Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 221

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden e Sora olharam para a recompensa diante deles, os olhos arregalados de admiração e incredulidade.

Havia apenas uma recompensa.

Uma Pedra de Evolução de nível Mítico.

Nunca tinham visto uma na vida. Para Kaden, era simples — os brutos de sua família nunca se empenharam em buscar esse tipo de tesouro, quem dirá guardá-lo, considerando a dificuldade de adquirir uma Pedra de Evolução Mítica.

Para Sora, era diferente. Ela sabia que essas pedras existenceiam, mas seus pais as mantinham trancadas no cofre mais profundo, um lugar ao qual ela não tinha acesso.

E agora, aqui estava ela.

Uma pedra que brilhava com tanta intensidade, repleta de cores diversas, que até o próprio reino se curvava diante de sua presença.

O chão árido, destruído pela seca, sob seus pés começou a se transformar, rachaduras se fechando enquanto a vida despertava. Flores de luz radiante floresciam, cada pétala emitindo tonalidades sobrenaturais. Árvores gigantescas surgiam do solo, seus galhos se desenrolando em folhagem densa. As montanhas se tornaram verdes com grama.

A névoa vermelha sufocante, carregada de relâmpagos, se dissolveu como sal em água, substituída por um brilho deslumbrante.

Kaden e Sora só podiam assistir, com o coração tremendo.

—“Isso… tanto poder?”— Kaden murmurou, o pulso acelerado, enquanto observava um mundo morto ser revitalizado apenas pela aura de uma Pedra Mítica.

—“O que você acha que significa a classificação Mítica?”— a fada Lumina falou. Ela estava acorrentada ao lado da pedra, as chamas negras de Kaden ainda prendendo sua estrutura frágil. Seu olhar demonstrava insatisfação enquanto observava os jovens.

—“O grau Mítico é chamado assim por um motivo. Seu poder é incomparável, além do que um lendário poderia alcançar. Ver um reino nesse nível revivido só pela aura da pedra não causa surpresa nenhuma.”— ela criticou friamente.

Os dois ouviram, acenando inconscientemente, incapazes de negar suas palavras.

E, naquele momento, Kaden percebeu algo… algo que talvez tivesse subestimado.

Talvez tivesse subestimado Zaki… ou, melhor dizendo, seu potencial aterrador.

O poder do pensamento já era injusto por si só. Moldar a realidade enquanto existisse alguma base… era assustador. Mas e se esse poder alcançasse o nível Mítico?

Sim. Isso era insano.

'Aquele covarde poderia se tornar algo verdadeiramente assustador, se trabalhar duro o suficiente', pensou Kaden, imaginando Zaki de pé, poderoso, admirado.

Mas então, um sorriso cruel se abriu em seus lábios.

Tanto Sora quanto Lumina tremeram ao ver aquela expressão diabólica distorcendo seu rosto.

'Fui eu quem colocou você no seu caminho, Zaki. Fui eu quem te deu propósito. Fui eu quem fez você erguer os olhos para o céu e desejar se tornar aquilo.'

Ele não pediu nada em troca, apenas que um dia fosse morto por ele. Mas, mesmo assim, Zaki teria pena dele, sem conhecer a verdade sobre seu poder sobre a morte.

O que queria dizer que, um dia, Zaki lhe seria grato. Sentiria-se compelido a retribuir.

O sorriso se abriu ainda mais.

Sora deu um passo atrás, buscando conforto ao lado de Lumina, que ainda estava acorrentada.

'Presentes gratuitos são os mais perigosos', refletiu Kaden sombriamente. 'Sempre vêm com obrigações ocultas.'

Ele suspirou, balançou a cabeça e voltou sua atenção ao presente.

Quando levantou a cabeça, ambos, Sora e Lumina, o olhavam como se fosse uma aberração.

Ele inclinou a cabeça, fingindo inocência. "O quê?"

“O que foi pensar para fazer essa cara? Planejando como ameaçar outra pessoa inocente?” — acusou Sora, com os olhos estreitando.

Lumina assentiu vigorosamente, do lado da herdeira do sol, pela primeira vez.

A expressão de Kaden se acalmou, sem impressionar. Ignorou a fada, embora seus pensamentos reluzissem com uma diversão seca.

