
Capítulo 278
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden não esperava que esse cenário acontecesse.
Ele simplesmente entrou naquele espaço mental para descobrir o que era aquela runa negra e quem a tinha entregado a Luke. Afinal, precisava daquela informação se quisesse salvar Eliot.
Mas, ao invés de respostas, se viu em um lugar onde o peito dele era dilacerado por emoções tão estranhas e avassaladoras que o congelaram no lugar, deixando-o pronto para assistir sua existência ser devorada por algo desconhecido.
Não, se fosse só isso, não estaria tão ruim. Mas Kaden sabia que não morreria mesmo se aquela cabeça monstruosa o engolisse. Ele tinha essa certeza instintivamente.
Luke era a prova.
Então, aquilo não era sobre a morte. Era algo diferente… a sua mente sendo presa em algum lugar, ou pior… corrompida. Qualquer que fosse o desfecho, era algo que ele preferiria evitar.
Então…
"Síntese." Kaden conseguiu pronunciar a palavra, graças à intervenção de Reditha, cuja voz lhe lembrou de onde ele estava.
Nesse momento, a jaw da mulher que chorava já tinha engolido metade do seu corpo, deixando apenas um fragmento dele exposto, uma última lasca antes de ser completamente consumido e forçado a se juntar ao coro de gritos incessantes que ecoavam de sua garganta.
Ele usou Synthesis instintivamente, nem mesmo sabendo se funcionaria, mas tinha que funcionar. A ordem que deu ao processo foi simples, porém assustadora.
Tudo. Sintetize tudo neste lugar.
Foi uma jogada insensata. Ele não sabia com o que estava lidando. Nem mesmo tinha certeza se era possível sintetizar um espaço mental. Mas Kaden não tinha outro plano e, infelizmente, nem tempo para pensar em um.
Porém, havia um problema. Seu nível de domínio em Synthesis ainda não era suficiente para fazer o que pretendia.
Kaden percebeu isso.
Então, colocou toda sua força, toda a Vontade do Colheitador, naquele traço, forçando-o além de seu limite. Também investiu todos os seus pontos de inteligência, concentrando toda sua atenção e poder em uma única intenção: superar sua fronteira e evoluir.
A Síntese começou a se fragmentar, rachando sob a pressão, e algo novo começou a surgir de dentro dela. Mas foi devagar… dolorosamente devagar.
Não, não foi devagar.
Mas, naquele momento, com seu estado se deteriorando e seus joelhos já engolidos pela boca que chorava, era impossível esquecer que era assim.
Ele não tinha mais muito tempo.
Reditha agiu mais uma vez.
Usando cada gota de sangue que Kaden tinha, ela criou uma explosão retumbante que quebrou o silêncio sufocante enterrado profundamente naquele lugar — uma erupção que conseguiu, mesmo que por um instante, parar o processo de devoração da mulher que chorava.
Não foi muito eficaz.
Mas foi suficiente, pois agora a Síntese havia conseguido seu avanço e dado um passo além.
O processo começou imediatamente.
Após evoluir, a Síntese ficou um pouco mais eficiente… mais inteligente, de certa forma. Sem precisar que Kaden lhe desse comando, ela instinctivamente sabia sintetizar de modo a não causar dano ao seu mestre.
Uma cúpula branca se desdobrou, envolvendo tanto Kaden quanto o rosto choroso da mulher. Mas não só isso… a cúpula expandiu-se, espalhando-se até envolver toda a espaço mental de Luke em seu brilho pálido.
A jangada, o mar imóvel, o céu, as nuvens… tudo foi engolido pelo processo, tudo sendo sintetizado para seu mestre, exatamente como ordenado.
O processo era absurdamente frágil. A Síntese lutava ferozmente. Mesmo após evoluir, tentava sintetizar algo muito além de seu nível atual… e, nesse ritmo, dificilmente conseguiria.
Fora, os corpos de Kaden e Luke tremiam como se uma corrente violenta tivesse sido desencadeada dentro deles, chamando a atenção imediata de Meris e Inara, que observavam Kaden.
Seus olhos escureceram ao ver a cena.
"Você sabe o que está acontecendo?" perguntou Inara, com a voz anormalmente tensa. Ela puxou Kaden para mais perto, pressionando sua cabeça contra o seu peito, como se esse gesto simples pudesse evitar que ele tremesse.
Meris, por sua vez, pensava profundamente. Comparada a Inara, ela conhecia bem o Cerveau e a base de como suas habilidades funcionavam. A cena diante dela lembrava tudo demais deles.
E isso só podia significar uma coisa.
"Kaden está dentro da mente do Luke," ela deduziu calmamente. "Provavelmente tentando extrair a informação direto da fonte, ao invés de perder tempo perguntando."
Ela conhecia o modo de pensar de Kaden.
Inara olhou para ela, com as sobrancelhas franzidas. "Então algo ruim deve ter acontecido dentro para ele estar assim," disse ela, e sua voz mudou, monstruosa e cheia de várias camadas, como dezenas de seres falando em uníssono: "Precisamos ajudá-lo."
Mais palavras não eram necessárias. Ambas se puseram em movimento ao mesmo tempo.
Meris deixou o lado de Kaden e se aproximou de Luke, com os olhos indiferentes, agarrando sua cabeça com ambas as mãos.
