Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 234

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Ele não sabia onde estava. Na verdade, ele nem mesmo sabia quem era naquele momento.

Sua mente tinha sido completamente desfeita, e nesse processo seu próprio senso de existência, seu próprio eu, foi engolido por tudo aquilo que tinha visto.

Naquele instante, ele viu o vazio. Sentiu o vazio. E quase chegou a gostar daquele vazio. Exceto que, antes que a situação pudesse chegar a esse ponto, a Vontade restaurou sua mente.

Sufoco.

Kaden arfou, com os olhos arregalados de choque e horror ao relembrar tudo o que acabara de viver. Não, sequer ousava recordar aquilo por um medo instintivo de sucumbir à sensação de vazio.

Sua respiração saiu pesada, como se uma pedra estivesse bloqueando seus pulmões de fazerem seu trabalho corretamente.

Seus olhos ficaram enevoados por um instante, piscou e tudo ficou claro.

Ele olhou para baixo e viu que estava de joelhos sobre um corpo. Um corpo morto, para ser exato.

Imediatamente, lembrou-se do que havia acontecido antes de sua mente desabar.

"Missão de evolução… Estou na minha missão de evolução…" – Kaden percebeu enquanto inclinava a cabeça para olhar com mais atenção o lugar onde estava.

Olhou acima dele. Mas não viu nada. Não havia céu, apenas um espaço negro vazio com linhas brancas por toda parte.

As mesmas linhas que tinha visto antes.

Parecia que alguém havia tentado escapar rasgando o céu.

Em volta dele, não havia nada.

Estava de joelhos sobre um aglomerado de rochas achatadas que pareciam um prato… ao redor, só vazio. A superfície rochosa estava repleta de cadáveres.

Eram cadáveres de humanos, de elfos, de anões, de bestas monstruosas até demais para serem descritas.

Kaden chegou a pensar que viu o corpo de uma dragão, com o peito aberto e, onde deveria estar o coração, só havia vazio.

Ele estremecera.

O chão estava cheio daqueles mesmos cadáveres, além de sangue, órgãos, tripas…

Tudo espalhado pelo solo, como uma pintura feita para capturar a própria futilidade da vida. Para mostrar como a vida era sem sentido e como a morte era absoluta.

Desde o mais fraco e patético humano até o lendário e orgulhoso dragão — todos enfrentaram o mesmo destino… mortes sangrentas e iguais.

Qual a diferença entre eles, então?

O que fazia alguns no topo da existência e outros destinados a morrer com um simples suspiro?

Kaden começou a refletir, mas interrompeu seus pensamentos de repente.

Porque neste domínio da morte, neste lugar onde a morte mostrava o quão justa e imparcial ela era… havia um ser que se erguia alto entre os cadáveres.

Não era um deus. Não era uma Morte. Não era um Ceifador.

Era um homem comum.

Mas, naquele momento, ele poderia muito bem ser um deus e Kaden acreditaria.

Kaden deu um passo para trás ao vê-lo. Seu calcanhar escorregou por causa do olho de uma criatura monstruosa e ele quase caiu. Conseguiu se equilibrar graças à flexibilidade de seu corpo.

Olhou novamente para a criatura que o encarava.

Nunca tinha visto um ser com tão pouco gordura corporal. Não, parecia que ele não tinha gordura alguma. Estava muito magro. Por isso, seu corpo todo era coberto por veias profundas que se arrastavam como serpentes.

Havia uma espada pendurada na cintura dele.

Sua cabeça era rodeada por cabelos brancos e seus olhos eram negros como o vazio. Vestia roupas rasgadas que pareciam próprias para um escravo, e seus tornozelos…

Kaden parou, incrédulo.

Pois havia correntes tão grandes e grossas quanto montanhas envoltas em seus tornozelos magérrimos. Correntes que se estendiam e desapareciam no solo, como se o próprio mundo estivesse fazendo de tudo para mantê-lo na Terra.

Para impedi-lo de alcançar algo maior.

Para mantê-lo longe do céu.

Estava acorrentado, obrigando-se a permanecer ali, como um…

"Escravo…?" — murmurou inconscientemente. Imediatamente, tapou a boca num susto.

O homem sorriu. Seu sorriso era estranho. Kaden não conseguiu evitar sentir alguma sensação desconhecida crescer dentro de seu coração.

"De fato, sou um escravo," — disse ele. Sua voz era estranhamente suave, como a de um avô falando com seu neto.

Mas Kaden não foi enganado.

"Nunca imaginei que um dia receberia uma visita," — continuou, olhando para Kaden com pena.

"Você deve ser talentoso e estar com sorte. Mas também deve ser alguém com um potencial enorme… suficiente para alguém te guiar até sua própria morte," — terminou, e imediatamente uma presença repentina parecia crescer ao redor deles.

A pulsação de Kaden começou a ficar irregular, mas desta vez ele não recuou. Seus olhos vermelhos fixaram-se naqueles olhos vazios do Escravo Invencível.

Ele estremeceu, então abaixou o olhar.

Por impulso.

Levou novamente o olhar para cima, mas não conseguiu parar de tremer.

