Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 195

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

O que veio a seguir foi uma sequência de acontecimentos que ninguém — em ambos os mundos — poderia sequer começar a entender.

Um Warborn e uma Cerveau, sentados lado a lado no fundo de uma floresta verdejante, uma floresta que parecia ter pegado fogo sob o brilho do sol que pairava alto, ambos empoleirados no topo de uma rocha gigante embutida em um rio cristalino, de fluxo interminável.

Suas aparências eram profundamente contrastantes.

A mulher era mais idosa, com olhos parecidos com quem tinha visto de tudo — palavrões, crueldades, horrores que o mundo podia oferecer. Seus cabelos eram azuis, mas não um simples azul celeste de inocência infantil. Não… seu azul cintilava como cachoeiras iluminadas pelo sol, místico e difícil de definir.

E seus olhos… eram algo completamente diferente.

De outro mundo. DEMAIS lindos, demasiado alienígenas, divinos até para descrever com a linguagem comum que conhecemos.

Resumindo, parecia que o próprio conceito de azul nasceu por causa dos olhos dela.

Ela vestia um vestido branco, estilo vitoriano, bordado com finos fios azuis entrelaçados para formar padrões intricados de lótus e olhos vigilantes.

Ela era… etérea.

O homem ao lado dela era exatamente o oposto.

Mais jovem, sem a sabedoria ancestral se escondendo por trás de seu olhar.

Em vez disso, seus olhos vermelhos como sangue queimavam com algo selvagem e consumível… uma fome de devorar, de tomar, de colher.

Havia imprudência neles, sim, mas também uma determinação firme, um fogo que não podia ser apagado, só redirecionado.

Seu cabelo era memoravelmente preto, sedoso e que absorvia a luz, caindo um pouco além dos ombros. Sua roupa era uma túnica preta simples, sem adornos nem particularidades.

Eles eram, claro…

Vaela Cerveau, também conhecida por muitos como A Vidente.

Kaden Warborn, também conhecido por todos como O Colheitador.

Um parecia demasiado perfeito, quase inalcançável neste mundo sujo.

Outro parecia demasiado profano, monstruoso demais para andar livremente nesta realidade já amaldiçoada.

São dois seres que, na verdade, não deveriam sequer se reconhecer, quanto mais sentar-se juntos para discutir, rindo e brincando como velhos amigos do ensino médio que se reencontram após a crueldade do mundo dos adultos.

Era uma visão que impressionava.

Kaden desviando o olhar, os lábios torcida, a voz vacilando enquanto tentava, constrangido, explicar o conceito, enquanto os olhos neon de Vaela brilhavam com uma empolgação tão sincera que parecia que ela estava sendo contada a verdade do oitavo marvel do mundo.

Por fim, ela se ergueu orgulhosa, de olhos fechados, com um sorriso radiante se espalhando pelo seu rosto de beleza arrebatadora, enquanto colocava uma mão no peito e declarava:

"Serei sua Mamãe Sugar."

Kaden não resistiu e deu uma risadinha.

Vaela era inocentemente mal-intencionada, uma criatura que podia agir como uma criança descobrindo alegria num momento e, no seguinte, se transformar em algo tão assustador, tão enlouquecido, que dava até calafrios em Kaden, fazendo até seu sangue de Warborn congelar.

Ela era uma confusão imprevisível.

Um nó que agora ele tinha que desenrolar.

Depois dessa brincadeira, finalmente começaram de verdade a conversa, sobre como lidar com a Cerveau.

Foi aí que Kaden propôs criar uma organização. Uma entidade destinada não só a reunir informações, mas também a executar tarefas nas sombras, longe da luz, nos cantos esquecidos do mundo onde nenhuma lei chegava e nenhuma misericórdia existia.

E foi nesse momento que Vaela provou que ainda era uma Cerveau… e ainda era A Vidente.

Ela ouvia com uma atenção desconcertante, depois sugeriu várias ideias para tornar a organização mais realista, mais funcional, mais concreta, baseando-se diretamente na visão crua dele.

Primeiro, ela insistiu na anonimidade. Os membros não poderiam saber as verdadeiras identidades uns dos outros. Era crucial, ela explicou, se quisessem coletar e trocar informações livremente.

Depois, propôs o uso de nomes de código, nomes pelos quais se chamariam, ou até nomes que o mundo inteiro viria a conhecer.

Nesse momento, Kaden — realmente confuso — parou, olhou para ela e perguntou, diretamente, por que ela se incluía na organização dele.

E, meu Deus… vocês deveriam ter visto a expressão de traição no rosto dela.

