
Capítulo 244
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Sob o céu, eles não tinham igual. Pensavam de si mesmas como seres superiores aos homens inferiores, criaturas no topo da cadeia alimentar.
Não enxergavam outros seres vivos como seres vivos. Não, de jeito nenhum.
Os consideravam tolos, cujos únicos objetivos eram permanecer abaixo de seus pés. Tolos nascidos como ferramentas para alimentarem suas metas, suas ambições, seus jogos.
Como seres assim poderiam algum dia ter um aliado?
Não — para começar, eles nem sequer compreendiam o que significava a palavra aliado. Esse conceito poderia very bem vir de outro universo, pois não tinha nenhum significado para eles.
Não soava a campainha.
Estavam tão acostumados a manipular mentes, a distorcer, corromper tudo o que pudesse definir um 'ser', de maneiras tão cruéis e maliciosas que o mesmo ser acabava inevitavelmente como uma boneca quebrada, destinada a ser escrava deles.
Era isso que eles conheciam. Escravos. Marionetes. Seres sob seu controle.
Qualquer outra coisa parecia totalmente errada para eles.
E assim fizeram o possível para aprisionar Goremaw, semear dúvida nele e, inevitavelmente, abrir caminho para que ele os levasse até a mente de seus subordinados.
O que era aterrorizante era que eles haviam aperfeiçoado tanto sua técnica, de forma tão completa, que era impossível saber quem estava controlado e quem não estava.
E assim tomaram a mente dos animais mais importantes sob Goremaw. Depois, sacrificaram um grande mestre — não aquele que Kaden tinha conhecido, mas outro — declarando-o traidor.
O próprio animal tinha estado sob seu controle o tempo todo. Antes mesmo de Goremaw se aproximar, o grande mestre agia exatamente como Brain ordenava e aceitava o castigo de bom grado.
As pequenas células cerebrais de Goremaw derreteram sob o peso das contradições. Ele percebeu que algo estava errado, mas não conseguiu entender o que era.
No final, ele quebrou. Cedeu. Aceitou as palavras de Brain.
As mentes dos animais sempre foram mais fáceis de serem amarradas do que as dos humanos.
A partir daquele momento, não era mais Cerveau e Bestas de Aço contra os Warborns.
Era Cerveau e seus escravos contra os Warborns.
Justamente como sempre deveria ter sido.
E agora… estavam prontos para voltar, para preparar a tempestade que se aproximava, dispostos a fazer o que fosse necessário para colocar Waverith sob seus pés.
E assim que isso acontecesse…
O legado de Cerveau se transformaria em algo novo.
Seriam intocáveis.
Forjariam um império nunca visto antes.
Com apenas escravos como população.
…
Em outro lugar, em um território tomado por cobras…
Darklore — Tribo das Serpentes
"Não precisamos participar desta guerra."
A voz de Medusa era fria, venenosa, enquanto ela olhava para as três criaturas diante de si — todas humanas com traços de cobra.
A primeira era uma mulher. Cabelos verdes curtos. Corpo escamado, reluzente, com brilho venenoso. Unhas afiadas, curvas em garras, olhos roxos profundos, ferais, como de uma serpente, mirando com desdém aberto.
Ela usava quase nada, apenas restos finos sobre os seios e regiões íntimas, deixando sua carne escamada exposta ao mundo, como se estivesse sedenta pelos olhares lascivos que atraísse. Sua cauda, grossa e poderosa, deslizava pelo chão de escamas antigas sob eles.
O segundo era um homem magro, corpo quase esquelético, cabelo verde musgo cortado acima de olhos frios e azuis. Sua cauda mexia preguiçosamente atrás dele, e um sorriso venenoso curvava seus lábios.
Vestia peles rudimentares — pele de urso esticada e entrelaçada firmemente sobre seu corpo enxuto.
O terceiro era um ancião serpente. Envelhecido e enrugado. Tremia mesmo enquanto estava sentado, seus dedos escamados finos e tortos, pesados com anéis de todas as cores, unhas afiadas como pontas de lança.
Medusa nem mesmo conseguia dizer se ele realmente a observava, o rosto enterrado sob dobras de escama seca e rugas sem fim.
"Éssso é uma oportunidade, Medussa", sibilou a mulher — Bety — com a língua dançando a cada palavra.
"Uma oportunidade de Nos causar problemas", retrucou Medusa, sem hesitar o olhar. "Não precisamos nos envolver nos assuntos dos humanos. Que os Bestas de Aço sejam tolos. Que morram. Enquanto isso, vamos consolidar nosso poder, expandir nosso território, criar mais guerreiros."
"Isso nos matará."
