
Capítulo 231
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Morte. Morte. Morte.
Essa era a única palavra ecoando alto na mente de Kaden enquanto ele caminhava pelas Montanhas Rochosas.
Ele abaixou sua defesa drasticamente, deixando seu corpo fraco e enclenque, como um bebê recém-nascido. Naquele momento, até mesmo uma bofetada bem aplicada de um Intermediário poderia matá-lo.
Era mentira.
Mesmo diminuindo sua resistência, nenhum Intermediário poderia matá-lo a menos que ele mesmo expusesse seu coração e guiasse a mão deles até ele.
Mas, segundo Vaela, aquele lugar era repleto de feras pelo menos de grau Mestre.
Eram seu alvo.
Então ele caminhou. Seus passos eram leisure, sua mente vagava, seus lábios mexiam-se enquanto cantava uma melodia que ouvira pela última vez na Terra. Parecia estar numa simples caminhada, a natureza como sua única companhia.
Era uma visão estranha. Até para as feras.
Uma delas estava escondida não muito longe de Kaden. Sua pele era completamente marrom, como as pedras espalhadas por toda a terra, misturando-se perfeitamente ao ambiente.
Era uma serpente de pedra, com presas duras como rocha, olhos rígidos, movendo-se lentamente dentro de suas órbitas.
Parecia uma pedra moldada em forma de cobra.
Ela observava Kaden com perplexidade. Como uma feras de grau Mestre, tinha inteligência, instinto aguçado por incontáveis caçadas. E o que ela percebia em Kaden era só perigo.
Essa presa parecia saborosa, descuidada, mas ela sabia melhor. Veneno poderia estar disfarçado numa balinha. Mesmo assim, tinha fome. Cansada de mastigar pedra o dia todo, todas as estações.
Havia outras feras, mas nenhuma valia a pena lutar… muito a perder, pouco a ganhar.
Assim, ela decidiu arriscar-se com esse humano fragilizado.
Sortuda, ela: Kaden estava com vontade de morrer.
Ela se ocultou, esperando o momento certo, mas…
"Meu bom homem, por que está hesitando tanto? Não o fiz fraco o suficiente?" sussurrou Kaden, sua voz enrolando na orelha da serpente como um velho amigo perdido.
A serpente entrou em pânico. Tentou deslizar para longe imediatamente, mas o aperto de Kaden era de ferro. Não se mexeu nem um centímetro.
Ela se debateu violentamente, lutando desesperadamente para escapar.
"Calma, meu bom homem, olha aqui." Kaden apontou para suas veias jugulares.
"Morda, ataque, me envenene… faça o que quiser, e me mate." Disse, sabendo que a fera entenderia, mesmo que não respondesse.
A serpente hesitou, confusa, se perguntando se aquilo era uma nova tortura criada pelos humanos perversos.
Mas ao olhar nos olhos rubros de Kaden, tudo que viu foi sinceridade.
"Cara, estou te dando meu corpo inteiro para comer, por que hesita? Me devora." insistiu Kaden, antes de parar, estranho consigo mesmo.
"Droga, isso saiu estranho demais," murmurou, franzindo o rosto irritado.
Percebendo seu desconforto, a serpente fez o que qualquer cobra com autoestima faria — atacou.
Kaden viu claramente. Até mediu a força do golpe.
Ele balançou a cabeça decepcionado e abaixou ainda mais sua defesa, permitindo que as presas penetrassem sua carne, para matá-lo.
[Você está morto.]
Primeira morte.
…
"Aquela cobra foi uma decepção. Espero achar outra mais forte," murmurou Kaden ao aparecer novamente na escuridão insondável da Morte.
Ele não demorou.
"Quero pontos de atributos neutros."
[Você recebeu 50 pontos de atributo.]
"Fraco pra caramba." balançou a cabeça com desdém.
Um grau Mestre? Que piada.
"Reviva-me."
[Custo: 400.]
Tic—!
…
Kaden continuou sua busca. Desta vez tomou outro caminho e se deparou com um urso gigantesco dormindo no chão.
Como tudo neste lugar, sua pele era marrom, mas este brilhava como caramelo polido sob o sol escaldante.
A aura que emanava quase alcançava o nível de Mestre.
Kaden sorriu e se aproximou calmamente. Tocou sua cabeça suavemente, como uma mãe acordando um filho.
O urso se mexeu, confuso, seus olhos enormes se abrindo para encontrar o sorriso de Kaden.
"Meu bom homem, desculpe acordar você do seu sonho maravilhoso, mas poderia apenas morder minha cabeça?" pediu Kaden, apontando para seu crânio com um dedo discreto.
