Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 292

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"O que meu irmão fez mesmo?"

As palavras eram simples, e a voz calma, quase tranquilizadora. Mas Sora não entendia por quê, sentia como se estivesse encarando um ser completamente diferente do Kaden que ela conhecia normalmente.

Seu coração vacilou, e só através do fogo dourado que lhe corria pelas veias conseguiu não desabar, impulsionada pelo orgulho.

Seus olhos ficaram duros como aço temperado enquanto encarava Kaden. Um soldado perto dela se afastou da formação e ficou um pouco atrás, ao seu lado.

Era Rome, usando uma armadura dourada e um capacete blindado que escondia seu rosto.

Naquele momento, ele passava por uma intensa crise de consciência. Seu interior fervilhava ao ver Kaden. Não podia deixar de pensar no primeiro encontro deles. Sentia uma profunda vergonha ao apontar uma espada para aquele homem que tinha poupado sua vida na Floresta do Sol Eterno.

Mas aqui… naquele instante, ele já não era mais Rome.

Era o Cavaleiro da Princesa Sora, sua Senhora. E só conseguia engolir a repulsa que se enrolava na ponta da língua e obedecer às ordens.

Kaden os observava sem sequer se mover de sua cadeira, então seus olhos se fixaram em Sora, que tinha acabado de abrir a boca para falar, sua voz mais fria do que desejava.

"Você entendeu direito, Kaden Warborn," ela disse, com os olhos brilhando.

Já não era mais 'fraudechantagista degenerado', notou Kaden, sentindo um desconforto sutil no peito.

"Perguntei por que seu irmão roubaria algo de nós," ela repetiu, agora numa postura de alerta, seus soldados se endireitando.

O rosto de Kaden permaneceu impassível. "Boa pergunta, voz de ouro," ele respondeu. "Por que meu irmão iria roubar de vocês?"

"Quero saber também, mas primeiro me diga," ele sorriu levemente, "o que ele poderia ter roubado?"

"Um artefato," ela disse, então, "um artefato," ela repetiu, dando ênfase à palavra.

Kaden compreendeu imediatamente, seus olhos se tornaram sérios na hora, mas antes que pudesse perguntar mais sobre a situação, um dos soldados atrás de Rome interferiu,

"Minha Senhora, perder tempo falando com um bárbaro," ele falou, com uma voz condescendente. "Vamos capturá-lo e levá-lo perante o Sol para julgamento e punição por tentar usar intenção de matar contra a sua ilustre pessoa."

Rome virou a cabeça rapidamente em direção ao falante, seus olhos brilhando através da fenda do capacete, com um olhar assassino.

Este sorriu zombando, claramente não levando-o a sério. Mas se ele não levava Rome a sério…

"Se você falar de novo sem minha permissão," Sora rosnou, com sua raiva visível no ar, como um zumbido de dor, "vou queimar você até virar cinzas, e sua família seguirá o mesmo caminho."

Seus olhos dourados fixaram-se no homem, que congelou de choque, o olhar por um instante lembrando-lhe os Olhos do Sol, e ai…

Que cena horripilante aquilo era.

Ele recuou, aterrorizado pela autoridade e poder no sangue de Sora, e abaixou a cabeça até beijar o chão em súplica.

Os outros soldados mal reagiram, permaneciam focados em Kaden. Claramente, quem tinha falado era um novato que não conhecia a primeira virtude de um soldado:

Nunca falar sem receber ordens.

Sora voltou sua atenção para Kaden e o viu com um leve sorriso no rosto.

"Então você veio para me capturar?" Kaden perguntou, agindo como se o incidente nem tivesse acontecido. Seus olhos passaram brevemente por Rome, que discretamente deu um passo atrás.

'Ele me reconheceu?' Rome se perguntou, em silêncio, horrorizado. Mas a atenção de Kaden já voltou para Sora, além dos olhos de mais pessoas que os observavam.

Os membros dos comerciantes do Magnata. Os mestres. E entre eles, o velho Smith. A anã negra assistia à cena com evidente medo. Ela cerrava a mandíbula firmemente ao redor do cachimbo aceso, os olhos claramente hesitando sobre algo.

"Kaden," disse Sora, forçando-se a pronunciar o nome dele, embora odiasse fazê-lo. 'Fraudechantagista' era melhor… pelo menos, era o que era dela. Suspirando internamente, ela prosseguiu: "Precisamos que você nos ajude a encontrar seu irmão."

Kaden arqueou uma sobrancelha, as palavras de Sora confirmando sua suspeita. Ele riu.

"E você acha que vou agora alegremente levar vocês até meu irmão?" ele disse. "Sem saber nada sobre toda a situação?"

Ele balançou a cabeça. "Por favor, voz de ouro. Pensei que me conhecesse melhor do que isso."

"Eu te conheço," retrucou Sora, "e é exatamente por isso que não vim aqui sozinha."

Os lábios de Kaden se curling em um sorriso humorístico enquanto olhava para os soldados ao seu redor, sendo que apenas um tinha rank de Grande-Mestre, e os demais todos Mestres.

Uma força terrível se fosse enviada para capturar qualquer ser de rank Mestre.

Mas contra Kaden?

