
Capítulo 248
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O medo é a morte da razão.
Um poeta diria isso.
Ou outro poderia chegar ao ponto de afirmar: o homem assustado se devora.
As palavras eram diferentes, mas a mensagem era a mesma.
Significava que o medo era algo a se evitar. Algo a ser suprimido para manter a mente estável, fluida e alerta.
Muitos concordariam com essas palavras, pois carregavam verdade.
Mas Rea Thornspire não.
Embora compreendesse o raciocínio por trás delas, seu próprio ser nunca poderia aceitá-las — porque ela era o medo.
Não o medo selvagem e frenético que homens comuns sentem diante de uma provação, mas um medo estável, enraizado, que se aninha profundamente dentro dela como o fogo do coração de uma fênix — sempre ardente, sempre alimentando.
E esse sentimento só se intensificava quando ela alcançava seu objetivo e se tornava uma Intermediária.
Antes, ela possuía uma habilidade que lhe permitia ver e influenciar os medos dos outros. Mas agora… não só essa habilidade havia se aprimorado, como ela adquirira algo novo. Uma coisa simples, na verdade, mas a simplicidade não diminuía o horror dela.
Agora, Rea podia usar seu próprio medo como combustível para se fortalecer. Por enquanto, isso só a fortalecia fisicamente… mas ela sabia que podia fazer mais. Muito — muito — mais.
Ela podia senti-lo. Só precisava de tempo para treinar.
Mas, mais importante, precisava de uma quantidade enorme de medo para acompanhar esse novo poder.
E que coincidência perfeita, ela estava se preparando para o teste.
Aquele que a marcaria como uma Acólita Chorosa.
O teste não seria realizado na Cidade da Dor, mas na Cidade da Alegria, onde ficava a catedral principal da Igreja da Dor.
Então lá estava ela, em seu quarto cinza e sem vida, vestindo uma saia branca curta que mal chegava aos joelhos, combinada com um sutiã preto, ajoelhada no chão com as costas retas, os olhos rubis fixos na pequena montanha de ouro empilhada diante dela.
Ela não conseguiu evitar sorrir lentamente, quase tremer ao enxergar aquilo.
"Dinheiro… dinheiro… eu amo dinheiro…" murmurou ritmicamente, quase babando, seus olhos rubis se transformando na forma de moedas de ouro por um breve instante.
Rea era obcecada por dinheiro.
Vendo-a nessa posição, alguém poderia pensar que ela estava venerando a montanha de ouro… e não estaria errado.
Que heresia, venerar metal em um lugar dedicado à Deusa da Dor.
Mas Rea tinha essa ousadia.
"Mas… mas não é suficiente," ela sussurrou, a voz tremendo de ganância e frustração. "Como posso conseguir mais dinheiro? Devo enganar os fiéis? Estou saindo em breve… uma última fraude."
Ela pensava seriamente nisso.
Se havia um medo que Rea Thornspire com certeza tinha… era o medo de ficar pobre novamente.
Ela tinha experimentado luxo demais, mergulhado fundo demais nos luxuosos veludos do excesso, para permitir que voltasse aos dias em que tinha que contar suas moedas — em que sua casa ameaçava desabar a cada rajada de vento, onde até seus desejos mais simples pareciam impossíveis.
Ao pensar nisso…
"Ah… pai…" sua expressão caiu ao lembrar dele.
Ela havia planejado voltar a Darklore após se tornar uma Intermediária. Esse era o plano que ela e seu pai haviam combinado.
Mas agora ela não podia. Precisava urgentemente partir para a Cidade da Dor para fazer o teste.
E o pior… ela não sabia quanto tempo iria durar.
Nem mesmo a Mãe Esmere tinha certeza. Ela disse que dependia não só da natureza do teste, mas também dos participantes.
Mentir que Rea não tinha medo seria uma mentira.
Mas ela o acolhia. Ela deveria sentir medo. Ela era a Pássara da Dor. A Dor era sua coroa.
E ainda assim…
"Sinto saudades dele," disse ela bruscamente, mudando de posição de ajoelhada para sentar de cruzada no tapete cinza.
Ela apoiou as costas contra a estrutura de madeira da cama, olhando para cima, pensando silenciosamente no pai.
Estava certa de que ele estava lutando agora, tentando segurar a casa, tentando impedir que ela desabasse.
Ele sempre fazia isso. Sempre carregava a casa nas costas. E fazia isso sem nunca reclamar.
Ela o amava por isso. De verdade.
Ele talvez não fosse o pai perfeito — sempre ocupado com o trabalho, com as responsabilidades — mas, para Rea, ele era o único pai perfeito que ela poderia desejar.
Porque esse era um pai disposto a abandonar sua própria felicidade, a assumir toda a carga, só para garantir que, ao passar o comando da casa para ela, ela fosse uma estrutura firme, com bases sólidas — não uma ruína desgastada.
Por isso ela nunca se importou com a ideia de se casar com Kaden pelo bem da casa.
E esse sentimento só se aprofundou após a conversa que tiveram.
Foi apenas uma conversa… mas ela a acompanhou até hoje.