‘Ameaçar? Eu não ameaço ninguém.’

Seus olhos voltaram para a fada. "Então, as recompensas deste teste são esta Pedra de Evolução Mítica… e você?"

“Sim”, disse Lumina com firmeza. “Sou a fada do artefato que a Herdeira da Lua deve herdar. Só quem empunha o poder da lua pode usar-me, então não tente nada.”

Kaden exalou suavemente, virando-se para Sora, abrindo os lábios para falar. Mas ela o interrompeu.

“Você pode ficar com ela”, disse ela, com voz firme e séria.

Kaden congelou.

Por um momento, ficou em silêncio, encarando-a. —“Você tem certeza?”— perguntou.

Estava pronto para argumentar, negociar — mas ela simplesmente… entregou?

“Sim”, disse ela simplesmente.

Kaden esperou por mais, achando que ela explicaria melhor, mas ela virou-se de costas, relutante em explicar.

Pela primeira vez, sentiu uma estranha embaraço. Mas não era louco de rejeitar a oportunidade.

Com o coração acelerado de excitação, estendeu a mão e agarrou a pedra de evolução. Imediatamente, uma energia percorreu seu corpo, revigorando seus sentidos, clareando sua mente e aguçando cada pensamento.

—“Ei! Essa pedra é para o Herdeiro da Lua alcançar o grau de Grande Mestre! Você não pode—!”— começou Lumina.

—“Cale a boca,”— interrompeu Sora com firmeza, de forma fria.

O olhar de Lumina se tornou feroz. “Você… é uma Asterion! Como pôde fazer isso?”— sua voz carregada de raiva.

Este teste deveria ser uma prova para a Lua. O Herdeiro da Lua deveria ter conseguido a pedra e a fada, garantindo seu caminho para o poder. Em vez disso, a herdeira do Sol entrou com um intruso fedorento de morte e lhe entregou a pedra?!

Rank Mítico!

Lumina quase perdeu a cabeça.

Mas Sora permaneceu indiferente.

—“É justamente por eu ser uma Asterion que estou fazendo isso,”— respondeu friamente.

‘Eu lhe devo.’— admitiu relutante para si mesma.

Foi graças a ele que encontrou sua canção, deu o primeiro passo, compreendeu-se melhor, e recebeu um caminho à sua frente.

Sem que ele pedisse algo em troca.

‘Não quero ser ingrata.’

Seu olhar se voltou para Kaden, que guardava a pedra com um sorriso exageradamente radiante, como uma criança empolgada que finalmente ganhou seu brinquedo dos sonhos.

Ele parecia… adorável.

E então, o reino começou a tremer.

Eles voltaram a olhar em volta.

—“O que está acontecendo?”— perguntou Sora, lutando para manter o equilíbrio.

—“Você reivindicou a recompensa,”— disse Lumina, com voz carregada de tristeza, enquanto observava seu lar desmoronar. “O teste acabou. O reino cumpriu sua função. Agora, irá expulsar-nos e se destruir.”

Sora agarrou a fada, seus olhos dourados ardendo de fúria. “Não fale nada sobre o que aconteceu aqui. Ou você desejará uma morte que não vai encontrar.”

Lumina engoliu em seco, sufocada pelo peso da linhagem de Sora, a voz tremendo.

—“Não posso mentir ao meu mestre. Não terei escolha senão contar a verdade.”

Os olhos de Sora se arregalaram em compreensão, mas antes que pudesse responder, o reino se despedaçou ao redor deles, corpos desaparecendo em luz.

E, naquele instante, Kaden lembrou de algo que tinha esquecido.

—“A Lua…?”— ele murmurou, com os olhos arregalados.

Um turbilhão de azul surgiu, obliterando o Sol Sanguinolento e destruindo o reino em uma única respirada.

O reino desapareceu.

Fora da entrada do Desafio dos Nascidos da Lua, duas figuras aguardavam. Um homem e uma mulher.

O homem era Sirius Asterion, Herdeiro da Lua.

A mulher ao seu lado era Mahina Asterion, A Lua.

—“Mãe, você não precisava vir,”— Sirius disse com um sorriso discreto.

O cabelo dourado de Mahina Asterion brilhava sob o céu, mas eram os olhos dela que comandavam o mundo, olhos cheios de toda a essência da lua.

