Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 249

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A lua voltou a dormir. O sol rastejou pelo céu azul, inaugurando uma nova jornada para o império.

Dentro do Castelo Real, os sons de passos firmes ecoavam enquanto Sora atravessava o corredor dourado, seu rosto carregando uma leve irritação.

Ela vestia um lindo vestido de princesa dourado, tecido com bordados brancos tão intrincados que formavam a imagem de um sol branco bem sobre o coração.

O vestido era sem mangas e caía até os tornozelos, revelando sua pele pálida e clara que parecia brilhar com um brilho dourado enquanto os candelabros, flutuando acima como águas-vivas, espalhavam sua luz radiante sobre ela.

Rome caminhava atrás, com uma expressão sempre séria e solene, uma espada pendurada na cintura. Ele usava uma armadura dourada digna dos Guardiões Celestiais, símbolo de sua alta posição.

Nem trocavam palavras enquanto avançavam silenciosos, embora Rome, internamente, permitisse que um sorriso irônico surgisse nos cantos da sua mente ao pensar no humor de sua Senhora.

Ele podia perceber que ela não tinha muita vontade de encontrar o Imperador.

E quem poderia culpá-la? Aquele homem era assustador. Rome o conhecera apenas uma vez, quando assumiu a missão de ser guarda-costas pessoal de Sora, mas mesmo naquele instante, ficar diante do Imperador parecia como estar diante do próprio sol.

Consegue imaginar uma coisa dessas? Era como estar a uma polegada de uma estrela de aurora infernal.

De doer a cabeça.

Rome tinha certeza de que se queimaria vivo.

'Ah… mas minha Senhora também está trilhando esse mesmo caminho. Preciso chegar ao Grande Mestre e além, se quiser manter meu lugar ao lado dela,' Rome pensou amargurado, amaldiçoando sua própria falta de talento.

Sua reflexão foi interrompida ao notar duas figuras se aproximando do final do corredor.

Rome imediatamente reconheceu Luna, a aia pessoal de Sirius. Mas a outra…

Ele estreitou os olhos. Um jovem com cabelos laranja brilhante e olhos negros profundos, seu robe luxuoso marcado com um símbolo que Rome não poderia confundir.

O jovem avistou-os, então parou ao lado de Luna, ambos abaixando a cabeça em sinal de respeito diante de Sora.

"Bom dia, Princesa," cumprimentou Luna, sua voz tranquila.

Depois, o jovem começou,

"Bom dia, Princesa. Eu sou—!"

"Não me interessa." Sora cortou-o de forma seca, passando por ele sem nem mesmo olhar. Ela acenou com uma cabeça em sinal de reconhecimento ao cumprimento de Luna antes de seguir em frente.

O rosto do jovem começou a ficar avermelhado de vergonha.

Luna balançou a cabeça, derrotada, como se já esperasse por aquilo.

Os lábios de Rome criseiram. Ele fez uma reverência educada e desculpável para ambos, e rapidamente seguiu atrás de sua Senhora.

Eles fizeram a curva no final do corredor, continuando para a direita.

Quando ninguém estava por perto, Rome finalmente falou.

"Minha Senhora."

"Sim, Rome?" ela respondeu, com um tom completamente diferente daquele que usara há pouco.

Para ela, era natural. Rome era seu único e mais leal servo. Mesmo chamá-lo de servo soava amargo nos lábios dela; ela preferia chamá-lo de guardião.

Ele merecia isso, e muito mais.

Rome sorriu de leve antes de continuar, "Minha Senhora, o jovem que vimos é herdeiro do Fireborn, Kenan Fireborn."

"Sei quem ele é," retrucou Sora.

"Desculpe se estou extrapolando meus limites, mas… por quê, minha Senhora? Não seria mais sábio fazer amizade com ele?" Ele se forçou a parar ali, com medo de falar demais e perder sua aprovação.

Mas Sora apenas balançou a cabeça, seus cabelos dourados balançando suavemente a cada passo.

"Isso valeria se eu buscasse o trono. Mas não. Tenho outras coisas para me preocupar além de conquistar a simpatia de um jovem herdeiro derrotado por aquele Kaden Warborn."

"Ele não merece a minha atenção."

"Ah." Rome exalou lentamente, de forma resignada.

