Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 273

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Uma besta, no fim das contas, continuava sendo uma besta. Mesmo que parecessem humanos, Medusa e Inara não eram humanas.

E para uma fortaleza que vinha lutando constantemente contra criaturas monstruosas, tendo perdido incontáveis familiares e amigos para elas, a simples ideia de acolher duas bestas perigosas era algo que jamais aceitariam.

Principalmente quando uma delas podia controlar monstros, e a outra poderia envenenar toda a fortaleza num piscar de olhos.

Não eram apenas os civis que se sentiam inquietos, mas também alguns poucos nobres que haviam conseguido manter suas vidas longe do abraço pacífico da morte.

Assim, a única saída para que Medusa e seus restantes convivessem na fortaleza era… fazer um juramento de lealdade a Waverith.

Ao fazer isso, teriam abrigo, uma maneira de conseguir comida e de construir uma vida estável, sem o medo constante dos predadores noturnos da floresta.

Era uma alternativa válida, até mesmo a única possível. Mas Inara não gostava dessa ideia.

Ela não queria se prender a Waverith. Fazer isso traria mais dores de cabeça do que ela podia suportar. Sem falar que ela não acreditava que Waverith merecesse tamanha honra.

Ter a Herdeira da Mãe dos Monstros servindo como guardiã, uma protetora a quem se poderia chamar quando outros monstros batessem à porta? Inara não era arrogante, mas essa ideia a repele.

No entanto, ela precisava se comprometer. Caso contrário, nunca seria bem-vinda. Então, se ela não desejava se ligar a Waverith, faria uma escolha diferente: iria se comprometer com uma pessoa.

Aquela pessoa que, por uma reviravolta do destino, havia lhe dado coragem para seguir seu próprio caminho, para se fortalecer, e que, sem saber, a tornara quem ela era.

E lá estava ela, com um sorriso na ponta dos lábios, as mãos na cintura, declarando a Kaden que iria jurar lealdade a ele — e somente a ele.

Kaden ficou surpreso com a rapidez de suas palavras. Não que ele não compreendesse as razões, na verdade até entendia, mas mesmo assim…

"Você tem certeza disso?" Kaden perguntou. "Se for só para me recompensar por ter te salvado…"

Ele balançou a cabeça.

"…não precisa."

Ele a encarou fixamente, seus olhos vermelhos como sangue mergulhando nos verdes dela, e por um breve instante, Kaden viu oito pares de olhos olhando de volta a partir dela.

Ele ficou surpreso. Era a primeira vez que via algo assim, e ficou curioso sobre a origem de Inara.

Mesmo assim, fingiu que não tinha visto nada e continuou calmamente: "Não te salvei para receber recompensa ou por qualquer motivo assim. Te salvei porque… eu pude, e quis fazer isso."

O sorriso de Inara se ampliou, seus olhos — ainda brilhando como uma piscina de água verde — entrecerrados, até que sua boca se abriu e ela falou:

"Se você me salvou porque podia e quis, então considere que estou fazendo tudo isso porque posso, e porque quero. E, além do mais…" ela virou-se rapidamente, olhando para a paisagem lá fora,

"não é como se eu tivesse muitas opções nesta situação, não é?"

"Ou eu juro minha lealdade a você e acabou, ou faço um escândalo e minha mãe me amaldiçoa por isso. Afinal, não vou me prender a esse lugar."

Kaden assentiu. "Faz sentido." Mas então ele inclinou a cabeça. "Então… sua mãe bate em você?" O tom dele era sincero, ele realmente tinha curiosidade.

As palavras dele fizeram InaraPause por um instante, olhando pra ele com estranheza. "Você… ela…" ela começou Hesitante, "…nunca levou surra da sua mãe?"

Ele balançou a cabeça. "Nunca. Por quê ela ia me bater? Sou o filho exemplo nesta casa."

Inara ficou em silêncio. Ficou olhando para ele por alguns segundos, procurando qualquer sinal de sarcasmo ou brincadeira… mas não encontrou nada.

Kaden estava sério de verdade.

Inara amaldiçoou-se.

"Maldição! É claro! Quase esqueci que estou falando com o grande, o talentoso e magnífico Kaden Warborn! O Senhor do Sangue! O Herói de—!"

"Por favor, para com isso!" Kaden quase implorou, fazendo um gesto dramático com as mãos no peito, como se tivesse levado um susto cardíaco, enquanto levantava a outra mão em um gesto desesperado para fazer ela parar.

Claro, era uma tentativa inútil.

Inara nunca parou. Desde o começo, Kaden tinha um humor demasiado calmo pra ela, e agora que tinha uma chance de fazê-lo mostrar uma expressão diferente daquela sorriso tranquilo… parar ali seria algo que ela se arrependeria para sempre.

