Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 269

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

[The Breaker] tinha sido integrado à Vontade do Ceifador de Kaden. Esse processo permitia que a vontade dele pudesse moldar o mundo a seu favor, desde que sua força fosse suficiente, claro.

E ela era.

E foi exatamente isso que tornou todas as barreiras rúnicas ao redor inúteis, fazendo o ataque de Brain fracassar miseravelmente.

Então, uma chuva de sangue despencou do teto destruído, como se os céus estivessem sangrando.

Era o sangue de cima da superfície de Waverith, o oceano de carmesim que vinha fluindo pelos territórios de Thornspire e Elamin, nascido das mortes de milhões — soldados e civis.

Aquele sangue havia sido convocado por Kaden. E assim respondeu… como mortais se ajoelhando diante de uma divindade.

Brain assistia, chocado, enquanto o oceano de sangue caía na direção deles. Naquele instante de incredulidade paralisante, ele parecia incapaz de usar o próprio cérebro, do qual se orgulhava tanto. O que, num cruel golpe de ironia, fazia todo o sentido, pois ele mesmo tinha separado sua consciência e sua alma em dois, perseguindo um sonho tolo de perfeição.

Seu poder não era mais como antes. Sua mente não era mais afiada.

Então, naquele momento, enquanto o tempo desacelerava como um caracol ensanguentado, os pensamentos de Brain entraram em curto-circuito, como uma lâmpada fadada a apagar, mergulhando sua consciência em uma escuridão espessa como óleo.

Porém, Kaden não.

Ele observava a enchente de sangue com um sorriso calmo e malicioso, os braços abertos de forma teatral.

Ele tinha imaginado várias maneiras de matar Brain — e, com ele, todo o restante do Cerveau — de uma vez por todas.

Era um grande risco. Ele não sabia se a superfície de Waverith realmente estava mergulhada em sangue, como estivera na Wilderness, antes de pôr seu plano em prática. Mas estava disposto a correr o risco.

E seu risco deu certo. Ele tinha muito mais sangue do que jamais sonhara, e isso tornou tudo ainda mais perfeito.

Enquanto assistia à enchente carmesim descendo, Kaden não pôde deixar de lembrar do momento de sua evolução até o nível Mestre. Mais precisamente, do momento em que despertou sua Vontade enquanto estava sentado sobre o dragão branco.

Dragão.

Seus olhos brilharam como os de uma criança, reluzindo com uma inspiração repentina. Suas mãos se contorceram, e sua Autoridade sobre Sangue explodiu para fora, envolvendo completamente a chuva de carmesim que descia.

Ele começou a mover os braços… para cima, para baixo, para os lados, uma torção aqui, um dedo apontado para cima, outro dobrado para baixo… um ritmo perfeito, uma coreografia mortal.

Kaden parecia um maestro diante de uma orquestra divina, guiando o crescendo de uma sinfonia nacida do sangue.

Por trás dele, Reditha apareceu, ainda mais vermelha do que antes, com os olhos brilhando de alegria e amor, enquanto imitava seus movimentos com as mãos, como uma aprendiz do mestre.

Logo, o sangue no teto começou a se torcer, girando para dentro e para fora, formando uma figura definida. Inicialmente, a forma de uma serpente, que parecia assoviar com um rosnado vivo. Mas não parou por aí. Escamas do tamanho de um escudo de cavaleiro começaram a aparecer por toda a extensão, brilhando com um vermelho hipnotizante que refletia o céu escuro e nublado. Seu rosto distorcia e se alongava até se transformar na de um dragão, com duas grandes cornas emergindo do crânio e apontando ameaçadoramente para o céu.

Sua boca se alargou, cheia de dentes incontáveis, duas presas curvadas como facas juttando de suas maxilas superiores e inferiores.

Seus olhos vermelhos se abriram… bem abertos, com pálpebras em fenda, emitindo uma luz sinistra e feroz.

Kaden começou a suar, o corpo tremendo, mas seu sorriso era maior do que jamais fora. Ao seu lado, Brain já não conseguia se mover, seu corpo inteiro preso nos braços do sangue de Reditha. Com a quantidade de sangue saturando o ar, Reditha tinha se tornado mais aterrorizante do que a razão permitia.

Kaden não parou seus movimentos… ou melhor, sua dança. Sem perceber, sua mente vagou até Sora e a sua canção… a Canção do Fogo e do Sangue.

Ele só a tinha ouvido uma vez.

Mas Kaden a tinha memorizado perfeitamente.

Ele abriu os lábios, seu corpo ainda em movimento, seus passos caóticos, quase hipnotizantes, enquanto começava a cantar a canção de Sora.

O mundo pareceu silenciar. Seu poder aumentou. E logo, asas começaram a se formar. Enormes asas carmesim, cujo tamanho cobria toda a Sala da Evolução.

Bem acima do teto destruído, duas mulheres pairavam no ar, assistindo à cena em silêncio atônito. Uma tinha cabelo carmesim, a outra, roxo. Pouco depois, chegaram mais duas figuras — um homem e uma jovem, ambos com cabelos negros e olhos vermelhos.

Elas fixaram o olhar abaixo, na canção que ecoava por toda Waverith. Lentamente, os civis começaram a sair de suas casas em ruínas, suas mentes hipnotizadas, atraídas pela melodia arrepiante.

Em pouco tempo, o centro de Waverith ficou lotado. Lá no alto, no céu, Serena, Garros, Daela e Mayari observavam, com o coração pulsando de expectativa. As pessoas olhavam maravilhadas enquanto a forma do dragão se completava, seu corpo totalmente revelado — enorme e magnífico, flutuando acima do buraco aberto no teto.

Kaden e Reditha cantaram juntos.