A voz do velho tremeu, carregada de uma intensidade estranha, como se estivesse à beira do choro — embora seu corpo ressequido parecesse há muito além de emoções reais.
O cabelo serpentino de Medusa se contorcia, seus olhos lentamente se estreitando. "O quê você quer dizer, Velho Naka?"
O velho permaneceu em silêncio. Era proposital, desrespeitoso.
Mandíbulas de Medusa cerraram. Bety riu baixinho. O sorriso venenoso de Waly se alargou ainda mais.
Finalmente, o Velho Naka falou, imperturbável diante da fúria que irradiava de Medusa.
"Um inimigo claro é melhor que dois confusos. Aqui não há espaço para neutralidade. Um passo em falso, e nossa tribo se torna cinzas. Se ficarmos parados, seremos massacrados."
O ar ficou pesado.
"Não se esqueça, tolo governante", rosnou o Velho Naka, "estamos entre Waverith e o território de Goremaw. Somos o território intermediário. Quando a guerra chegar, eles passarão por nós. E mesmo que, por um milagre, não o façam, o vencedor nos exterminará para governar sem contestação."
Waly deu uma risadinha, com um sorriso venenoso se formando. "Velho Naka tem razão. Neutralidade é morte. Temos que escolher."
"E quando eles vencerem, nós também vencemos", acrescentou Bety, com a língua escorregando pelos lábios.
Medusa sussurrou friamente:
"E se perdermos? Ou se ganharmos, só para nossos aliados se voltarem contra nós? O que fazer então? O que você propõe cheira a risco desnecessário."
"A própria vida é um risco!", rosnou Bety, com os olhos roxos ardendo. "Se você teme consequências, se teme fracassar, então desista e deixe que alguém com dentes ainda mais venenosos tome seu lugar!"
Ela se inclinou mais perto, olhos queimando de fome distorcida, e lambeu os lábios de forma obscena.
"Você não é digna de ser líder, Medussa. Você só serve para ser uma mãe inútil, com dentes quebrados, mimando filhotes sem valor!"
O silêncio que se seguiu foi sufocante.
Tão imóvel que até uma sanguessuga gorda repousando no chão podia ser ouvida arrastando seu corpo viscouso.
O olhar de Medusa poderia ter matado um ser despertado. Veneno enchia o ar, seus cabelos se contorciam em serpentes, as unhas cresciam em garras afiadas.
"Eu desafio você a repetir isso, Bety."
Bety não vacilou. Sorriu, com os lábios se abrindo para cuspir um veneno ainda maior — mas…
"Pare."
A voz do Velho Naka cortou.
Todos os olhares se voltaram. Os olhos dele estavam abertos — assustadoramente, largos, completamente brancos, sem pupilas nem íris.
Essa visão congelou a sala.
Medusa recostou lentamente na cadeira, embora seu olhar permanecesse frio. Bety zombou. O sorriso venenoso de Waly se ampliou.
"Medusa", rosnou o Velho Naka, "suas preocupações são compreensíveis. Mas nenhuma tribo cresce sem apostar em probabilidades terríveis."
"Um governante precisa ser decisivo. Jogar pelo seguro hoje pode salvar sua pele, mas condená-la amanhã."
"E você disse que aliados podem nos trair", acrescentou Waly, rindo. "Mas você esquece quem somos? Somos cobras."
A compreensão veio instantaneamente.
Os olhos de Medusa se arregalaram de horror. Algo estava errado.
"Fizemos uma votação", declarou o Velho Naka, com olhos pálidos brilhando. "Uma votação para decidir quem será o governante da Tribo das Serpentes."
Medusa se levantou, sua cadeira caiu ao chão.
"Você não pode fazer isso!", ela sibilou.
"Oh, sim que podemos." A voz do Velho Naka tremeu com uma convicção cruel. "Este conselho foi criado para escolher o melhor governante. Você não está à altura da tempestade que virá. Os generais já apoiam isso."
Waly mostrou um documento de escamas verdes de seu anel, sorrindo de modo malicioso.
O corpo de Medusa tremia.
Bety riu, cruel e triunfante.
"Medusa", disse o Velho Naka, com os olhos brancos incansáveis, "caminho fácil… ou difícil?"
Waly riu sombriamente.
Medusa permaneceu em silêncio, ainda processando a traição. Sua mente automaticamente relembrava uma frase ouvida antes…
'Um governante que compartilha poder de bom grado deve estar preparado para ser derrotado pelas mesmas mãos que uma vez fortaleceram'
Mas já era tarde demais para ponderar essas palavras sábias.
E no chão, a sanguessuga gorda se contorcia violentamente, não dominada por sua própria fúria… mas pela fúria da própria mãe.