Assim, com renovada intensidade e um toque de teatralidade, Inara abriu a boca, os olhos brilhando de empolgação.

"O Herói! Aquele que nunca provou o açoite duro da Mãe! O Preferido! O Escolhido—!"

"Pelo amor de Deus, pare com isso! Ou quer que eu comece a contar a história de você chorando na frente daqueles lobos patéticos?"

"Ei! Não estamos jogando esse jogo! E eles eram patéticos pra você, mas pra mim eram monstrengamente fortes!"

"Que jogo é esse? Só você está jogando!"

O bate-boca deles continuou por um tempo até Kaden finalmente levantar as mãos em sinal de rendição. Ele nunca tinha imaginado perder numa disputa de palavras e respostas, mas que droga… Inara era insistente.

Finalmente, ele suspirou, passando as mãos pelos cabelos sedosos.

"Eu só não quero que você se arrependa."

"Eu não vou", respondeu Inara, levantando uma sobrancelha. "Ou você vai me fazer me arrepender?"

"Quem sabe?"

"Maldição, isso não é um consolo, herói."

"Eu nem tava tentando ser."

Inara deu uma risada.

"Seu jeito de agir só aumenta minha motivação. Então desista, herói. E se você realmente soubesse quem eu sou, não hesitaria agora."

"Você é só um choramingas. Mas tudo bem, a gente podia—!"

BUM!

A porta da sala explodiu numa ventania de estilhaços de gelo, a temperatura despencando instantaneamente. Os passos ecoaram no ar congelado.

Kaden e Inara imediatamente reconheceram quem era ao sentirem aquele mana distinto. Kaden sorriu de lado. Estava tão concentrado em Inara que sua percepção ficou momentaneamente turva, e ele deixou passar a chegada de Meris e agora…

"Inara." A voz de Meris ressoou fria… tão fria que Kaden juraria, por um instante, que toda a sala virou uma nevasca de tempestades de gelo.

Ele deu um passo atrás discretamente, virou a cabeça de lado, fingindo que nada tinha acontecido. Queria até assobiar, mas sabia que era melhor não chamar a atenção de Meris naquele momento.

Inara virou o rosto para Meris.

Ela caminhava lentamente, vestida com um robe azul sem mangas, decorado com padrões de lotus brancos como a neve, que contornavam seu corpo até pouco abaixo dos joelhos. Seus cabelos roxos estavam trançados em um nó grosso jogado sobre o ombro esquerdo. Ela usava joias nas mãos, pulsos e pescoço que brilharam com um lustre roxo.

Ela andava com calma, os quadris oscilando o suficiente para fazer Kaden olhá-la por um pouco mais de tempo do que gostaria.

Ele virou a cabeça envergonhado, com o rosto vermelho.

Em poucos segundos, ela estava a um passo de Inara, com olhos prateados carregando uma expressão de frustração congelada.

"Eu te disse para me esperar," ela disse, seu hálito frio formando vapor ao atravessar o ar até o rosto de Inara.

Inara sorriu.

"Queria um tempo a sós com ele, Meris," respondeu, sem se incomodar com o tom de Meris. "E queria conversar com ele sobre algo importante."

"E o que seria isso?"

Kaden agora apoiava-se na parede, com os braços cruzados, assistindo de canto com uma expressão leve de diversão. 'Elas parecem bem próximas,' comentou consigo mesmo.

"O que mais? A única maneira de eu não perder um ou dois dentes," disse Inara, e Meris logo percebeu. Seus olhos, como de vidro, se arregalaram um pouco.

"Não me diga…?"

"Sim." Inara assentiu. "Quero que Kaden seja o único a quem eu jure minha lealdade. Algo que acho que ninguém ousaria negar, especialmente agora que ele é…" ela virou o olhar para Kaden e sorriu sarcasicamente,

"…nosso herói."

Meris olhou pra ela com as sobrancelhas levantadas. Não era pouca coisa afirmar lealdade. E se Inara estava disposta a chegar tão longe…

'Mais uma…?' pensou, cerrando os lábios numa linha fina.

Ela virou-se em direção a Kaden, prestes a falar, mas a porta, já reparada, voltou a se abrir com um estrondo forte, fazendo-a engolir a frase de volta.

Kaden puxou um sorriso de lado.

Ele se virou rapidamente, pronto para lançar seu olhar de morte no responsável, mas não conseguiu, pois se deparou com Sabine.

Ela estava lá, com os olhos arregalados de preocupação.

"Jovem Mestre, desculpe interromper, mas temos uma questão urgente!" ela disse, apressada, já se virando parcialmente para o corredor.

Kaden franziu a testa. "O que aconteceu?" perguntou, caminhando em direção a ela, mas parou ao ouvir a próxima frase dela cortando o ar.

"É Patriarca Eliot Thornspire, senhor! Ele quer te ver. Ele… está morrendo."

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