Dois homens em sua vida.
Seu pai.
E Kaden, seu noivo destemido.
E ela queria vê-los ambos, com muita vontade.
"Ah…" suspirou Rea, seu humor caindo.
Por mais que fingisse… no fundo, ela era só uma menina de quinze anos prestes a entrar em um lugar onde poderia se perder completamente.
Porque ela podia sentir. Seus sonhos com a Deusa ficavam mais intensos a cada noite.
E toda manhã que acordava, sentia que algo estava faltando.
Algo errado, algo que ela não conseguia nomear.
"O medo de se perder… de ser completamente dominada por algo que não entendo…"
Talvez esse medo… talvez esse medo fosse pior do que o medo da morte.
Pois, pelo menos, a morte era um fim. Mas isso? Isso era pior. Você seria substituída. E tudo pelo que trabalhou se tornaria de outra pessoa.
"Não posso aceitar isso!" declarou ferozmente, com os olhos fixos na pequena montanha de ouro.
"Não vou deixar ninguém tomar meu dinheiro!"
Essa era a sua preocupação.
E, honestamente…
Ela tinha razão.
Então, Rea rastejou até sua pilha reluzente, passou as mãos sobre as moedas como se estivesse ungindo-se, e se deitou sobre elas, o peso do ouro a fazendo se sentir segura.
Mais uma vez, ela tinha certeza.
Dinheiro traz felicidade.
E quem dizia o contrário…
"Podem ficar com o meu também, então!"
Sim, Rea levava isso a sério.
Que menina adorável.
…
Todos conhecem o peso do amor de uma mãe.
Mas e um pai?
Posso assegurar que não é menos pesado.
…
Fokay — Oeste, Império dos Malditos
Fazem dias desde que Rose contou a Asael a única forma de ver sua filha… e protegê-la.
E, no entanto, parecia que anos tinham se passado.
Ele estava em agonia. Tinha medo.
A prisão não tinha mudado desde sua última olhada. Exceto que agora, o ar estava carregado de desespero, espesso e sufocante, e punhos manchados de sangue tinham batido no chão o suficiente para deixarem marcas.
Claramente, alguém estivera batendo sem se importar com o corpo.
Aquele alguém era Asael.
Encolhido no canto de sua cela, corpo tenso, olhos vermelhos de exaustão, rastros de lágrimas secas formando crostas nas bochechas.
Desde aquela conversa com Rose, ele se perguntava a mesma coisa:
Abandonar sua liberdade pelo bem da filha? Ou agarrar-se teimosamente à coisa mais sagrada que um homem pode ter — sua vontade?
Como poderia aceitar uma vida de correntes? Uma vida onde outro tivesse o direito de mandá-lo, de tirar suas escolhas?
Como poderia viver sabendo que seu 'mestre' poderia fazer o que quisesse com ele?
Para Asael, era impensável.
Ele era o Príncipe das Sombras. Nunca deveria ser acorrentado. Nunca deveria ser preso.
Ele era sombra — sem forma, livre, ubíquo.
Sim, ele repetia para si mesmo que não aceitaria isso. Fazia isso todas as noites.
Até Rose lhe entregar a pequena orb de runas, gravada com a lembrança da sua filha brincando com os servos do Castelo Abandonado.
Aquela orb repousava em suas mãos agora. Ele a assiste de novo pela enésima vez, um sorriso quebrado surgindo em seu rosto enquanto lágrimas turvavam sua visão.
Ela tinha crescido.
Seu cabelo vermelho brilhava como pétalas de rosa esmagadas misturadas com luz de estrelas, e seus olhos… pretos como a noite, fundos o suficiente para conter toda sombra do mundo.
Ela era pequena, radiante, sua risada iluminava até aquele lugar amaldiçoado.
Ela se parecia mais com ele do que com a mãe, e ele se sentia orgulhoso disso.
Essa era sua filha. Sua própria filha.
Assistindo ela brincar com os brinquedos, batendo os braços como pássaros que machucam as asas, seu sorriso tão brilhante que fazia os servos gemerem de exaustão… Asael só podia se perguntar:
E se ele perdesse sua liberdade?
E se se tornasse um escravo?
Como poderia deixá-la sofrer?
Ele era um pai amaldiçoado. Trouxe-a ao mundo sem seu consentimento. Ele a protegeria até que ela pudesse se defender.
Não importando o custo.
"Haha…" ele riu fraco.
"…Hora de finalmente desempenhar meu papel de pai," murmurou, seu corpo tremendo ao pensar em ser aprisionado.
Mas toda vez que pensava nela, via uma luz na escuridão sufocante — e, no final, sempre sorria. De alguma forma, ansioso para revê-la.
Ah…
Um homem sábio já disse: somente o amor de uma mãe carrega o peso de um segundo coração palpitando dentro dela.
Verdade. Mães são especiais assim.
Mas só a força de um pai pode suportar o peso do futuro de sua família.
E esse fardo nunca desaparece.
Ele o carrega até o túmulo.
Ou até…
As profundezas infinitas das sombras.
—Fim do Capítulo 248—