Ela fez careta.
Nojo a invadiu só de tocar nele. Mas ela engoliu o desejo de recuar e forçou-se a agir.
Gelo começou a se formar ao redor de suas mãos, rastejando pelo couro cabeludo de Luke, espalhando-se mais profundamente. Ela avançou, seu frio invadindo seu crânio, seu cérebro e, por fim, seu corpo por completo.
Ela tinha apenas nível intermediário, então seu poder ainda era limitado, mas com Luke acorrentado e sua mana selada, seu gelo fluía livremente pelo corpo dele, congelando cada célula, cada veia, cada órgão com precisão impressionante. Logo, Luke ficou congelado por dentro para fora.
Meris expirou, uma névoa branca saiu de seus lábios, resfriando o ar ao redor dela.
Luke ainda não estava morto, mas chegaria lá em breve.
Enquanto isso, Inara agia de modo diferente. Ela era a Mãe dos Monstros, e ao ouvir esse título, alguém poderia pensar que seu poder era só para destruir, matar, criar aberrações.
E isso seria um erro.
Existiam todos os tipos de monstros. Alguns podiam curar. Outros podiam criar… poderiam fazer mais do que simplesmente diminuir a quantidade de seres vivos na existência.
Decidindo o que fazer, uma de suas sanguessugas saiu do ouvido esquerdo. Essa tinha a pele mais verde que as outras, era menor e mais delgada, sem a espessura que Inara preferia.
Inara a chamou de Heli. Era a sanguessuga que ela usara em um experimento do qual não tinha certeza se daria certo.
E deu certo.
E agora Heli podia usar magia de cura.
Ela lentamente rastejou pelo rosto de Inara e desceu até a testa de Kaden — onde, ainda nos braços dela, ele jazia pálido — e se fixou ali. Um suave brilho verde se espalhou da pele úmida de Heli, envolvendo a cabeça de Kaden com uma luz calmante.
As tremedeiras de Kaden começaram a diminuir. E, aos poucos, cessaram.
O efeito combinado de suas ações foi impactante.
Dentro do espaço mental de Luke, o gelo se expandia por tudo, congelando tudo completamente. Até o mar abaixo começava a virar uma visão digna da Antártida.
O poder da face que chorava passou a fraquejar, cansado pelo peso e pelo frio opressor do gelo, enquanto a mente de Kaden ficava mais clara, revitalizada, alimentando a Síntese com força renovada.
Todo o espaço começou a rachar, como madeiras partidas sob uma pressão intolerável. Tudo que existia no espaço mental estava sendo despedaçado, como se uma mão invisível estivesse desmontando tudo com brutal precisão.
Os pedaços fragmentados começaram a flutuar em direção à cúpula branca que cercava Kaden, fundindo-se em ondas para completar o processo de síntese.
Logo, tudo dentro do espaço mental foi devorado… exceto por uma coisa.
O rosto choroso da mulher.
Mesmo agora, só de olhar para ela, era possível sentir uma tristeza tão profunda que gelava os ossos e fazia o coração fraquejar.
Ela se recusou a ser absorvida. Lágrimas negras caíam mais rápidas e incessantes de seus olhos enormes, traçando caminhos intermináveis, mas era inútil. Ela tinha perdido sua âncora naquele lugar, e falhado em devorar a mente de Kaden.
Então, lentamente, dolorosamente lentamente, o rosto negro e turvo da mulher que chorava começou a derreter, como aço negro consumido por fogo incandescente.
A escuridão líquida chegou até Kaden e se infiltrou nele, inundando seu corpo. A Síntese trabalhou até seus limites, lutando desesperadamente para filtrar e remodelar a corrupção que entrava.
Depois, tudo que permaneceu ao redor dele foi o vazio, um espaço infinito e oco, envolto pela cúpula branca. E até esse vazio começou a rachar, colapsando para dentro, seus fragmentos fluindo em direção a Kaden como se obedecessem a uma ordem ancestral.
A Síntese não levava a palavra de seu mestre levianamente.
Seu mestre queria tudo. Então, tudo ele teria.
No final, só havia o vazio.
Um vazio tão profundo, tão estranhamente familiar que, se Kaden estivesse plenamente consciente, entenderia de onde vinha essa sensação. Mas ele não estava.
Com isso, o processo terminou, e Kaden foi expelido do espaço mental devorado.
Ele deu uma respiração funda, o peito subiu rapidamente. Seus olhos tremeram, depois se abriram de par em par, revelando novamente seus íris vermelhos-sangue ao mundo.
A primeira coisa que viu foi a si mesmo deitado nos braços de Meris e Inara, sua cabeça repousando em seus colos — sorrisos radiantes capazes de pintar o céu com o tom de uma rosa em flor ao vê-lo despertar.
E a segunda coisa que viu…
[Você sintetizou e devorou o espaço mental de Luke Thornspire contaminado por ****.]
[Você obteve as memórias fragmentadas de Luke e ****.]
[Você obteve 0,05% da Divindade do Caminho da Tristeza.]
[Você obteve o Traço: Lágrimas Negras de Tristeza.]
A mente de Kaden congelou, os olhos arregalaram ligeiramente ao texto brilhante à sua frente, e então sua expressão ficou completamente inerte enquanto visões começavam a inundar sua mente.
—Fim do Capítulo 278—