
Capítulo 274
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O silêncio era ensurdecedor.
Kaden parou no meio do caminho enquanto as palavras de Sabine ressoavam em sua cabeça. Sua mente ficou em branco por um segundo e, nesse instante, ele imaginou a pior coisa que poderia acontecer se Eliot realmente morresse.
Rea.
Imediatamente, seus pensamentos se voltaram para ela, fazendo seu coração acelerar de ansiedade, até que ele abriu os lábios, com a garganta seca como areia no deserto, e falou:
"Q-Qual?" Sua voz saiu trêmula, mais hesitante do que esperava. "Morrrer?" ele repetiu, na esperança de ter escutado errado.
Mas não tinha.
Sabine estava suando, a respiração ofegante, como se tivesse corrido cinco quilômetros sob um sol feroz. "Sim, jovem mestre", ela gaguejou.
"Mas meus pais e a Lady Mayari estavam acompanhando de perto a situação dele, não estavam?" ele perguntou, com o tom desfeito e incrédulo. "Como é possível ele estar prestes a morrer?"
O que estava acontecendo?
"Eu não sei, jovem mestre! Eu não sei… mas esse não é o momento!" Sabine balançou a cabeça, o pânico transparecendo em suas palavras. "Por favor, corra! Ele… ele não tem mais muito tempo!" ela implorou, desesperada que, antes que Kaden chegasse, Eliot já tivesse entregado-se ao doce sussurro da morte.
Reconhecendo a urgência da situação, Kaden não perdeu mais um segundo. "Onde? Onde ele está?" ele exigiu, seu corpo já piscando, passando de uma realidade para outra como uma miragem.
O espaço ao seu redor começou a se distorcer, o calor distorcendo o ar enquanto chamas surgiam, o cheiro de fumaça e queima preenchendo o ambiente.
"No centro de recuperação de saúde, jovem mestre! Ele está no topo do prédio!" respondeu Sabine, as mãos tremendo descontroladamente.
Em um instante, Kaden desapareceu, deixando Meris e Inara para trás.
Os olhos de Inara estavam confusos, imaginando o que estava acontecendo e quem poderia estar morrendo ali. Mas Meris, que conhecia Eliot e sua importância muito bem, tinha o olhar fixo no mundo além da porta.
"Você o conhece?" Inara perguntou, notando a expressão grave de Meris.
Meris assentiu. "Sim," ela respondeu em voz baixa, antes de completar: "Ele é o pai da Rea."
"Rea?" Inara repetiu, confusa com o nome.
Meris ficou em silêncio por um instante, depois murmurou:
"Rea é a primeira."
Era tudo o que ela disse, mas não precisava acrescentar mais nada. Os olhos de Inara se arregalaram em compreensão, e logo seu rosto se acalmou, percebendo a delicada gravidade da situação.
Porque não era alguém qualquer, era o pai da garota que Kaden amava.
"Existe alguma maneira de curá-lo?" Inara perguntou, incapaz de ignorar a sensação desconfortável que torcia seu peito. A ideia daquele homem morrer, de ver a expressão triste de Kaden, a deixava inquieta.
Pois a tristeza dele era algo que ela não queria ver.
Meris não respondeu. Inundada por pensamentos turbulentos, como ondas de uma tempestade, sua mente a levava a lugares que preferia evitar.
Porque pensar demais sobre isso, como Inara, a faria se sentir mal também.
Embora ela não tenha guardado Rea com tanto carinho no coração, isso não significava que a odiasse. Ela apenas odiava o fato de que Kaden tinha aquela garota.
Porém, agora, ela tinha aceitado a realidade de que precisaria dividir seu amor. Aquilo fez ela, inconscientemente, lançar um olhar para Inara, os olhos ainda frios, mas já não tão cortantes.
Ela queria conversar com ela sobre Kaden, mas isso teria que esperar. Por ora, precisava ir apoiar seu amor.
De repente, com um giro rápido, Meris começou a se afastar. "Vou ver se consigo ajudar," ela disse.
"Espere por mim!" Inara chamou, apressando-se para alcançá-la. "Talvez eu possa ajudar também."
Meris apenas assentiu, reconhecendo a natureza peculiar dos poderes de Inara.
E assim, com cada passo que parecia ignorar a própria ideia de distância, Meris e Inara chegaram ao prédio… onde foram recebidas por uma cena assustadora.
…
A morte de um homem é uma tragédia. A morte de milhões é uma estatística.
Já dizia um sábio.
Infeliz verdade, infelizmente. A mente humana consegue sentir e entender a morte de uma única pessoa. Ela compreende a dor, a agonia, o medo de ver um ser morrendo… seja pela velhice ou por uma explosão nuclear sem motivo algum.
Mas a morte de milhões? Infelizmente, a mente humana não consegue conceber esse nível de perda. Não consegue se relacionar com tantas mortes ao mesmo tempo. Ela fica sobrecarregada, e tudo vira números… estatísticas para que se compreenda de verdade.
E quando começamos a enxergar as coisas dessa forma, perdemos a capacidade de nos identificar com elas.
Essa era a situação de Kaden.