Algo dentro dos olhos daquele homem era demasiado alienígena para ele encarar. Mas Kaden não era alguém que aceitasse a derrota facilmente.

Partiu os lábios, "Minha morte?" — começou.

"Não vim aqui para morrer. Vim para passar na minha prova de evolução e me tornar um Mestre," — concluiu, com sua voz sem a intensidade e firmeza de costume.

"Qual é a sua missão de evolução?" — perguntou o homem.

"Derrotar o Invencível."

O silêncio tomou conta por um instante, até que uma risada sem humor ecoou pelo espaço.

"Você realmente foi enviado aqui para ser morto," — disse suavemente, com os olhos ainda cheios de pena.

Ele não perdeu tempo e desembainhou sua espada. Era uma espada longa simples. A lâmina era completamente branca, sem qualquer mancha, assim como seus cabelos, com o cabo preto como seus olhos — seu formato era estranho.

Era moldado como uma águia, depois um cavalo, depois um lobo e, por fim, uma borboleta.

A combinação desses quatro deu origem a algo surpreendente, mas Kaden só sentiu desespero e tristeza ao olhar para ela.

Ele também desfez sua Reditha, segurando-a firmemente com ambas as mãos. Observou o nivel do homem e percebeu que ele estava apenas no nível intermediário.

Exatamente como ele.

Mas por que sentia que estava enfrentando alguém… invencível?

"Postura desleixada." Uma voz o assustou ao notar que o homem estava a apenas um passo dele. Com um movimento rápido, ele desceu a espada em seu direção.

Kaden reagiu com velocidade surpreendente, mudou sua postura e bloqueou.

Foi ferido.

"O quê?" — murmurou Kaden, surpreso ao ver o peito sangrando.

Ele não tinha bloqueado a espada?

Não havia tempo de refletir, pois o homem continuou atacando.

O chão estava cheio de cadáveres, então Kaden teve que primeiro decidir onde colocar os pés.

Com sua percepção, isso era fácil. Não foi nem difícil acompanhar os movimentos do Escravo.

Mas desde o começo do duelo, Kaden nunca conseguiu bloquear um ataque dele.

Ele bloqueava, esquivava, parava golpes. Chegou a contra-atacar com a lethality de Reditha, focado em matar aquilo o mais rápido possível.

Mas nada funcionava.

Parecia que sua espada faltava de alguma coisa. Algo que pudesse realmente atingir aquele ser.

A espada do Escravo parecia ultrapassar suas defesas de alguma forma. Era como se a lâmina fosse inevitável.

Impossível de desviar.

E como se seu corpo estivesse fora de alcance.

Não poderia ser ferido.

Se você não consegue desviar da espada dele nem machucar seu corpo…

Como então não perder?

" Argh!!!" — soltou um grito de dor ao sentir a espada do escravo atravessando seu peito fundo dentro dele.

Ele cambaleou e caiu de costas sobre o sangue seco das inúmeras vítimas daquele homem.

Seu corpo cheio de feridas, seu sangue escorrendo sem parar. Havia algo dentro dessas feridas que impedia Reditha de curá-lo.

Ele tossiu, sangue saindo de sua boca.

Sentia-se tão patético. De fato, nunca havia se sentido tão miserável assim.

Nunca ferimentos haviam sido tão profundos, tão dolorosos.

E nunca sua Vontade havia sido tão fraca e sangrenta.

Kaden, diante daquele escravo, parecia ter perdido tudo que o fazia ser quem era.

Fechou a mão com força ao sentir a vida sendo sugada dele. Sua visão começava a desmaiar, tudo ficava vermelho.

Ele via tudo sangue escarlate.

Olhou para o escravo, que o encarava com pena.

Não havia arrogância, nem orgulho em seus olhos.

Apenas pena.

Kaden odiou aquilo.

"N-Não me tenha como objeto de pena…!" — cuspiu, sentindo a raiva ferver dentro do peito.

"Vou te vencer! Vou te matar!" — continuou, com um olhar cheio de furiosa ira.

O escravo balançou a cabeça. Não era a primeira vez que suas vítimas diziam coisas assim. E ele dizia a todos a mesma coisa:

"Não posso ser derrotado, homemzinho. Não posso ser morto. Minha espada não pode ser desviada, e meu corpo não pode ser machucado por nada menor que minha Vontade," — deu uma risada sem vida.

Ele se ajoelhou perto de Kaden e o olhou ainda mais de perto.

"E nada pode alcançar minha Vontade. Nada consegue vencer minha Vontade. Nem mesmo os deuses," — acrescentou.

"Eu sou Kaden…" — gaguejou Kaden.

"Você acha que consegue vencer a Morte?" — perguntou o outro.

"Nunca foi derrotado, hein?" — ironizou Kaden, com um sorriso frio.

"Perfeito. Já morri várias vezes. Mas nunca perdi, escravo. Então, vamos ver quem prevalecerá."

"A incapacidade de ser morto... Ou a minha incapacidade de ficar morto."

Um sorriso insano surgiu nos lábios dele. O homem franziu levemente a testa.

"Essa é a primeira rodada."

"Vamos começar a segunda, escravo."

[Você está morto]

—Fim do Capítulo 234—

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