
Capítulo 225
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden e Vaela se encontraram em um lugar completamente diferente. Parecia um escritório, pintado de azul e branco, com o símbolo do Cerveau inscrito no teto, pulsando com uma faísca de relâmpagos azul-celeste.
Kaden olhou ao redor, confuso, sua cabeça girando devido à mudança repentina de ambiente. Sob seus pés, havia uma formação de runas luminosa, brilhando com uma luz azulada.
"Ai!" Vaela gemeu atrás dele, fazendo-o salir de seus pensamentos e colocá-la no chão, com as costas encostadas na parede.
Logo acima dela, havia uma janela coberta por uma cortina azul que bloqueava qualquer luz de entrar na sala, mergulhando tudo em um clima sombrio.
Kaden observou a ferida no estômago de Vaela e não pôde deixar de franzir o rosto ao ver o quão grotesca ela parecia.
A parte inferior do abdômen de Vaela estava dilacerada com violência impiedosa. Sua carne estava desfeita, os intestinos, sangue e órgãos pareciam se fundir de forma grotesca.
Ele franziu o cenho ao notar o cheiro que emanava de suas feridas. Era o aroma de ovos podres. Não, ainda pior do que isso.
"K-Kaden…" Vaela conseguiu dizer entre respirações pesadas, com o rosto úmido de suor, os olhos trembling como asas de pássaros presos na teia de uma aranha, enquanto tentava desesperadamente abrir os olhos para olhá-lo.
Mas ela não conseguiu.
Seu corpo estava fraco demais, e o poder de Lucan dentro dela consumia-a como uma fera selvagem. Ainda mais agora que seu poder estava selado.
Kaden ficou desorientado por um momento. Não sabia o que fazer.
Estava em um lugar desconhecido, que cheirava a Cerveau. Não pôde deixar de sentir uma premonição ruim ao olhar para as formações rúnicas inscritas no chão branco.
Era uma formação de teletransporte.
'Desde quando Waverith tinha essas…?' pensou Kaden, com o coração inquieto. Sacudiu a cabeça violentamente e voltou a focar em Vaela.
Ele olhou para a coleira ao redor do pescoço dela, uma sensação desconfortável passando por seu corpo ao ver aquilo.
Podia perceber claramente que essa coleira vermelha era, em grande parte, responsável pelo estado de Vaela. Sem hesitar, ele agiu.
"Mais um pouco, Vae. Eu vou te curar." ele sussurrou baixinho no ouvido dela, e, inconscientemente, Vaela parou de tremer.
Sua respiração começou a se regular, como se a própria voz de Kaden tivesse feito sua dor desaparecer como cinzas ao vento.
Era realmente uma visão estranha.
Mas isso era tudo que ela precisava. Naquele momento, Vaela nem pensava em morrer. Porque, naquele instante, sua única família estava com ela.
Não a que o destino lhe havia dado, aquela que tentou matá-la impiedosamente, sem emoção.
Mas a que ela escolheu por vontade própria. E ela soube…
…que fez a escolha certa.
Kaden estendeu a mão, cobriu-a com chamas negras e segurou a coleira vermelha. Agarrando-a firmemente.
"Argh!" um gemido escapou de sua garganta ao sentir a mão queimando contra a coleira.
O cheiro de carne queimada se espalhou ao redor deles, mostrando sua intensidade.
Kaden rangeu os dentes, seus olhos ficaram mais duros enquanto alimentava sua mão com mais mana, determinado a quebrar a coleira vermelha.
Ela resistiu, queimando com mais força, mas a força de vontade de Kaden não era fraca.
Após alguns minutos difíceis, o tom vermelho da coleira perdeu intensidade até finalmente arrebentar.
Instantaneamente, o corpo de Vaela foi envolto por uma aura azulada radiante, fazendo Kaden cerrar os olhos e recuar alguns passos.
Sua constituição entrou em ação, e sua mão em chamas começou a cicatrizar.
Para Vaela, sua energia queimou os resíduos da energia de Lucan em sua ferida, finalmente permitindo que a poção de saúde funcionasse.
Devagar, suas feridas começaram a se fechar.
Kaden sorriu aliviado, tirou mais poções de cura de seu anel espacial e as espalhou sobre a ferida, acelerando o processo.
Em poucos minutos, a ferida se fechou perfeitamente, sem deixar vestígios. Era como se, minutos atrás, ela não estivesse na iminência de dar um último suspiro e abraçar a morte com um abraço apertado.
"Kaden…?" Vaela falou novamente, desta vez com a voz menos rouca, embora ainda seca.
Instintivamente, Kaden tirou uma garrafa de água do seu anel dimensional. Sentou-se ao lado direito dela e lentamente guiou a garrafa até a boca de Vaela.
"Beba, você vai se sentir melhor depois." disse, e como uma criança obediente, Vaela abriu a boca lentamente. Seus olhos fixos no rosto de Kaden, que já tinha tirado a máscara, deixando seu rosto bonito brilhar sob a luz do cômodo.
Água entrou em sua boca. Ela fechou os olhos para saborear o momento simples, e logo os abriu novamente, olhando para o rosto de Kaden, como se temesse que ele desaparecesse se ela permanecesse com os olhos fechados por muito tempo.
Kaden sorriu de leve.
"Desculpe, você demorou um pouco." ele sussurrou.
Por um instante, lágrimas encheram os olhos de Vaela antes que ela os fechasse novamente e voltasse a virar a cabeça de lado, relutante em deixar Kaden vê-la chorar.
Kaden reprimiu um sorriso diante de seu ato.
