
Capítulo 192
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
“…mas eu posso ser seu amigo, aquele que vai estar ao seu lado mesmo quando o mundo inteiro virar as costas para você,” disse Kaden, colocando em suas palavras toda a sinceridade que conseguia transmitir, e suas palavras bateram em Vaela como um raio divino no coração de uma tempestade.
“Um amigo… comigo, mesmo se o mundo inteiro me rejeitar?” A mente de Vaela vacilou, sua expressão ficou vazia enquanto inúmeros pensamentos começavam a girar dentro dela de forma caótica, colidindo como cacos de vidro.
O que Kaden falou foi lindo—até demais. Mas justamente aí estava o problema… era bonito demais para este mundo tão horrendo.
Por isso…
…será que realmente existe uma coisa como um amigo assim? Ou esse garoto estava zombando dela por sua ignorância?
Vaela não pôde deixar de pensar nisso enquanto seu olhar neon se afinava, fixando Kaden com tanta intensidade que seu corpo instintivamente recuou meio passo, porque naquele momento seus olhos pareciam algo sobrenatural, quase demoníacos.
Ela parecia uma viciada que há tempo demais não recebe sua dose, começando a perder a cabeça. Mas o caso de Vaela era diferente—após tudo, ela jamais tinha provado aquilo de que era viciada. Então, quando uma fagulha de esperança surgiu diante dela… a chance de finalmente acabar com a sede… ver alguém brincando com ela e zombando não era algo que aceitasse.
"Você está brincando comigo?" Vaela questionou, sua voz de repente perdendo o tom neutro e ficando fria como um rio congelado na Antártida profunda.
"Você acha que, por eu não saber muito sobre esse assunto, pode simplesmente dizer qualquer coisa?" ela acrescentou, a pressão ao redor deles começando a subir, e Kaden sentiu como se uma rocha celestial estivesse caindo sobre seus ombros frágeis, querendo achatá-lo no chão.
Suou frio, enquanto olhava atento para Vaela, percebendo claramente que ela não acreditava nele.
Ele suspirou, com um sentimento de irritação por achar a situação cada vez mais incomodante com o passar do tempo. Mas, honestamente, ele podia entender.
Assim como um autor iniciante dificilmente acreditaria que poderia atingir o nível de lendas que criam mundos impossíveis para sua mente de novato, é o mesmo que alguém que nunca conheceu uma amizade verdadeira não consegue imaginar que um amigo possa realmente ficar ao seu lado, mesmo quando o mundo inteiro se volta contra você.
Eles existem. São raros, mas existem.
Kaden, nesses pensamentos, não pôde deixar de se lembrar de Asael. Ele não sabia por quê, mas tinha quase certeza de que Asael estaria com ele, mesmo se ele perdesse tudo.
Da mesma forma que ele se mataria repetidas vezes, só para evitar que algo ruim acontecesse com Asael.
Por que, você perguntaria?
Porque ele era seu amigo.
Mas Vaela não entendia, então ele precisava fazer ela entender.
Mais fácil falar do que fazer, mas ainda assim…
"Minha senhora," disse ele, sua voz de repente mais calma, "há alguma razão para eu mentir para você?"
Vaela franziu ligeiramente a testa com a resposta dele, mas Kaden não deixou que ela falasse.
Ele precisava ganhar impulso.
"Você é muito mais forte que eu, dá pra ver o quanto estou tremendo agora. Então, de que adianta mentir?"
"Nenhum. Afinal, não sou idiota de pensar que posso te enganar."
"Então, o que eu disse… é verdade."
Ele fez uma pausa, fixando seus olhos vermelho-sangue em Vaela. "Afinal, sou um Guerreiro Nascido. Sou bem versado nesse domínio."
E então, silenciou.
Os pensamentos de Vaela giravam rapidamente, sua mente afilando cada palavra e possibilidade, mas assim que Kaden afirmou ser um Guerreiro Nascido, sua expressão mudou—ficou relaxada, suavizada, quase tranquila.
'Ah! Ele é um Guerreiro Nascido. Então ele deve estar dizendo a verdade,’ pensou, enquanto um sorriso suave se espalhava nos lábios dela.
"Ah sim, realmente você é um Guerreiro Nascido. Não há ninguém melhor nesse campo do que você." Ela tentou esconder a empolgação na voz, mas seus olhos neon brilhavam com expectativa, um entusiasmo infantil surgindo por trás da máscara neutra.
Kaden sorriu interiormente.
Ele só disse que era um Guerreiro Nascido… e ela acreditou.
Parece ingênuo. Até arriscado, confiar em alguém só pela filiação ao grupo dele, ou pela reputação.
Mas isso era realmente surpreendente?
De jeito nenhum. Nada disso.
Afinal, você não confia cegamente nos autores famosos assim que eles lançam um livro novo?
Você não espera por resenhas.
Não duvida.
Você mergulha de cabeça, confiante de que será… o melhor possível.
Mesmo conceito.
Configuração diferente.
É assim que os humanos funcionam. Julgam tudo e fazem isso, na maioria das vezes, apenas pelas primeiras impressões.
Mas Kaden não reclamava. Essa fé cega tinha acabado de comprar a crença de Vaela.
Mas, sozinha, isso não era suficiente para tirar ele dessa situação inteiro.
