Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 194

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden realmente se perguntava se, em uma de suas encarnações passadas, não tinha ofendido algum deus amaldiçoado para merecer tamanha sina de azar.

Ele só queria um aliado, só isso.

Mas, ao invés disso, acabou encontrando uma mulher desprovida de afeto que — no instante em que mostrou até o menor fragmento dele — decidiu unir suas vidas à de alguém tão miserável quanto ele?

Quer dizer, não era pra haver um processo nessas relações?

Algo como: conhecer, depois fazer amizade, aí ficar melhor que amigos, depois leal até à morte, e só após tudo isso chegar ao estado de... do tipo “minha vida e a sua estão predestinadas, mesmo após a morte”?

Então…

'Por que eu…?' pensou Kaden com um suspiro baixo, seus olhos pesados de cansaço enquanto se sentava numa pedra enorme ao lado de Vaela, contemplando a bela paisagem da floresta ao redor.

Ele não tinha tido muito descanso desde que partira para o Leste. Primeiro a masmorra da Morte Arruinada, que quase o matou, depois teve que matar aquela maldita aranha, cuidou de uma besta insegura, e agora…

'E agora tenho que cuidar de uma mulher que acha normal ligar sua vida à de um Desperto tão miserável quanto eu?'

De verdade, Vaela era uma tola de marca maior? Ou essa aí era consequência de uma fome enterrada há tempo demais?

Porque, na prática, as chances de Kaden morrer eram enormes — especialmente nesses mundos onde os fracos são pisoteados pelos gigantes. Um Intermediário era como um grão de areia no deserto…

… insignificante no grande esquema das coisas.

E, mesmo assim, uma entidade tão poderosa, com o poder da previsão… que deveria ser mais pensativa e calculista, tinha realmente ousado ligar sua vida à dele.

Kaden achou aquilo fascinante.

Ele não se preocupava muito com ela morrendo; mesmo que acontecesse, não importaria. Ele ainda poderia reviver.

'Só preciso garantir que sempre tenha moedas da morte guardadas para esses imprevistos', pensou, enquanto seu olhar se perdia na água pura que corria lá embaixo.

Mas e quanto a ele morrer?

Ele duvidava que Vaela soubesse de sua habilidade, então…

"O que te dá tanta confiança para ousar ligar sua vida à minha? Para nós, pode ser que eu morra amanhã, ou até daqui a um minuto. Você usou seu poder de alguma forma?" perguntou Kaden, que estava ao lado dela, com um sorriso deslumbrante no rosto.

Ela balançou a cabeça com timidez, seus cabelos azuis sedosos balançando com o vento sussurrante. "Não usei meu poder, não fiz nada disso."

"No momento em que percebi que éramos amigos, imediatamente nos uni para sempre. Dessa forma…"

Ela virou a cabeça lentamente, seus olhos neon brilhando com uma centelha de loucura.

"…dessa forma, Kaden, você não vai me deixar. Você será minha família para sempre, e faremos muitas coisas juntos!"

Ela se aproximou, seu rosto deslumbrante ficando ainda mais perto do de Kaden, até que seus lábios pairaram ao lado de sua orelha direita, sua voz um suspiro que poderia fazer até o mais antigo monge abandonar seus votos de renúncia.

"…e se você me deixar, Kaden, então vou tirar minha própria vida. Assim, você também morre, e na morte estaremos juntos para sempre." Ela sussurrou com audácia antes de puxar a cabeça para trás, seus olhos azul-neon fixos nos vermelhos de Kaden.

Ela sorriu levemente.

"Faço isso por nós. Não quero que nos separem. Você… entende, né? Você é meu único amigo, sempre me entende…" ela murmurou em voz baixa, com seus dedos pálidos acariciando suavemente a bochecha de Kaden com ternura.

Kaden assentiu lentamente sob o olhar ardente e insano dela.

"Sim, eu te entendo, Vaela. Eu faria o mesmo também," disse, com uma voz calma e firme.

Vaela imediatamente sorriu como uma criança, envolvendo-o com braços fortes e abraçando-o com força e calor, fechando os olhos para aproveitar a sensação que há muito tempo lhe havia sido negada.

"Estou feliz. De verdade, estou. Não poderia sonhar com uma família melhor," ela sussurrou, sentindo-se verdadeiramente aliviada por seu amigo ter entendido seu lado.

Mas, na verdade, Kaden não tinha muitas opções. Ele tinha que seguir o que ela queria. Afinal, essa garota estava pronta para machucá-los ambos só para conseguir o que queria.

'Brinquei com fogo e me queimei… ótimo, só ótimo.'

Suspirando pesadamente, decidiu focar no motivo de sua presença ali — a razão pela qual tinha vindo.

Ele queria transformar um inimigo em aliado usando o conceito de benefício, mas, ao invés disso, acabou transformando um inimigo em amigo.

E isso ainda era melhor… se, por um momento, ignorarmos o comportamento duvidoso dessa tal amiga.