Ela desempacotou uma tremenda crise de birra.

Entrou em uma explicação dramática e elaborada de que amigos fazem tudo juntos e, claro, ela tinha que fazer parte daquilo.

Foi tão longe que até escolheu seu próprio nome de código na hora:

"A Amiga do Colheitador."

Kaden rejeitou imediatamente. Sem hesitar. Sem negociar.

E, com o brilho nos olhos, Vaela soube que ele estaria disposto a morrer antes de aceitar aquele nome.

Fechada, ela desistiu e pediu para ele escolher um nome para ela e para os demais também.

Agora, Kaden era um homem simples. Dizer que ele era ruim com nomes seria pouco. Ele tinha uma grande habilidade em piorar nomes.

Então, pegou as primeiras ideias que vieram à cabeça para os três membros.

Para Nasari, a primeira coisa que veio foi irônico, considerando sua situação: Cavaleiro Arruinado.

E assim ficou seu nome de código.

Para Alea, o que ecoava na sua cabeça era Abominação Mascarada.

Ela tinha se tornado linda, sim, mas, no fundo, ainda era uma fera da morte.

E para Vaela… bem, aí ficava mais difícil.

Porque, se Kaden dissesse o que realmente vinha na cabeça, ele sabia que ela iria entrar em um colapso, indo de uma cara de feia para algo ainda pior.

Ele não tinha certeza do que exatamente aconteceria, mas não queria descobrir.

Ele não se importava com a morte. Mas preferia manter sua mente intacta.

Então, após um momento de reflexão cautelosa, escolheu um nome vago, misterioso, mas que combinasse:

A Oráculo da Morte.

E Vaela amou.

Depois que tudo foi decidido, ainda tinham que dar nome à organização, seu símbolo, seu lema.

Algo que os definisse.

Nesse ponto, Kaden já estava exausto. Mas mordeu os lábios e seguiu forçando sua mente a pensar nos detalhes “ inúteis” — embora, no fundo, ele soubesse que eles não eram inúteis nem um pouco.

Depois de alguma dificuldade, ele conseguiu criar o nome:

Véu Rubro.

O símbolo era um par de olhos vermelhos como sangue, com lágrimas de sangue escorrendo como pequenos rios.

E quanto ao lema…

…bem, essa foi a parte que quase fez Kaden amaldiçoar em voz alta de tanta frustração.

Toda vez que ele propunha algo, Vaela balançava a cabeça lentamente, com uma expressão de pura decepção fria, como se estivesse assistindo alguém falhar em um quebra-cabeça feito para crianças.

Finalmente, cansado, Kaden lhe ordenou que ela mesma criasse um lema.

E, como se estivesse esperando por aquele momento desde o começo, seu rosto instantaneamente se iluminou com um sorriso largo e radiante.

Ela perguntou sobre a natureza do poder dele.

Kaden respondeu de forma simples, sem entrar em detalhes, algo ligado a sangue… e alma.

Vaela sentou-se na terra ali mesmo, completamente indiferente à sua roupa, mergulhando em um silêncio profundo.

Ela buscava uma coisa digna.

Digna de seu único e verdadeiro amigo.

Após algum tempo, seus olhos começaram a brilhar.

Uma luz surgiu dentro deles — como se ela tivesse sido perfurada por uma visão divina, como se uma antiga verdade tivesse retornado de uma vida passada ou de um mundo esquecido.

Ela pulou de pé, cheia de alegria, como uma criança encontrando algo sagrado, e correu para Kaden, repleta de empolgação.

"Encontrei uma!" ela disse, extasiada.

Sem dar tempo para ele reagir, começou a falar.

E sua voz, que antes era brincalhona, ficou séria.

Ela caiu em um tom tão poderoso, tão impactante, que por um instante, a respiração de Kaden foi roubada.

O ar ficou imóvel. O mundo parou.

E suas palavras ecoaram como a voz de uma deusa através do tecido da realidade, penetrando algo muito além do som comum.

"Ele reivindica todo sangue. Ele roubam todas as almas.

O Colheitador atravessa o véu…

e com ele…”

Ela fez uma pausa.

E, nesse momento, seus olhos incendiaram em vermelho escarlate, uma luz sinistra florescendo por trás deles, como uma gota de sangue carmesim splashed em um mar de azul.

"…e com ele, um oceano de sangue."

Aquele dia…

O Véu Rubro nasceu… de uma Cerveau e um Warborn.

O destino, de fato, era brincalhão.

—Fim do Capítulo 195—

Comentários