Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 245

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Medusa permaneceu em silêncio.

Sua mente lutava para entender o que estava acontecendo.

Seu próprio povo havia realmente a traído? Eles usaram justamente o poder que ela havia entregado de bom grado para fortalecer a tribo — apenas para se voltarem contra ela?

Eles revelaram as presas que ela mesma havia afiado em sua defesa?

Ela, sinceramente, tinha dificuldade em acompanhar toda aquela confusão, mas o resultado era claro.

Ao olhar para o documento de escamas verdes na sua mão, ela viu as marcas de sangue dos principais generais de sua tribo, todos votando pela sua destituição.

Para abdicar do posto de liderança e entregar seu lugar para…

"Q-Que…?"

Seus olhos se arregalaram ainda mais ao perceber quem deveria assumir o comando.

De forma lenta, mecânica, dolorosa, ela virou a cabeça em direção a Bety e a viu lambendo os lábios com sua longa língua escorregadia, os olhos impregnados de arrogância e uma sombra de malícia negra.

Ela sorriu com zombaria enquanto Medusa a encarava, revelando seus dentes afiados.

"Você vai me tirar do comando pra que ela governe? Perderam a cabeça? Vocês não sabem como funciona a mente dessa mulher?" Medusa quis amaldiçoar com veneno, mas não era de seu feitio cuspir palavras vazias.

No entanto, ela estava profundamente abalada.

Todos sabiam o quão brutal, cruel e lasciva Bety era. Tudo o que ela fazia era matar e dormir com qualquer homem ou mulher cobra que ela quisesse, governando como uma rainha de sangue e desejo.

Ela era tolerada por causa de seu poder… mas deixá-la governar?

Isso seria pedir para que a tribo fosse dizimada até mesmo pela menor colônia de goblins existente por aí.

E todos aceitariam?

Medusa cambaleou para trás, demasiado chocada para falar. Mas, após o choque, veio uma raiva profunda e terrível, que ameaçava despedaçar toda a câmara em pedra fragmentada.

Sua aura explodiu de forma violenta, o chão e o ar se torcendo, transformando-se em veneno vivo.

O ar virou imediatamente venenoso. Um único suspiro poderia matar uma criatura menor instantaneamente.

Seus cabelos se contorciam em serpentes, e aquelas serpentes caíram de seu couro cabeludo uma a uma, silvando ao tocá-lo, com olhos venenosos fixos nos três que tinham à sua frente.

"Eu não vou aceitar isso." Medusa rosnou como uma criatura demoníaca, seus olhos lançando fitas de miasma verde que se enrolavam por toda a câmara. "Nossa tribo estará condenada se deixarmos essa criatura lasciva e irresponsável nos liderar."

O chão escamado começou a apodrecer como flores mortas.

"Eu não—!"

"Minhas ssserpentes já estão enroscando ao redor da casinha da sua filhote."

Palavras de Bety cortaram ela com frieza, sedutoras e cruéis.

Medusa congelou, seus olhos fixos na expressão zombeteira de Bety.

Bety se inclinou pra frente, os olhos brilhando com fome pervertida.

"Elas estão apenas esperando minha sissssura sssso entrar e agarrar ela. E você me conhece…" Ela lambeu os lábios com um prazer obsceno, causando uma repulsa visceral em Medusa.

"…Eu adoro a carne suava de menininhas."

As palavras dela pararam a aura de Medusa no meio do caminho.

"O quê?" A palavra escapou dos lábios de Medusa, seu coração afundando num medo frio por sua filha.

Embora ela não fosse inútil — como os outros afirmavam — ela ainda era apenas um ser de nível intermediário. Não podia enfrentar os guardas cruéis de Bety de igual para igual.

"Não torne isso mais difícil do que precisa, Medusa." A voz velada de Naka sussurrou pelo ar.

"Precisamos de uma gobernanta cruel para a guerra que virá. Nós… não precisamos de alguém como você."

Ele fez uma pausa, seus olhos pálidos brilhando.

"Facilita ou difícil?"

