Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 220

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden ouviu quietamente as palavras que jorravam da boca de Sora. As suas letras.

Palavras de fogo. Palavras de sangue. Palavras de morte. Palavras de orgulho. Palavras de sonho.

Ele escutava atentamente, percebendo que aquilo era Sora no seu momento mais profundo.

Era Sora se revelando ao mundo… a ele. Ela mostrava quem realmente era, além do nome de Asterion.

E ao lembrar-se das palavras de Asael sobre a importância de escutar… Kaden prestou atenção.

A tudo ao seu redor tornou-se irrelevante ao dedicar toda a sua atenção a essa jovem mulher que finalmente rompia a prisão dourada que havia construído dentro do próprio coração.

Ele ouviu enquanto Sora cantava sobre sua infância, a grandeza da linhagem Asterion e o peso esmagador de ser o sol de um império inteiro.

Ele escutou enquanto ela revelava como o canto tinha salvado sua vida, como lhe dava força para suportar os deveres sufocantes e as obrigações infinitas às quais estava presa.

Ele ouviu enquanto ela confessava suas dificuldades, suas tentativas incessantes de encontrar uma maneira de cantar sem ser rejeitada, sem… sem decepcionar os pais.

E assim ele escutou. Sim, apenas escutou. E ao fazer isso, começou a conhecer Sora. Devagar, com firmeza, ela se revelou — não porque ela escolheu, mas porque seu coração, sua alma… sua canção exigiam isso.

E assim ela fez.

E logo, a canção de Sora estava chegando ao fim.


Foi nesse momento que Kaden percebeu que, quanto mais Sora cantava, mais o reino se estabilizava em vez de colapsar.

E quando sua música terminou, o reino tinha sido completamente transformado.

O solo estava seco e rachado, as fissuras se espalhando como vidro quebrado em incontáveis fragmentos. O céu havia ficado carmesim, com o sol acima, banhando o mundo em luz sanguínea até parecer que todos estavam submersos em um oceano de carmesim.

Relâmpagos vermelhos cintilavam no horizonte, arcos atravessando a névoa que agora preenchia o espaço — uma névoa carregada do cheiro da morte e do calor de carne queimada.

Não estavam mais num inferno congelado. Agora estavam num deserto ressecado sob um sol sangrento escorrendo sangue espesso e pegajoso — sangue que caía apenas para se transformar em névoa carregada de raios no instante em que tocava o chão.

O reino estava afogado em escarlate.

E tudo isso… tinha sido criado por dois seres quase no nível intermediário.

Era loucura.

"Como foi?" perguntou Kaden simplesmente, com o olhar fixo no sol que lutava no céu, em sua batalha final contra o que restava da lua.

Aquele fragmento parecia vivo, resistindo com todas as suas forças, lançando ondas de neve e sombra enquanto lutava contra o sol que tudo consumia.

Kaden jura ter ouvido algo gritando.

"Foi… foi libertador," respondeu Sora ao seu lado, também com o olhar levantado para o céu.

"Nunca imaginei que fosse ficar assim, finalmente tocar aquilo que sempre quis — mas…" ela apertou a mão com força.

"…mas ainda não acabou. Preciso aprimorar ainda mais essa arte… só… só como você disse." Sua voz embaraçou de repente ao soltar as palavras.

Kaden sorriu. "Pois é. Ainda tem muito chão pela frente para sua arte estar à altura de ferreiros, alquimistas e runólogos."

Ele virou-se na direção dela, um sorriso de lado surgindo nos lábios.

"Mas se conseguir, quase chegará ao nível de A Feiticeira, aquela que chamam de mãe da alquimia e dos runas." falou com outra risada, lembrando-se das histórias.

Sora inclinou a cabeça. "Nunca imaginei que você acreditasse em histórias dessas, que o povo comum espalha. Na maioria das vezes — se não sempre — elas são falsas ou exageradas."

"Talvez. Mas boatos não surgem do nada. Alguma coisa deve ter acontecido. E tenho curiosidade sobre ela — A Feiticeira." afirmou, com um tom claro de fascínio.

Ela tinha ouvido inúmeras lendas tanto em Fokay quanto em Darklore, mas as duas que mais a intrigavam eram a da Mulher Dourada, considerada a mais rica de toda a história, e a do(a) Feiticeira, ancestral da alquimia e da arte dos runas.

