
Capítulo 235
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Droga, eu tava tentando parecer tranquilo, mas como diabos vou matar alguém que não pode ser tocado?" disse Kaden com irritação, ao se encontrar novamente na escuridão da morte.
Ele vinha morrendo um pouco demais ultimamente. E sabia que ia morrer várias vezes ainda, pelo jeito daquele Escravo não fazia sentido algum.
Ele não podia ser tocado? Era inevitável?
Que poder era aquele?
Será que é por isso que os deuses temem ele?
A mente de Kaden trabalhava a mil por hora enquanto tentava entender a existência daquele Escravo.
Ele não conseguia.
Mas pelo menos podia ter uma ideia. O próprio Escravo tinha dito…
…Ele não podia ser morto por alguém com Vontade mais fraca do que a dele.
Fora matar, nem podia ser tocado sem uma Vontade superior. Então a resposta para a dor de cabeça de Kaden era clara…
Ele só precisava ter uma Vontade maior que a dele e então matá-lo.
O Escravo não era mais rápido que ele, nem mais forte. Ele só conseguia ferir, e Kaden não. Se ele conseguisse contra-atacar aquilo, sua vitória seria tão óbvia quanto a umidade da água.
"Eu preciso de uma Vontade mais forte", concluiu, justo quando uma faísca surgiu em sua mente.
Talvez o que tornava o Escravo especial fosse sua Origem. Uma Origem relacionada à Vontade?
De repente, ficou empolgado ao pensar nisso. Mas antes que sua mente pudesse vagar por esse caminho—
[Você foi morto pelo Sussurro do Imbatível Escravo. Ele é um ser de Vontade, criado por uma fração da Vontade do Imbatível.]
[Você não pode obter nada além de Vontade dele.]
[Você obteve atributos de Vontade: 50.]
Kaden calou-se.
'Então aquele homem é só uma Vontade? Uma Vontade pode assumir forma humana? Uma Vontade pode falar? Uma Vontade pode carregar tantas emoções escondidas?'
Como assim? Como uma Vontade consegue fazer tanta coisa?
Tinha usado seus atributos de Vontade de maneira errada, ou será que a Vontade do Imbatível era especial mesmo?
Kaden não sabia ao certo o motivo, mas seus instintos o guiavam para a segunda hipótese. Porque se nem os deuses tinham uma Vontade superior à de alguém que supostamente era um simples mortal na Terra…
…então não era ele que usava errado, mas sim que a Vontade daquele Escravo era diferente.
"Como posso fazer minha Vontade tão especial quanto a dele?" perguntou.
Senti que esse era o sinal da sua busca.
A Vontade tinha lhe perguntado se a Morte era inevitável, se poderia ser morta ou derrotada…
Ele agora percebia que se referia ao Escravo. Ele parecia uma criatura que a própria Morte não conseguiu levar ao além.
Porque sua Vontade da inevitabilidade talvez fosse mais única que a própria Morte.
Só de pensar nisso, Kaden ficava pasmo.
Como algo poderia ser mais inevitável que a própria morte? Algo que todas as formas de vida terão que passar?
É… é uma Maravilha.
Kaden suspirou. A Morte respondeu à sua pergunta.
[Aprenda com ele.]
"Aprender com ele, hein?"
"É só isso?"
[Aprenda, compreenda, morra e obtenha a Vontade dele. Moldes sua Vontade com a dele e pegue o que há de único nele, para fazer a sua única.
"Então tenho que morrer?"
[Sim.]
"Quantas vezes?"
[O quanto for necessário.]
"Minha mente vai aguentar essas mortes consecutivas?"
[Sua Vontade em crescimento permitirá que você acompanhe.]
"E se não aguentar, aí?"
A Morte ficou em silêncio por um instante, então—
[Você tem medo, Hóspede?]
"Não deveria?" Kaden deu de ombros.
"A Morte é minha força, eu sei bem, mas morrer repetidas vezes não é algo que eu goste muito. Principalmente se houver o risco de minha Vontade não conseguir acompanhar."
Kaden tinha aceitado que a morte era necessária por poder, mas não várias vezes em tão pouco tempo.
Não era questão de ser covarde. Era questão de não morrer uma morte ridícula de verdade.
Por exemplo, destruindo a própria mente.
No final, ele não temia a morte em si. Tinha medo das consequências dela na sua mente.
[Você tem outras opções?]
Aqui, Kaden sorriu.
"Não tenho."
[Escute, Kaden.]
De repente, Kaden endireitou-se ao ouvir o chamado de Death.
Nunca tinha ouvido a voz dele tão séria fora de uma missão.
Ele escutou.
[O poder deve ser conquistado. E para conquistá-lo você precisa derramar sangue. Pessoas de diferentes eras fizeram o mesmo. Lutaram, sangraram, sofreram, choraram, e alguns até perderam a cabeça no processo. Mas obtiveram poder.]
[Um virou Imperador de um Império nunca antes visto, outro habita lugares que sua mente fraca nem consegue imaginar, outros criaram casas com legados mais profundos até que o seu, e mais uns vivem entre nós, com olhos por toda parte.]