Seus dizeres eram frios, mas internamente Sora sabia bem que ser derrotada por Kaden não era nada estranho.

'Aquele canalha insuportável poderia até me vencer.'

Dói admitir, mas ela era mais fraca que ele. Kaden simplesmente era esse anormal.

'Arghh!!! Pare de pensar nesse sujeito, Sora!' repreendeu-se ela, pela décima sétima vez, talvez.

Estes dias, seus pensamentos sempre gravitavam em torno dele, o que a irritava até o fundo da alma.

'Ah, vou—!'

"Chegamos, minha Senhora." A voz de Rome cortou seus pensamentos turbulentos.

Diante deles, erguia-se uma imensa porta de fogo dourado, alta e larga, com chamas que tremeluziam de forma constante. Ela ardia com a mesma força inabalável do próprio sol.

Calor incandescente emitia dela, suficiente para fazer qualquer um hesitar antes de se aproximar. Mas Sora não era como a maioria.

Ela era a Herdeira do Sol. Com uma facilidade assustadora, a porta se abriu como um véu ao ela dar um passo à frente.

"Espere por mim aqui. Voltarei em breve." Ela disse a Rome antes de entrar, as chamas douradas a envolvendo como uma mãe que embala seu bebê.

Então ela desapareceu entre as chamas, a porta se fechando e retornando ao seu estado anterior.

Rome endireitou as costas, os olhos frios e neutros, uma mão descansando sobre sua espada enquanto ficava de guarda diante da porta flamejante, o ar quente e ardente soprando contra seu rosto.

Quente.

Era um calor de um jeito que nem mesmo Sora conseguiu ignorar, obrigando-a a parar no meio do caminho enquanto seus olhos examinavam o espaço em que havia entrado.

Era um jardim, mas não aquele comum que qualquer pessoa cuidaria.

Este jardim era moldado pelo fogo. A terra sob seus pés brilhava com uma luz dourada suave, cercada por inúmeras flores que queimavam sem parar numa chama dourada, mas nunca se consumiam.

Acima, o céu era uma tela de ouro com um sol branco brilhando no centro, irradiando um calor tão opressivo que Sora quase quis amaldiçoar em voz alta, mas se conteve.

Ela desviou o olhar das árvores flamejantes e das criaturas de fogo vivo que vagueavam livremente pelo jardim, fixando-o na figura solitária sentada ao lado de um rio dourado. Ele segurava uma vara de pescar brilhante, os olhos aparentando calma ao seguir o movimento da água.

Porém, seus olhos a traíram — estavam claramente irritados.

Aquele era o olhar de um homem sem paciência, tentando desesperadamente parecer paciente.

'Tsk. Não engana ninguém.' Sora deu uma risadinha para si mesma e começou a caminhar em direção a ele, franzindo o cenho para qualquer criatura de fogo tola o bastante para invadir seu caminho.

Ela definitivamente não era uma daquelas garotas que adoravam coisas fofas.

Parando a apenas um passo atrás de seu pai, ela finalmente falou:

"Você me chamou, pai."

O homem não respondeu imediatamente. Após um momento, virou a cabeça em sua direção, com uma expressão indecifrável.

"Minha filha." Sua voz parecia elevar a temperatura ao redor deles.

Seus olhos eram impressionantes — esclera pura e pristine, sem uma só imperfeição, suas pupilas circulares brilhando com um fogo dourado que tremeluzia com intensidade.

Cabelos que eram mais que cabelos — eram chamas douradas, presos numa rabiola por uma fita branca.

Alta e esguia, seus traços carregavam a elegância de um homem na faixa dos quarenta anos, divinamente bonito, a imagem espelhada de Sora.

Era o próprio Imperador do Império Celestial, Luminary Asterion.

"Sim," respondeu Sora.

"Está mentindo para mim ou realmente não conhece Kaden Warborn?" ele questionou bluntamente, seu olhar ardente fixo no dela.

Sora revirou os olhos. "Já fiz o teste com o artefato Mentira Falsa. Não o conheço. Mas agora estou morrendo de vontade de descobrir e entender finalmente por que o senhor está tão interessado nele." Sua voz não se esforçava em esconder sua irritação.

