
Capítulo 262
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Em branco.
A mente de Eliot ficou vazia enquanto ele caía no chão polvilhado de destroços quebrados. O espaço ao seu redor se tornava uma névoa de nada. A única coisa que ele ainda podia ouvir — ou mesmo perceber — era seu coração desacelerando até parar.
Ele simplesmente não entendia o que estava acontecendo, mas a dor que zigzagueava dentro do peito como um verme devorador deixa claro que…
…ele não estava tendo alucinações.
Seu irmão… seu próprio irmão, seu pequeno irmão, aquele com quem cresceu, que esteve com ele desde o começo, aquele homem que ele tinha considerado seu maior amigo e apoio…
…aquele homem havia o traído.
Era doloroso.
Eliot nunca tinha sentido uma dor assim na vida. Nem mesmo quando sua esposa morreu dando à luz.
Ele jazia de costas sobre o solo roto, tossindo rios de sangue vermelho escuro com um cheiro pestilento, tentando levantar os olhos para o rosto de Luke, seu irmão.
E viu. Aquilo — o olhar — frio, distante, cruel. Luke olhava para ele como uma serpente que olha para uma minhoca rastejando… com desprezo. A dor no coração de Eliot aprofundava-se, atingindo um nível além das palavras.
Ele queria perguntar por quê. Queria saber o que poderia ter levado seu irmão a traí-lo, a descartar a herança pela qual seu pai havia sangrado. Queria entender tudo… mas sabia. Seu tempo esvaía-se mais rápido do que poderia agarrar-se, e logo ele morreria.
Então, ao invés de uma multidão de perguntas, fez apenas uma.
"Q-Que… foi o preço?" sua voz saiu rouca, como a de um homem que está se afogando. E ele realmente estava… afogando-se… só que no próprio sangue.
Luke ouviu a pergunta de seu irmão e ficou em silêncio. Seus olhos se desviaram em direção ao morto Matthew, cujo corpo estava perfurado por espinhos de todas as cores e formas. Depois, seu olhar voltou ao campo de batalha, ao oceano de sangue que fervia e borbulhava como as lágrimas de um deus morto.
Era uma visão dilacerante.
O barulho começava a diminuir. As mortes desaceleravam.
A batalha estava chegando ao fim.
Somente após absorver tudo isso, Luke se agachou ao lado do corpo trêmulo de Eliot. Os olhos do irmão estavam desfocados, a respiração superficial, o corpo tremendo como se estivesse no coração da Antártida. A Morte o chamava, e a Morte nunca é uma hóspede paciente.
"Qual foi o preço?" Luke repetiu, então sorriu. Era um sorriso estranho, que parecia preso entre risada e lágrimas.
"Você é o preço, irmão."
Eliot não reagiu. Nem podia, mesmo se quisesse. Qualquer que fosse o feitiço que Luke tinha usado, estava consumindo-o vivo de dentro para fora.
Mesmo assim, Luke continuou, mesmo com Eliot já incapaz de responder, pois sabia que ele ainda ouvia.
"Queria o comando desta Casa. Queria ser o líder, aquele que devolveria Thornspire ao seu lugar de direito. Queria minha própria obra, minha própria lenda, meu próprio mito. Queria ser aquele de quem as pessoas falariam, o que sussurrariam aos filhos antes de dormir." Sua voz era suave — quase reverente — mas aos ouvidos de Eliot, parecia o sussurro de uma cobra.
Seu ritmo de respiração desacelerou ainda mais.
"Mas para que tudo isso acontecesse… você tinha que ir."
Luke segurou a mão ensanguentada de Eliot com as duas, como um irmão devoto cheio de amor, lágrimas descendo pelo rosto.
"Mas você não vai partir como um ninguém, irmão. Você vai partir como um herói. Será lembrado como quem matou o monstro do Plano do Epíteto que tentou nos destruir. Você será conhecido, irmão. Só não como você foi destinado a ser. Então vá… descanse em paz."
Enquanto falava, soldados vestidos com a armadura branca de Elamin surgiram ao redor, observando a cena. Aos olhos deles, parecia um irmão lamentando outro… chorando, sussurrando promessas de que seu irmão seria lembrado, que ele seria um herói.
Até os soldados inimigos se aproximaram, e de forma estranha — ou talvez não — sem atacar.
Eliot quis rir da loucura de tudo aquilo. Quis gritar, amaldiçoar, mas tudo que saiu de sua boca foi um resfolego engasgado, o som de um homem afundando no rio da morte.
Então, desistiu de tentar falar. Usou o pouco de força que lhe restava para pensar na coisa mais importante… sua filha.
Aquela que ele deixava para trás neste mundo de lágrimas, medo e agonia.
Ele não pôde deixar de concordar com Luke em uma coisa… ele tinha sido um pai ruim. Um homem que focou mais na reputação de sua casa do que no bem-estar de seu próprio filho. Um homem que entregou sua filha a outra família, tudo por apoio, poder, legado…
Pela obrigação.
Que palavra simples, mas esmagadora. Uma palavra que podia destruir você ou dar razão para viver.
Eliot viveu por duas obrigações: ser um bom líder e ser um bom pai.
Falhou em ambas. E falhou justamente por focar apenas em uma delas. A tristeza começou a sufocá-lo, levando embora o pouco de ar que lhe restava neste mundo desperto.
Se ao menos soubesse. Se ao menos tivesse percebido mais cedo… teria escolhido diferente.
Porque agora ele entendia. A casa não era sua herança. Thornspire não era sua herança.
Sua filha era.
E ele a tinha falhado.
'Eu… desculpe, Rea… desculpe…'
'Desculpe, Fatou… falhei com nossa filha… falhei com você…'
Seus pensamentos ficaram lentos. A respiração diminuiu. Logo, lentamente, começou a cessar.
Luke ainda chorava, mas era um tipo estranho de choro. Lágrimas escorriam, mas seus olhos permaneciam gelados, como se fossem feitos de gelo.
Ele partiu os lábios de novo.
"Descanse—!"
"Ah, meu mestre certamente não gostaria desta cena."
Uma voz feminina fria ecoou pela terra arruinada, aguda e assombrosa, do tipo de voz que alguém imaginaria pertencendo ao maior dos demônios. Todos voltaram a olhar.
Bem acima, no céu manchado de preto e vermelho, havia uma mulher. Vestia uma túnica carmesim e uma máscara ensanguentada, seus cabelos eram uma cachoeira escarlate. Flutuava leve no ar, como se a própria gravidade ousasse não tocá-la.
Seus olhos amarelados-cinzentos brilhavam com uma fúria pura, imaculada, que fazia o mundo parecer sufocar.
"Você…", a Abominação anunciou.
E num instante, ela desapareceu do céu e reapareceu no chão, segurando o corpo morno de Eliot nos braços.
Ela virou lentamente a cabeça, fixando seus olhos flamejantes em Luke, que ficou congelado. Seu coração pulou ao ver a raiva nela.
"Você está morto."
O mundo parou.
Então, o céu se rasgou como se fosse despedaçado por mãos invisíveis. Acima dela, um portal negro e turbulento se formou, riscado por luz carmesim, e dele começou a descer uma chuva de mortos-vivos, como um dilúvio divino desencadeado por um deus da morte.
A batalha tomou um novo rumo. Mas desta vez…
Não haveria misericórdia. Sem hesitação.
Apenas matança.
Apenas um oceano maior de sangue… um oceano feito do sangue dos traidores.