Naquele instante, as três auras deles explodiram juntas, ofuscando a própria Medusa.

Ela… ela estava encurralada.

A compreensão surgiu como veneno escorrendo por uma ferida aberta. Isso tudo tinha sido planejado há muito tempo. Ela havia sido presa desde o começo.

"Heh…" ela deu uma risada sem humor.

Claro que eles sabiam por que tinham feito dela refém de sua filha. Ah, eles tinham plena certeza disso.

Mas o amor de mãe é imenso… e também insuportavelmente pesado.

Ela cerrava a mandíbula, retraía sua aura e ficava ereta, fixando nos três uma olhar capaz de matar deuses.

Waly sorriu.

"Agora, perdoe nossa falta de educação, mas precisamos aprisionar você, Medusa."

Ele bateu palmas, e guardas serpentes entraram levando correntes e algemas gravadas com runas de selo.

Seus passos ecoaram alto na silêncio sufocante.

Eles se aproximaram lentamente, hesitando sob o peso do olhar mortal dela.

"Minha filha," Medusa falou, com uma voz gélida.

"Não se preocupe… sua filha logo se juntará a você." O sorriso de Waly se alargou.

A face de Bety se contorceu, uma decepção passando por suas feições ao ser negada o toque de Inara.

Mas seus olhos traíam o pensamento que rugia em sua mente:

'Apenas espere. Eu terei ela na minha cama enquanto você assiste, impotente, enquanto eu violar sua filhote.'

Medusa, embora ardendo por dentro, finalmente aceitou ao ouvir a ameaça contra Inara.

As guardas apertaram as correntes mágicas em seus pulsos com um clique estridente e começaram a arrastá-la para a prisão.

Ela parou uma vez, virando a cabeça de forma fria.

"Quem vocês vão apoiar?" ela perguntou.

"Quem mais?" respondeu Naka com suavidade.

"Vamos ficar com os Guerreiros da Guerra, é claro. Precisamos nos livrar desses manipuladores, os Cerveau, primeiro."

Medusa não respondeu imediatamente. Então, com uma risada fria, deixou-se levar, sua força sendo selada.

Seus últimos pensamentos ecoaram pesado e venenoso:

"Vocês, tolos traidores… vão condenar a todos nós."

Assim que ela desapareceu…

"Eu quero a Inara. Quero ela na minha cama!" Bety rosnou.

Waly e Naka se voltaram para ela.

"Vamos primeiro garantir que estamos entre os vencedores desta guerra," disse Waly. "Depois, você pode ter todas as garotas e homens desta tribo."

Os olhos pálidos de Naka brilharam.

"Envie a carta aos Guerreiros da Guerra. E…"

"Diga ao povo da tribo que a Rainha Medusa fugiu com sua filha, abandonando a todos por medo."

"Diga a quem puder ouvir… Bety é a nova Rainha…"

E eles lamberam os lábios.

"…e a guerra está chegando."

Assim, os dias passaram em Darklore.

Kaden tinha voltado pra casa dias atrás, preparando-se para a batalha iminente que agora era inevitável.

Mas ele aceitou isso. Não toleraria mais a existência dos Cerveau.

Estava decidido a exterminá-los. Morrer de misericórdia era coisa que ele não fazia — quando se tratava deles.

Ele também vinha se preparando para uma conversa importante com seus pais — sobre seu caminho, sobre sua recusa de se limitar a uma única mulher.

Falar assim, direto, poderia parecer luxúria. Mas Kaden não era de fato movido por luxúria.

Ele simplesmente amava mais de uma mulher. Como isso aconteceu? Não sabia. Mas sabia que sim.

A dúvida agora era como contar isso a seus pais sem que o espancassem até ficar desacordado.

E era exatamente por isso que…

"Irmã, você precisa vir comigo. Não só isso, preciso que você se coloque na minha frente e suporte tudo que nosso pai e nossa mãe possam jogar em mim." disse Kaden descaradamente enquanto acariciava suavemente o cabelo de Daela.

