
Capítulo 250
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O tempo parecia ter congelado.
Por um momento, Luminary não respondeu. Ele simplesmente encarou Sora, seus olhos ardentes brilhando com um lampejo de confusão antes de desaparecerem, substituídos pela expressão carregada de fogo e determinação.
"Repita isso de novo?" Sua voz explodiu como uma estrela em detonação.
Era alta, explosiva, abrasadora — tanto que Sora recuou cambaleante, o ar sendo arrancado de seus pulmões, sua boca secando como se cada gota de água de seu corpo estivesse sendo queimada até virar vapor.
Tudo aquilo, com apenas a voz de seu pai.
Ela amaldiçoou consigo mesma, percebendo com uma frieza assustadora o enorme contraste de poder entre eles. Se ele quisesse, poderia matá-la com uma única palavra, só com uma voz indignada.
Mas pouco importava agora. Ela não ia se curvar. Não ia aceitar algo que desprezava, nem agora, nem nunca.
Mesmo que isso significasse a morte.
Seus olhos dourados se tornaram duros, ela mordeu os lábios rachados até escorrer sangue, encarando o pai com uma afronta que cortava a garganta seca dela.
"Cante… Eu quero cantar, Pai. Não aceitarei menos que isso."
Sua voz era frágil, seca como folhas mortas, mas atrás dela ardia uma determinação inabalável.
"Mesmo que você morra?" perguntou Luminary, com tom mais pesado, mais quente, a própria atmosfera vibrando com a força de suas palavras. A temperatura aumentou tanto que o espaço entre eles parecia deformar-se e ondular como se fosse prestes a se partir.
Sora tossiu violentamente, seus olhos saltando, sentindo algo aterrorizante. Seu sangue — seu próprio sangue — estava queimando. Sua cabeça virou-se bruscamente para o pai, um pânico brilhando em seu olhar.
Luminary não se mexeu. Não piscou.
"Mesmo que você morra?" repetiu, com voz séria, implacável.
As pupilas douradas giravam loucamente dentro das chamas de seus olhos, e Sora sentiu calafrios percorrerem todo o seu corpo. O suor escorria do rosto dela, sumindo instantaneamente, queimada ao toque assim que aparecia.
Nesse momento, ela sentiu tudo….
…a ameaça de morte.
O medo se enrolou ao redor do seu coração como uma cobra venenosa, apertando, sufocando, até que apenas fragmentos quebrados de pensamentos escapassem de seus lábios como rachaduras em vidro estilhaçado.
Seus mãos cavaram desesperadamente na grama ardente sob seus pés, as lâminas em chamas queimando suas palmas enquanto ela tentava se segurar, tentar não se afogar na tempestade de medo que corria violentamente dentro dela.
'Sora… Sora… lembre-se. Lembre-se do seu objetivo. Você está pronta para viver fazendo algo que não quer… ou morrer tentando fazer o que ama?'
A pergunta ecoou em sua cabeça, acalmando-a, e a resposta veio rápida, inquestionável.
Ela preferiria morrer a abandonar sua canção.
Ela preferiria descer ao inferno do que silenciar a Canção do Fogo e do Sangue que criou na masmorra com Kaden.
"Eu… Eu vou escolher a morte!" ela gaguejou, seus olhos dourados ardentes fixando os do pai, a afronta brilhando através da dor.
Luminary a olhou por um longo momento, então suspirou interiormente.
A cena diante dele trouxe à tona memórias antigas — memórias de si mesmo, de pé exatamente onde ela estava agora, declarando seu amor pela herdeira da Lua. Seu próprio pai quase o matou naquele dia, mas, ao invés da morte, lhe deu palavras. Palavras que nunca o abandonaram.
"Então seja a Imperatriz," disse Luminary, afastando de uma vez sua intenção destrutiva, o jardim ao redor se acalmando, o ar ardente resfriando-se como se a própria realidade voltasse a respirar.
Sora respirou fundo, caiu de joelhos, puxando ar através dos pulmões devastados, enquanto seu corpo tentava se regenerar. Ela tossiu violentamente, cada respiração como uma lâmina, e levantou o olhar trêmulo em direção ao pai.
"O quê…?" ela conseguiu murmurar, quase um sussurro.
"Se seu sonho é cantar," declarou Luminary, sua voz agora calma, "então seja a Imperatriz e cante. Ninguém ousará silenciá-la, então. Ninguém vai ousar repreender a Imperatriz do Império Celestial."
Os olhos de Sora se arregalaram de choque, a compreensão iluminando seu rosto como o amanhecer atravessando as sombras.
"Você me entende, minha filha? Eu não vou deixar você cantar sob meu reinado. E, se fosse você, não confiaria demais no seu irmão também. Aquele menino é muito parecido com a mãe — esperto."
"Você se casou com a Mamãe!"
"Porque ela era esperta." Ele deu de ombros.
Sora congelou, as palavras sumiram, sua mente girando sem parar.
Luminary se ergueu à sua altura máxima e virou-se, as chamas em seu corpo projetando longas sombras enquanto caminhava em direção ao rio dourado de lava que corria pelo jardim.
"Você tem seu objetivo. Agora, tem o caminho para alcançá-lo. Então, mais uma vez, minha herdeira…" sua voz tornou-se retumbante, definitiva e autoritária,
"Faça-me orgulho e traga Kaden Warborn."
Ele fez uma pausa, deixando o silêncio descansar como pedra derretida que se solidifica. Então…
"É hora de você recuperar seu artefato mítico."