Sora balançou a cabeça, sem responder. Em vez disso, seus olhos foram atraídos de volta para o céu, onde algo despencava em alta velocidade em direção a eles.

Juntos, recuaram instintivamente.

Explosão!

O impacto abriu rachaduras no chão já fragmentado, espalhando estilhaços em todas as direções.

"Ah! Sol estúpido! Te odeio! Eu vou matar você!" uma voz aguda gritou enquanto a poeira se dispersava e diante deles apareceu uma visão tão estranha que desafiava a crença.

Um ser minúsculo jazia no chão, de costas para o solo rachado, com um par de delicadas asas atrás dela, dispersando sementes de poeira luminosa. Todo seu corpo brilhava em tons de azul, e na testa estavam tatuagens estranhas — uma meia-lua brilhando suavemente com luz turva à esquerda, e outra meia-lua brilhando com azul glaciar à direita.

Seus olhos se abriram, com pupilas em forma de lua, fixando-se diretamente em Kaden e Sora.

"Você—!" ela rosnou.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a mão de Kaden fechou-se ao redor de seu corpo minúsculo, sua palma facilmente envolvendo a delicada forma. Ele a ergueu até o rosto, estudando-a de perto, com olhos brilhando de curiosidade infantil.

"O que é isso?" murmurou, com curiosidade verdadeira sendo visível em seu rosto.

Parecia quase fofo. Mas Sora pensou diferente.

Um som zombeteiro escapou de seus lábios. "Você é mesmo um bárbaro. Nem reconhece a aparência de uma fada." ela escarneceu.

"Fada?" repetiu Kaden, piscando confuso.

Sora apontou para a pequena criatura que se contorcia em sua mão, exibindo com desdém os lábios.

"O que você está segurando é uma fada. Seres extremamente raros, que nascem apenas quando um artefato mítico é criado. Esta aqui, claramente, é uma fada da lua — o que significa que o artefato em questão é de origem lunar. Ela deve ser quem controlava as fases da lua." Seu tom transbordava de desprezo, como se esperasse que ele se ajoelhasse em gratidão por sua lição.

Kaden a olhou de lado, com um gestinho de desprezo. "Agora você fica toda pomposa depois que eu te ajudei com sua música, hein?"

"Que criança ingrata." resmungou.

Sora abriu a boca, com a língua presa… porque era verdade.

Ela bufou, irritada, ignorando-o completamente e virou-se para a fada, que a encarava com olhos de escárnio.

"Como você tem coragem de olhar assim pra mim?"

"Você não tem lugar aqui," a fada disparou. "Este teste é do Luar, não do Sol. E você vem aqui arrastando alguém que cheira a sangue e morte."

Seu tom transparecia desgosto enquanto ela lançava um olhar de desprezo para Sora, como se ela fosse um lixo.

"Seus antepassados ficariam desapontados com você," ela sussurrou.

Sora não respondeu imediatamente. Apenas encarou com frieza a fada, depois ergueu o olhar para Kaden, que franzia os olhos em forma de lua crescente, sorrindo de brincadeira.

Seus lábios se mexeram levemente.

"Entregue-me esse lixo e eu a faço calar a boca." ela rosnou.

"Hum… não…" Kaden balançou a cabeça, voltando a olhar para a fada presa na palma da mão. Ela o encarou de volta, mas sua resistência vacilou quando seu semblante mudou.

"Você deve ser aquele que segura as recompensas deste teste…" ele disse de forma calma.

Sim, sua mão esquerda começou a pegar fogo, as chamas negras devoraram-na por completo. Então, sobre ela, ele colocou Solarom, sua intenção de matar transparecendo claramente.

A fada tremeu violentamente, sentindo o aspecto terrível por trás daquelas chamas.

Kaden sorriu com satisfação.

"Não gosto de perder tempo. Me dê todas as recompensas agora, ou vai acabar implorando por uma morte que nunca virá."

A fada suou frio, forçando um sorriso constrangido.

"Senhor, por que tanta hostilidade? Eu lhe entregarei as recompensas, todas elas! Só… por favor… afaste essas chamas terríveis do meu rosto bonito?"

O sorriso de Kaden se alargou, ficando quase insano.

Sora bufou de desdém. "Quer fazer ameaça? É tudo que consegue?"

"Cale a boca, sua voz dourada." retrucou ele.

—Fim do Capítulo 220—

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