Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 236

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Ele morreu várias vezes.

Uma. Duas. Três... Nove.

Em situações normais, Kaden já teria enlouquecido, destruído pelos sucessivos abscessos que estava experimentando, mas sua Vontade permaneceu firme.

Cada morte lhe davam 50 pontos de Vontade, fazendo suas estatísticas de Vontade chegarem a impressionantes 1.000.

Além disso,

Sua Vontade estava evoluindo. Ela estava se transformando em algo totalmente novo, algo único.

Mas havia algo que ainda faltava. Ainda precisava encontrar o último ingrediente, e assim que descobrisse qual era…

"Vou te derrotar, Escravo", disse Kaden, um sorriso sangrento se estendendo por seus lábios.

Suas roupas estavam rasgadas, sangue fluía livremente, e embora estivesse se curando lentamente desta vez, o processo era mais lento.

Ele aprendeu alguns truques novos ao lutar contra o Escravo. Uma coisa, por exemplo, foi descobrir que podia injectar sua Vontade nas feridas dos inimigos, dificultando sua cura ou até agravando-as.

Achava que esse tipo de aplicação só era possível com Intenção.

E tinha ousado usar suas duas Intenções na frente do Escravo. Elas não tiveram efeito algum. Era como se ele estivesse protegido por um campo que nada podia atravessar.

Um campo de Vontade.

No começo, ele estava dominado pela raiva. Sentia uma vontade profunda de matar o Escravo por ousar ter piedade dele, Kaden Warborn.

Mas quanto mais morria, mais aprendia com ele — mais seu equilíbrio com a espada ficava forte, suas habilidades aumentavam, seus pés se movimentavam melhor, sua Vontade se transformava em algo totalmente novo — e, com isso, seus objetivos começavam a mudar.

Não era mais matar o Escravo.

Era derrotá-lo.

Clank—!

Suas espadas se chocaram, faíscas explodindo em arcos deslumbrantes, espalhando-se ao redor, enquanto eles recuavam, se separando mais uma vez.

O Escravo olhou para Kaden com um leve sorriso de surpresa.

"Sua Vontade… é quase tão única quanto a minha. Como é possível?" perguntou, com a voz carregada de curiosidade.

Não havia raiva. Nem choque. Quase uma satisfação escondida na voz — como alguém que achava que o mundo não podia mais surpreendê-lo, até que foi provado o contrário.

"De que mais? Aprendi com você, Escravo. Não foi coisa pouca, se quiser a verdade. Morri muitas vezes só para entender a aplicação básica da sua Vontade." respondeu Kaden, balançando a cabeça como se lamentasse a sua falta de talento.

O Escravo inclinou a cabeça. "Você gosta de falar de morte demais. Entendo, você é herdeiro daquele lunático."

"Quem é esse lunático?"

"Seu Deus."

"Eu não tenho Deus."

O Escravo deu de ombros. "Todo mundo tem um Deus que segue — mesmo que não admita — exceto nós."

"Exceto nós?" replicou Kaden.

O Escravo apenas sorriu de forma enigmática.

"Me derrote."

Derrotá-lo para obter a resposta, hein.

Configuração clássica.

Mas Kaden gostava de coisas clássicas.

O problema era que ele ainda não sabia como superar a barreira que o impedia de criar sua própria Vontade única. Na verdade, ele nem mesmo entendia direito o que significava ter uma Vontade única.

Ele apenas seguia o fluxo, sem compreender muito.

O Escravo percebeu isso. Sabia que esse jovem interessante estava faltando alguma coisa. Então, decidiu fazer o que nunca tinha feito antes…

'Parece que anos incontáveis de solidão fazem maravilhas à cabeça de alguém.' ele pensou consigo mesmo, dando uma risada interna.

"Levante sua espada", disse o Escravo. "Vamos fazer um duelo de verdade."

"Ah, são—!"

"Levante sua espada, Herdeiro da Morte." Sua voz se tornou repentinamente firme. Firme como uma montanha. Ele mudou sua postura, as correntes em seus tornozelos rangendo como trovões sob um céu nublado.

Ele olhou com severidade para Kaden.

"Você está diante de um espadachim, não de um poeta. Se tem algo para me dizer, diga com o som de nossas espadas se chocando."

O Escravo ergueu sua lâmina, apontando para Kaden, com os olhos fixos nele.

Kaden sentiu a pressão. Sentiu medo.

Não havia intenção de matar nos olhos do Escravo, apenas seriedade. Mas, de alguma forma, isso tornava tudo ainda mais assustador.

Mais uma vez, Kaden teve a sensação de que não estava enfrentando um homem.

Mas um Deus em carne mortal.

Ele expirou um hálito de vapor, levantou Reditha na mesma posição do Escravo. Seus olhos ficaram duros como aço pronto para sangrar.

Houve silêncio por meia fração de segundo.

Depois, um borrão de movimento.

Uma dança de espadas explodiu pelo espaço ao início do duelo.

Kaden lutava como alguém cheio demais de sangue na cabeça. Seus passos eram rápidos, seus golpes pesados.

O Escravo era ágil, gracioso. Lutava como se estivesse numa pista de dança. Girava, abaixava, esgrimia de maneiras nunca vistas antes.

Cada golpe fluía naturalmente no próximo. Não havia pausa, nem movimento desperdiçado.

Era como uma dança sem fim, uma liberdade marcada pelo som do encontro das lâminas.

Kaden avançou, fechando a distância num instante. Ele cortou com Reditha, usando todo o corpo para forçar o golpe.

O Escravo bloqueou facilmente, desviou, e defletiu o ataque. Na mesma ação, mudou sua empunhadura, girou e perfurou as costelas de Kaden.