…
Darklore — Tribo das Serpentes de Orobus.
A masmorra subterrânea da tribo era um lugar estranho. Não era feita de rochas nem de madeira como qualquer outra prisão, mas de escamas — escamas de várias cores — cobrindo todas as superfícies.
As paredes, o teto, o chão, até as grades das celas eram todos feitos do mesmo material. E isso não era tudo. Um cheiro permanente de veneno impregnava a prisão, grosso e persistente, envolvente como uma nuvem que obscurecia as estrelas.
O veneno devorava a carne aos poucos, deixando no final apenas ossos ressecados e carne apodrecida repleta de vermes.
Por isso, junto ao veneno, permanecia um cheiro forte de podridão — um odor que se recusava a deixar a dupla mãe e filha em paz.
Mas elas se importavam pouco. Não ficariam nesse lugar por muito tempo.
"Como foi minha atuação? Parece convincente?" Medusa sussurrou, com voz calma e indiferente, como se não estivesse acorrentada.
Inara balançou a cabeça. "Você poderia ter chorado um pouco, mãe. Ainda é novata."
"Isso teria sido exagerado."
"Nunca é exagero quando é uma atuação. Não esqueça disso, mãe."
Elas estavam presas dentro de uma cela, seus braços acorrentados, seu poder selado, suas roupas manchadas pelo chão imundo coberto com carne podre de um soldado serpente morto.
Medusa olhou para a filha com orgulho.
"Seu poder é realmente algo, Inara." ela disse.
E realmente era.
Inara era a Mãe dos Monstros. Palavras fáceis de esquecer por causa de quão raramente usava seu poder, mas ela era mortal.
Ela podia controlar a mente dos monstros, das feras, e até criá-los ela mesma.
E foi exatamente isso que fez ao saber que outros planejavam tomar seu poder.
Com a ajuda da mãe, não foi difícil escravizar as mentes de alguns soldados serpente — guardas, funcionários, fracos de espírito.
Depois, com seu próprio aperfeiçoamento, criou monstros descartáveis para explorar o território incessantemente. Por exemplo, moscas.
Quem se importava com as moscas? Ninguém.
E também ratos.
Ela espalhou os ratos por toda parte, transformando-os em seus olhos e ouvidos, garantindo que soubesse de tudo antes que acontecesse.
A mãe continuava a desempenhar seu papel, fingindo surpresa, fingindo preocupação.
Mas a decisão já estava tomada. Elas deixariam a tribo.
Por enquanto.
A guerra se aproximava, e, quando o caos estourasse, elas teriam todo o tempo do mundo para voltar e eliminar cada um deles.
Por ora, porém…
Era hora de fugir.
O sol amarelo de Darklore se punha, mergulhando no sono, e a lua tomava seu lugar.
Dentro da prisão, a escuridão só era quebrada pelo delicado fio de luz prateada da lua, que escorregava por uma pequena janela. Logo, passos pesados ecoaram, demonstrando que alguém descia.
Um soldado serpente apareceu, sendo um dos guardas que acorrentaram e trouxeram Medusa até ali.
Ele não falou nada, olhos vazios, puxou uma chave e destrancou a cela.
Era a única chave que carregava — as correntes que prendiam seu poder ainda estavam com Bety. Mas Inara não precisava de sua força agora.
Suas ordens já tinham sido dadas. Seus monstros e seus serpentes controlados estavam prontos.
E, de fato…
BOOOOOOOOOMMMM!!!
Uma explosão retumbante dividiu a noite, pintando o céu de um verde doentio.
Os soldados serpente correram de suas casas, olhos arregalados de confusão, procurando pela origem.
Acima, uma ave esquelética com órbitas azuis em chamas voava pelo ar, cuspindo fogo azul incessantemente.
No centro da tribo, um lobo de duas cabeças rosnou, rasgando tudo que estivesse ao seu alcance.
Enquanto isso, alguns soldados serpente voltaram-se contra seus próprios companheiros, apunhalando-os friamente, olhos vazios, sem sentimento.
Medusa e Inara mergulharam na confusão, escapando por um túnel escavado pelas cinco sanguessugas de Inara.
De sob o solo, uma cobra de escamas verdes deslizou para cima e se enroscou no pescoço de Inara. Na sua cauda, pendiam as cinco sanguessugas dela.
Ela sorriu.
"Bom trabalho, meus filhotes."
Então, juntas, Medusa e ela se embrenharam na floresta, onde um cavalo as aguardava. Sem hesitar, montaram nele, e a fera galopou para longe, deixando apenas poeira para trás.
"Para onde vamos?" perguntou Inara.
Medusa sorriu, venenosa e afiada.
"Para os Warborn."
Por trás delas, dentro da tribo, todos os soldados serpentes controlados pararam. Então, com um último grito uníssono…
"AVE MÃE DOS MONSTROS!"
BOOOOOOOMMMM!!!
Seus corpos explodiram violentamente, nuvens espessas de veneno verde envolvendo tudo — água, ar, comida — infectando tudo com toxinas mutantes.
No centro da tribo, palavras brilhantes em verde ardiam intensamente para todos verem:
"Vou te ferrar na próxima, sua safada!"
Momentos depois, Bety apareceu, quase nua, as pernas tremendo — não de batalha, mas de um esforço completamente diferente.
Ao ver as palavras, o rosto dela se contorceu, e ela gritou, sua voz rasgando a noite de fúria:
"MEDUSSSSSA! INARAAAAAAA!"
—Fim do Capítulo 250—