As pupilas dele se moveram — meia-lua, lua cheia — brilhando com uma luz tão intensa que parecia afogar tudo na escuridão.

Era assustador. Era magnífico.

Seu simples robe azul portava o emblema de Asterion, ondulando ao vento como um mar de ondas intermináveis.

Ela abriu a boca, como para responder, mas parou ao ver o ar à sua frente se torcer e vomitar duas figuras gemendo, que caíram de bruços no chão.

—“Oho!”— Sirius riu, seu sorriso se ampliando.

Kaden empurrou Sora de seu peito, pulando para cima, o coração batendo forte ao sentir a presença de algo insondável.

Lentamente, nervoso, ele levantou a cabeça.

E lá estava ela. Mahina Asterion, encarando-o com expressão neutra, lábios formando um sutil sorriso seco.

—“Senhora Mahina, presumo? Sua filha me contou—!”

—“Uma Guerreira de Nascença.”— cortou ela, friamente.

—“Kaden Guerreiro de Nascença.”— repetiu, e então seus lábios se curvaram em um sorriso afiado como navalha.

—“Parece que as estrelas estão ao nosso favor. Estávamos procurando por você. Gostaria de uma conversa em nossa casa?”

Não era uma pergunta. O espaço ao redor de Kaden se distorceu, uma cúpula azul se fechou como uma jaula.

Ele amaldiçoou internamente, forçando um sorriso seco. “Quem sabe na próxima vez? Minha mãe pode estar—!”

Suas palavras se interromperam quando uma agonia explodiu em seu estômago, fogo atravessando por dentro, um calafrio insuportável.

As Asterions franziram a testa, confusos.

—“E-Ei, o que há de errado?”— Sora perguntou, a preocupação escapando de forma involuntária.

Nenhum deles tinha tocado nele.

Então, uma dor aguda rasgou seus olhos e ele desabou como uma boneca quebrada.

Kaden…

[Você está morto.]

Minutos antes da morte de Kaden.

Darklore — Mansão Cerveau.

No aposento de Vaela, o chão estava encharcado de sangue. Ela jazia deitada de lado, o estômago rasgado, os intestinos espalhados em ondas. Um colar carmesim queimava em seu pescoço, emitindo luz maligna.

Seu robe antes branco agora estava encharcado de escarlate. Ela tossiu sangue, levantando a cabeça fraca ao ver eles.

Neron, O Carrasco. E ao seu lado, o Arquivista. Os três encaravam com frieza indiferença.

—“Por quê…?”— Sua voz saiu rouca, quebrada, como um suspiro de dor.

Neron sorriu friamente.

—“Olhos defeituosos precisam ser trocados.”

No instante seguinte, o Carrasco avançou num borrão. Dagas gêmeas penetram nos olhos de Vaela, deixando-os escorrer em um jorro de sangue.

Seu grito rasgou o ar, cruel e angustiante, enquanto suas mãos tentavam desesperadamente agarrar órbitas vazias.

O Carrasco atacou novamente, as dagas afiadíssimas, rasgando seu cérebro até triturá-lo, fazendo sua cabeça pender solta, seu sangue escorrendo pelo rosto dele.

O corpo de Vaela se contorceu, depois entrou em colapso, a boca borbulhando com seu próprio sangue enquanto sua vida se esvaía.

E, em seus últimos instantes, um pensamento permaneceu retido na sua mente quebrada.

'K-Kaden…'

Depois, ela morreu.

Neron olhou para seu corpo com olhos vazios.

—“Você tem certeza de que esta foi a escolha certa?”— perguntou o Arquivista, com tom frio, expressão indecifrável.

—“Você já sabe. Um traidor deve morrer sem misericórdia. Só pegamos ela de surpresa por causa do artefato. Além disso…”— ele virou o olhar, fixando os olhos vazios do Arquivista.

—“Nós não precisamos mais dela. Goremaw voltou com a Legado Lendária.”

Seu sorriso ficou ainda mais frio e cruel.

O vento assobiou pelo aposento quebrado. Pela janela, a lua pendia… manchada de vermelho.

—“É hora de pôr fim à história dos Guerreiro da Lua.”— disse Neron.

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