Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 302

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Escuridão.

Kaden achava que, já naquela altura, tinha se acostumado com a escuridão... com o próprio conceito de ausência de luz, com o vazio, ou com qualquer coisa que estivesse entre esses dois extremos.

Ele já tinha passado por muitas delas, afinal de contas.

Mas, toda vez, parecia que a Vontade ou qualquer força que governava os acontecimentos insistia em lembrar-lhe que não. A escuridão em que se encontrava desta vez era diferente de qualquer outra que já tinha conhecido e, ao mesmo tempo, mais próxima da escuridão da morte, da escuridão da própria escuridão.

Havia algo nela que trazia tranquilidade a Kaden, sua mente alegre como se estivesse nadando entre nuvens celestiais tecidas para deuses. E, ainda assim, havia uma sensação muito distinta de medo agarrando suas entranhas, fazendo o coração que ele já não conseguia sentir ameaçar explodir de ansiedade.

Ele sentia, naquela escuridão, que a morte não existia mais. Uma sensação tentadora, devo admitir. Mas essa mesma sensação vinha acompanhada da consciência de que a vida... a vida também não existia mais.

Kaden lutava para se manter firme, tentando controlar-se. Tudo o que sentia naquele momento era vazio.

Um vazio profundo que ameaçava devorar tudo nele... sua mente, suas memórias, suas emoções, sua alma...

Tudo estava sendo engolido por—!

luminosidade.

Os olhos de Kaden se abriram com um estalo alto, seu coração batendo de forma tão violenta que achou que iria sair pela boca. Ele cambaleou, tentando instintivamente enxergar onde estava, mas sentiu uma força esmagadora agarrar seu ombro. Então, com uma força que fez suas entranhas se contorcerem de choque, Kaden quase caiu de joelhos no chão.

Um choque de dor pulsou por sua cabeça. Ele winçeu.

Antes que pudesse sequer organizar seus pensamentos, uma voz profunda e retumbante ecoou atrás dele, martelando dentro de seu crânio como um martelo divino.

"Deverás ajoelhar-se perante o Príncipe," ela rosnou, uma voz como montanhas estremecendo a terra.

Os olhos de Kaden se estreitaram, sua mente ainda confusa, sua percepção ativando-se inconscientemente enquanto ele rapidamente analisava seu entorno.

Estava em um cômodo ornamentado, cheio de detalhes dourados e prateados, tudo brilhando demais para seu humor atual. Ele rangeu os dentes interiormente.

Na sua frente, sentado calmamente em uma cama, havia um homem de cabelos dourados que Kaden reconheceu imediatamente.

Não porque fosse algum amigo há muito perdido que ansiava por ver, mas porque esse homem era exatamente igual à pintura que tinha encontrado ao lado do cadáver do Imperador Sol Louco.

A mente dele, junto com sua Vontade, começou a fazer conexões, mas ainda pairava a dúvida do porquê de estar ajoelhado perante ele.

Ele não precisou refletir muito.

O Príncipe, como o cavaleiro severo e corpulento que o chamara de louco, olhava para ele com um sorriso tranquilo.

Ele abriu os lábios, sua voz um sussurro, e ainda assim Kaden sentiu algo puxando de dentro dele, algo que gritava para obedecer a esse homem.

"Pequeno Cavaleiro," disse Solaris Asterion, "você mostrou potencial. E, por isso, foi escolhido como Guardião-Cavaleiro de uma pessoa muito querida para mim."

Kaden estremeceu ao ouvir sua voz.

Ele odialo.

Se o Príncipe notou sua reação, não demonstrou nada. Simplesmente continuou com uma calma impressionante,

"Você deverá protegê-la dos assassinos que meu irmão certamente gostaria de enviar, e acompanhá-la em quaisquer missões ou aventuras que ela desejar."

"Mas cuidado, pequeno cavaleiro, que falhar em seu dever seria algo que nem você, nem eu gostaríamos de testemunhar." Seus palavras eram frias, mas seu tom e sua voz permaneciam disarmonicamente agradáveis aos ouvidos.

Sua voz suavizou-se, tornando-se quase um sussurro.

"E se surgir uma situação em que sua força não seja suficiente," ele murmurou, "talvez sua vida esteja pronta para a tarefa?"

Falou em tom suave, quase gentil, e Kaden sentiu uma vontade instintiva de dizer sim. Não somente de responder, mas de acreditar com toda a sua alma.

Porém, ele não era um homem comum.

Sua Vontade era forte, forte o suficiente para protegê-lo de qualquer influência que estivesse atuando em sua mente. E, ainda assim, ele sabia que era melhor não revelar que não estava sob influência alguma.

Então, com uma naturalidade que desafia qualquer entendimento, Kaden abaixou a cabeça em direção a Solaris e falou com uma voz calma, submissiva.

"Eu entendo..." disse, só para sentir um forte tapa na parte de trás da cabeça, que poderia ter feito com que caísse no chão, se o cavaleiro atrás dele não o segurasse no lugar.

O mesmo cavaleiro que havia dado o golpe falou a seguir.

"Você deve se referir ao Príncipe pelo título de honra," ele rosnou, seus olhos negros brilhando como dois abismos carregados de hostilidade irracional. "Você vai chamá-lo de..."

A sala ficou tensa, como se estivesse prendendo a respiração.

"…O Filho de Ouro," completou o cavaleiro.

Solaris apenas sorriu inocentemente.

Os olhos de Kaden brilharam com um frio intenso por um instante, antes de abaixar novamente a cabeça.

"Suas ordens são minha vontade, Filho de Ouro."

Solaris sorriu ainda mais, então…

"Então vá, pequeno cavaleiro."

