
Capítulo 264
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A guerra é o ventre do sangue e a sepultura da razão.
Essas palavras surgiram do nada na mente de Kaden enquanto ele testemunhava a cena à sua frente — um vasto oceano de sangue fervendo e borbulhando sob seus joelhos, corpos mortos de Steelbeasts e soldados de sua Casa flutuando sobre ele como ilhas perdidas em um mar amaldiçoado.
Ele não pôde deixar de pensar… o que valia tudo isso? Existia alguma razão para causar tal carnificina, tal massacre, tamanha violência desenfreada?
Não. A verdadeira questão que deveria fazer era… por que estavam matando essas criaturas quando sabiam quem realmente eram os culpados?
Por que causar mortes desnecessárias quando tudo isso poderia ter sido resolvido se simplesmente tivessem eliminado o Cerveau desde o começo?
Ele ponderou. Mas também não pôde deixar de notar como seu sangue andava mais rápido, seus sentidos se aguçavam, seus músculos se tensionavam, prontos para agir a qualquer momento.
Por que, neste reino de morte, sangue e crueldade, seu corpo não podia parar de tremer de prazer?
Ah...
A revelação veio com força. Lentamente, levantou a mão, direcionando-a ao rosto, e percebeu a curva ascendente que seus lábios faziam.
'Estou... sorrindo?' pensou Kaden, sua mente navegando por um rio de emoções turbulentas enquanto se deleitava naquele lugar — ou melhor, naquele cemitério.
Todas essas mortes eram desnecessárias. Todo esse sangue derramado era inútil. Sim, eram.
Porém, de uma maneira estranha e profundamente preocupante, Kaden se encontrou num estado de espírito peculiar. E foi somente então — quando o gosto de sangue nos lábios lhe fazia estremecer de alegria, quando o cheiro de morte acalmava sua mente inquieta — que finalmente compreendeu a influência da sua Vontade sobre ele.
Não apenas em termos de poder. Não apenas em relação à sua posição entre os mundos. Mas também em termos de mentalidade, de perspectiva.
E ali, seus pensamentos retornaram a uma citação de sua vida passada:
Nada se consegue sem perder. Até os céus exigem mortes.
Naquele momento, essas palavras atingiram Kaden como um caminhão em alta velocidade.
'Nada é sem preço. Nada neste mundo é grátis. Meu mestre obteve a Vontade Invencível, e por isso se tornou escravo do céu.'
'E agora estou aqui, segurando a Vontade do Ceifador... qual é o custo? Qual o preço de devorar sangue e almas de tudo que há entre o céu e a terra?'
'Serei um escravo? Ou serei algo diferente?'
Essas perguntas rangiam em sua mente como ratos implacáveis.
Mas Kaden não sabia as respostas. Por isso, com um suspiro, deixou-as de lado, decidindo que as enfrentaria quando chegasse a hora.
Por ora, virou o rosto em direção ao céu para testemunhar o fim de Goremaw, o Ironbound.
Assistiu enquanto o céu, de repente, incandesceu com fogo branco impoluto, como madeira seca pegando fogo, rachando e estilhaçando-se em milhões de fragmentos enquanto o céu parecia desabar para dentro, engolindo as chamas junto com ele.
Mesmo de onde ele estava, podia sentir o poder devastador por trás de cada trovô de luta entre os dois monstros lá em cima. Mas sabia que seu pai venceria.
Sem dúvida.
E, de fato, em pouco tempo uma silhueta começou a cair do céu, aterrissando a uma velocidade cegante. Ainda irradiando o calor do corpo de Goremaw, o calor fazia o ar ao redor vibrar como se estivesse em chamas.
Observando o corpo descer, ainda envolto em chamas brancas cintilantes, Kaden sentiu uma estranha vontade. A vontade de pegá-lo. De reivindicá-lo. De fundi-lo a si mesmo.
Ele soube instintivamente que ganharia algo majestoso com aquilo, algo que intensificaria sua própria chama, talvez até o impulsionando além do que era agora.
Ele deu um passo em direção ao oceano de sangue, querendo se aproximar do cadáver. Deveria ser difícil atravessar, mas ele era o Senhor do Sangue. O mar carmesim se abria para ele, criando uma passagem.
Mas então, ele parou.
Porque uma visão perturbadora surgiu diante dele: um pequeno rato amarelo, com olhos vermelhos, nadando sem esforço através do sangue. Seus olhos, duas brasas ardentes de uma inteligência sinistra, fixaram-se nele diretamente.
Apesar de nadar em sangue, seu pelo amarelo estava imaculado. Nenhuma mancha o tocava.
Um calafrio frio percorreu a espinha de Kaden.
Por um momento, ele não se moveu. Sua mente acelerou. Reconheceu aquele rato. Era o mesmo que o ajudara a escapar naquela noite... e que o conduzira ao Ninho do Cerveau.
