Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 263

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Eles estavam sendo corrompidos.

Não sabiam como seres de seu nível poderiam ser corrompidos apenas pelo domínio de outro, mas isso estava acontecendo… e os resultados eram terríveis.

Havia vários deles antes de Serena liberar seu Domínio do Vazio, com vários outros Grandmasters e até Mestres ao redor, prontos para sacrificarem suas vidas patéticas para protegê-los, mas todos se tornaram completamente inúteis no instante em que o domínio foi criado.

Todos morreram imediatamente, como se seus próprios corpos não pudessem sobreviver naquele ambiente. E agora, eles entendiam o porquê.

Este não era um domínio feito para a fisiologia humana. Era um domínio no qual apenas algo inumano, algo totalmente sem sentido, poderia sobreviver… e…

Acha que você era melhor do que um humano?— a voz de Serena ecoou pelo vazio, fazendo Neron, Calix e Ziriel torcerem seus corpos escurecidos, corrompidos pelo vazio, enquanto buscavam a fonte de sua voz. Mas não havia nada.

Ao seu redor, só se estendia escuridão pura. Eles não sabiam onde era frente, onde era trás, qual era para cima ou para baixo.

Estavam completamente e absolutamente perdidos.

—Como é possível? Como não percebemos o quão poderosa ela é?— os pensamentos de Neron vibraram em alta velocidade enquanto seu corpo lutava contra os venenos do vazio corroendo suas entranhas.

Isso não fazia sentido algum.

Eles podiam ter menos informações sobre os Guerreiro da Guerra do que outros, por terem menos espiões em seu território, mas a disparidade não deveria ser tão grande assim.

Ele balançou a cabeça. Depois, pensaria sobre isso. Por ora, precisava encontrar uma saída para essa situação.

A única maneira de destruir um domínio era liberar outro de força equivalente, ou matar ou ferir fatalmente aquele que o criou.

Eles não podiam fazer nenhuma dessas coisas.

Pelo menos, não sem usar os Aspectos do seu Etos. Neron rangeu a língua. Sempre odiara usar seu Aspecto, pois isso o deixava completamente esgotado. Mas, neste momento, não havia outra alternativa.

Seus olhos neon ficaram duros como aço congelado enquanto ele olhava para Calix e Ziriel. Ao perceberem seu olhar, eles imediatamente souberam o que deveriam fazer.

E Serena também.

O seu Etos, hein?— ela deu uma risadinha e, de repente, apareceu diante deles, lá do alto, sentada em um trono feito de pura energia do vazio endurecida.

Seu aspecto anterior tinha desaparecido. A criatura que ali estava tinha pele escura como o espaço, sem um pingo de luz, e olhos que eram apenas círculos de escuridão girando. Seu cabelo fluía como sombra condensada, e sua antiga armadura tinha se transformado numa túnica régia coroada por uma diadema de vazio.

Ao vê-la, os três Cerveau sentiram uma vontade esmagadora de se curvar diante dela. Mas resistiram. Fracassaram.

Os venenos do vazio em seus corpos gritaram de reverência ao ver sua rainha, forçando todos a ajoelharem-se.

Três seres do Reino do Etos. Três Cerveau. Todos ajoelhados diante de Serena, que se sentava com uma realeza maliciosa em seu trono.

Ela virou os lábios para cima.—Como devo acabar com isso, me diga?

Ziriel rosnou, seus olhos neon brilhando com uma intenção fria e assassina.—Você não pode nos matar. Se tentar, arrastaremos você junto conosco.

Serena inclinou a cabeça.

Os Cerveau se esforçaram, com esforço imenso, para se levantarem novamente, encarando-a com olhos frios o suficiente para congelar mundos.

Você nos pegou de surpresa. Você é mais forte do que esperávamos. Mas não sabe?— O sorriso de Neron era vazio.—A explosão de uma alma de Reino do Etos é… bastante perigosa, não é?

Já imaginou três delas?

