Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 301

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden não compreendia exatamente a Marca da Carga. Não no sentido literal da expressão, mas sim, ele não conseguia entender como poderia agora carregar o peso e a vontade daqueles que o consideravam digno.

Era… uma coisa interessante. Mas também gerava perguntas incessantes dentro de sua cabeça.

Como funcionava? Como era possível ele suportar o fardo dos outros? E, mais importante… por que deveria fazer isso?

Ele já tinha cargas suficientes sobre seus ombros. Aumentá-las significava engrossar as correntes que o prendiam. E quanto mais grossa a corrente, mais afiado seria o punhal que rasgaria seu coração quando tudo desse errado.

Considerando tudo isso…

Ele preferiria não assumir os fardos de ninguém.

A vida já era difícil para todos, afinal.

Sorrindo de cansaço e incapaz de compreender alguma coisa concreta sobre a marca, Kaden decidiu deixá-la de lado, sabendo que chegará um momento em que aprenderia mais a respeito.

Mesmo assim…

"A marca é bem elegante," comentou Kaden com um sorriso satisfeito enquanto observava suas costas, onde a marca estava belamente gravada.

Ela parecia quase demasiado realista, e ao olhar fixamente, Kaden teve a estranha impressão de que a água negra estava se agitando e a espada carmesim exibia um brilho sutil.

Era assustadoramente perfeita para seu corpo, como se tivesse sido feita para estar ali desde sempre.

Ele sorriu levemente, sacudiu a cabeça para dispersar os pensamentos persistentes e, então…

"Morte, me reviva."

Tic—!

Kaden lentamente se levantou do chão gelado, com os ossos se encaixando com uma intensidade que quase o fez gemer de prazer, sua expressão agora tranquila como não sentia desde a reunião com o Asterion.

Ele nem usava sua Vontade, apenas suas duas Intenções, fazendo suas pupilas se transformarem em lâminas de espada e sua testa exibir um vórtice de luz negra que engoliu o brilho ao seu redor, pintando o ar com um tom escuro.

Essas eram as manifestações de suas Intenções, e, com base na sua iluminação com elas, ele sabia que, com suficiente proficiência, poderia escondê-las se desejasse.

Sorrindo levemente,

"Reditha," murmurou, sua voz espontaneamente brilhante, carregada de uma ansiedade melosa.

Reditha apareceu instantaneamente atrás dele, seus braços envolvendo firmemente seu pescoço, seus lábios tocando brincalhamente sua orelha.

Kaden conteve um calafrio ao toque.

De repente, o corpo de Reditha ficou imóvel. Sua boca se abriu e fechou num suspiro sem som antes de finalmente…

"Você…" ela gaguejou, "melhorou suas duas Intenções para o próximo nível?" Reditha exclamou surpresa, suas palavras mais uma pergunta do que uma afirmação, incapaz de acreditar em seus sentidos.

Ela puxou a cabeça de Kaden e girou-a rapidamente na direção dela. Seus olhos vermelhos travaram nos olhos em forma de espada dele, ainda chocada, mas uma outra sensação começava a surgir dentro dela, como a maré inquieta de um oceano.

Prazer.

Todo o seu ser foi tomado por isso, a ponto de ela não conseguir segurar o sorriso largo que se abriu em seu rosto como uma rosa sob o carinho de uma mulher.

Cuidou suavemente das bochechas de Kaden, seus toques leves, quase hesitantes, como se tivesse medo de machucá-lo, seus olhos vermelhos ainda fixos nos dele…

"Se fosse só eu…" ela disse, com a voz rouca de emoções reprimidas, "você guardaria esses olhos para sempre."

Kaden sorriu, seus olhos realçando sua beleza de um jeito totalmente novo. "Combinam bem comigo, não acham?"

Reditha concordou, feliz por se ver refletida em seus olhos. Satisfeita por perceber que tinha tanto impacto nele quanto ele tinha nela.

Mas a verdadeira surpresa ainda estava por vir.

O sorriso de Kaden se alargou enquanto tocava levemente suas costas com o dedo. "Olhe minhas costas," disse.

Reditha inclinou a cabeça, confusa com o comando repentino em meio a esse momento tão carregado de emoções. Mas ela não protestou, apenas segurou a camisa dele e a foi levantando lentamente, com toda delicadeza, até que seus olhos se arregalaram, seu corpo se contorceu enquanto todo seu ser focava na visão diante dela.

Ela ficou parada, os pensamentos pararam, sua respiração ficou ofegante, as pupilas dilataram.

Kaden… tinha inscrito ela em suas costas. Sua própria pele, sua própria carne… ele tinha escolhido ela para estar lá, exposta para quem um dia olhasse suas costas procurando orientação, ajuda, amor ou ódio.

Não era alguma mulher ao redor dele. Não era sua família ou sua irmã.

Era ela… sua Origem, sua espada.

Reditha sentiu, naquele momento, uma sensação indescritível crescendo dentro de todo seu ser, tanto que as palavras de repente pareceram irrelevantes.

