Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 206

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden tinha passado mais tempo do que o esperado com sua irmã, Daela. Ele estava lá para consolá-la, assegurando que voltaria em breve.

Não foi uma tarefa fácil.

Agora, Daela ficava bastante descontrolada quando estavam sozinhos. Ela exigia descaradamente que fosse mimada ao extremo, e se Kaden tinha a audácia de recusar, ou até mesmo resmungar de leve… ela fazia uma crise como nunca antes vista.

No final, ela sempre conseguia o que queria, com aquele sorriso radiante estampado nos lábios, os olhos fechados de prazer enquanto aproveitava o toque do irmão.

Kaden não pôde deixar de rir ao recordar daqueles momentos. "A Daela é realmente… algo," murmurou.

Ele caminhava pelo corredor de sua casa, com paredes pretas de ambos os lados, nuas e sem adornos, o chão coberto por um tapete carmesim.

Ele seguia direto para o treino particular do seu pai para se despedir antes de partir para Fokay.

Já tinha feito o mesmo com sua mãe, e, como sempre, Serena havia abraçado seu filho favorito por mais de cinco minutos, lágrimas nos olhos enquanto murmurrava para que ele se cuidasse.

Naquela época, Kaden não conseguiu deixar de se perguntar por que ela sempre agia assim sempre que ele estava prestes a sair de casa.

Não era como se perigo e morte fossem estranhos por lá.

Sua resposta o surpreendeu.

"Você não entende o peso do amor de uma mãe pelos filhos. Aceitamos a morte, mas que tipo de mãe gostaria de ver seu filho morto?" ela havia dito, com um sorriso tão caloroso que o coração de Kaden tremeu, sua gargalhada angelical agitando seu peito.

Kaden não soube como responder a essas palavras, então apenas assentiu, um sorriso suave surgindo nos lábios enquanto beijava delicadamente a bochecha esquerda dela e fugia envergonhado.

O riso de Serena ecoou atrás dele, seguido por sua voz gritando que o amava.

O sorriso de Kaden só se aprofundou.

E agora, ali estava, prestes a encontrar seu querido pai.

De repente, parou em seu caminho ao ver uma porta imensa diante dele.

Era uma porta preta, larga e alta o suficiente para admitir um gigante. Uma espada estava gravada na sua superfície — inconfundível, era a lâmina do seu pai, Aeron, o Devorador do Espaço.

Kaden levantou a mão, traçando lentamente o símbolo, sentindo as linhas frias e lisas afundarem-se em seu dedo e percorrem seu corpo.

Ao toque, a porta se abriu como uma cortina, reconhecendo o filho do seu mestre.

Ele entrou.

O mundo mudou.

Ele apareceu em um espaço muito maior do que deveria — uma vasta extensão de rocha que se estendia infinitamente até onde os olhos alcançavam. No céu, um branco opaco, uma composição de vasos de vidro quebrados reunidos em algo partido, porém inteiro.

O chão estava trincado, com pedaços irregulares espalhados por toda parte. A atmosfera era opressiva, o próprio tecido do espaço incomummente denso. A gravidade pressionava tão forte que até Kaden lutava para manter o corpo ereto.

No centro daquele terreno de treinamento desolado, estava Garros, sentado sobre uma enorme rocha negra esculpida com runas vermelhas brilhantes. À sua direita, Aeron estava cravada profundamente na terra, vibrando suavemente com uma fome contida.

Sintindo uma presença, Garros levantou lentamente a cabeça, seus olhos vermelhos de predador fixando seu filho. Um sorriso selvagem se abriu nos lábios dele.

"Mais novo." ele rosnou.

Kaden avançou, tropeçando várias vezes no chão rachado, quase caindo sob o peso da gravidade. Cada vez, conseguiu se segurar a tempo, quase como um beijo de alguém que desesperadamente tenta se agarrar à vida.

Por fim, chegou ao lado do pai, respirando com dificuldade, um brilho de suor na testa.

"Por que esse lugar é tão pesado?" reclamou, caindo ao lado esquerdo de Garros na rocha.

"Se fosse menos, até meu fôlego quebraria tudo aqui. E mesmo assim, eu reduzi a gravidade… geralmente, é muito pior," Garros debochou, levantando sua mão enorme e calejada para bagunçar o cabelo de Kaden.