Serena parou de rir, reconhecendo a ameaça por trás de suas palavras. Ela olhou para os três e balançou a cabeça.—Vocês não vão fazer isso. São covardes que só usam outros para fazerem o seu serviço sujo. Não têm coragem de sacrificar suas próprias vidas.

O sorriso dos Cerveau era de crueldade indiferente, mas, por baixo da indiferença, algo frágil vacilava.

Então, você seria um tolo se acreditasse nisso.

Nós só nos importamos com a vitória. E temos certeza de que, se te derrubarmos, a vitória será nossa.

Calix interrompeu, sorrindo de forma tênue.—Não se esqueçam, vocês só nos trouxeram até aqui. Não estão esquecendo de alguém?

As palavras de Calix fizeram a expressão de Serena se endurecer. Cabeça. Ela não tinha sentido sua presença desde o começo. Onde ela estava?

E se três Reinos do Etos detonassem suas almas, mesmo ela duvidando que sobrevivesse a isso.

Os Cerveau começaram a relaxar, acreditando que tinham ela sob controle. Neron escondeu as mãos atrás de si, seus dedos mexendo rapidamente enquanto começava a inscrever uma runa para escapar.

Calix e Ziriel estavam inúteis aqui, seus poderes de controle mental e emocional completamente engolidos pelo vazio ao redor.

Somente Neron permanecia – e isso já era suficiente.

Ou pelo menos, achavam que era.

Serena riu, e a pressão no domínio aumentou ainda mais.

Vocês claramente não nos conhecem bem o bastante. Ou talvez meu domínio tenha apagado a astúcia dessas mentes das quais tanto se orgulham.

Serena levantou as mãos e as uniu lentamente. Seus movimentos tremiam, eram tensos, como se ela estivesse tentando achatar um mundo entre as palmas de suas mãos.

Porém, aquele gesto simples soou como um sino de alerta de morte certa nos corações dos Cerveau. Seus pulsos aceleraram loucamente.

Acha que pode ameaçar um Guerreiro da Guerra com a morte?— os olhos gêmeos de Serena giraram mais rápido, a luz escura se intensificando.—Somos morte, seus tolos. Nascemos na guerra, e com alegria morremos nela.

Quer explodir suas almas, então?

Ela sorriu friamente.

Faça isso. Porque, se não fizer, no próximo segundo… vocês serão apagados da existência sem terem feito nada de realmente importante nas suas vidas.

Sua voz soou como um decreto de uma deidade.

Neron e os demais sabiam que estavam condenados. Eles morreriam com esse ataque. Então, com tudo que lhes restava…

USEM OS ASPECTOS DO SEU ETOS!— Neron rugiu.

Serena apenas riu ainda mais alto.—Escolha errada, pequeno gênio. Você deveria ter destruído suas almas.

Sabiam que ela tinha razão. Sentiam isso, o poder devastador se acumulando entre as mãos dela.

Mas não podiam fazê-lo. Não podiam se destruir. Como poderiam? Como seres que se consideravam deuses acima da humanidade, dispostos a abrir mão de suas vidas por vitória? Seres que valorizam a sobrevivência acima de tudo, vendo os outros apenas como ferramentas?

Não podiam.

E é justamente por isso que iriam perder.

Porque estavam enfrentando alguém que valorizava a morte do mesmo jeito que eles valorizavam a vida.

Estavam enfrentando…

Sou um Guerreiro da Guerra. Não ameaçe-nos com morte honrosa.

… um Guerreiro sangrento.

PALMAS—!

As palmas de Serena se encaixaram. Os Cerveau estavam prestes a liberar seus Aspectos, com bocas abertas para falar…

Mas as palavras nunca saíram.

A voz antiga, terrível, completamente aterradora de Serena ecoou pelo domínio.

Não… por toda Waverith.

Todos ouviram. Todos sentiram o terror naquela voz, uma promessa gelada de esquecimento. E todos se perguntaram quem poderia possuir uma voz que os fazia sentir como se estivessem sendo engolidos por um vazio impiedoso.

