
Capítulo 228
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O som dos passos dele ecoava pelo tapete dourado sob seus pés, cada passada afundando na superfície macia enquanto Sirius avançava pelo corredor dourado de seu palácio real.
Seu andar era gracioso, cheio de confiança que só um príncipe de um império poderia ostentar, uma confiança impregnada de séculos de legado.
Seu rosto trazia um sorriso leve, até mesmo um sorriso divertido, como se tivesse acabado de testemunhar a maior piada conhecida pela humanidade. E, de certa forma, realmente tinha.
Sirius conteve uma risada.
"Você viu aquilo?" perguntou, aparentemente a ninguém. Mas no momento em que suas palavras ressoaram contra as paredes douradas, o espaço próprio vacilou e ondulou, enquanto um ser surgiu do nada, caminhando ao seu lado com elegância.
Era Luna, sua serva sempre leal. E sua amante.
"A Princesa Sora cresceu," comentou ela, um leve sorriso brincando nos lábios.
"Cresceu a ponto de se atrever a me ameaçar. Se é isso que significa crescer, então ela é uma bem maluca, querido." Ele balançou a cabeça, com um leve ceticismo.
Ele não achava que Sora fosse retaliar. Pensava que ela apenas ficaria furiosa, lhe enviando algumas maldições que ele receberia com um sorriso pra deixá-la ainda mais irritada.
Depois, de obter o que queria, ele daria um beijo no ar, piscaria de brincadeira e a deixaria lá, maldizendo o mundo.
Sempre tinha sido assim entre eles.
Sirius gostava de provocar a irmã. Afinal, ela era tão fácil de irritar.
Mas hoje… hoje era diferente. Sora realmente estava irritada, mas usava sua raiva de uma maneira muito particular.
Ela tinha mudado. Algo havia mudado nela. E o fato de ele não saber exatamente o que tinha mudado nisso tudo corroía seu coração como vermes devorando uma fruta por dentro.
Ele não gostava disso.
"O que vai fazer agora, mestre?" Luna perguntou, percebendo a carranca discreta que delineava o rosto, antes perfeito, de seu mestre.
'Mesmo assim, ele ainda é tão bonito.' pensou ela. Estava perdida.
"O que mais poderia ser?" ele zombou.
"Ela concordou em usar o artefato Mentira Falsa para ver se ela está mentindo. Até foi pedir ao pai e à mãe para libertar seu guarda querido, caso estivesse falando a verdade." Sua voz carregava uma nota clara de perplexidade.
Ela realmente não conhecia Kaden Warborn?
Sirius não acreditava nisso. Estava convicto de sua dedução.
Sua irmã o conhecia. Quanto a como, essa era uma questão que ele ainda resolveria com o tempo.
Mas primeiro…
"Vamos. Mãe e pai devem estar nos esperando," disse a Luna. Eles aceleraram o passo, seus movimentos sincronizados sobre o chão dourado.
"Mestre… você tocou nele?" Luna perguntou de repente.
Sirius balançou a cabeça levemente.
"Gosto de fazer minha irmã ficar nervosa. Mas não quero que ela me odeie, não é?" respondeu com um sorriso de canto.
Luna sorriu suavemente ao lado dele.
Seu Sirius realmente não era tão mau assim. Ele tinha um objetivo. E, por esse objetivo, estava disposto a enfrentar a irmã dele. Não porque a odiava.
Não porque quisesse se livrar dela.
Mas também não só porque esse era seu sonho. Seu objetivo. A razão de sua vida ter algum sentido. E, honestamente, parecia que não havia outras opções.
Porque agora ele sabia.
Sirius não era um idiota. A atitude de sua mãe de não revelar nada ao pai o fez questionar, duvidar, Wonder.
E tudo que pensava não era nada bom.
A partir de agora, não era mais uma disputa entre irmãos pelo trono.
Era uma questão entre Sol e Lua.
Quem governaria o império?
O Sol continuaria seu reign orgulhoso? Ou a Lua, desta vez, tomaria o lugar do Sol?
Sirius não sabia até que ponto sua irmã estaria disposta a perder nessa batalha que ela não tinha escolha senão enfrentar, mas ele sabia.
Ah, ele sabia muito bem.
Inconscientemente, seus punhos se cerraram com força enquanto pensamentos piscavam em sua mente como faíscas de ferro derretido.
"Querida, lembra-me de ir falar com os Fogo-Nascidos. Ou preciso da aliança deles comigo ou..." deixou a frase no ar.
"Entendido, mestre."
E assim seguiram em direção à sala de reuniões, onde o teste seria realizado.
De forma fácil, os resultados surpreenderam e chocaram a todos.