Ele já tinha refletido sobre isso antes, já tinha percebido, mesmo que sem querer, esse conceito ao perceber que sentia mais tristeza pela morte do seu mestre do que pelos milhões que morriam em Waverith.
Mas não era tão profundo assim.
Seu mestre poderia ter morrido, mas, no final, ele era apenas um Vontade. O verdadeiro Escravo Invencível ainda vivia… de algum modo, em algum lugar.
No fim, a morte dele doeu, mas não era insuportável.
Porém, isso não valeria se Eliot morresse… e ele já estava morrendo.
Kaden ficou em silêncio, observando a cena à sua frente. Eliot encolhido na cama, corpo fraco, sem músculos, veias pretas e finas serpenteando por sua pele como água escorrendo em pedra seca.
Ele jazia ali, coberto por um lençol branco encharcado de suor, os olhos entreabertos e fechando-se repetidamente. E toda vez que fechava, sua mão fraca se fechava com força sobre o lençol, obrigando-os a se abrir novamente.
Kaden já estava ali há algum tempo, mas ainda não sabia o que dizer.
Seus pais estavam na ponta oposta do quarto, com expressões sérias. Mayari, Medusa, Meris e Inara também estavam lá, com os rostos carregados de silêncio.
Outro personagem sentava do outro lado da cama. Era uma mulher com cabelo curto rosa e olhos verdes, usando um jaleco branco e óculos de armação rosa.
Ela parecia exausta.
Era a médica responsável pelo tratamento de Eliot.
Kaden sentou do lado oposto da cama. Eliot tossiu, percebendo sua presença. Ele virou a cabeça, fraco, na sua direção, embora seus olhos estivessem turvos demais para enxergar claramente.
"Toss… toss… K-Kaden." ele falou rouco, então levantou, tremente, a mão envergonhada em direção a ele.
Kaden segurou sua mão com delicadeza, com as duas mãos.
A frágil sensação de calor daquela mão doente lhe trouxe à memória a morte do seu mestre. Seus dentes afundaram no interior da boca.
Sentindo o calor das mãos de Kaden, Eliot sorriu levemente e voltou a falar: "Tenho só uma coisa para te pedir," disse, antes de uma nova tosse rasgar seu peito, e sangue preto escorrer de seus lábios tremente.
"Estou ouvindo," Kaden respondeu suavemente. Sua voz estava calma, mas seus pais podiam sentir a dor e o medo disfarçados nela.
Serena cerrava os punhos.
Ela odiava aquilo, mas não tinham o que fazer. Tentaram de tudo, colocaram toda a força deles para curar Eliot de alguma forma, mas nada funcionou. Nenhum deles sabia qual rune Luke Thornspire usou para afetar seu irmão, mas era algo tão terrível que deixava até eles cautelosos.
Nem uma poção de rank Lendária poderia salvá-lo. Ela só atrasava a infecção e, quando os efeitos sumiam, a corrupção dobrava de força.
Se tivessem uma poção régia de nível Mítico, provavelmente tentariam. Mas, após a guerra, até as de nível Lendário eram raras.
O custo daquela guerra foi muito maior do que qualquer um deles imaginava.
"Rea..." Eliot começou, a voz se quebrou. "Diga a ela que sinto muito… peça que ela me perdoe por ter sido um pai ruim."
Apenas isso o atormentava. Que, por buscar poder e riqueza, negligenciou sua filha… a filha que só tinha ele após a morte da mãe, no parto.
Ele era tudo o que ela tinha, e mesmo assim deixou claro que ela não era tudo que ele precisava.
Por isso…
"D-Diga a ela…"
…que só queria seu perdão. Só isso.
Kaden ficou em silêncio por um longo momento. Então, com delicadeza, soltou uma das mãos de Eliot e levantou o lençol para olhar seu corpo mais de perto.
Logo se arrependeu.
Um arrepio percorreu sua espinha ao ver aquilo.
De onde deveria estar o coração de Eliot, havia um conjunto de inscrições rúnicas gravadas na pele dele. Eram negras de uma maneira que Kaden nunca pensou ser possível… um preto imaculado, devorador, que parecia engolir a luz ao seu redor.
As runas pulsaram, e a cada batida, veias pretas se espalharam mais ainda, entrelaçando-se pelo corpo de Eliot, chegando até sua cabeça.
"O que é isso?" Kaden perguntou, com a voz tremendo diante dessa visão assustadora.
"Não sabemos, jovem mestre", disse a médica, sacudindo a cabeça. "Tudo o que sabemos é que essa runa não afeta o corpo físico de nenhuma forma."
As sobrancelhas de Kaden franziram em uma expressão séria. "O que quer dizer?"
A médica respirou fundo, tentando se recompor. Mesmo ela, e os líderes de Waverith, duvidaram de sua descoberta, mas não havia erro.
Essa era a única explicação possível.
A runa não tocava no sangue, nos órgãos ou na carne. Ela não consumia vida como qualquer veneno comum faria. Não…
"Essa runa…" ela sussurrou, a voz trêmula.
"…essa runa devora a alma de quem a leva, jovem mestre."
—Fim do Capítulo 274—