Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 230

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Que ousadia da parte dele." Uma voz, carregada de uma nota de divertimento, ecoou por uma câmara.

Era uma câmara de beleza inexplicável. As paredes eram pintadas de um roxo intenso, que parecia crepitar levemente, como se veias de relâmpagos percorressem suas superfícies.

O chão era estranho, artificial. Era sólido, mas não por ser feito de pedra, metal ou qualquer outro material natural conhecido do universo.

Ele era feito de relâmpagos roxos solidificados, fundidos de modo que formavam um tapeçário brilhante, onde cada passo faiscava, queimava os pés, fazia você amaldiçoar o mundo.

No fundo dessa sala única, havia uma cama, também forjada de relâmpagos, onde uma mulher deslumbrante ajoelhava-se na beirada.

Sua delicada mão direita segurava uma carta.

"Quer saber o que seu amado me pediu para fazer?" Mayari questionou, balançando a carta levemente, como se duvidasse das palavras escritas nela.

Falava com Meris, que estava sentada serenamente na escrivaninha do quarto de sua mãe, indiferente aos relâmpagos que crepitavam ao redor.

Bem, só agora. Ela se lembrava com agonia de quantas vezes fora eletrocutada por aqueles mesmos relâmpagos quando era mais jovem, sua mãe observando com uma expressão debochada.

Ela achava que tinha esquecido.

Mas não tinha.

Ela só aguardava o momento de ficar forte o suficiente para sentir a mesma dor que um dia suportou.

Filialidade? Essa palavra não significava nada para Meris.

Balanceando a cabeça para afastar esses pensamentos rebeldes, ela ergueu o olhar para a mãe.

"Meu Kaden? O que ele disse? Pediu algo por mim?" ela perguntou, com a voz transbordando de ansiedade evidente.

A desdém de Mayari aprofundou-se na expressão, mas Meris não deu atenção.

Ela suspirou. "Seu Kaden me pediu pra causar um pouco de confusão com os Cerveau agora que eles sofreram um ataque tão violento."

"Ele quer que eu os mantenha ocupados, parece," ela comentou, folheando distraidamente a carta na mão.

"Afinal, já estamos em aliança com eles? Dá pra fazer, né?" Meris questionou, inclinando a cabeça.

"Desde quando estamos em aliança?" Mayari zombou. "Não vi uma única promessa dele acontecer."

"Ele vai cumprir. Meu Kaden nunca mente. Ele só não teve tempo de pensar nisso ainda. Não esqueça a dificuldade de mudar a cabeça de alguém," Meris defendeu, com firmeza e determinação.

"E eu não tenho tempo de ficar vendo esses idiotas arrogantes de perto," Mayari falou seca.

"Fazer isso atrairia a fúria deles. É trabalhoso, filha. Quando essas pessoas te odeiam, não se importam de sacrificar milhares só para machucar uma pessoa só."

"Eles não têm moral. E lutar contra pessoas sem moral é o pior."

"Por quê é o pior?" Meris perguntou, sua voz de repente mais fria que gelo. O ar ao redor dela congelou.

Mayari levantou a cabeça da carta e viu os olhos prateados de Meris brilhando com uma frieza implacável.

"Não têm moral? Então por que deveríamos? Se eles estão dispostos a matar milhares por um, nós vamos matar bilhões por um." Suas palavras eram impiedosas, uma promessa.

Quem essas criaturas idiotas achavam que eram?

Mayari ficou silenciosa, observando a filha.

Meris não vacilou. Encarou o olhar dela na mesma intensidade.

Incontáveis pensamentos passaram por sua mente. Ela claramente queria dizer algo, mas no final, só suspirou, frustrada.

"Se eu não ajudar ele, você faria isso sozinha?" ela perguntou.

"Vou fazer. Pelo meu Kaden." ela respondeu, com determinação.

O silêncio se alongou.

Finalmente, Mayari falou novamente. "Tudo bem. Vamos atacar alguns deles — aqueles que possamos ter um motivo válido para confrontar. O domínio de Kastri, onde extraímos nosso metal para os runebróides, por exemplo. Eles não suspeitarão de nada... pelo menos, no começo."

A aura fria de Meris se desfez instantaneamente, substituída por seu jeitinho brincalhão. Ela sorriu radiante para a mãe.

