
Capítulo 202
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Kaden… Eu não quero te perder." A voz de Daela era como um sussurro partido, como se tivesse vergonha até de dizer isso em voz alta.
Ela ainda estava nos braços de Kaden, com a cabeça encostada em seu peito, enquanto ele acariciava suas costas suavemente, com uma ternura capaz de transformar um fogo voraz em um fogo que cura.
Mas no instante em que Kaden ouviu aquelas palavras, sua mão parou por um breve segundo — uma eternidade para Daela — antes de retomar seu movimento.
"Por quê… por quê você diz isso?" ele perguntou, com a expressão de quem está profundamente confuso.
Ele não entendia por que sua irmã dizia aquilo.
Como ela poderia falar que ia perdê-lo?
Daela não respondeu de imediato. Ficou em silêncio, pensando, ponderando, questionando-se se deveria contar a Kaden sobre suas inseguranças.
Sobre o fato de ela simplesmente ter medo de não ser mais o centro de atenção dele, assim que muitas mulheres aparecessem na vida dele.
Sobre o medo de perder o amor dele.
Ela realmente queria falar isso, libertar-se desse sentimento sufocante, dessa sensação de medo e impotência que apertava sua alma como a sede aperta a água.
Era… agonizante, para dizer o mínimo.
Mas ela também sabia que não tinha o direito de impor suas inseguranças a ele.
E o que ela sentia agora era apenas egocentrista.
Ela queria seu irmão só para ela, mesmo sabendo que ele havia dito que amava outras mulheres.
Ela desejava monopolizá-lo, controlar tudo que ele era, como uma fogueira que abraça o mundo quando se intensifica. Tudo isso só porque ele foi quem transformou sua vida monocromática em uma verdadeira cornucópia de cores.
Ela sabia que estava sendo injusta.
Sabia que era injusta.
Sabia que era patética.
Mas mesmo assim…
"Eu não quero que você esteja com outras mulheres. Tenho medo de você me esquecer, de me dispensar por causa delas." Ela sussurrou isso enquanto enterrava a cabeça mais fundo no peito dele, como se quisesse colar seus corpos de forma que fossem inseparáveis.
Kaden ficou surpreso com essas palavras. Esperava algo bem pior, considerando tudo o que tinha acontecido. Mas tudo isso era só sua irmã sendo… insegura quanto ao risco de ser esquecida por causa de outras mulheres?
Será que era só isso?
'Não. Não diminua isso,' ele advertiu-se duramente.
Pode parecer coisa pouca para ele, porque para ele era evidente que nunca esqueceria Daela, nunca a dispensaria ou algo assim.
Para ele, era tão certo quanto o destino de uma maçã colhida, destinada sempre a cair no chão e nunca a subir ao céu.
Mas Daela claramente não compartilhava dessa mesma certeza, dessa mesma crença inabalável, e por isso…
…ele precisava mostrar para ela. Precisava provar para ela.
Ele pensou que já fazia isso, mas claramente estava errado… e agora sabia o motivo.
Estava mostrando seu amor e afeto na sua própria língua do amor. Não tinha tentado entender o que significava ser realmente amado por ela.
Quais ações, quais palavras fariam ela se sentir verdadeiramente amada, verdadeiramente vista.
Um suspiro suave, quase esvaindo-se, escapou de seus lábios.
"Você é minha irmã," disse Kaden. "Como eu poderia esquecer de você? Não faz sentido, Daela."
"Mas…" Daela começou a falar.
"Mesmo assim, eu consigo entender suas preocupações," Kaden a interrompeu no meio. Seus braços se apertaram em volta da cintura dela, e ela se aproximou mais, se aninhando profundamente, sem perceber, emitindo um leve ronronar de contentamento.
"Talvez eu tenha deixado passar como você se sente com tudo isso. Talvez eu tenha achado que estava mostrando o quanto você é insubstituível para mim."
"Claramente, estive enganado, e pretendo fazer isso melhor."
"Mas primeiro, deixe-me dizer uma coisa simples." No instante em que essas palavras saíram de sua boca, ele segurou delicadamente os ombros bem treinados de Daela e a afastou suavemente do peito dele, como se estivesse segurando um copo cheio de água, com medo de derramar.
Agora, eles encaravam um ao outro, olho no olho.
Mesmo com os olhos de Daela fugindo por toda parte, ela de repente se sentiu envergonhada sob o olhar sério de seu irmão. Seu corpo tremeu levemente, a boca se abrindo e fechando como um peixe, como se quisesse falar, mas não conseguisse — seja por falta de coragem ou por…confiança.
Normal, ela tinha acabado de mostrar suas vulnerabilidades, afinal.
Sentia-se nua. Sentia-se fraca.
Sentia-se… vista.
Já não tinha sua máscara de apatia para se proteger dessa maldita realidade.
"Olhe para mim." A voz de Kaden era suave, tão macia quanto gelo derretido. Ele estendeu a mão direita, segurou o queixo de Daela e virou seu rosto em direção ao dele, obrigando-a a encontrar seus olhos.
