve energia retornando aos seus membros.

Kaden apenas sorriu levemente, sem responder. Seus olhos vermelhos fixavam-se nos dois artefatos flutuantes diante dele. De suas sombras emanava a mesma presença inquietante que tinha sentido no antigamente.

Eles eram pequenos, negros, com forma de bocas costuradas, e tinham o número 33 gravado em vermelho nelas.

"Se eu fosse você, apressava o passo," disse Aurora de repente, sua voz tranquila, mas seus olhos brilhantes fixos em algo distante.

Kaden parou seus pensamentos imediatamente.

Sem hesitar, ele colocou as mãos nos guardas mortos, ainda de pé, e eles explodiram.

Um banho de sangue, tripas e fragmentos espalhou-se pelo chão, até que uma boca vermelha enorme, cheia de dentes serrilhados, surgiu acima deles. Ela se abriu amplamente e devorou tudo — sangue, ossos e alma — em uma única tragada retumbante.

Seguiu-se o silêncio.

O olhar de Kaden varreu a multidão, ainda tremendo, presa em seu domínio.

Ele moveu os dedos levemente, manipulando o sangue que já os cobria, deixando que penetasse fundo em seus crânios. Então, com um forte estalo de mãos, uma onda de energia mental se espalhou, atravessando o sangue como meio, atingindo diretamente as mentes de todos ao alcance.

Num instante, suas memórias foram torcidas e completamente reescritas.

Sem palavras, Kaden virou-se, deu um passo à frente, levantou Aurora novamente nos braços, agora com menos resistência da bela dama.

Na próxima fração de segundo, seu corpo se fundiu em uma luz vermelha. Quando o brilho desapareceu, eles também sumiram.

Logo atrás, o mar de sangue se recolheu na terra, sumindo completamente, deixando nenhuma pista.

Algum tempo depois, duas figuras surgiram exatamente no lugar onde Kaden e Aurora estiveram, um homem e uma mulher, ambos vestindo túnicas azul-prateadas.

Observavam silenciosamente, enquanto a multidão seguia sua rotina normalmente, risos e conversas ecoando pelo portão dourado, que agora permanecia estranhamente vazio, sem guardas.

A mulher fez uma expressão de dúvida, uma leve ruga entre as sobrancelhas. "O que aconteceu aqui?" ela murmurou, uma estranho sensação de desconforto apertando seu peito.

O homem demorou a responder. Seus olhos verdes, afiados e calculistas, varreram a área com precisão treinada. Após uma longa pausa, ele finalmente falou.

"…Esse lugar não cheira a sangue?"

No fundo de uma viela estreita, envolta em sombras, escondida dos movimentados corredores de Asterion, Kaden e Aurora encostaram-se numa parede úmida. Entre eles, flutuavam os dois artefatos negros.

"Você sabe usar eles para chegar lá?" perguntou Kaden, com tom controlado.

"Eu não," respondeu Aurora simplesmente. "Mas posso aprender."

Kaden a olhou de soslaio. "Vai te enfraquecer?" perguntou.

Aurora sorriu discretamente, sem responder. Em vez disso, estendeu a mão para ele, com a palma aberta, silenciosa, mas clara na solicitação dos artefatos.

Kaden expirou suavemente pelo nariz. Aquele silêncio era tudo o que ele precisava saber.

"Então, vou procurar o caminho sozinho," disse, dando de ombros. Sua fala fez Aurora piscar, os olhos se arregalando ligeiramente, antes uma risada sutil escapou dela.

Por um instante breve, uma faísca de calor e diversão passou por seu rosto. "Que fofo, impostor. Você me dá pena?" ela provocou.

"Eu que tenho pena de mim mesmo," resmungou Kaden, "porque se você ficar mais fraca, vou ter que trabalhar mais duro."

Aurora riu de novo, suave e melodiosa, ecoando levemente pelas paredes da viela. "Não tenha vergonha," ela brincou. "Apenas admita que caiu pelo meu charme."

Kaden colocou a língua para fora, ignorando completamente a provocação dela, enquanto voltava a olhar para os artefatos. Seus olhos vermelhos brilharam suavemente enquanto guiava sua mana lentamente para dentro das bocas pretas e pulsantes, testando sua essência.

Não funcionou.

Mas, por essa falha, Kaden percebeu outra coisa. Os artefatos não rejeitavam a mana em si, eles rejeitavam a dele.

Isso significava…

"Você precisa de um tipo bem específico de mana para ativá-los, impostor," disse Aurora em voz baixa.

Kaden assentiu uma vez, já chegando à mesma conclusão. Fechou os olhos, sua mente voltando ao momento em que enfrentou os guardas, quando suas mãos se cravaram na boca deles.

Ele recordou tudo com uma clareza dolorosa: a textura da mana deles, seu aroma e sua cor.

Quando abriu os olhos novamente, uma leve mudança passou por ele.

Seu olhar vermelho se intensificou e a mão que segurava os dois artefatos começou a irradiar uma luz prateada.

Os artefatos pulsaram uma, duas vezes, depois brilhando intensamente, respondendo instantaneamente.

Antes deles, o espaço tremulou. A realidade se abriu como um cortina sendo aberta, revelando um portal prateado, girando e ondulando como mercúrio vivo.

Os olhos de Aurora se arregalaram, um verdadeiro choque cruzando seu rosto normalmente sereno. "Como você fez isso?" ela exigiu.

Kaden piscou, inclinando a cabeça ligeiramente. "Fazer o quê?" perguntou.

"Isso!!" Aurora gesticulou vigorosamente em direção à sua mão, ainda brilhando com um intenso brilho prateado.

Ele olhou para ela por um momento, depois deu de ombros, um sorriso arrogante surgindo nos lábios.

"Não sei," disse, com tom de falso orgulho,

"Só fiz."

—Fim do Capítulo 310—

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