"Mas mesmo assim… você conseguiu atravessar sem cair. Isso é incrível." orgulho ressoou em sua voz.

Então, seu sorriso se alargou, sua cabeça virou para trás e uma risada maníaca estourou.

"HAHAHAHA!! Eu tenho os melhores filhos!"

Ele realmente se orgulhava deles. Todos gênios, mas também trabalhadores. Com eles, sabia que a honra dos Guerreiróides jamais se perderia no pó.

Kaden lançou-lhe um olhar lacônico, depois desviou o olhar, deixando seu pai aproveitar o momento.

Depois que Garros se acalmou, Kaden falou: "Vou voltar para Fokay."

Garros assentiu com a cabeça. "Hoje?"

"Sim. Depois desta, parto direto." Kaden pegou uma pedrinha, jogando-a ao ar e pegando distraidamente.

"Vai procurar uma pedra de evolução para se tornar Mestre?" perguntou Garros, seu olhar suavizando enquanto estudava o filho.

Ela lembrava Serena claramente, como dia.

Não era de admirar que ela o prodigasse tanto.

Ele assentiu. "Alguma recomendação? Quero dizer… como pai."

Garros inclinou a cabeça, pausando enquanto pensamentos diversos passavam por ele. Nunca foi bom nisso, mais força do que cérebro, mas hoje queria dizer algo que fosse significativo.

Ele colocou a mão firme no ombro de Kaden, fixando os olhos dele.

Vermelho contra vermelho.

Sangue contra sangue.

"Você é diferente de nós. Eu vejo isso. Sua mãe também. Você é mais controlado, sempre observando com uma expressão calculista. É bom… mas às vezes…"

Um sorriso selvagem se abriu no rosto dele, sua mão apertando o ombro do filho.

"Às vezes, não esqueça que o sangue de Guerreiro de vocês corre nas suas veias, meu filho. Somos feitos para matar, para guerrear contra quem ouse olhar para nós de forma errada. Somos feitos para abraçar a morte com dignidade, não para tramarem nas sombras como ratos."

Ele se aproximou mais, os olhos queimando com uma intensidade tão grande que Aeron começou a pulsar violentamente, o espaço ao redor rachando, seu sorriso manchado de sangue se dilatando como uma ferida.

"…e nunca se esqueça que você é filho de Garros e Serena Warborn. A Devastadora do Espaço e a Rainha do Vazio."

"Então vá, mais novo. Faça o que precisar."

Depois, como uma criança brincando, seu sorriso se torceu de forma travessa.

"E se der problema… mamãe e papai estão aqui para você."

Kaden ouviu atentamente, as palavras do pai penetrando fundo nele, e ele tinha razão. Talvez fosse filosófico de forma diferente, mas, no fundo, era Guerreiro.

Ele riu alto e sem contenção, depois sorriu maliciosamente.

"Tenho medo de ser eu quem vai estar de olho em você quando você virar problema, pai." provocou antes de desaparecer instantaneamente, partindo do treinamento rumo a Fokay.

Garros ficou ali, sorrindo levemente.

"Ele é um bom filho," a voz antiga de Aeron ressoou em sua mente.

O sorriso de Garros se ampliou.

"Sou abençoado com filhos incríveis."

Aeron riu, balançando toda a estrutura do espaço. Lá em cima, o céu se abriu em rachaduras, derramando fragmentos de vidro como uma cascata celestial.

'De fato, meu amigo.'

Fokay — Floresta de Asterion.

Kaden reapareceu exatamente onde tinha ficado na última vez: no ponto central da floresta.

Ele imediatamente expandiu sua percepção, espalhando-a como uma teia para sentir as presenças ao redor.

Mas mal precisava disso.

Assim que chegou, ela já estava lá.

Uma garota de cabelos dourados o encarava, os olhos ardendo como dois sóis dourados, sua beleza radiante e ao mesmo tempo abrasiva. Seu sorriso era violento, predatório, e seu olhar relampejava como uma chama ao se fixar nele.

"Finalmente, aqui, malditos Warborn," Sora rosnou.

Porém, Kaden apenas sorriu.

Abriu os braços como asas de um corvo.

"Então vá lá. Honre-me. Me elimine. Vamos acabar com isso…"

Seu sorriso se tornou mais afiado.

"…voz de ouro."

—Fim do Capítulo 206—

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