
Capítulo 247
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Gratidão.
Esse foi o sentimento que ameaçava explode do coração de Kaden como fogo no gasolina ao ouvir as palavras de sua mãe.
Ele não respondeu nada. Estava fazendo o possível para não derramar lágrimas ao abrir a boca.
Seria constrangedor demais, afinal, ele era um homem respeitável. Não era do tipo que chorava.
Mas, mesmo assim… ele ficou profundamente tocado.
Ele vinha se preocupando desde sempre com essa questão. Não era só uma questão de desafiar a tradição, era mais do que isso.
Era o fato de ter medo de decepcionar seus pais, especialmente sua mãe, por querer mais de uma mulher.
Ele não queria que pensassem que era leviano, sem seriedade, aquele tipo de homem que busca garotas para tirar sua pureza e deixá-las ao pó enquanto segue seu caminho.
Jamais faria uma coisa dessas. Além do mais, ele não era esse tipo de homem… ele tinha uma mãe e uma irmã.
Como se sentiria se algum canalha fizesse o mesmo com elas?
Ele sabia exatamente como se sentiria… porque, no dia em que isso acontecesse, o mundo sangraria sem parar.
E tudo entre céu e terra se afogaria em um oceano de sangue.
Então, algo que ele não gostaria que sua mãe e sua irmã experimentassem, ele nunca faria com outras mulheres por aí. Isso seria o ápice da hipocrisia.
Ele já era hipócrita o bastante por nem sequer imaginar sua irmã ficando com um homem que não a considerasse sua única mulher.
Porque, se o homem fosse polígamo? Sim, ele se suicidaria, voltaria no tempo e mataria aquele canalha antes mesmo de conhecer a irmã dele.
Dessa forma, ninguém sairia machucado. O mundo perderia apenas mais um homem polígamo — e as mulheres o amariam por isso, com certeza.
Então, sabendo de tudo isso… ele ficou ainda mais grato por ter pais assim.
Não conseguiu se conter. Seu rosto se abriu em um sorriso radiante, do tipo que uma criança comum de sua idade usaria num mundo onde a morte não fosse a companheira constante de todos…
…e seu sorriso iluminou a sala instantaneamente.
Coração de Daela deu um salto ao ver um sorriso tão deslumbrante. Seus olhos se arregalaram levemente. Naquele momento, ela só quis abraçar seu irmãozinho com tanta força que ambos seriam uma só pessoa.
Serena sentiu o mesmo. Olhando para o sorriso de Kaden, percebeu o quanto ele se parecia com ela. Mas Kaden tinha algo mais na sua beleza, algo perigosamente sedutor.
O coração dela derreteu como neve sob um sol brilhante. Imediatamente, ela sentiu que tinha feito a escolha certa ao aceitar os desejos dele.
Garros também ficou um tanto surpreso. Não pela decisão da esposa — ele já sabia que ela era uma fã assumida do mais novo — mas por como Kaden olhava para a mãe enquanto sorria daquele jeito. Não pôde evitar suavizar o olhar ao observar o filho.
Kaden herdara todas as características mais justas da mãe.
A tensão na sala desapareceu como se nunca tivesse existido, apagada por nada mais que o sorriso de Kaden. E então, o ambiente se encheu de emoção e alegria ao Kaden falar:
"Obrigada… obrigada de verdade. Vocês são os melhores." Suas palavras eram simples.
Mas, às vezes, as coisas mais simples carregam o peso mais pesado.
E sua família sentiu isso.
Kaden agradecia a tudo entre o céu e a terra por tê-lo feito renascer nesta família linda.
E é exatamente por isso… é exatamente por isso que ele estava disposto a fazer tudo — absolutamente tudo — para proteger essa família.
Ele não desejaria perdê-los como perdeu os que tinha na Terra, afogados numa tristeza sem fim, enfrentando o mundo sozinho.
O mundo não foi feito para ser enfrentado sozinho, senão você se despedaçaria como um castelo de vidro.
E aqui, ele não era fraco. Não era impotente. Não era covarde.
Aqui, ele era Kaden Warborn. O filho nascido na guerra, no sangue, na morte.
Ele tinha poder. Tinha influência. Tinha pessoas que o seguiam e se importavam com ele.
Ele não estava só.
E só ao pensar nisso, ele sentiu essa emoção, essa crença, de que seria capaz de conquistar tudo o que desejasse.
Porque, como já disseram os grandes homens… quando o objetivo é claro, o sacrifício deixa de ser sacrifício… é simplesmente o preço a pagar para seguir em frente.
Seu objetivo era claro. Ser forte o suficiente para que todo mal fosse inútil contra essa família maravilhosa. Forte o bastante para que nada os prendesse de uma forma que não quisessem.
