Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 193

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Foi surpreendente?

Ver uma mulher tão poderosa e incrível ficar tão descontrolada diante de uma situação assim?

Ver uma mulher — alguém que consegue enxergar através de você e prever todos os seus possíveis futuros num instante, com uma facilidade assustadora — desmoronar como um castelo de areia só porque um garoto lhe mostrou um pouco de carinho?

Foi… surpreendente?

Sim, se você olhar de uma perspectiva de alguém que não entende realmente o que está acontecendo.

Mas vamos apenas… por um momentinho, colocar-nos no lugar da Vaela.

Ela estava faminta — como um viajante no deserto sem água à vista — faminta de afeto. Nunca recebeu coisas boas da vida, como amor, gentileza ou até gratidão.

Durante toda a sua vida, todas as pessoas ao seu redor só lhe deram ombros frios e uma indiferença além da compreensão da sabedoria mortal.

E, para uma pessoa sensível, alguém que gosta de interagir com os outros, que deseja dar amor e também recebê-lo — para alguém que só quer viver com alegria nesta vida horrorosa, mas linda, que pode acabar num piscar de olhos… para essa pessoa, não havia verdadeiro pesadelo maior do que nascer dentro do Cerveau.

Por isso, quando finalmente alguém lhe mostrou um pouco de bondade, uma pitada de afeição… seu muro desmoronou na hora, como uma casa de cartas.

É isso que a privação emocional faz com você. Você fica vulnerável, fraco, digno de pena para qualquer um que lhe mostre algo que sempre desejou.

Mas não era só isso.

Não… a fome profundamente enterrada nunca morre de forma limpa.

E aí vem a pergunta…

O que você faria se finalmente conquistasse algo que vinha obcecado por obter?

Sim. Você me entende.

"Nós… somos amigos, né?" ela perguntou, ainda nos seus braços, com a voz baixa e fraca como o vento sussurrante ao seu redor.

"Sim, somos", respondeu Kaden simplesmente, já começando a sentir que escapou de uma grande provação.

Mas Vaela ainda não tinha acabado. Ela continuou.

"Se somos amigos, isso quer dizer que vamos estar sempre juntos? Que vamos… experimentar muitas coisas juntos? Vamos compartilhar segredos e rir do mundo juntos… certo?" ela perguntou, sua voz carregando uma ponta que fez o corpo de Kaden tremer discretamente.

Aqui, ele percebeu que algo não estava certo.

Mas ele não fez muita coisa, ele… não podia fazer muita coisa.

Então, ele simplesmente concordou novamente com um aceno de cabeça, sua voz ainda calma.

"Sim, você está certa."

Essa resposta fez os lábios de Vaela se curvarem em um sorriso que parecia capaz de encantar deuses e espíritos.

Era um sorriso tão incrivelmente bonito que, por um momento, parecia que o mundo ficava puro, radiante… e mais vivo.

Mas tudo o que Kaden sentiu foi um medo profundo começando a dominar seu corpo todo, como um ser prestes a se petrificar… angustiante.

Antes mesmo que seus pensamentos pudessem questionar essa sensação repentina, a voz de Vaela ecoou novamente.

"Então… então você não se importaria com isso, né?" Sua voz tinha um tom perverso de deleite.

Dessa vez, Kaden percebeu um perigo tão grande que seus instintos tomaram o controle — seu corpo querendo fugir do abraço dela, mas já era tarde.

CLIC—!

Um som agudo ecoou na floresta silenciosa enquanto Kaden dava alguns passos para trás e, de repente, percebeu algo no seu pulso direito.

Ele virou a cabeça rapidamente em sua direção e viu algo que parecia uma algema — mas não era de metal, era feito de fios azuis, entrelaçados de uma forma tão surpreendente que parecia uma tapeçaria, um tecido divino criado com tamanha delicadeza e elegância que bastava olhar para admirar o talento e o esforço por trás daquela obra-prima.

Mas Kaden não estava no clima de admiração. Notou que a algema estava conectada por um fio finíssimo, quase invisível, que se estendia em direção a…

…ele seguiu lentamente o caminho do fio com os olhos, rezando em silêncio para que não fosse aquilo que pensava, mas hélas—!

Era exatamente o que pensava.

A algema estava ligada por um fio a outra algema… presa firme no pulso esquerdo de Vaela.

Kaden ergueu os olhos, trêmulo, e olhou para ela com uma expressão extremamente confusa.