Pareceu perceber então que ela também tinha um lugar importante na vida de Kaden. Pode não ser sua amante, nem sua futura esposa, nem mesmo sua irmã querida…

…mas ainda era alguém que ele amava, alguém que ele considerava suficiente para gravar em suas costas.

Seus sentimentos escaparam. E, de repente, uma neblina parecia obscurecer o mundo ao seu redor. Estranho, ela percebeu, sua boca tremendo de emoção.

Existem níveis de sentimento onde, como por milagre, você de repente entende o quanto as palavras podem ser vazias e sem sabor. Naquele momento, você sente uma dor repugnante roendo sua alma… a consciência de que, por mais que palavras escapem de sua boca, elas nunca farão justiça às emoções que fervem dentro do seu coração e fazem sua alma gritar.

Por isso, opta por não falar, mas agir. Porque muitos poderiam jurar que apagariam uma estrela só para ver você sorrir, mas quase ninguém faria isso.

Para Reditha, ela apenas levantou a mão, colocou-a nas costas de Kaden e Sentiu a onda de calor a envolver seu corpo não humano. Sorrindo levemente, ela passou os dedos suavemente pelo Marca da Carga, sua pele permanecendo delicadamente sobre a forma da espada.

Depois, sorriu, puxou a camisa de Kaden para baixo novamente e o abraçou por trás.

Ela não tinha coração, mas naquele momento, parecia que tinha, pois podia sentir algo ameaçando rasgar seu peito, se abrir em suas mãos.

E, no entanto, nada disso aconteceu. Em vez disso…

"Nunca vou decepcioná-lo," ela sussurrou.

Era tudo o que disse. Era tudo o que podia dizer.

E isso foi tudo o que Kaden precisava.

"Você nunca decepcionou," ele disse, sorrindo. "E nunca vai."

Reditha apenas se aconchegou mais nele, inalando seu cheiro.

Agora ela entendia…

'Que jogadora…' ela pensou consigo mesma, sorrindo.

Depois disso, Kaden retomou sua caminhada em direção ao centro do reino, decidido a completar sua missão. O processo estava mais fácil agora, e quanto mais ele caminhava — usando suas Intenções para defender-se da Intenção do Louco — mais ele as dominava, tornando-se cada vez mais proficiente.

A névoa ao redor dele foi dissipada pela sua Intenção de Espada Carmesim, e seu corpo protegido por sua Intenção de Morte. As duas juntas formavam uma combinação que deveria ser proibida, pois era simplesmente injusta demais.

Kaden sorriu de canto, olhando ao redor. Agora, finalmente, tinha tempo para admirar as pinturas e, ao observá-las varias vezes, entendeu por que elas tinham mexido com algo profundo dentro dele.

Ele parou, fixando o olhar em uma delas.

Era a pintura de um animal, um cachorro, para ser mais preciso. Tinha uma pelagem dourada luxuosa, brilhando com um brilho dourado, e olhos tão negros quanto a noite de inverno. Era pequeno e fofo, seu rabo balançando para trás como se estivesse animado.

A pintura era tão real, tão vívida, que Kaden quase podia sentir as emoções que esse cão carregava naquele olhar.

Porém, havia algo nela que o deixava desconfortável, algo que o fazia involuntariamente recuar. Ao longo de seu rosto, corria uma enorme e feia cicatriz — diagonal, da córnea esquerda ao queixo direito — deixando o olho esquerdo cego e nublado de branco.

A cicatriz brilhava com uma luz vermelha tênue.

Kaden resmungou, sentindo pena do cão que passou de adorável a trágico por causa daquela cicatriz.

E não era só o cão.

Havia uma pintura de uma mulher com dentes quebrados caindo de sua boca. Uma criança com cabeça deformada, sorrindo, embora o sorriso parecesse mais um rosnado de besta do que algo humano. Um pássaro sem pés batendo as asas de forma errática e esforçada, assustado de tocar o chão como se soubesse que a morte o aguardava. E também uma noite estrelada bonita, constelações brilhando orgulhosamente para o mundo, apenas para o céu todo ser banhado por sangue dourado profundo. E, por fim, uma sala deslumbrante, mas completamente desorganizada, cheia de objetos espalhados e roupas jogadas por toda parte.

Todos eles…

"Imperfeições," disse Reditha instintivamente, notando a mesma coisa que Kaden. Eles franziram a testa juntos, ambos se perguntando quem gastaria tempo pintando algo tão dolorosamente belo, tão real que até Kaden — com sua Vontade — podia sentir as emoções por trás, afetando sua mente… só para deliberadamente acrescentar imperfeições a eles.

Qual seria o propósito?

O pintor tentava transmitir uma mensagem? E, se sim… qual seria?

Kaden refletia enquanto caminhava mais fundo na névoa dourada, ainda mais inquieto ao perceber que as imperfeições ficavam cada vez mais evidentes.

Uma sensação gelada começou a apertar seu peito até que, de repente, ele parou bruscamente diante de uma pintura específica.