"O quê? Agora você está tímida? Ah, vá, Vae, quantos anos você tem?" ele brincou, puxando suavemente sua cabeça de volta para perto de si.
Vaela poderia ter se recusado, e até milhares de Kadens não teriam movido sua cabeça uma única minhoca sangrenta.
Mas ela não fez isso. Ela virou a cabeça para olhar novamente para o rosto dele.
Ao olhar com mais atenção, notou uma mancha de sangue na bochecha direita dele, pingando suavemente.
Ela inconscientemente levantou a mão e acariciou sua bochecha, limpando o sangue.
"Não combina com você." ela sussurrou, olhando nos olhos dele.
Kadenrriu. "Você acabou de me insultar, Vae."
"Como é que você diz para o chamado Filho do Sangue que ficar com sangue no rosto não combina com ele?" Ele balançou a cabeça, fingindo uma expressão de ferida.
"Isso… isso feriu meu orgulho." Ele se segurou no peito — onde seu coração pulsava — como se estivesse com uma dor incrível.
Vaela olhou para ele por um momento, depois conseguiu segurar uma risada. Levantou a mão para esconder a boca, os olhos franzidos em forma de crescente.
Kaden ficou perplexo. Seu coração estremeceu ao ver aquilo.
A beleza de Vaela, mesmo nesta situação, era de tirar o fôlego. Como o sol da manhã em um céu azul claro.
Quase demais para olhar. Mas ela ainda abria bem os olhos, suportando a dor ardente, só para dar uma olhada.
Ele sorriu suavemente, com os olhos doces.
A risada de Vaela foi lentamente desaparecendo, e ela olhava para Kaden com olhos que pareciam ver todas as suas vidas e reencarnações em um único piscar.
"Se eu te perguntasse como você sabe, você me diria?" ela disse, com voz suave.
"Quem sabe?" respondeu Kaden, sentado ao lado dela, encostado na parede.
"E como foi que você conseguiu me salvar?" ela perguntou novamente.
"A Névoa Carmesim agiu. A Abominação Mascarada e o Cavaleiro Arruinado causaram um caos, confundindo o Cerveau. Eu atravessei a destruição e te salvei." disse ele, com a maior calma, como se o que fez fosse algo que nem mesmo Mestres mandariam tentar contra o Cerveau.
Vaela ficou sem palavras por um momento, então abriu a boca novamente.
"Por que…? Você tem medo de morrer por minha causa?" ela perguntou, com a voz carregada de uma fragilidade que não condizia com alguém de seu nível.
Mas Kaden apenas balançou a cabeça.
"Não temo minha morte. Mas temo a morte dos meus amigos, das pessoas que amo." ele virou o rosto para ela. Ela já o olhava.
Ele sorriu para ela.
"Por isso, te salvei. Não porque eu ame minha vida tanto a ponto de enlouquecer com a ideia de perdê-la. Mas porque não suporto ver as pessoas que deixam minha vida cheia de cor serem engolidas pela escuridão."
O coração de Vaela pulou uma batida. Seu corpo tremeu com um sentimento intenso que atravessou seu peito.
Ela abriu a boca para falar, mas logo a fechou novamente. Nenhum som saiu. Como se sua voz estivesse presa, encarcerada.
Ela estava sem palavras. Ou melhor, sem palavras para descrever o que sentia naquele momento.
Seu coração estava pesado, mas não com agonia, medo ou dor como de costume.
Mas com amor. Um sentimento estranho, que ela jamais imaginou experimentar.
E como dizem, quando palavras não conseguem expressar sentimentos…
O corpo age por conta própria.
E assim,
Vaela chorou.
Kaden balançou a cabeça, questionando internamente por que todas as mulheres tendiam a chorar na presença dele, e então a envolveu em um abraço apertado.
"Você devia parar com isso. Você só me deixa mal, na verdade." ele sussurrou, com uma nota de humor na voz.
Vaela deu um soco suave no peito dele. Kaden exagerou um "ai".
Era uma cena impactante.
Dois seres tão diferentes em poder agindo assim…
Era tão misterioso quanto impressionante.
Passaram alguns minutos nessa posição, relaxando após os eventos intensos que acabaram de enfrentar.
Depois, finalmente, Kaden aproveitou para observar o ambiente com mais atenção.
Andando de um lado para o outro com o máximo de silêncio possível, inspecionou a sala.
Em todos os aspectos, parecia um escritório comum, com uma mesa azul, cadeiras, mesas, e uma pilha de documentos empilhados ao fundo.
Perto da cadeira principal, Kaden encontrou uma folha de papel escrita com uma caligrafia delicada e precisa.
Vaela, atrás dele, observava o escritório com olhos perplexos, como se soubesse do que se tratava, mas não conseguisse se lembrar completamente.
A mente dela estava confusa.
Ela franziu a testa.
"Número de crianças raptadas…" começou Kaden a ler. Os olhos de Vaela se arregalaram ao perceber a que aquilo se referia.
"O Ninho…?" ela sussurrou, olhando ao redor, sua certeza crescendo.
Kaden virou o rosto para ela, franzindo o cenho. "Você sabe onde estamos?" perguntou, com um tom de preocupação.
"Sim…" ela respondeu, fazendo uma pausa breve.
Uma tensão súbita cresceu entre eles.
"…estamos no Ninho. O lugar onde criamos crianças sequestradas para serem assassinas e espiãs para nós."
O corpo de Kaden travou, seus olhos arregalaram, e um medo completo se instalou.
"O-Que?"
—Fim do Capítulo 225—