Eles estavam sozinhos numa colina montanhosa, com lados rochosos íngremes. O vento uivava ao redor, fazendo seus cabelos e roupas agitarem-se esporadicamente.

O ar estava limpo, o perfume da terra e do pinho levado pela brisa.

Daela se deitou, com a cabeça apoiada no colo dele, os olhos fechados, relaxando a tensão do corpo.

Ela abriu os lábios para responder sem abrir os olhos.

"Eu vou," ela respondeu secamente.

O rosto de Kaden se abriu num sorriso radiante enquanto ele puxava sua bochecha, esticando-a.

"Você é a melhor irmã do mundo!" ele exclamou alegremente.

Você não acreditaria que era o mesmo homem que jurou matar quem estivesse no seu caminho por poder.

Aqui estava, nada mais do que um irmão mais novo, preocupado com a ira dos pais e implorando para que sua irmã fosse seu escudo.

Era estranho.

Mas era Kaden.

Um homem com muitos lados, dependendo do momento e da companhia.

"Sou a melhor irmã, né?"

"Com certeza!"

"Sua irmã favorita, né?"

"Sem dúvida nenhuma!"

"Então, me mimar mais." Daela sorriu de orelha a orelha.

"Isso farei, é claro!" Kaden respondeu animado, atendendo a todos os caprichos dela.

Ele precisava que ela estivesse motivada a se colocar na frente de seus pais mais tarde.

Mas então…

"Por que você foi para Fokay, em primeiro lugar?" ele perguntou, ainda passando os dedos pelo cabelo dela.

"Preparando minha ascensão a Grande Mestre. Não posso aceitar estar no mesmo nível que você… como posso te proteger na batalha assim?" A voz de Daela estava indignada.

Ela tinha ficado pasma ao ver seu irmão mais novo já no nível de Mestre. Rápido demais, até para eles.

Ela se sentia orgulhosa, mas também inquieta. Se ele não precisava mais da sua proteção, pra que ela servia?

Kaden desviou o olhar com um sorriso maroto.

"Não estou pedindo sua ajuda agora? Você se preocupa demais. Eu sempre vou precisar de você. Você é minha irmã mais velha." Sua voz a acalmou instantaneamente.

Daela sorriu.

"Sim. Pode pedir. Eu protejo você, não importa o quê."

'Eu daria minha vida por você, irmãozinho.' ela pensou silenciosamente.

"Eu quero," disse Kaden com uma risada.

Silêncio tranquilo. A brisa levava o perfume de flores silvestres, envolvendo-os em paz.

Kaden observou a expansão das árvores lá embaixo, a estrada marcada pelas rodas de carruagem, os pássaros voando livres acima, um garoto galopando solto num cavalo.

Ele pensou em seu mestre, na espada que carregava, com o cabo moldado na forma de ave e cavalo.

Começou a surgir um entendimento, mas…

"Ah… também encontrei uma elfa viajante enquanto estávamos lá, bem na saída do Reino dos Elfos." Daela interrompeu.

"Quando ela me viu, começou a chorar, implorando para que não a torturasse. Disse que aceitaria meu comando, fosse qual fosse."

Kaden franziu a testa.

"Por que ela agiria assim? Você fez algo?"

Daela balançou a cabeça.

"Não fiz nada. Mas ela me contou que havia um humano dentro do Reino dos Elfos. Um humano que teria causado problemas, aparentemente."

Kaden inclinou a cabeça.

"Então, o que vai fazer? Vai agir como herói?"

Daela se levantou de seu colo, encarando-o direto.

Vermelho contra vermelho.

Sangue contra sangue.

Ela sorriu.

"Vou fazer o que você quiser, Kaden."

Ele sorriu de volta, levantando o olhar para o céu azul brilhante e cheio de nuvens.

"Por enquanto, esqueça os elfos. Temos uma questão urgente aqui."

"Vamos primeiro cuidar dos Cerveau e dos Steelbeasts, que acha?"

"Por sua ordem, pequeno irmão talentoso."

"É embaraçoso, irmãzinha."

Daela fez bico.

—Fim do Capítulo 245—

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