Uma pintura sem defeito. Sem imperfeição.

Por algum motivo, a sensação de frio só aumentava.

Era a imagem de um homem de cabelo dourado, com cerca de vinte e cinco anos, de olhos profundos e ardentes, que lembravam tanto Sora quanto o Sol.

Ele usava uma armadura dourada magnífica, manchada de branco. No peito, brilhava uma couraça gravada com o símbolo de Asterion, as ombreiras em forma de sóis giratórios, as vambraces e as manoplas perfeitamente forjadas, e as grevas polidas como espelhos. Atrás dele, uma capa dourada tremulava como um tapete de luz.

Ele se posicionava com uma confiança intimidante, com um sorriso sutil curvando seu rosto perfeito, as mãos juntas na frente, segurando a empunhadura de uma espada cuja ponta descansava no chão.

Kaden não pôde deixar de admirar a beleza daquele homem. De qualquer forma, ele parecia muito próximo de Sirius, e isso por si só já não era algo trivial.

Era a primeira pintura que encontrava sem imperfeições visíveis… e, ainda assim, os olhos de Kaden se voltaram para o cadáver ao lado dela.

Era o cadáver do mesmo homem da pintura, percebeu, mas agora com roupas rasgadas e olhos sangrando carmesim. Seu peito estava rasgado, revelando seus órgãos magníficos, quase desconhecidos, e algo brilhava profundamente onde seu coração deveria estar.

Um brilho de luz estelar.

De imediato, Kaden entendeu o que era. Era o Fragmento de Luz Estelar, exatamente o que Mahina tinha pedido.

Porém, diante daquele fragmento e do cadáver do Imperador Sol Louco — permanecendo intacto apesar da podridão do tempo — Kaden sentiu outra coisa.

A mesma sensação que tivera quando estava prestes a embarcar em sua missão mítica pelo nível de Mestre.

Sorriu. Sua intuição estava certa.

Era uma profecia.

[Você completou sua missão. Death falou.]

[Você recebeu 15.000 Moedas da Morte e 200 pontos de atributo.]

Kaden apenas assentiu com apreciação, então se aproximou do cadáver do Louco. Sem dúvida, não era fácil; a Vontade aqui era fenomenal, e Kaden teve que forçar ambas suas Intenções ao limite só para evitar se ajoelhar novamente.

Porém, conseguiu ficar de pé, a um centímetro do Louco, e, assim, bem perto do Fragmento de Luz Estelar.

Abriu bem a boca e tossiu, tirando seu anel espacial, agora coberto de saliva. Depois, sem se preocupar, colocou de volta no dedo e invocou sua Pedra Mítica.

Ele a segurou firmemente com a mão direita. De repente, uma sensação ridícula de nervosismo e medo começou a rastejar lentamente em seu interior.

Não conseguiu evitar parar, então sorriu de forma torta.

"Você acha que estou pronto, Reditha?" sussurrou.

Reditha apenas sorriu. "Não me faça mentir pra você," disse, fazendo Kaden estremecer antes de completar,

"Mas você vai ficar bem. Vai conseguir, como sempre conseguiu."

Kaden assentiu, sentindo-se um pouco melhor. "Qual é a pior coisa que pode acontecer, afinal? D—!"

"Tut tut tut!" Reditha pressionou a mão firmemente sobre a boca dele, silenciando-o. "Cuidado com o que fala. Palavras têm poder de criação se usadas bem."

Kaden apenas sorriu com os olhos, antes que uma gota de seu sangue surgisse e escorresse na sua Pedra Mítica.

Instantaneamente, o mundo pareceu pausar.

Então…

DING!

{Condições cumpridas para iniciar a Missão de Evolução.}

{Você está na presença de uma Mitologia. Condições atendidas para usar uma Pedra Mítica.}

A Vontade pausou. Kaden prendeu a respiração por impulso, e então…

{Kaden Warborn, portador de Fardos… me diga, o que acontece quando alguém perde o seu caminho?}

Mais uma vez, a Vontade falou diretamente com ele. E mais uma vez, Kaden não conseguiu impedir o calafrio que percorreu todo o seu corpo.

Como naquele momento, a Vontade também não esperava uma resposta.

Ela continuou,

{Você obteve sua Missão de Evolução de Grande-Mestre.}

Uma pausa, mais curta desta vez, e depois…

{Proteja a Senhora das Estrelas. Preserve sua luz.}

De imediato, o Fragmento de Luz Estelar dentro do coração do Louco brilhou intensamente, sua radiância cegando totalmente Kaden, forçando-o a fechar os olhos instintivamente.

Naquele instante, o reino ao redor deles se torceu sobre si mesmo.

As pinturas brilharam com um brilho estelar e começaram a se mover sozinhas, antes de, de repente…

Tudo desapareceu.

A Névoa dourada, as pinturas, o cadáver… e Kaden mesmo.

Tudo foi engolido pela luz da mitologia.

E com isso…

A Missão de Evolução de Grande-Mestre tinha começado.

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