Kaden ficou em silêncio, olhando para Vaela, certo de que ela não o soltaria enquanto não conseguisse o que queria. Ou seja, nada menos do que sentir que finalmente tinha uma família.
Falar que somos apenas amigos agora não seria suficiente. Ele precisava provar isso para ela—de uma forma que fizesse seu coração torto bater como uma música alta nas caixas de som—que ele era seu amigo.
'Mas como?' Kaden realmente se encontrava numa enrascada.
Mas ainda não estava desesperado.
Ele já tinha conseguido um subordinado Mestre com só sua lábia doce, então por que não Vaela?
Verdade, elas eram diferentes em poder e status, mas, em certo sentido, eram extremamente parecidas. Ambas eram movidas por obsessões profundas e inabaláveis.
Alea era obcecada por beleza.
Vaela era obcecada por família.
Ele conseguiu Alea oferecendo o que ela mais queria—beleza. Com síntese, foi ainda mais fácil; ele só pegou os aspectos bonitos dos humanos que ela reunia e descartou as partes feias, presenteando-a com aquilo que ela mais desejava.
Agora, chamá-la de deslumbrante seria um grande e triste subestimado.
Mas a situação de Vaela era muito mais complexa. Ainda assim… era possível.
Ela tinha confiança nele por causa da família dele. Isso significava que…
'Ela acreditará em qualquer besteira que eu diga, contanto que tenha um pouquinho de verdade, certo?' pensou, antes de seus lábios se curvarem num sorriso radiante e aberto.
"Como a gente vira amiga, hein?"
"É bem simples, minha Senhora," disse ele, reunindo toda a coragem que ainda tinha enquanto começava a se aproximar lentamente dela, devagar, firme e seguro.
A floresta ao redor se silenciou, um silêncio anormal se espalhando pelo mundo, fazendo seus passos ecoarem suavemente na grama sob seus pés, como algo sendo gentilmente esmagado ao caminhar.
Então, ao pisar na superfície da água, o som se transformou em suaves respingos, pacíficos e relaxantes, quase suficientes para distraí-lo do olhar intenso e ardente que recebia de Vaela.
Kaden tinha certeza de que só os olhos dela podiam matá-lo. Mas ele se recusava a deixar uma fagulha de medo ou preocupação transparecer em seu rosto.
Em vez disso, sorriu. Sorriu como alguém acolhendo um velho amigo do ensino médio.
Parando a apenas um centímetro dela, Kaden olhou direto nos olhos e parted seus lábios.
"Podemos ser amigos de várias formas…" começou, sua voz suave, cheia de confiança, como de um político convencendo multidões.
Então, respirou fundo e continuou,
"Podemos ser amigos passando por dificuldades juntos, ajudando um ao outro, odiando as mesmas coisas, amando as mesmas coisas… podemos ser amigos simplesmente…"
Seu sorriso suavizou.
E era um sorriso lindo. Um sorriso caloroso, belo. Um sorriso que Vaela nunca tinha recebido naquela casa fria e sem vida de Cerveau.
"…apenas compartilhando um momento juntos."
"E me diga, minha Senhora, você sabe o que estamos fazendo agora?"
E como se sua mente tivesse acabado de se iluminar com a sabedoria de um monge antigo, que viveu recluso desde o começo dos tempos, Vaela involuntariamente partiu seus lábios cor de rosa e sussurrou,
"…estamos compartilhando um momento juntos?" Sua voz transbordava de uma inocente admiração.
"Sim, estamos. E sabe o que isso faz de nós?" perguntou Kaden, dando um passo ainda mais perto, chegando perto o suficiente para que a compostura de Vaela vacilasse um pouco, desconcertada pela aproximação repentina neste ambiente estranho e pesado.
Ele olhou fundo nos olhos neon dela, forçando seu corpo a não tremer diante da profundidade mística e sem limites deles, incitando silenciosamente que ela falasse.
E ela falou.
"Nós… somos amigos. Isso quer dizer que agora somos amigos," ela disse, como uma aluna que finalmente entendeu a lição que o professor vinha reforçando o tempo todo.
E, como um bom professor, Kaden a recompensou.
"Exatamente. E, por esse momento de amizade compartilhada, vou te ensinar algo que todos os amigos fazem."
Coração de Vaela batia forte no peito. Ela assentiu levemente e, de repente, ficou boquiaberta, os olhos arregalados, ao ver Kaden puxá-la para seus braços, envolvendo-a com uma ternura protetora e carinhosa.
Seu corpo, rígido, braços pendurados impotentes ao lado do corpo, enquanto sua mente lutava para processar esse acontecimento repentino e estranho.
A voz de Kaden veio suavemente perto de seu ouvido, doce e gentil,
"Seu corpo está… bem frio, Vaela. Agora você se sente melhor?"
E, de forma instintiva e inocente, Vaela assentiu, seus braços finalmente se apertando ao redor dele, enquanto sua voz trêmula, carregada de emoções que mal compreendia, sussurrou de volta,
"…sim… sim, estou me sentindo melhor." Ela fechou os olhos, entregando-se a um sentimento que nunca soube que precisava tanto.
Dentro dela…
'Consegui…?'
—Fim do Capítulo 192—