Ele sorriu levemente.
"Deixe-me começar com uma pequena afirmação antes de irmos adiante, Daela," repetiu, e ela assentiu, quase que em fraqueza.
Ele continuou.
"Você é minha irmã. É meu sangue. É quem cuidou mais de mim. É quem realmente olhou para mim, não como filha do sangue, nem como membro dos Guerreiros do Fim…" ele interrompeu, um leve sorriso de apreciação surgindo nos seus lábios.
"…você é quem me vê simplesmente…como Kaden."
Ele soltou o queixo dela, a mão deslizando para segurar a dela.
As lágrimas encheram os olhos de Daela, mas ela mordeu o lábio com força, relutante em chorar na frente dele.
Ela já tinha feito coisas humilhantes o bastante naquele dia, suficiente para um ano inteiro.
"Então, depois de tudo isso, você realmente acha que pode ser esquecido? Que as garotas que eu conheço lá fora podem competir com seu lugar no meu coração?"
Não eram perguntas.
"Não, elas não podem. Afinal…" ele sorriu maliciosamente e se aproximou de Daela antes de sussurrar com uma expressão brincalhona:
"Tenho apenas uma irmã… mas será que vou ter apenas uma esposa? Isso só faz você ser única para mim."
Depois, ele recuou, olhando para a expressão estática de Daela, como se ela tivesse acabado de descobrir uma verdade fundamental do universo.
Seus olhos se arregalaram de espanto, compreensão surgindo, até que lentamente um sorriso pequeno se formou nos seus lábios.
"Sou única," ela disse, assentindo consigo mesma, como se estivesse afirmando em voz alta.
"Sou única," repetiu, saboreando o gosto das palavras.
Seu sorriso se alargou. Olhou bem nos olhos de Kaden e…
"Sou única," ela disse novamente.
Naquele momento, Kaden precisou lutar contra o desejo de se levantar, espalhar os braços como asas e abraçar Daela profundamente, porque ela era simplesmente…
"Muito fofa. Você é muito fofa, Daela." Ele falou isso antes de segurar sua bochecha direita e gentilmente esticá-la.
Seu rosto se contorceu, mas sua beleza e fofura eram inegáveis. Seus olhos começaram a perder a expressão triste, e asas de alegria agitavam-se dentro deles, enquanto seus lábios se curvavam em um sorriso.
Isso deu a Kaden uma onda de confiança.
'Agora ou nunca. Não sei quando essa oportunidade vai voltar,' pensou, sua mente dominada por uma força de determinação.
Depois, imediatamente, estendeu sua outra mão para a bochecha esquerda de Daela e também a puxou gentilmente.
A pele dela era tão macia e ao mesmo tempo elástica. Estava fácil de esticar sob seus dedos.
Kaden continuou a brincar com as bochechas dela, esquecendo completamente o que pretendia dizer.
Em vez disso, um grande sorriso — daquele tipo que se usa ao alcançar algo que sempre se sonhou — se abriu em seu rosto, enquanto ele fazia caretas ridículas nas bochechas da irmã.
Logo, pequenas risadinhas começaram a ecoar pelo cômodo. Eram tão lindas, tão doces, que instantaneamente iluminavam a tristeza do armazém. Era como se uma faísca de fogo pudesse iluminar um quarto cheio de trevas retumbantes.
E essa risada — essa faísca — vinha de Daela, que vivia seu sonho.
Ser paparicada pelo irmão.
O que mais ela poderia querer?
A atmosfera tensa e triste do começo se desmanchou como aço em fogo vulcânico.
E, a essa altura, Kaden finalmente entendeu o que ações e palavras podiam fazer Daela se sentir amada.
Ela só precisava de atenção. De carinho, como um gatinho fofo.
Carinhe sua cabeça, brinque com ela, passe tempo ao lado dela e diga algumas palavras adoráveis… e já era suficiente.
Kaden não conseguiu evitar sorrir por dentro.
Pensar… era tão fácil fazer alguém se sentir amado.
Sim… é simples.
Pergunte qual é a língua do amor dela e ame-a nessa língua.
Foi isso que Kaden percebeu.
Amar alguém não é sobre como você quer amar, mas sobre aprender o que faz ela se sentir vista.
E na maioria das vezes — se não sempre — isso é completamente diferente do que você imagina.
Pense um pouco.
Respire fundo.
Expire lentamente.
Pergunte qual é a língua do amor dela.
E ame-a de acordo.
Você pode gostar. Ou não.
Mas não vai importar.
Se o amor for verdadeiro, não importa.
Assim como Kaden.
E agora que sua irmã estava calma, com o coração sossegado, a mente clara e recebendo sua dose de carinho…
"Agora me diga, o que acha de eu mudar essa tradição?" Kaden perguntou descaradamente enquanto fazia cócegas na cabeça de Daela, como quem tenta persuadi-la.
A resposta veio imediatamente.
"Eu que não me importo."