"O que… o que é isso?" ele perguntou, sua voz já não tão calma ou confiante.

Ele tinha perdido o ímpeto.

Vaela simplesmente sorriu inocentemente. Mas ah…

Seu sorriso era inocentemente retorcido, e até seus olhos pareciam rir, curvados como luas crescentes, brilhando com uma loucura serena.

"Você disse que estaríamos sempre juntos. Mas o que prova isso? E se acontecer alguma coisa com você, ou alguém tentar te tirar de mim?" ela perguntou, fazendo perguntas claramente retóricas.

Ela se levantou lentamente da pedra e começou a caminhar em direção a Kaden, com os pés nem tocando a água abaixo, como se a própria ideia de contato fosse inferior a ela.

Ela se aproximou do Kaden, que permanecia imóvel, ainda em choque com tudo que acontecia.

Vaela seguiu sem se importar, "Por isso criei este artefato. Foi como uma inspiração repentina, do nada. Algo dentro de mim me disse para fazer, e eu fiz. Criei porque não quero perder minha única família, agora que finalmente tenho uma."

Ela parou a um passo dele, depois levantou com delicadeza seu queixo pálido, usando o dedo telegado, e fixou seus olhos azul neon nos olhos vermelhos como sangue de Kaden.

Era… aterrorizante.

O mundo ao redor desapareceu numa névoa de nada.

Naquele momento, para ambos, parecia que o mundo inteiro tinha parado, prendendo a respiração só para observá-los.

Faíscas pareciam trocar entre seus olhos, uma tempestade invisível de tensão.

Kaden, já bastante calmo, percebeu que se preocupar ou entrar em pânico não mudaria nada.

Então, em vez de deixar sua mente divagar, ele se controlou à força e olhou para Vaela.

Dizem que os olhos são a porta para a alma… para o verdadeiro eu.

Olhe profundamente nos olhos de alguém, e você entenderá seu coração.

Bem… isso pode ser verdade mesmo.

Kaden olhou nos olhos de Vaela com tanto profundidade, tão intensamente, que por um momento parecia que ele nadava dentro de um mar azul sem fim feito de fios — fios que se estendiam e se alongavam em direção ao céu, onde um enorme tapeçaria de filamentos entrelaçados flutuava livremente no ar, como o próprio destino.

Naquele lugar, parecia que ele via múltiplas linhas do tempo passando rapidamente.

Vaela, também, olhava fixamente nos olhos vermelhos de sangue de Kaden.

E, por um momento, ela se viu em outro lugar totalmente… um oceano infinito de sangue, sem fim à vista.

O oceano era feito de membros degolados, olhos retorcidos em órbitas vazias, órgãos apodrecidos, coroas de ouro de imperadores caídos, os cadáveres de seres poderosos com espadas vermelhas cravadas em seus corações, roupas reais rasgadas, até pequenos corpos de recém-nascidos — olhos arregalados de horror, como se, em sua curta existência, já tivessem visto as verdades mais odiosas dessa vida amaldiçoada.

Era um lugar vil e distorcido.

Mas Vaela não conseguia deixar de se sentir… tranquila.

Como se tudo ali fosse… correto.

Como se esse fosse o fim natural de toda vida.

Alta naquele céu quebrado, ela viu o sol e a lua sangrando abundantemente… sangue tão puro, tão radiantes que pareciam fora de lugar neste reino profano, era… celestial demais, sagrado de mais.

Ela piscou.

E se viu de volta à floresta, com Kaden a encarando com os olhos bem abertos, como se tivesse acabado de ver algo além do mundo conhecido.

Mas Vaela ficou ainda mais surpresa — e, embora estivesse assustada, não era medo ou hesitação pelo que vira, mas uma certeza.

Certeza de que decidiu usar seu único artefato em Kaden porque…

"…nossos destinos agora são um só, Kaden. Se você morrer, eu morro junto. E se eu morrer… você vai comigo."

Ela sorriu amplamente.

"…estaremos sempre juntos… até na morte, meu amigo."

Kaden olhou para ela, completamente imóvel, e lentamente levantou a cabeça para o céu, murmurando sem vida,

"Será que já enfurei os deuses em alguma das minhas vidas passadas…?"

Sua voz foi um sussurro, mas Vaela ouviu claramente e, pela primeira vez desde que nasceu, Vaela…

…riu de leve.

—Fim do Capítulo 193—

Comentários