"Perfeito! Posso também—!"

"Você não vai participar."

"Mas, mãe—!"

"Calma, Meris," Mayari interrompeu fria, faíscas de relâmpagos cintilando no ar.

Meris levantou as mãos em sinal de rendição imediatamente.

"Calma, grand—!"

Explosão!!

"Droga, mãe! Eu vou contar pro pa—!"

"Você não tem pai pra contar."

"Ah... é verdade."

Explosão!!

Darklore — Casa do Warborn

"Jovem senhor, a Matriarca Mayari recebeu sua carta com sucesso," disse Sabine, inclinando a cabeça calmamente.

Kaden, de pé em frente à janela, acenou com a cabeça. "Obrigado, Sabine."

Ela lhe lançou um pequeno sorriso antes de fechar a porta atrás de si.

Kaden ficou sozinho, seus olhos fixos no sol amarelo nascente. Não conseguiu evitar pensar na voz dourada ao vê-lo.

'Será que ela já começou a pensar em como elevar a profissão de cantar?' Ele deu uma risadinha suave. Estava ansioso para ver como ela agiria, como suas escolhas reverberariam pelo império.

Mas pensar em Sora também o fez lembrar de outra garota, que ele muitas vezes esquecia.

Rea Thornspire.

"Cadê aquela garota? Não voltou depois de se tornar Intermediária? Ou ainda não chegou lá?"

Ou talvez ela tivesse tido tanta azar quanto ele e acabado em uma situação perigosa. E morrido.

Ele fez uma careta ao pensar nisso.

Sentiria culpa se ela morresse sem que ele tivesse tido a chance de se explicar. Sem cumprir seu papel de noivo.

Não conseguiria engolir isso. Ia se transformar numa nuvem pesada de culpa, que torceria a luz em trevas.

"Não morra, Rea. Não morra..."

Ela era uma portadora lendária como ele… ela tinha que sobreviver, certo?

É hipócrita. Ele tinha plena consciência disso.

Ele suspirou e balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento.

"Daela ainda não voltou. Não posso falar com meus pais sobre meu harém sozinho. Nããão. Preciso que ela esteja lá, caso eu leve uma surra. Além disso, eles precisam aprovar de tornar oficial o relacionamento com os Elamin."

Tantas questões. Tantos problemas infernais.

A irritação de Kaden fervia, mas ele acreditava… acreditava que, quando se tornasse um Mestre, esses problemas desapareceriam ou pelo menos se reduziríam drasticamente.

E assim, sem mais delongas—

Kaden desapareceu de seu aposento.

Kaden se encontrou em um lugar novo. Ao redor, montanhas gigantescas, tão densas quanto rochedos e tão altas quanto arranha-céus.

O chão era um mar de rochas irregulares, cada passo difícil, cada eco cortante, as pedras se quebrando sob seus pés como vidro quebradiço.

Não tinha sequer um fio derelva. Somente rochas. Rochas. E mais rochas.

As montanhas eram ásperas, íngremes, assustadoras para escalar.

Mas não para ele.

Ele as conquistou com facilidade, como uma cabra montesa digna, e chegou ao topo em segundos. Lá, finalmente, viu a extensão da terra.

Esperava ver algo diferente, mas não — só mais rochas, mais montanhas.

Ele inclinou a cabeça. "Onde Vae me trouxe?" perguntou consigo mesmo.

Ele pediu a Vaela um lugar perigoso, que não fosse longe de Asterion. Ela trouxe ele até aqui.

O chamado era Montanha Rochosa.

Bem descritivo, pra falar a verdade.

Confiante em Vaela, Kaden fechou os olhos por um instante e reabriu, e diante dele apareceram painéis flutuando.

[Você completou sua missão.]

[Recompensas – Moedas da Morte: 10.000 | Pontos de Atributo: 150]

Ele sorriu suavemente.

"Com isso, conseguirei maximizar meu restante de Força. Depois, será só ultrapassar esses limites."

Ele olhou ao redor. Ainda não via nada, mas sentia… o perigo mortal à espreita.

Sorria ainda mais largo.

"Morte… morte… morte…"

Levantar-se, e então…

"Vamos morrer bastante hoje." disse com um risinho.

—Fim do capítulo 230—

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