'O que é isso?' pensou, mas suas pernas já se moviam na direção dele.
Ao longe, os olhos de Daela o seguiam, uma confusão piscando neles enquanto ela assistia seu irmão pequeno se afastar.
Ela não viu o rato.
Se Kaden não estivesse tão fascinadamente hipnotizado pela criatura, talvez tivesse notado aquele detalhe pequeno, perigoso. Mas não notou.
Ele se aproximou e, como antes, o rato amarelo desapareceu no instante em que ele se chegou demais.
No local onde ele tinha estado, uma pequena formação de runas cintilava fracamente. Tão pequena que ele poderia ter perdido, se não fosse sua percepção aguçada.
De forma rígida, quase instintiva, estendeu a mão e tocou nela.
Uma luz azul extremamente intensa e cegante fez Kaden desaparecer em um piscar de olhos.
Imediatamente, Daela se levantou, saindo do corpo do Grande Mestre Jeni, com os olhos arregalados e vasculhando a extensão ensanguentada ao redor, procurando por seu irmão.
Seu coração pulsava forte. O medo atravessou seu peito como mil pedaços de vidro, enquanto o pânico começava a rasgar sua mente.
Ela tropeçou e correu através do oceano de sangue borbulhante, esforçando-se a cada passo até chegar ao local onde o vira pela última vez.
Mas não havia nada.
Seu corpo tremia.
Suas espadas gêmeas materializaram-se em suas mãos. Seus olhos tornaram-se mortos, sem alma, indiferentes, prontos para o pior.
Então, veio a voz profunda de seu pai, cortando seus pensamentos de espiral como uma lâmina.
"Onde está o mais novo?" perguntou Garros.
Daela virou-se e o viu, com o corpo imenso de Goremaw pendurado sobre seu ombro. Ele parecia não se importar com a chama branca que ainda queimava sua pele.
Ela permaneceu em silêncio por um instante, depois, com rigidez, abriu a boca.
"Não sei." Sua voz saiu tensa, trêmula.
"O quê?" Garros inclinou a cabeça, com tom baixo, perigoso. Os olhos de Daela ficaram mais frios, mais mortais.
"Não sei."
…
Kaden reapareceu em um espaço completamente diferente, seu corpo caindo forte ao chão, com os joelhos batendo contra o piso frio.
Ele congelou.
A terra sob seus pés era preta, e ao olhar mais de perto, percebeu o que estava de joelhos, embora sua mente recusasse a acreditar até que sua mão trêmula tocou no que estava ali.
Seu coração apertou.
Devagar, levantou o olhar e observou a cena grotesca ao seu redor.
Estava em uma vasta câmara, com paredes de um branco pristine, mas manchadas de sangue, com trails parecidos com veias descendo por suas superfícies rachadas.
O piso coberto de pele. De todos os tipos. Branca pálida, escura, com pelos, cicatrizes, queimada de preto, lisa e sem pelos. Uma visão impressionante.
Mas não para uma alma sensível.
Por toda parte, tubos gigantes, largos o suficiente para conter corpos inteiros de humanos e criaturas, todos despedaçados, sem pele. Outros menores, cheios de olhos flutuantes e órgãos de criaturas que Kaden mal conseguia identificar.
Seu estômago virou violentamente. Sua percepção gritou alarmes nunca antes sentidos.
Ele lentamente levantou a cabeça em direção ao teto. Acima dele, uma colossal cérebro azul pulsava suavemente, cercado por arcos de eletricidade azul que dançavam ao seu redor e dentro dele. Um líquido espesso o envolvia, descendo em pesadas gotas.
Kaden forçou-se a conter um tremor enquanto olhava ao redor do cômodo e, então, os viu. Vários tubos com pessoas de cabelos azuis chamativos. Pessoas que ele reconhecia imediatamente, especialmente uma. Afinal, tinha matado aquele.
E, no centro de tudo, sobre um trono em forma de cérebro, um homem de pernas cruzadas, vestido com um terno azul e branco bem afiado.
'Droga…' amaldiçoou Kaden mentalmente.
Lentamente, o homem virou a cabeça, afastando-se dos tubos em sua admiração, e fixou seus olhos azuis brilhantes em Kaden. Sua expressão era sem emoção alguma, mas Kaden sentia uma leve surpresa no olhar.
"Como você chegou aqui?" ele perguntou, com a voz plana, vazia, mas de alguma forma carregada de calor por trás de um sorriso falsamente perfeito.
O sorriso era tão errado, tão desarmônico, que Kaden recuou instintivamente com nojo. Mas, no fundo, algo naquele olhar lhe parecia familiar.
Sem saber exatamente o motivo, forçou um sorriso tenso.
"Um rato me guiou até aqui. Talvez você tenha visto?"
Silêncio. Então…
"Não…" O sorriso do homem se alargou.
"Mas você pode ficar."