
Capítulo 207
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Desde o dia em que Sora decidiu pedir — ou melhor, obrigar de maneira quase rude — Kaden a ajudá-la a escrever sua própria música, sendo a única pessoa em ambos os mundos que sabia disso, ela vinha nesta floresta, invisível para todos, e se posicionava exatamente no local onde Kaden desapareceu pela última vez.
Ela gravava no chão, nas rochas e até na árvore runas douradas brilhantes que ajudariam a esconder sua presença e assustar visitantes indesejados.
Depois, permanecia ali, tranquilamente, numa cadeira feita de chamas douradas oleosas que escorriam sob o solo gramado, tornando-o carvão.
Não havia ninguém com ela, nem mesmo Rome. Ela lhe encarregou de ir até o castelo dourado na floresta do sol eterno e guardar a porta do seu quarto como se ela estivesse ali, enquanto ela aguardava algum desgraçado aparecer.
Nem preciso dizer que esperar sem saber quanto tempo vai levar é angustiante.
No começo, você se sentia confiante, cheio de energia, dizendo a si mesmo que tudo ficaria bem e que teria paciência.
Mas depois de alguns dias sem nenhum sinal, sua paciência começava a murchar como uma flor morta. Você começa a ficar frustrado, ansioso e até irritado ao mesmo tempo e, especialmente, se o que você espera é importante — até mesmo algo que pode mudar sua vida.
Como uma oração.
Você ajoelha. Você se abaixa até o chão. Eleva as mãos em concha e ora ao seu Deus por aquilo que deseja.
E então espera.
Ninguém sabe quando suas orações serão atendidas… ou até mesmo se serão atendidas.
Simplesmente, é um teste de paciência.
E se havia algo que Sora não era, era paciente.
Depois de dias esperando sem nenhuma novidade, ela resmungou, xingou Kaden. Às vezes, ela ficava tão irritada que precisava descarregar sua frustração assando alguma fera azarada sob fogo ardente.
Depois disso, ela voltava à sua cadeira de chamas, olhando para o ponto onde Kaden desaparecera, enquanto xingava novamente, usando todas as palavras profanas que uma princesa protegida como ela poderia ter.
Previsivelmente, eram algumas palavras fofas.
Inara teria ficado decepcionada com ela.
Mas agora, após semanas sem notícias de Kaden, exatamente naquele momento em que ela prestes a explodir de raiva e queimar toda a floresta — e o suficiente pelas consequências disso —
Sora imediatamente se levantou e descartou sua cadeira, seu coração batendo acelerado ao finalmente ver o que buscava há tanto tempo.
Ela viu Kaden olhando ao redor, até que seu olhar sanguinolento se fixou nos olhos dourados de seu cachorro.
"Finalmente chegou, seu maldito Warborn." Ela rosnou.
Kaden a encarou por um breve momento, antes de lentamente levantar os braços no ar, como se fossem asas abertas, um sorriso no rosto enquanto dizia:
"Vai, honra-me e me mata, voz de ouro."
A voz dele, para Sora, era irritantemente confiante. E por um instante ela se sentiu extremamente tentada a agarrar sua cabeça com as mãos flamejantes e queimar até que seu crânio se dissolvesse numa corrente de matéria cerebral.
Mas conteve sua irritação, cerrando os punhos até as juntas ficarem brancas, tudo para controlar sua raiva fervente.
Ela olhou fixamente para Kaden, depois abriu os lábios.
"Você vai comigo." Ela ordenou.
Não era uma pergunta, nem um pedido, mas uma ordem.
Uma que uma princesa de status temida por todo o mundo daria a quem estivesse abaixo dela. Era algo que até poderia funcionar se fosse qualquer um, menos… bem, um Warborn.
O sorriso de Kaden vacilou por um momento, depois, lentamente, baixou os braços ao lado do corpo.
"Então não estamos mais matando ninguém? Você ficou doce no meio do caminho, voz de ouro?" Ele falou, ainda confiante, como se não percebesse que estava diante da princesa do Celestial.
Era o que mais enfurecia Sora. Kaden sempre agia com ela como se ela fosse apenas uma menina insignificante por aí.
E ela não era.
Ela era uma Asterion.
O sol que ilumina o mundo, a lua que dá o tempo ao mundo para descansar, e as estrelas no céu que dão esperança ao universo — algo para alcançar.
Seus olhos começaram a brilhar com uma luz brilhante e abrasadora, "Você vai comigo." Ela repetiu, e o espaço ao seu redor começou a tremer com o calor que emanava dela.
Era um calor tão intenso e puro que até Kaden não pôde deixar de franzir a testa ao sentir o ar aquecido bater em seu rosto.
'Uma Asterion, de fato...' pensou ele, mas seu sorriso não se desfez. Pelo contrário, se alargou ainda mais.
"Agradeço o convite, mas tenho que declinar, voz de ouro." Ele disse e, rapidamente, virou o corpo com agilidade.
Ele deu um passo firme no chão, fazendo-o rachar sob seu peso, e se lançou em direção ao objeto azul brilhante, fazendo a cabeça acelerar na direção dele. Esticou a mão direita e o apanhou na palma enquanto corria a toda velocidade.
Naquele momento, Sora não estava longe atrás dele.
Sem parar, ele torceu o corpo de maneira pouco natural, girando na direção da Sora coberta de fogo que se aproximava, e se lançou contra ela com velocidade desmedida, fazendo-a gritar de surpresa ao parar por um instante.
Esse tempo foi suficiente: Kaden apareceu à beira de sua aura escaldante, enquanto uma luz rubra reluziu no seu olhar ao cortar o pulso dela, fazendo seu sangue dourado denso escorrer na pedra runica azul brilhante na palma de sua mão.
Sora gritou de raiva, os olhos ardendo em fogo, e levantou a mão em chamas, pronta para atacar na fúria.
Mas antes que seu golpe pudesse atingir, a pedra azul de runas no braço de Kaden brilhou intensamente, e o espaço se abriu, como um véu caindo da realidade, entre eles, e uma luz cegante explodiu como ondas de tsunami.
Kaden sorriu, seus olhos vermelhos dançando com loucura incontrolável.
"Obrigado por me levar comigo, voz de ouro."
A luz os engoliu completamente.
Depois, ela desapareceu.
A voz de A Vontaderessoou retumbante:
{Reino oculto do Asterion (dungeon) encontrado.}
{Tipo: Terra de Herança.}
{Nome: Prova dos Lunares.}