Mas Kaden sempre preferia olhar pelo lado positivo, então…

"Agora que somos amigos, vai ajudar comigo?" perguntou suavemente, com um sorriso sutil.

Vaela deixou o abraço, puxou-se para trás e assentiu alegremente. "Claro, vou ajudar você."

"Mesmo que eu queira eliminar todos da sua família?" Kaden insistiu, dessa vez com a voz mais fria, mais implacável.

Ao ouvir isso, Vaela não conseguiu evitar lembrar da visão que vira dentro daquele reino… aquele oceano infinito de sangue.

Ela sorriu, inclinando levemente a cabeça de lado.

"Você… gosta mesmo de matar, não gosta?" ela perguntou, com tom carregado de curiosidade.

Kaden deu de ombros, indiferente. "A gente gosta do que é bom na gente."

Seus lábios se curvaram numa risada baixa enquanto ela balançava a cabeça.

"Mas eu não."

Kaden olhou para ela com expressão confusa.

"Plano", ela disse calmamente, "com meu poder, mal alguém consegue me enfrentar se eu quiser trampar alguma coisa. Sou muito boa nisso, mas… não gosto de fazer isso."

Kaden a olhou profundamente e falou com suavidade: "Por quê? Você acha que é baixo demais pra isso? Prefere brigar na porrada, cara a cara, como bárbaros?" Sua voz tinha uma ponta de diversão que fez Vaela rir.

Deuses, ela tinha rido mais nesta breve conversa do que na sua vida inteira.

Ela levou a mão direita delicadamente à boca enquanto ria. Era…

'…muito modesta', pensou Kaden, instintivamente.

Vaela respondeu, ainda rindo às vezes, "Sei que você acabou de descrever sua própria família. E, com isso, acho que você não gosta muito do jeito deles, né?"

Kaden deu de ombros e respondeu frio: "Sou um cara pragmático. Não me prendo a uma única forma de pensar, nem a uma única crença."

"Não vou me prender à filosofia de que trampar é coisa de covarde e depois agir como um bruto. Não estou dizendo que minha família está errada."

"Às vezes, força bruta funciona muito melhor do que tramar, mas desistir totalmente do jeito de trampar é burrice." disse Kaden, revelando sua filosofia para Vaela, com quem se abriu sem reservas.

Ele não tinha nada a perder, afinal, mortes deles estavam ligadas de qualquer jeito.

Isso deixou Vaela extremamente animada por dentro. 'Esse é o famoso papo de amigos?'

Ela estava nas nuvens naquele momento. Mas, como uma boa amiga, ela precisava dar um conselho bom a Kaden, então, com olhos profundamente focados, como se encarasse seu maior inimigo, ela respondeu:

"Você está certo. Trampar, por si só, não é algo desprezível. Assim como força física, é apenas uma maneira de vencer e proteger a si mesmo."

Ela fez uma pausa, olhando para o sol brilhante, tingindo de laranja no alto, cujo brilho permeava a floresta num quadro mágico de verde e fogo.

Depois, continuou: "Mas pra mim, talvez porque nasci numa família que tramava até para capturar crianças inocentes… tramava pra ligar seus próprios membros à sua vontade… Talvez por isso eu não goste e prefira o jeito dos Guerreiros de Guerra."

Ela explicou seu ponto, e Kaden assentiu em compreensão.

"E quanto à sua pergunta, acho que você entendeu errado, Kaden."

Vaela sorriu, levantou-se e se virou para ele.

De costas para o sol, com sua luz dourada ao redor, ela parecia menos uma mulher desse mundo grotesco e mais uma deusa imortal descendo para engraciar o reino mortal.

Ela era uma visão deslumbrante.

A beleza de Vaela era realmente incomparável.

O coração de Kaden pulcou uma batida quando ela sorriu brilhantemente, os olhos ainda carregando aquela centelha de loucura que fazia seu corpo tremer de medo. Então, devagar, ela parted os lábios,

"Você quer eliminar minha família, mas… esqueceu quem é minha família?" ela perguntou, fazendo os olhos de Kaden se arregalarem levemente.

Seu sorriso se alargou ainda mais.

"Sim, Kaden, você é minha única e verdadeira família. E, quanto à sua pergunta, se vou ajudar a eliminar um bando de insetos tramadores…"

Naquele instante, o tempo pareceu congelar. O próprio espaço se recusou a se mover. A flora e a fauna ao redor pareciam pausar sua fotossíntese só para as próximas palavras… palavras que mudariam a dinâmica dentro de Waverith e além.

"…nem valeria a pena perguntar. Eu faria qualquer coisa por você."

Kaden a olhou fixamente, depois virou a cabeça para o céu. Mas, desta vez, sua voz não era sem vida — era radiante, quase separtando-se de emoção própria.

"Eu… finalmente consegui minha mãe de açúcar?" perguntou, com tom vacilante, quase a chorar.

Vendo-o agir de modo tão dramático, Vaela riu com amusem profundo e piscou.

"O que é uma mãe de açúcar?"

—Fim do Capítulo 194—

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