Ele grunhiu, cambaleando para trás.

O Escravo não permitiu que ele se recuperasse. Avançou, cortando diagonalmente do ombro esquerdo ao quadril direito.

Desajeitado, Kaden defletiu parte do golpe, mas o restante o atingiu de qualquer jeito, só pelo puro uso de sua Vontade.

Ele gemeu de novo, mas dessa vez, ao invés de recuar, partiu em disparada.

Ele conseguiu pegar o Escravo um pouco de surpresa, mas não importava.

O Escravo desviou, abaixou-se, e Kaden tentou um golpe que passou pelo ar vazio. Então, tossindo sangue, sentiu a lâmina do Escravo rasgar seu peito mais uma vez.

"Borrado. Sua postura está muito escorregadia. Por que usa todo o corpo para atacar?" perguntou o Escravo, ainda atacando.

O som de espadas ressoava mais alto enquanto Kaden ficava cada vez mais cercado.

Em comparação ao Escravo, ele tinha pouco conhecimento de espada.

"Q-Que?" conseguiu murmurou.

"Disse, por que você usa todo o corpo para atacar?" repetiu o Escravo, cortando novamente.

Sangue jorrou. Kaden amaldiçoou.

"Não é assim que a gente faz?" raiva e frustração queimavam na sua voz.

Ele bloqueou um golpe, respondeu, mas colocou força demais na reação.

O Escravo usou essa força mal direcionada, redirecionou a força e a enviou de volta contra ele.

Sangue escorreu como uma tinta carmim. Kaden amaldiçoou de novo, com as pernas vacilando.

"Você não precisa cortar tão forte. Não precisa aplicar toda a força em cada golpe," disse o Escravo enquanto Kaden caía de joelhos.

Ele levantou a cabeça dolorosamente, encarando para cima.

Não havia raiva nos olhos dele, apenas frustração — por si mesmo, por ser tão fraco.

"Então, como devo atacar?"

"Não use todo seu corpo, claro."

"Basta jogar com confiança e decisão. Relaxe os ombros. Não os tensione, isso vai atrasar seus movimentos."

"Agora levante-se e tente de novo." O Escravo recuou, esperando.

Kaden se forçou a levantar lentamente.

Ele levantou Reditha.

Fez uma inspiração profunda, relaxou os músculos, deixou os ombros ficarem soltos. Tentou cortar… não com força bruta, mas com intenção, com determinação.

Ele cortou.

O vento assobiou. Ficou mais limpo. Sem interrupções.

Kaden imediatamente percebeu a diferença.

"Entende agora, Herdeiro da Morte? Não é questão de força. Não é força no golpe."

O Escravo se aproximou do Kaden, ainda atordoado e ensanguentado.

Em comparação a ele, o Escravo estava intacto, pristine. Bem, na medida do possível para um escravo.

Parando a uma polegada de distância, olhou para Reditha, depois sorriu brevemente.

"Me diga, se não é força... do que se trata então?"

"Vontade?"

"Sim. A Vontade, Herdeiro da Morte. Agora, quero fazer uma outra pergunta."

"Por que você luta? Para ser lembrado? Por honra? Por lealdade? Ou por… liberdade?"

Seus olhos negros como a escuridão atravessaram Kaden, como se perfurassem além da própria realidade.

Kaden não hesitou.

"Por força. Luto para obter força. Passo por dificuldades por força. Não qualquer força, mas a força que esmagará todas as limitações que esses mundos impõem a mim. Força para proteger quem amo."

O Escravo sorriu. "Uma meta elevada."

"Todos desejam esse tipo de força. Todos gostariam de ser fortes o suficiente para cortar qualquer coisa…" ele olhou para as correntes em seus tornozelos, e continuou…

"… restrições."

Kaden permaneceu em silêncio.

"Sem considerar os sacrifícios necessários, me diga… o que sua espada deve ser?"

"O que ela precisa incorporar para ajudá-lo a alcançar esse estado? Que tipo de Vontade ela deve carregar?"

Ele avançou, pegou a lâmina de Reditha.

Reditha bradou um vermelho ofuscante como uma nevasca de sangue. Ninguém deveria tocá-la, exceto Kaden.

Mas ela nada pôde fazer contra o Invencível. Ele apenas sorriu, achando aquilo fofo.

Kaden congelou ao ver aquilo, mas antes que pudesse falar, a voz do Escravo cortou novamente.

"Você é um desperdício, Herdeiro da Morte. Sua espada é viva. Sua espada tem uma Vontade. Sua espada te ama. Sua espada morreria por você."

"Como você é tão ruim com espadas?"

O corpo de Kaden tremeu de vergonha.

"Está ouvindo as palavras dela? Está ouvindo o coração dela?"

Kaden queria dizer que sim. Mas sabia que não. Mal deu a ela um pouco de tempo.

"Encontre", disse repentinamente o Escravo, soltando Reditha, recuando para se sentar na caveira de uma enorme águia púrpura morta.

"Encontre a Vontade dela. Então crie a sua própria."

"E venha até mim. Vença o Invencível."

Ele sorriu.

Kaden novamente sentiu emoções desconhecidas surgindo nele.

"Cada tentativa que falhar te deixará uma cicatriz. E com a minha Vontade, essas cicatrizes nunca irão desaparecer."

Kaden ficou em silêncio.

Olhou para Reditha. Sentiu suas emoções turbulentas — raiva, preocupação, amor, frustração, solidão… tantas, tão complexas.

Sorriu levemente para a espada carmesim brilhante em sua mão.

"Minha Reditha…"

Ela vibrava com uma tonalidade vermelha intensa, como fogo.

"…vamos?"

—Fim do Capítulo 236—

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