
Capítulo 191
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O poder da previsão… que poder incrível.
Era um poder que podia fazer alguém ser temido, porque, se você soubesse o que iria acontecer no futuro próximo ou distante, não estaria dois passos—ou até mesmo um quilômetro—à frente de qualquer adversário?
Depois de tudo, não dizem que conhecimento é poder?
Bem, isso é meio verdade.
Porém, havia uma família que levava essa frase um pouco a sério demais. Uma família disposta a fazer qualquer coisa para obter o máximo de informações possíveis, mesmo que isso significasse controlar as mentes de bilhões, sequestrar crianças inocentes para treiná-las como assassinas e espiãs por meio de uma lavagem cerebral implacável, ou até… usar seus próprios familiares como meras ferramentas amaldiçoadas.
Esse era o tipo de família em que Vaela Cerveau, também conhecida como a Vidente, nasceu.
Uma família que não a valorizava como pessoa, mas como uma ferramenta a ser usada para adquirir mais informações, mais conhecimento e, assim, mais… poder.
Ah… mesmo agora ela se lembrava vividamente do dia em que despertou. Ela já era extraordinária, seus olhos neon chamativos e cativantes. Mas, em vez de serem vistos como uma jovem promissora com um grande futuro à frente, tudo o que ela via em seus rostos eram olhos que mal a olhavam.
Não… eles já estavam pensando nas diversas maneiras de usar seu poder da forma mais eficiente possível.
E foi nesse tipo de ambiente que ela cresceu. Toda vez que tentava buscar algo mais do que aquilo—mais do que ser uma peça em seus intermináveis jogos de poder e controle… ela era escanteada, desprezada, negada até mesmo a menor atenção ou reconhecimento.
Ela queria mostrar que seu poder, sua habilidade de ver o futuro, não era tudo o que tinha para oferecer. Ela poderia oferecer mais. Poderia oferecer seu amor, seu respeito, sua compaixão ou até… sua própria vida.
Ela era, no fundo, uma mulher de família.
Mas, mais uma vez… não.
Tudo o que eles queriam era o seu poder, e nada mais.
Isso partiu seu coração como um vidro frágil.
E, ao finalmente aceitar isso, algo dentro dela mudou de forma permanente. Ela parou de buscar amor deles e passou a procurar por amor… em outro lugar.
Onde? Boa pergunta.
Mas a melhor pergunta seria… onde mais?
No próprio pensamento, é claro.
Darklore—or até mesmo Fokay—não tinha livros de romance, não tinha romances que pudessem ajudar você a escapar, nem que fosse por um breve momento, da cruel e maligna realidade do mundo. Então, tudo o que Vaela podia fazer era ficar dentro do seu quarto e imaginar o dia inteiro uma família. Uma família amorosa.
Uma que a aceitasse exatamente como ela era.
Uma que a amasse.
Que estivesse ao seu lado nos momentos difíceis e comemorasse com ela nos momentos felizes.
Que a repreendesse quando ela errasse e a elogiasse quando estivesse certa.
Sim… uma família.
Só isso.
Simples, não é?
Sim. Algumas pessoas que nascem em famílias felizes nunca conseguem compreender de verdade o peso de um desejo assim.
E elas não podem ser culpadas, como poderiam?
Só entende a importância de algo quem o perde ou quem nunca o teve de fato.
Um homem com uma fortuna descomunal pode dizer que dinheiro não é grande coisa, que vai e volta. Mas diga isso a um homem que luta para pagar o aluguel de uma casa maltratada, que nem ousaria chamar de lar, e ele certamente diria que dinheiro realmente vem e vai—mas para ele, ele quase nunca vem, e quando vai, vai de forma abundante.
Essa é a realidade do mundo.
A vida não é justa.
E tudo isso leva a uma única verdade…
As pessoas desejam o que lhes falta.
Vaela não tinha uma família. Então ela desejava uma. Queria uma de verdade. Não como a Cerveau, que só a via como uma ferramenta.
E nessa busca, ela encontrou uma família que encarnava tudo que ela desejava.
Os Warborn.
Um bando de brutamontes, mas estranhamente—ou talvez não—Vaela os amava.
Porque eles eram leais, porque se amavam, porque tratavam uns aos outros com uma proteção feroz que só sangue e laços podiam criar.
Você poderia matar um membro da Cerveau, e eles só reagiriam porque o orgulho frágil deles tinha sido ferido, e mesmo assim, sua resposta seria se esconderem dentro de suas fortalezas e planejarem vingança.
Mas toque um Warborn, e no dia seguinte—não, melhor dizendo, no mesmo dia—you would see an army of soldiers clad in blood-red armor, their every step shaking the world in fury, ready to sing with their steel while they carpeted the ground in severed limbs, organs, and blood.
Sim… era isso que ela queria. Era isso que ela ansiava.
Mas como?
Parecia que o destino estava ao seu favor.
De repente, um incidente surgiu diante deles…
O Emissário da Morte.
