Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 205

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden realmente não conseguia entender por que A Vontade estava agindo dessa forma com ele. Fazendo-o massacrar bestas como porcos insignificantes, indo até destruir um ecossistema inteiro…

Kaden parou ao pensar nisso.

"Bem, talvez ela não tenha dito pra eu destruir a floresta especificamente, mas — ei — tudo começou com uma missão tão absurda," ele se defendeu.

Afinal, ele não teria destruído aquela zona externa se não fosse pela missão.

E agora que planejava conseguir uma pedra de evolução e completar a missão, bem, sim… não pôde deixar de se sentir apreensivo.

"Vou simplesmente lidar com—!"

Ele parou no meio da frase ao notar o olhar de Reditha, que jazia silenciosa no seu colo. Um leve sorriso surgiu nos seus lábios, fazendo seus olhos se estreitarem de um jeito que lembrou Vaela.

"Não, você vai ficar comigo, Reditha. Vamos passar por isso juntas, como sempre. Mesmo sabendo que eu não tenho te dado a atenção que você merece." Seus últimos palavras carregaram uma pitada de culpa.

Mas Reditha pulsava com um brilho carmesim de alegria, lhe dizendo que estava tudo bem.

"Você me faz sentir até pior quando age assim. Quero que fique bravo comigo," disse, segurando o cabo de sua espada, levantando-a no ar e deixando o sol matutino cintilar através da lâmina vermelha de sua espada sanguínea.

A luz vermelha refletia pelo cômodo, tingindo-o de um belo tom carmesim enquanto Reditha pulsava em resposta às suas palavras.

"Você é um puxa-saco por mim?" ele repetiu, contido um sorriso ao mesmo tempo em que um sorriso aberto se espalhou pelo seu rosto.

"Como você sabe de um termo assim?" perguntou, rindo.

Reditha respondeu que era dele, embora Kaden não se lembrasse exatamente de ter dito algo assim neste mundo. Ainda assim, ele riu, achando absurdamente engraçado ouvir Reditha pronunciar aquela palavra.

"Você merece mais atenção. Vou garantir que isso mude," ele sussurrou para sua espada, apertando-a firmemente.

Depois, se levantou e deu uma longa esticada, relaxando o corpo lentamente.

"Vou até Daela, depois coletar comida, água, roupas e artefatos na minha bolsa de espaço antes de voltar para Fokay… hoje mesmo," decidiu Kaden, avançando com passos firmes. Reditha pulsou levemente sob seu aperto apertado.

Fokay – Cidade da Dor.

A Cidade da Dor era dividida em duas áreas principais. A primeira era a zona residencial, onde todas as casas tinham a mesma cor monótona de cinza sem vida. Seus formatos e tamanhos variavam.

Algumas eram pequenas, com pouco espaço, outras eram altas e imponentes. Algumas ostentavam desenhos detalhados e complexos, enquanto outras eram simples.

Algumas casas tinham pátios inteiros, até jardins de flores cinzas cultivadas por servos. Outras mal tinham espaço suficiente para acomodar suas famílias.

Algumas paredes estavam rachadas, suas portas rangiam a cada assobio do vento, enquanto outras estavam impecáveis, sem poeira ou corrosão.

Era evidente, essa diferença refletia a disparidade de riqueza.

Também nesta zona ficava a filial do comerciante do Tirano, junto ao trono da Igreja da Dor e, claro… a prisão.

A segunda zona era o mercado. Lá se encontravam lojas, restaurantes e qualquer estabelecimento que pessoas mergulhadas no medo, na tristeza e na dor pudesse imaginar.

Previsivelmente, nada vibrante.

Hoje, Rea havia saído da igreja para caminhar pelo mercado. Ela usava um vestido branco simples, que chegava até os joelhos, sem mangas, combinado com sapatilhas vermelhas nos pés.

Era meio-dia. O sol brilhava no alto, lançando uma luz cinzenta e turva sobre o chão rochoso.

Rea decidiu andar sem rumo, se imergindo nos medos das pessoas da cidade, para se preparar melhor para sua missão.

Até agora, após meses usando seu poder para enxergar e influenciar o medo, ela tinha dominado o suficiente para ativar ou desativar a habilidade à vontade.

Ela caminhava pelo caminho de pedestres à esquerda, enquanto o lado direito se estendia além de uma longa praça pavimentada com pedras cinzentas polidas. Carruagens puxadas por cavalos — ou, para os ricos, tigres pequenos — passavam por ali.

Shops e restaurantes alinhavam cada lado, suas paredes brilhando com uma luz cinza elegante, cada um marcado com o emblema da Igreja da Dor na porta.

Uma brisa constante soprava pela cidade, carregando uma corrente de dor e tristeza. Enquanto Rea caminhava, mesmo antes de ativar sua habilidade, tudo que ela via eram pessoas com olhos cheios de medo profundo enraizado.

Eles caminhavam, conversavam, sorriam, discutiam, tudo com tristeza estampada no rosto, como se a própria alegria fosse proibida nesta cidade.