O lábio de Luminary curvou-se numa sorriso afiado. "Revele os olhos novamente para mim, garotinha, e você se verá jogada nesta lava dourada com meus pets como companhia. Entende?"

Sora se endireitou inconscientemente, seu corpo reagindo antes mesmo de pensar.

Seu pai era capaz de qualquer coisa quando irritado.

"Agora," continuou, voltando-se para o rio dourado, "não sei como você nos enganou a nós e ao artefato, mas isso não importa."

"Você deu a Sirius um artefato mítico, e a mãe dele lhe deu uma pedra de evolução mítica. Não preciso lhe dizer o que ele se tornará uma vez que alcance seu objetivo."

"Você não parece muito feliz com isso, pai."

"Estou feliz," respondeu Luminary, "mas sua conquista provavelmente fará o trono cair nas mãos dele."

Sora virou os olhos por trás dele. "Então, que fique com ele."

Luminary balançou a cabeça, faíscas de fogo surgindo ao seu redor numa explosão repentina de calor.

"Não seja tola, filha." Sua voz ficar fria.

Sora tremeu com aquilo.

"Desde o primeiro Imperador, o Império Celestial sempre foi governado pelo Herdeiro do Sol, e assim continuará."

"A Lua não pode governar. A Lua foi feita para habitar as sombras que fortalecem o Sol. Seu lugar não é na luz."

Ele voltou seu olhar ardente para ela.

"Nós… fomos feitos para governar. Nós, minha filha, somos feitos para suportar abertamente o peso do Império. Somos o Sol. Somos a luz que guia os perdidos, os confusos, os quebrados."

"Então, minha filha…"

Ele se levantou e se aproximou dela.

"…você me deixará orgulhoso trazendo para mim Kaden Warborn, e assim você obterá os artefatos míticos roubados por Dain Warborn."

"Você me entende ou preciso queimar você até entender?"

"Queimar minha própria filha?"

"Serei gentil." *

A temperatura aumentou até a pele de Sora começar a chiar. Ela mordeu o lábio.

"E se eu não quiser ser Imperatriz?" ela conseguiu dizer, sem recuar, nem mesmo diante do pai.

"O irmão Sirius é mais velho e forte que eu. Sempre foi mais hábil com política. Por quê eu? O Sol? A Lua? Não entendo nada disso, pai."

Luminary ficou em silêncio por um longo momento.

"Porque a Lua é a segunda mão do Império, igual ao Fireborn. Quem manda é o Sol, e assim deve permanecer."

Sora franziu. "Então, como a Lua conseguiu se infiltrar em—!"

Ela se interrompeu, a compreensão surgindo lentamente.

"Foi você quem se casou com a família da Lua, não foi, pai? Aposto que foi proibido." Ela fez uma careta.

O rosto de Luminary escureceu de irritação. "Ninguém me diz o que posso ou não fazer. Sim, casei com ela. E foi por isso que você nasceu. Então cale a boca e cumpra seu dever."

Sora quis xingar bem alto, mas mais uma vez conteve-se.

Seu pai tinha cometido seu próprio erro, e agora queria que ela assumisse a responsabilidade de consertá-lo.

Quase dava para rir. Ele fazia o que quisesse por ser o Sol, então por que ela deveria ouvir ordens? Ela não era também o Sol?

Porque, na verdade, ela não queria o trono. Ela só queria cantar sua música.

Por que o mundo queria tirar até isso dela?

Seus olhos ficaram frios.

"Eu não quero ser Imperatriz, pai. Não quero. Quero trilhar meu próprio caminho. Quero criar meu próprio destino. Sol, Lua, estrelas — quem quer que governe o Império, tudo é igual."

"Todos somos sangue celestial."

Ela exalou, a voz tremendo um pouco.

"Eu… só quero fazer o que amo."

Seu coração acelerava.

"E o que você ama?" Luminary questionou, seus olhos ardendo de raiva, quase incapaz de se conter.

Mas, naquele momento, Sora já tinha tido o suficiente.

Ela queria dizer tudo. Queria que todos soubessem.

E se eles zombassem dela? Não importava.

O Sol não escuta o clamor daqueles que pode queimar a qualquer momento.

Então, finalmente, com toda força que tinha em seu corpo…

"Eu quero cantar, pai."*

Sora finalmente revelou sua vocação.

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