E todos que testemunharam — nobres, soldados e civis — ficaram em silêncio, impressionados com a cena e o som.

Pois não era qualquer um quem cantava.

E não era qualquer música.

Era uma espada e seu mestre. E acima deles, um dragão carmesim, nascido do sangue dos abandonados.

E era uma bela canção feita pelo Sol.

Então, quando a última nota caiu, e suas vozes cessaram…

O mundo prendeu a respiração.

Então, o corpo do dragão incendiou-se. Chamas negras se enrolaram ao redor dele, envolvendo sua forma como uma armadura feita de estrelas piscantes.

Kaden e Reditha ficaram lado a lado, com os braços ainda levantados, os rostos curvados em um sorriso compartilhado. Lentamente, com calma, começaram a abaixar as mãos.

Todos assistiam com intensidade — os corações acelerados, a respiração presa na garganta, os corpos tremendo, os rostos corados.

Brain nada podia fazer. Sem poder, riu, um riso amargo e quebrado, sua voz tremendo de loucura.

“Filho do combate! Ah, Filho do combate! Magnífico! Magnífico! Mas você é um tolo se acha que isso acaba comigo! Você é um tolo!” — gritou, cuspindo sangue a cada palavra. “Ninguém pode nos eradicar! Ninguém!”

Por fim, os braços de Kaden descansaram ao seu lado. Reditha envolveu o pescoço dele com carinho.

Kaden olhou para Brain e sorriu.

“Não se preocupe. Sua família, que se escondeu ao leste de Darklore, irá te seguir.”

O riso de Brain parou de repente. Seus olhos se arregalaram. “H–Como?”

Acima, o Dragão Escarlate abriu sua boca colossal e, lá dentro, uma esfera de fogo negro começou a se formar, girando violentamente como uma tempestade presa numa garrafa.

“Como?” — Kaden riu. — “Não se preocupe com isso. E também…” ele sorriu maliciosamente.

Acima dele, um rugido ensurdecedor explodiu — um rugido tão absoluto que o próprio som pareceu cessar por um instante — e o fogo negro saiu das bocas do dragão como um sol de ébano que acabara de nascer.

Tudo dentro da Sala da Evolução foi consumido por aquela chama infernal. Parecia que o próprio apocalipse desceu sobre a humanidade.

Mana foi consumida.

Linhas de sangue foram queimadas.

Vidas foram engolidas.

E Brain Cerveau morreu, enquanto as últimas palavras de Kaden ecoavam pela sua consciência em colapso, como o sussurro de um deus caído.

“…Seu filho será o próximo.”

Silêncio tomou conta.

O subterrâneo brilhou com chamas negras que se recusavam a se apagar.

Garros observava a destruição com um sorriso largo. Serena tinha um brilho no olhar de orgulho. Daela, pela primeira vez na vida, sorriu abertamente na frente de alguém além de Kaden. E Mayari ficou paralisa, pasma com o que acabara de presenciar.

Os civis, ao redor do fosso de fogo negro, prendiam a respiração. Esperavam que algo mudasse, que algo surgisse.

E como se os próprios deuses decidissem fazer sua parte pela primeira vez, o céu acima de Waverith clareou completamente. As nuvens pesadas se abriram, revelando um céu azul brilhante e um sol laranja ardente que brilhava diretamente sobre o buraco.

Ali, o dragão e o mar de fogo negro começaram a se comprimir — lentamente, de forma constante — revelando a silhueta de um homem que todos ansiavam ver.

Ele estava ali, no fundo do fosso, com uma mulher vermelha, vaporosa, drapejada sobre ele, com os braços ao redor de seu pescoço. Seu corpo não tinha nenhum arranhão. Seus cabelos negros estavam presos com uma faixa vermelha, e seus olhos vermelhos refletiam o fogo e o sangue que giravam diante dele.

A silêncio era sagrado.

E então, ele estendeu a mão, agarrou a esfera condensada de fogo e sangue e a engoliu de uma só vez.

A tensão se quebrou instantaneamente, derretendo-se como sal na água fervente.

E os civis — sem entender por quê, apenas sabendo que suas almas exigiam isso — abriram a boca e gritaram, suas vozes tremendo entre risos e lágrimas:

“FILO DO GUERREIRO! FILO DO GUERREIRO! FILO DO GUERREIRO!”

O próprio espaço tremeu, incapaz de suportar o peso emocional que transbordava daqueles que haviam sido libertos da carnificina e do desespero.

Kaden ficou lá, com Reditha ao seu lado, sorrindo, e seu sorriso se alargou ainda mais enquanto algo avançava do céu em alta velocidade em direção a ele.

Num instante, atravessou o ar e mergulhou no fundo do fosso, pousando suavemente sobre a cabeça de Kaden.

Um corvo negro, de olhos vermelhos profundos.

Kaden sorriu de lado.

“Que coincidência estar de volta…” — disse baixinho.

“FILO DO GUERREIRO! FILO DO GUERREIRO! FILO DO GUERREIRO!”

“…Pequeno Rory.”

“Mestre!!!” — chilrou Rory.

Kaden riu enquanto Rory pulava na cabeça dele, e um sorriso se espalhou pelo rosto dele, fazendo todo mundo que olhava sorrir também.

Um herói. Um vilão. Um assassino.

Kaden não sabia exatamente o que ele era de verdade. E não precisava saber.

Porque, naquele instante, naquele dia, quando o sol nasceu acima de Waverith após uma batalha catastrófica…

Kaden não era um assassino.

Ele não era um vilão.

Nem sequer um irmão.

Ele era um herói.

O Herói de Waverith.

Porque Waverith precisava de um herói.

E o mundo tinha dado a ele essa chance.

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