"Bem gostoso—!"
MORDIDA—!
O urso não esperou. Mordeu sua cabeça limpa e voltou a dormir, vagamente se perguntando desde quando moscas ficaram tão grandes e humanas.
[Você está morto.]
Segunda morte.
…
"Aquele grandão nem deixou eu terminar minhas palavras. Que grosseria." murmurou Kaden, seus olhos vermelhos piscando de insanidade.
Começava a gostar dessas mortes.
Sorriu de orelha a orelha.
[Pontos de atributo: 100.]
"De novo."
[Custo: 400.]
Tic—!
…
Desta vez, Kaden foi mais fundo nas Montanhas Rochosas. Encontrou outras feras, mas eram fracas. Matou-as rapidamente, recolhendo seus Núcleos de Origem.
Quanto mais andava, menos pedras via. A grama brotava sob seus pés, e aqui e ali, árvores de folhas rubras, como sangue condensado, surgiam do chão.
Sorria loucamente, excitado, asfixiava seus ossos.
Minutos depois, parou, sentindo um olhar — predatório, esmagador.
Este era um Mestre.
Devagar, Kaden virou-se para encará-lo. Seu corpo se tensou ao perceber.
"Humano…" a voz ecosou, rangendo como montanhas se esfregando.
Era um golem. Com oito pés de altura, sua superfície rochosa marcada com tatuagens vermelhas em espiral.
Seus olhos ardentes fixaram-se em Kaden com uma neutralidade arrepiante.
"Humano…" repetiu.
Kaden sorriu, levantando a mão. "Olá!" Sua voz era casual, mas o medo e a insanidade dançavam por baixo.
"Volte," o golem declarou. Sua voz tinha uma firmeza impossível de resistir.
Para qualquer outro homem, aquela ordem seria absoluta. Mas a vontade de Kaden era inabalável, e naquele momento, ele foi consumido pela loucura.
Ele não ligou. Seu sorriso só se alargou.
"Meu bom homem, por que está bloqueando meu caminho? O que há atrás de você? Um tesouro perdido? Um ingrediente incrível? Ou não— esperei, deve ser… o túmulo de algum ser antigo desconhecido?"
Não deveria ter dito isso.
Pois, no exato instante em que as palavras saíram de sua boca, foi esmagado em um borrão de sangue por um golpe só.
Mal teve tempo de perceber o movimento.
[Você está morto.]
Terceira morte.
…
Kaden voltou a ficar na escuridão eterna. Sem sarcasmo, sem comentários. Só silêncio.
"Algo importante, hein… um túmulo de um ser poderoso?" murmurou, os lábios se curvando para cima.
As coisas estavam ficando interessantes. Ainda assim, antes de enfrentar o golem novamente, ele precisava de mais. Mais atributos. Mais informações.
"Pontos de atributo mais uma vez."
[Pontos de atributo: 400.]
'Meu bom homem…'
Sorriso largo se abriu em seu rosto.
[Custo: 600.]
Tic—!
…
Ele voltou direto ao golem. A luta durou um instante.
Quarta morte.
[Pontos de atributo obtidos: 350.]
…
Mais uma vez, Kaden saiu rindo loucamente pelas montanhas, matando feras sem hesitar. Seu único objetivo era o golem.
A maldita pedra ambulante.
Foi direto até ele. Desta vez lutou, mas não deu um único golpe. Foi esmagado sem piedade.
Quinta morte.
…
"Tenho medo que, se morrer assim, tão cedo… eu realmente perca a cabeça," Kaden riu baixinho.
A mente dele estava se quebrando.
Ele não queria ter medo. Não queria admitir o pavor de se perder, de ser dominado pela loucura.
Mas tinha medo.
Porque era tentador. Desde sua segunda morte, sentira uma vontade — um chamado — para simplesmente ceder. Para se lançar de cabeça na insanidade.
Resistiu. Bem quase — mas sabia que, se continuasse, iria se despedaçar.
Então, sentou-se de pernas cruzadas na escuridão, forçando-se a acalmar. Pensou em tudo que perderia se deixasse a loucura dominá-lo. Lentamente, dolorosamente, tentou se recompor.
Passaram-se minutos.
"Quero informações," sussurrou, esperando algo útil.
[Ding! Você obteve nova informação: Sussurro do Escravo Invencível.]
O conhecimento entrou direto na sua mente.
"Invencível… Escravo…"
Os lábios de Kaden se esticaram em um sorriso.
"…meu bom homem."
—Fim do Capítulo 231—