Você achava que Kaden, um Intermediário, poderia se esconder de Vaela Cerveau, uma entidade além do nível Grande-Mestre com uma Origem Lendária na profecia?
Isso era pura tolice.
De fato, ela não conseguia vê-lo claramente. Seu rosto estava velado, coberto pela morte. E, toda vez que ela o encarava, a situação mudava—não… era como se o próprio mundo fosse diferente, como se eles estivessem em inúmeras outras realidades… realidades tecidas pela morte em si.
Era estranho, confuso, mas, entre todas essas visões mutáveis, havia uma coisa constante a respeito do homem chamado o Emissário da Morte.
Olhos vermelhos como sangue.
Olhos tão ensanguentados que pareciam um oceano mórbido de gore, pronto para abraçar tudo em suas profundezas sem fundo.
Esse tipo de olho só era visto em uma família.
E, como alguém com percepção e instintos aterrorizantes, aguçados pela profecia, e com um interesse especial nos Warborns—Vaela fez a conexão imediatamente entre o Emissário da Morte e… Kaden Warborn.
Dain não era uma opção viável. Garros, ainda menos. E Daela? De jeito nenhum.
Então, só podia ser Kaden.
Claro, ela não tinha certeza. Mas agora… observando como o corpo do Emissário da Morte reagia às suas palavras, ela tinha certeza.
O Emissário da Morte era…
"…Kaden Warborn." ela disse, seu rosto curvando-se em um sorriso, como se tivesse finalmente encontrado o que buscava há tanto tempo.
Kaden ficou em silêncio, encarando Vaela com olhos tremendo sob o capuz.
'Droga! Desde o começo eu senti que havia algo errado… eu sabia…' ele pensou desesperadamente, tentando encontrar uma saída.
"Interessante," disse Vaela, sua voz carregada de curiosidade. "Um Warborn, ainda só no nível Intermediário, que matou muitos de nós. E conseguiu até salvar sua irmã das mãos de um Grande-Mestre."
"Impressionante… mas você acha mesmo que consegue sair daqui do mesmo jeito?" ela perguntou, seu tom claramente divertido.
"Aposto que não vai tentar isso e vai me responder… pode me dar o que quero?"
Kaden não se moveu. Ele sabia muito bem que não poderia fugir daqui. Nem vivo nem morto. Observando o quanto ela parecia obcecada, essa mulher poderia mantê-lo aqui até que lhe desse uma resposta.
Isso era óbvio, pois ele sentia o cenário ao redor se deformando, se dobrando, mostrando flashes de visões aterrorizantes que faziam sua coluna gelar antes de tudo voltar ao normal novamente.
Ele amaldiçoou.
'Atalhado… rápido demais…' pensou, o arrependimento atravessando-o por ter vindo até aqui. Mas o que foi feito, está feito.
E nem tudo tinha acabado. Ainda acreditava que inimigos poderiam se tornar aliados, desde que houvesse algo a ganhar com isso.
Agora ele sabia o que Vaela queria. Ela queria uma família. Mas…
'Como diabos vou te dar uma família? Vá procurar um homem e ter um filho, pelo amor dos deuses.' Kaden quase soltou um monte de palavrões, mas se esforçou para manter a calma—pelo menos tentou—enquanto fixava o olhar em Vaela, que observava atentamente, esperando sua resposta.
Ele rangeu os dentes, então deixou totalmente de lado sua máscara, revelando seus cabelos pretos e olhos vermelhos como sangue. Respirando lentamente para acalmar seu coração trêmulo, Kaden abriu os lábios secos.
"Uma família… é isso que você quer?" ele perguntou, forçando sua voz a permanecer calma.
"Sim." Vaela respondeu de forma breve, claramente querendo que ele parasse de rodear e fosse direto ao ponto.
Kaden engoliu uma saliva inaudível enquanto um sorriso irônico se formava nos seus lábios.
"Seu desejo é… vago, minha senhora. Você pode ter uma família por relação de sangue, mas também pode considerar alguém como familiar sem sangue. Pode ser um amigo, ou até… um animal. Uma besta."
Ao ouvir isso, os belos olhos neon de Vaela se arregalaram sutilmente, como se fosse a primeira vez que realmente pensasse na ideia de família desse jeito.
Uma luz estranha surgiu em seu olhar. Uma luz distorcida, que revelava o quão profunda era sua ânsia por essa palavra.
Kaden estremecia ao vê-la, mas, ainda assim—vendo que funcionava—ele ousou dar o último passo.
"Acho que você não estaria disposta a criar uma família comigo, mas…"
Sorrindo suavemente, forçando sinceridade e honestidade em cada fibra de sua expressão, ele finalizou:
"…eu posso ser um amigo seu. Aquele que vai estar ao seu lado, mesmo quando o mundo inteiro te rejeitar."
Ele disse isso, e, dentro de sua cabeça, sua voz gritou…
'Por favor… acredite em mim!!!'