Ele teve sorte de nascer dentro dela.
Agora, dependia dele manter tudo até o fim dos tempos.
Uma família eterna.
Como se estivesse percebendo o que ele pensava, todos sorriram em uníssono.
"Venceremos", disse Daela, com voz firme. Ela se aproximou de Kaden. Ele estava sentado, ela em pé, então, ao pegar sua cabeça e pressioná-la contra seu ventre, ela a apoiou ali.
Foi difícil. Seus abs eram uma maravilha, e Kaden gostava da sensação.
Serena apareceu e sentou-se ao seu lado esquerdo, com um sorriso brincalhão.
"Como Kaden terá várias esposas, eu também terei muitos netos. Todos mini Kads… ah, meu coração aguentaria tanta fofura?" ela falou com um dramismo que Kaden mesmo tinha, enquanto acariciava sua face.
"HAHAHAH! Imagina, Serena? Todos eles meus parceiros de treino e discípulos para aprender ferrosaria. Eu serei o avô mais feliz do mundo!" gritou Garros, batendo forte nas costas de Kaden.
"A melhor tia!" brincou Daela, com uma expressão séria, já pensando em como convencer seus sobrinhos e sobrinhas.
Kaden estava cercado por sua família. E, nesses momentos, não podia deixar de sentir falta do irmão Dain.
Todos sentiam.
"Aquele filho da puta do primogênito que devia estar aqui."
"Um irmão mais velho irresponsável."
"Ah, deixa meu primeiro filho em paz. Tenho certeza de que ele está lá fora matando tudo que vê com alegria."
Todos começaram a rir e brincar, contando histórias de como Dain era quando mais novo.
Uma besta com punho de cérebro.
Riram, zoaram, provocaram um ao outro, esquecendo por um momento a guerra que se aproximava.
Uma guerra que poderia matar a todos eles.
Mas isso só seria possível se Kaden fosse morto completamente, sem deixar moedas da morte pra trás.
Porque, enquanto ele tivesse moedas da morte…
A família dele poderia ser imortal.
Não morreriam de verdade.
Após essas conversas leves, Kaden falou sobre Meris Elamin. Mais uma vez, seus pais ficaram profundamente surpresos. Até Daela, que também não sabia, ficou impressionada.
Eles não sabiam que a mulher que Kaden amava era a herdeira da Elamin. E que a Matriarca da Elamin concordava com o relacionamento deles. Tudo precisava apenas de uma confirmação, e Kaden e Meris seriam oficialmente um casal.
Antes de tudo isso acontecer, porém, Garros e Serena acharam melhor comunicar primeiro a Thornspire sobre a notícia.
Eles já imaginavam que Thornspire não iria gostar. Mas, desde o início, o relacionamento com Rea não foi uma escolha deles.
Foi obra de Raven Warborn, avô de Kaden.
Mesmo assim, estavam prontos para pedir desculpas e fazer o possível para manter tudo amigável.
Kaden até mentiu dizendo que amava Rea, para garantir que Meris soubesse. Rea seria sua primeira esposa, como o destino decidiu.
Ela merecia pelo menos isso.
Depois, começaram as discussões sobre tudo isso até serem surpreendidos por batidas suaves, quase tímidas, na porta.
De comum acordo,
Sabine entrou e curvou a cabeça para a família, com o tronco encharcado de suor. Em mãos, tinha uma carta cuidadosamente encoberta, emitindo um leve brilho verde.
Ela respirou fundo para se acalmar e abriu os lábios.
"Senhores, recebemos uma carta," ela disse.
"De quem?" perguntou Garros, sua voz a fez quase ajoelhar-se.
Fazendo o máximo para não exibir uma cena tão embaraçosa diante dos mestres, ela mordeu por dentro do lábio e conseguiu soltar as palavras que lutavam na garganta:
"Da Cobra, meus senhores…"
"…As Cobras da Tribo de Orobus enviaram uma carta."
De repente, como o uivo profundo de um lobo sob uma lua metade cheia, a percepção de Kaden se ativou com intensidade inédita.
Seus olhos ficaram tão frios que a sala congelou, um aroma de sangue começou a invadir o ambiente.
Seu olhar fixou-se na carta… ele podia senti-la… sentia uma ameaça profunda, uma ameaça de perigo iminente.
Ele suspirou.
Não, todos suspiraram.
"Hora de matar, hein?" murmurou Garros, com um sorriso, então…
Todos sorriram.
Os Warborn estavam prontos.
E o mundo saberia por que uma alcateia de brutamontes nunca foi exterminada num mundo cheio de raposas astutas.
—Fim do Capítulo 247—