Ele fez uma pausa, seu sorriso se expandindo, embora seus olhos permanecessem levemente distantes.

"…Vá cumprir seu dever em Auroras."

Kaden nunca tinha ficado tão confuso durante uma missão quanto nesta. Sua mente estava sendo destruída por múltiplos acontecimentos ao mesmo tempo, quando ele mal compreendia o básico do mundo ou de sua situação atual.

As poucas coisas que conseguiu perceber — durante o tempo com Solaris, e na direção de algum lugar que ele não tinha a menor ideia — foram, primeiramente, que era um cavaleiro sob quem ele presumiu ser o Imperador Sol Louco, ou melhor, sua versão mais jovem.

E, em segundo lugar, que sua missão era proteger alguém.

A Vontade chamou essa pessoa de Senhora das Estrelas.

Solaris — ou Filho de Ouro, como aquele bastardo arrogante e sorridente adorava ser chamado — chamou essa pessoa de Aurora.

Agora, Kaden não precisava ser descendente da Esfinge para conectar os pontos e perceber que sua Tarefa de Evolução de Grande-Mestre era proteger uma Senhora das Estrelas chamada Aurora.

'Posso ser mesmo descendente do Sherlock,' pensou seco dentro de sua cabeça.

Até aquele momento, Kaden conseguira fazer as conexões sozinho, cercado por pessoas que o tratavam como mais um soldado descartável…

'Bem... acho que sou?' murmurou interiormente, incapaz de esconder seu evidente descontentamento diante da situação, enquanto olhava para a figura à sua frente.

Uma mulher.

De verdade, Kaden já estava cansado da beleza injusta dos Asterions.

Ele não era alguém que se importava muito com aparências, mas tinha que admitir que aquela mulher diante dele não deveria estar pisando na Terra, onde sujeira e imundície se acumulam aos pés das pessoas.

Ela parecia uma estrela, destinada a brilhar intensamente no céu, intocável e imaculada por qualquer coisa ou pessoa.

Seu cabelo dourado reluzia com um brilho insuportável, acompanhando uma pele morena que parecia refletir a misericórdia da terra.

Que paradoxo, pensou Kaden.

Seu rosto era pontilhado de sardas que só aumentavam seu charme. Seus olhos não eram olhos, mas estrelas dançando dentro das órbitas. Seu nariz era pequeno e afilado, perfeito para seu rosto. Seus lábios tinham formato de coração, rosados e carnudos.

Ela estava sentada de forma relaxada em uma poltrona reclinável, com o corpo envolto em um vestido branco que atingia seus tornozelos. Os ombros estavam nus, o vestido sem mangas, e ao redor do pescoço tinha um pequeno colar dourado em forma de sol.

Em todos os aspectos, ela era uma mulher distinta. Mas então…

'Que porra de lamaçal é esse?' pensou Kaden internamente, olhando o caos no quarto dessa mulher que agora sabia ser Aurora.

Tudo espalhado por todos os lados, com pincéis e tinta derramados no chão, roupas jogadas pelo chão e na cama, ferramentas de pintura espalhadas como constelações no céu noturno.

Não havia janelas, o que tornava o ambiente úmido, com um leve cheiro de ferrugem.

Kaden sentiu-se desconfortável. Era uma pessoa naturalmente organizada, e ver tanta bagunça em um único cômodo o deixava sem jeito.

Mais uma vez, sua expressão transpareceu sua reação.

E desta vez…

"Agora, garoto, você é um cavaleiro ou está apenas fingindo ser um?" ela disse, sua voz melodiosa.

O transe de Kaden foi quebrado por sua voz, e lentamente ele focou novamente nela.

Sem saber exatamente o que fazer — e sem familiaridade com os costumes dos cavaleiros — ele apenas abaixou um pouco a cabeça e respondeu com tom calmo e neutro,

"Peço desculpas pela minha falta de entendimento, minha senhora." Tentou soar educado.

Aurora apenas sorriu, seus olhos estrelados brilhando com algo indecifrável. "Bem, acho que meu querido finalmente atendeu aos meus pedidos incessantes e me enviou um de seus cavaleiros rígidos, sem graça e insuportáveis," ela falou com um sorriso estranho, aquele que inconscientemente fez Kaden acenar, tentando seguir o ritmo dela.

Só que Aurora mostrou os dentes num sorriso irônico.

"Era o que eu diria se conhecesse melhor ele," ela riu. "Ele jamais colocaria minha segurança em risco por um rapaz jovem e inexperiente como você."

Ela se levantou lentamente da cadeira, caminhando com calma e intenção em direção a Kaden, com uma expressão de gata entediada que tinha acabado de achar um rato para brincar.

O coração de Kaden apertou por dentro, embora sua expressão permanecesse calma.

Aurora abriu novamente os lábios, pronta para deixar Kaden nervoso. "Talvez você—!"

BUM!

Aurora tropeçou em uma pilha de roupas e caiu de cabeça no chão, com um ronco alto.

Silêncio.

A cabeça de Kaden congelou. Ele abaixou a cabeça mecanicamente e viu o rosto de Aurora vermelho como um tomate, seus olhos magníficos brilhando com lágrimas não derramadas, enquanto uma gota de sangue escorria pelo seu nariz.

Ele estremeceu, e instintivamente — por nenhum motivo além de uma percepção que gritava dentro dele — colocou as mãos sobre os ouvidos.

E ele tinha razão, pois minutos depois…

"CAVALEIRO!! CAVALEIRO FRAUDE!! MEU NASAL! SANGUE! SANGUE!!"

Um grito ensanguentado ressoou através do quarto fechado.

—Fim do Capítulo 302—

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