Até mesmo crianças, que deveriam ser inocentes e cheias de vida, tremiam ao olhar ao redor. Cada pessoa que passava parecia suprimir as lágrimas, outros caminhavam como se o peso do mundo empurrasse suas costas contra as pedras, seus pés arrastando no chão, produzindo um som estranho e assustador.

Era de enlouquecer.

Era assustador.

Rea ainda não se acostumara com essa visão. Como as pessoas poderiam viver assim?

Que tipo de medo elas carregavam para agir como se o mundo inteiro estivesse desmoronando?

Ela ativou sua habilidade para descobrir.

No instante em que fez isso, ela recuou, seu corpo cambaleando como se fosse desmoronar.

Ela segurou a cabeça com as duas mãos, os dedos cravados com tanta força que parecia que podiam perfurar até o cérebro.

Uma dor lancinante atravessou sua mente, sua respiração ficou presa, ela sufocou, ofegou, tossiu, saliva escorrendo pelos lábios.

Ela lutou com todas as forças para não se afogar no oceano sem fundo de dor.

Pessoas a viam, mas ninguém se importava.

Todos estavam sofrendo. Ver alguém desabar por causa disso não era nada estranho nesta cidade. Passaram por ela sem dar nem uma olhada.

Aos poucos, Rea caiu de joelhos, suor escorrendo pelo corpo, encharcando seu vestido branco até grudá-la na pele.

Ela estava vendo dor demais.

Tanto… tão maldita dor…

Ela via tudo em formas infinitas. Algumas eram tão horríveis que infectavam seu próprio medo, outras eram tão patéticas que a faziam rir amargamente, como uma alma enlouquecida rindo na cara do desespero.

Ficou assim por um longo tempo antes de se forçar a levantar-se trêmula. As pernas latejavam, o corpo inclinava-se, mas ela deu mais um passo.

Depois outro.

Ela tropeçou, caiu de cara no chão.

Rangeu os dentes, lágrimas escorrendo, ela se levantou e deu mais um passo.

Passo após passo, até que voltou a caminhar, com os olhos vermelhos de lágrimas, o corpo tremendo e a mente à beira de desmoronar.

Mas ainda assim…

Ela suportou e atravessou o oceano de memórias dolorosas dos outros.

No final das contas,

'Eu… preciso estar pronta', gaguejou consigo mesma mentalmente, em estado de ruptura.

Fokay — Lugar desconhecido.

Era um mundo coberto de verde exuberante, folhas caindo como gotas de chuva de uma árvore colosal que se estendia até o céu.

Casas magníficas surgiam de flores, outras eram escavadas nos troncos das árvores.

O ar cheirava a perfumes doces de campinas, relaxante e suave.

Deveria ser um lugar tranquilo, belo e sereno.

Mas a atmosfera ficava abafada por um silêncio pesado, os rostos de seu povo marcados com tensão e medo profundo.

"I-i…isso não pode continuar. Precisamos falar com Sua Majestade!" uma voz masculina ecoou dentro de uma vasta sala de reuniões cheia de pessoas.

Todos tinham cabelo prateado, orelhas pontudas e olhos de cores variadas.

Elfos.

"Mas o que você propõe? Tentamos solicitar uma audiência com Sua Majestade, mas a Princesa… a Princesa e seus subordinados sempre nos bloqueiam," disse uma velha, com o rosto marcado por rugas, a voz suave.

"Tudo isso…" começou um jovem vestido com roupas verdes luxuosas que combinavam com seus olhos, tremendo de raiva,

"…tudo isso começou quando aquele humano entrou em nosso reino. Eu disse que devíamos matá-lo! Eu avisei, mas o que fizeram, huh?" gritou, as veias pulando como serpentes na testa.

Ele bateu as mãos na mesa, fazendo-a range sob a pressão, se controlando para não bater em todos ali.

"Mas tudo que fizeram foi se opor a mim e permitir que a Princesa encontrasse aquele humano nojento. E agora olha só pra gente! De repente, a Princesa muda da noite pro dia, tomando nossas recursos porque — convenientemente — o reino está em crise de dinheiro. Que coisa absurda é essa?"

"E não se esqueça de como ela está convocando nossos guerreiros mais fortes para dentro do castelo. Me diga… como eles ficam quando voltam?" Ele rosnou como uma besta faminta, a fúria fazendo alguns elfos gritar de medo, até que um finalmente respondeu.

"Eles… eles mudam," balbuciou uma mulher frágil, os lábios tremendo.

O jovem, Dame, olhou fuzilando até ela gritar e se esconder atrás de outro elfo.

Ele respirava pesadamente, esforçando-se para se acalmar.

"O que sabemos?" perguntou outro, com voz incerta, desesperada.

Não conseguiam falar com o Rei, nem com a Rainha. Estavam impedidos a cada passo.

"Mais alguma coisa?" Dame rosnou.

Ninguém disse nada, apenas encararam com medo o furioso Dame.

Uma brisa suave, mas tensa, agitava o dossel esmeralda enquanto Dame abria os lábios, sua voz transbordando intenção de matar.

"Vamos matar aquele bandido de cabelo azul, claro."

—Fim do Capítulo 205—

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