Porém, enquanto as palavras ecoavam, todos sabiam, sem a menor dúvida…

Lança do Fim.

… que aquela não era a voz de um humano.

Era a voz de um deus.

Acima de Waverith, acima do território dos Cerveau, uma lança colossal de vazio negro condensado, com uma ponta mais afiada que vidro, cortou os céus e despencou em direção ao solo.

Por um instante, o mundo foi engolido por trevas sufocantes antes que a luz retornasse.

Porém, o território dos Cerveau não existia mais.

Tudo simplesmente desapareceu, deixando apenas uma mulher de cabelo vermelho e olhos negros, pairando sem peso no céu, olhando para os três cadáveres diante de si.

Seu rosto estava cansado, seu corpo tremia de exaustão, mas ela conseguiu apoiar um sorriso pequeno e cansado.

Não se esqueçam, nós somos os Guerreiro da Guerra.

Ela repetiu, e desta vez…

As palavras carregaram o peso de algo muito além da compreensão mortal.

Longe, na vastidão selvagem, Garros parou por um momento e virou o olhar em direção a Waverith. Sentira o poder liberado ali, e sabia exatamente quem o havia feito.

Um sorriso largo se abriu em seu rosto enquanto ria de forma selvagem: “HAHAHAHAHAHAHA!”

Sua voz sozinha fez as chamas brancas ao redor cessarem o ataque contra seu corpo e dispersarem. Ele riu por vários segundos até fixar seus olhos vermelhos em Goremaw.

A besta de carne endurecida, envolta em chamas brancas que cintilavam, tinha ferimentos por várias partes, mas seu fogo a curava rapidamente, deixando seu corpo sem marcas.

No entanto, sua expressão era séria.

O mais jovem matou dois Grandmasters. Minha filha matou um. Meu exército destruiu seus Steelbeasts. E minha esposa acaba de lançar um ataque forte o suficiente para apagar dois deles.— Garros sorriu.

Sou o único restante, não é, Goremaw?

Mas antes que eu acabe com essa batalha, deixe-me fazer uma pergunta.— Ele ergueu um dedo para cima.

Goremaw não queria conversar. Queria lutar, matar Garros, mas até ele sabia da futilidade. Esse homem era um monstro, mais do que ele mesmo.

Ele não tinha chance.

Qual sua pergunta?— a voz de Goremaw manteve-se firme, forte, orgulhosa, confiante.

Porque ele sabia que não havia vergonha em perder para um monstro como aquele.

Me diga...— começou Garros,

o que você acha da minha família?

A pergunta pegou Goremaw de surpresa. Ele esperava algo diferente — uma ameaça, talvez uma ofensa — mas não aquilo. Ainda assim, rapidamente se recompôs e pensou numa resposta.

Lembrou-se de como Kaden e Daela haviam matado seus comandantes ainda na classificação de Mestre. Como os soldados de Guerreiro da Guerra haviam massacrado seus exércitos, transformando o campo de batalha numa maré de sangue. E lembrou do sentimento terrível, que esmagava a alma, que havia sentido poucos instantes antes…

Com tudo isso junto, havia apenas uma coisa que podia dizer sobre os Guerreiro da Guerra.

Uma coisa.

São um bando de monstros usando pele humana.

Garros riu.—Então, que esse monstro envie vocês para a próxima vida, Goremaw. Você foi um bom parceiro de batalha.— disse enquanto Aeron aparecia na sua mão.

Goremaw ficou ali, suas chamas brancas tremulando enquanto lentamente se condensavam em uma esfera do tamanho de uma moeda.

A temperatura aumentou tanto que o próprio espaço começou a queimar, e algo parecido com aço derretido misturado com luz das estrelas começou a escorrer.

Não vou desistir sem luta.— rosnou Goremaw.

Garros sorriu.—Não esperaria menos de você.

Ambos assumiram suas posições, sorrindo um para o outro. Então, um instante depois…

Buraco Branco.

Lâmina do Espaço.

—Fim do Capítulo 263—

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