"Parece que você não me conhece bem o suficiente, então," ele concluiu, levantando-se lentamente do banco onde estava sentado. Imediatamente, a pressão e a tensão no salão aumentaram dez vezes, fazendo a mesa de madeira ranger sob a força.

Os membros da guilda do Magnata assistiam, clicando as línguas. Alguns deles silenciosamente anotaram os prejuízos, prontos para serem ressarcidos depois. Algumas pessoas cuspiram maldições para Asterion por terem trazido a disputa para a oficina e perturbado a paz de seu ofício.

Evidentemente, planejavam protestar depois.

Enquanto isso, Sora não se importava com nada daquilo. Apesar de não querer admitir, ela estava com medo. Não de lutar contra Kaden; ela podia lidar com isso. Mas do que aconteceria se a batalha começasse.

Sua relação com ele ficaria irremediavelmente destruída.

Pelo momento, ela ainda acreditava que havia esperança.

Ainda havia uma maneira de esse fraudechantagista permanecer seu fraudechantagista.

Por isso…

"Não torne isso difícil," ela disse, sua voz mais fria e afiada do que pretendia. "Você pode escapar de nós, Kaden… mas não vai vencer."

Ela fez uma pausa, então…

"E mesmo que, por algum milagre, você consiga…" ela acrescentou, com o olhar fixo demais nos olhos rubros de Kaden, como se buscasse um oceano de sangue dentro deles.

Ela prosseguiu,

"…não se esqueça de que está na capital de Asterion. Há Grandes-Mestres por toda parte, e seres de classificação Építeto suficientes para preencher esta sala," ela falou friamente, balançando a mão para mostrar toda a câmara de recepção diante dela.

"Não se esqueça de onde você está, Kaden." Ela deu um passo calmo e comedido para frente.

"Você está no coração do Império Celestial, um dos governantes do Norte. Você…" ela parou por um instante, e terminou lentamente, "…não pode vencer contra nós, não importa o que faça."

"Então…"

'Por favor…' ela queria dizer, gritar, mas as palavras teimavam em não sair de sua garganta. E por causa disso…

"Então venha conosco antes que sua situação piore ainda mais," ela finalizou, agora encarando Kaden, aguardando sua resposta.

Ele cercado por todos os lados, sem nenhuma rota de fuga.

Kaden ficou em silêncio por um momento, observando Sora e os soldados de forma calma.

"Não sei o que é pior?" ele disse de repente. "Ser morto por desafiar a vontade de Asterion, ou aceitar suas correntes só para serem usados na busca pelo meu irmão?" Ele sorriu levemente.

"Diga-me, voz de ouro. O que aconteceria se eu decidisse segui-los? Vocês me usariam para encontrar meu irmão, e depois me prenderiam? E quando o encontrarem…"

Ele fez uma pausa breve.

"…o que fariam com ele?"

"Ele é um ladrão, Kaden!" Sora disse firmemente. "Temos o direito de recuperar o que é nosso e de fazer justiça! Você não pode nos negar isso!"

Ela odiava cada palavra que saía de sua boca.

"Faremos o que for necessário, mas prometo a você…" sua voz suavizou, seu corpo tremendo levemente, "que você não será ferido. E seu irmão não será morto. Farei o possível…"

Kaden ouviu em silêncio.

"Quem decidirá o nosso destino?" ele perguntou finalmente.

Devagar, Sora respondeu, "Meu pai…" ela sussurrou. "O Sol decidirá o seu destino."

Nisso, Kaden não pôde deixar de lembrar da visão do sol sangrento dentro daquela caverna, lá na masmorra com Asael.

Ele olhou para Sora e sentiu a angústia irradiando dela, apesar de ela tentar esconder. Não só a dela, ele podia sentir as emoções misturadas dos Mestres lá no alto.

Uma reação, em especial, chamou sua atenção: a de Old Smith. Mas ele não insistiu nisso.

Sorriu para Sora. Muitas coisas poderia ter feito naquele momento. Poderia ter atacado. Poderia ter fugido. Mas, ao invés disso, lentamente apontou para a porta.

"Como desejar, Prinzessin. Por favor, me conduza ao Sol."

Todos o olharam, impressionados com sua calma.

Coração de Sora se acalmou um pouco, embora uma dor aguda atingisse seu peito ao ouvir Kaden chamá-la de Princesa. Ela engoliu sua raiva irracional e se virou para liderar o caminho. Kaden quebrou os dedos, seu anel de espaço desaparecendo instantaneamente, invisível a todos.

Ele não estava preso, mas cercado por soldados de todos os lados.

Logo, saiu do prédio, deixando para trás uma multidão de Mestres observando.

"Um rapaz corajoso," comentou uma delas, uma velha com rugas suaves, observando a figura de Kaden se afastando.

Outra ao seu lado, um homem magro com óculos redondos, deu de ombros, com desprezo na voz.

"Você não conhece o velho ditado, velhinha?"

"Coragem é a primeira virtude dos tolos."

Ele fez uma pausa, fixando seus olhos verdes nas costas de Kaden.

"E esse garotinho é o maior tolo que já vi em muito tempo."

—Fim do Capítulo 292—

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