Kaden apertou os punhos.
[Mas você, Hóspede. Você, Kaden Warborn. Você não obterá poder só de sangrar, chorar, sofrer… mas também de morrer.]
[Então me diga, bom homem, o que acha que se tornaria com esse custo todo? Se outros são imperadores de homens, o que você será?]
"Serei o Deus dos homens." Sua voz era firme.
[Exatamente. Não esqueça, Kaden.]
[Quanto maior o custo, maior a recompensa.]
[Agora, vá morrer, bom homem. Vá ser aquilo que você deve ser.]
"Senhor da Morte?"
[Maior.]
Ele sorriu.
"Acho que um pouco de loucura é inevitável para alguém como eu."
"Reviva-me, Morte."
Ele sorriu com a insanidade nos olhos carmes.ueux.
"Hora de aprender com um escravo sangrento."
[É esse o espírito, bom homem!]
E assim…
Clang—!
O ciclo de mortes e renascimentos começou.
…
Enquanto isso, em um lugar onde Liberdade é um mito.
Fokay — Jogo subterrâneo da Liberdade.
"Cavaleiro, tem certeza da sua decisão?" falou um homem. Sua voz soava de forma estranha, semelhante à do apresentador dos jogos subterrâneos.
Era ele mesmo, afinal.
Seu cabelo era amarelo, com olhos correspondentes. Vestia um terno preto formal. Parecia jovem, mais velho do que aparentava, na faixa de trinta anos.
Seu nome era Antsy.
Estava em um quarto luxuoso revestido de ouro.
Não ouro como cor.
Mas realmente feito de ouro, o metal.
Antsy inclinou ligeiramente a cabeça para uma direção. Lá estava um homem sentado em um trono de ouro.
Até chamá-lo de gordinho seria um elogio. Ele transcendia esse conceito. Parecia um balão prestes a explodir.
As bochechas estavam inchadas, como um esquilo com uma grande quantidade de nozes na boca. Seu terno luxuoso parecia que rasgaria com qualquer movimento sutil.
Tinha cabelo violeta, olhos do mesmo tom, e um bigode preto.
Porém, mesmo assim, seu rosto era belo e bem cuidado.
"Você está me questionando?" disse o Gordo. Sua voz tinha autoridade, mesmo soando como a de um homem sem fôlego.
Antsy baixou ainda mais a cabeça. "Não, Senhor. É que… o garoto é protegido pela Scarred. Fazer isso…", ele não continuou.
O Gordo entendeu perfeitamente. Mas não parecia se importar.
"Estou dando a ele a chance de subir a um nível intermediário com uma pedra de evolução de Rank Lendário," ele quase rosnou. "Se a Scarred ousar me atacar, será culpa dele, da sua insuficiência."
"E se ele ficar bravo?" Ele debochou.
"Tenho minha Casa atrás de mim."
'Ele também tem sua Casa, idiota. E a casa dele é uma porra de sangue.' Antsy gostaria de gritar isso, mas amava sua vida pacata demais para provocar esse sujeito.
Por isso, sorriu de forma tensa.
"Vai te custar muitos Pontos de Liberdade, Senhor."
"Levando tudo."
"Com quem vamos fazer ele lutar no duelo? Com alguém de rank mais alto? Um de rank A?" Antsy perguntou de novo.
"De rank A? Vamos de S—!"
De repente, o Gordo parou. Um sorriso largo se esticou em seu rosto.
Era sinistro ver um sorriso daquele em um rosto tão estranho.
Antsy não sabia se devia rir ou chorar com aquilo.
Mas as próximas palavras do Gordo fizeram-no congelar.
"Sou uma pessoa misericordiosa. Não quero que ele lute com alguém de rank mais alto. Afinal, ele morreria."
Sorriu maliciosamente.
"Quero que ele lute com alguém da própria equipe."
Os olhos de Antsy arregalaram.
"Senhor! Não—!"
"Silêncio, Ant. Sei que é permitido, não me trate como um tolo. Só preciso pagar mais, certo? Eu vou pagar. E você não pode recusar, pequenino Ant."
"Este subterrâneo é feito para jogos. Para emoções. Os espectadores querem esse tipo de duelo. E o que é mais emocionante do que ver dois membros da mesma equipe lutando?"
"Você me entende?"
Antsy não respondeu.
Nem sabia por que ficou surpreso.
Todos eram iguais. Todos.
Todas essas Casas.
Viam as vidas dos inferiores como meras ferramentas para seus interesses malignos.
Ele riu amargamente internamente ao olhar para a palma da mão direita, onde algo estava gravado.
Um número.
1256.
Ele balançou a cabeça, abaixando ainda mais. O tom de sua voz tornou-se morto, robótico.
"Sou apenas uma escravo, Senhor. Estou aqui para obedecer. E suas ordens serão cumpridas."
Sky… Oh Sky…
Bem-vindo ao jogo real.
—Fim do capítulo 235—