Questionaram se Sora conhecia alguém chamado Kaden Warborn.
Mas ela não conhecia nenhum Kaden Warborn.
Não podemos esquecer que Sora nunca perguntou o nome dele. Na casa deles, falavam dele como irmão de Dain.
No final, seu orgulho de não ter pedido o nome de Kaden acabou por salvá-la.
Que coisa ridícula.
…
Darklore — O Ninho.
Kaden não sabia o que fazer.
Na verdade, ele sabia. Mas o problema era que fazer o que queria poderia causar problemas maiores do que pudesse suportar.
Ele queria salvar aquelas crianças. Queria sair daquela sala maldita, que exalava hipocrisia, e explodir todo aquele prédio.
Afinal, ele era bom em explodir coisas, aparentemente. Só sangue espalhado pelas paredes e um simples comando de "explodir" e o caos estaria instaurado.
Mas Vaela não permitia que ele fizesse o que queria. Simplesmente porque…
"Você vai morrer, Kaden," disse Vaela, parada na frente da porta, com a voz baixa e sussurrada, como se não quisesse ser ouvida.
Ela bloqueava o caminho.
As sobrancelhas de Kaden se franziram. "E daí? Você quer que eu deixe essas crianças aqui nesse inferno e volte pra casa como se nada tivesse acontecido?" perguntou, se sentindo enjoado só de pensar nisso.
"Gosto de matar, mas não sou tão sem coração, Vae."
Ele não era herói. Mas tinha seu limite.
Como conseguiam crianças, que deveriam olhar para a vida com admiração e alegria, ainda tão inocentes à crueldade do mundo, estarem aqui?
Sequestradas. Doutrinas. Treinadas para serem algo que jamais deveriam ser.
Treinadas para matar sem emoção. Treinadas para traições. Negadas família, amigos, companheiros. Negadas as duas coisas mais importantes neste mundo amaldiçoado.
Emoções e livre-arbítrio.
Kaden se orgulhava de seu pragmatismo. Mas nesses tipos de situação… ele definitivamente não poderia apoiar.
"Sore, ou eu gritarei e quem estiver atrás virá," disse, fazendo a face de Vaela se contorcer de dificuldade.
Ele estava sendo infantil. Sabia disso.
"Ainda não é hora, meu amor. O Ninho aqui não é só um local, há vários espalhados por todo território de Waverith, e até alguns bem longe."
"Não conheço todos, mas o que posso dizer é que cada um deles é protegido por dois Grandes Mestres e um grupo de assassinos sem emoções, que não se importam com suas vidas."
Ela se aproximou de Kaden, puxando-o para um abraço apertado. Ele queria resistir, mas era apenas um Intermediário.
"Sei que é forte, até mesmo especial, mas se você destruir só esse centro, os outros serão reforçados e podem até mudar de localização. Assim, as coisas ficariam ainda mais difíceis."
Ela segurou seu queixo e levantou seu rosto, para que pudessem se encarar.
Os olhos de Kaden tinham uma expressão de relutância.
Ela sorriu. Era um sorriso estranho. Um sorriso que escondia a culpa por fazer parte daquela família, por impedir seu amigo de salvar aquelas crianças tão desafortunadas. Mas…
"Os Cerveau são como uma hidra, querido." Ela acariciou carinhosamente sua face.
Kaden mordeu os lábios.
"Se quiser matá-los de vez, precisa cortar todas as cabeças ao mesmo tempo." Ela inclinar seu rosto até que suas respirações se entrelaçassem de forma sensual.
"Você me entende? Tudo junto. Ao mesmo tempo. Sem misericórdia."
"Você ainda é fraco. Vá se tornar um Mestre primeiro. Depois, fortaleceremos nossa organização, e só assim… só assim atacaremos essa cobra venenosa e a mataremos."
Kaden ficou em silêncio. Não falou de imediato, apenas olhou nos olhos neon profundos de Vaela.
Ele suspirou, uma sensação ruim se formando em seu estômago. Mas engoliu isso.
Virou-se e caminhou até a formação de teletransporte rúnico.
"Eles têm alguma maneira de rastreá-lo?" perguntou, a voz neutra.
"Sim, eles têm."
"Estar numa masmorra ajudaria a esconder você?" ele perguntou de novo, parando justo acima da formação rúnica.
Vaela inclinou a cabeça, confusa com a pergunta específica, mas respondeu mesmo assim.
"Sim. Uma masmorra ajudaria. É um espaço diferente, afinal. Eles não podem me rastrear lá."
Kaden sorriu, sem humor.
"Perfeito. Justo agora eu tenho uma masmorra minha."