Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 198

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A sala estava impregnada de uma tensão não dita.

Comparada à última, em que nada fora do comum havia acontecido, o cômodo em que estavam agora era grande o suficiente para acomodar um acampamento de treinamento inteiro, sem problema algum.

Havia cinco camas grandes cobertas com lençóis feitos do tecido mais fino — confortáveis, duráveis — e cada uma delas tinha uma cor e um clima que refletia seu dono. O teto era de um cinza claro, e embutido nele havia um lustre que exalava uma luz suave o suficiente para iluminar toda a sala com seu abraço gentil.

O chão era de pedra dura, tão liso que, um passo errado, e você poderia escorregar, cair de costas, e acabar se esfregando nas costas enquanto amaldiçoava a dor que tava sentindo.

Num canto, ficava uma escrivaninha de metal resistente, intrincada como uma moderna, com uma cadeira encaixada sob ela. Sobre ela, tinha uma vela com uma pequena labareda azul que tremeluzia. Uma mesa que nunca era usada.

Tinha também uma cozinha. E você nem ia acreditar quem a usava com mais frequência — ou melhor, quem era o único a usá-la…

Tristão, o Covarde.

Aquele cara poderia facilmente ser chamado de chef de seis estrelas em qualquer grande restaurante lá na Terra. Ele era tão bom que Saul precisava se controlar pra não dar uma surra nele toda vez que estivesse irritado.

Resumindo, cozinhar era o álibi de Tristan. Ele podia fazer piadas horríveis às custas de alguém, prometer uma refeição e, mesmo assim, ser perdoado.

É assim que Tristan era sorrateiro.

Também tinha um banheiro, grande suficiente pra eles todos entrarem ao mesmo tempo, mas claro que nunca fariam isso, especialmente com uma garota entre eles.

Na verdade, Maryam sempre tinha prioridade na hora do banho. Os garotos davam todo o tempo que ela precisasse.

E vocês já sabem… quando uma mulher entra no banheiro, melhor procurar outra tarefa, porque, antes que ela saia, você já vai ter tempo suficiente para terminá-la.

O lugar deles era, sem dúvida, ótimo pra morar. Tinha tudo que precisavam e muito mais. Essa era a vantagem de subir na hierarquia.

Mas, neste momento, essa sala parecia um cemitério à noite — ninguém queria falar, ninguém queria nem respirar, com medo de despertar algum ancestral esquecido.

Zaki sentou-se na beirada da cama, com as mãos na cabeça, enquanto pensamentos giravam numa rotina de tontura dentro de sua mente.

Eles não tinham opção além de lutar, mas fazer isso de forma imprudente, sem um plano, seria suicídio.

Vencer ou perder não era a questão real aqui.

Zaki acreditava firmemente que poderiam vencer. Sem dúvidas.

Sabia que, só com fé, isso não bastaria, mesmo pra ele. Se a diferença de poder fosse muito grande, tudo se tornaria apenas uma megalomania, e isso…não daria certo.

Todo mundo tem limites.

Porém, Zaki sabia que tinham força suficiente pra enfrentar o grupo do Sharky. O que o preocupava de verdade era o Mestre por trás do Sharky.

Os Mestres eram aqueles que escolhiam os Jogos, que mantinham esse sistema subterrâneo funcionando de forma autossuficiente.

Ou seja, eram poderosos. Ou pela influência e dinheiro, ou pela força… ou por ambos.

E Zaki e seu grupo prefeririam não ter alguém assim nas redondezas. Se esse alguém quisesse chegar perto, eles morriam.

Sem dúvida alguma.

"Eu não quero morrer," disse Tristan, a voz tremendo de medo. O rosto dele já estava suado, os olhos wavendo freneticamente, como se procurasse uma saída pra toda aquela confusão.

Ninguém respondeu. Agora eles já estavam acostumados às atitudes covardes dele.

"Alguma ideia, gente?" Zaki perguntou baixinho.

"Deixe-me tentar—!"

"Prefiro ideias que não envolvam você se entregando a eles, Maryam." Zaki a interrompeu com firmeza, já sabendo onde ela queria chegar.

Ela queria se sacrificar pelo grupo do Sharky e poupar todos de uma luta.

Mas…

"Garotinha, fica aí. Nós vamos resolver isso," disse Azad, com um sorriso tranquilizador.

Saul deu uma olhada preguiçosa pra ela, ergueu o polegar — bem lentamente — e assentiu.

"S-Sim! Não vá, como eu vou me curar então?" Claro, isso só poderia ser coisa do Tristan.

Maryam mordeu o lábio ao ver todos os garotos carregando a responsabilidade com ela. Ela via nos olhos deles que nenhum deles a culpava, nenhum deles sentia ressentimento pela situação.

Seus olhos brilhavam, e ela virou rapidamente o rosto de lado, enxugando as lágrimas que já escorriam. Mas seu corpo tremia, enquanto emoções borbulhavam como água fervente dentro do peito, a garganta seca e o desejo de chorar dominando os sentidos.

Ela tentou se conter…

Mas não conseguiu.

Quanto mais tentava parar, mais rápido as lágrimas vinham. Logo, Maryam estava engasgando com a própria respiração, soluçando enquanto as lágrimas desciam como cachoeiras.

"Me desculpa! Eu não queria chorar… desculpa...!" ela soluçou, com a voz partida, desesperada para apagar as próprias lágrimas e sentindo-se culpada por estragar aquele momento com seu choro incessante.

Os meninos olhavam pra ela, com o coração cheio de algo que não conseguiam explicar — uma sensação que compartilhavam naquele momento.

Só um pensamento ecoava.

Como podem deixar uma mulher tão pura e inocente cair nas mãos daqueles tubarões?

Nós não poderíamos. Não iríamos.

Não importava se teriam que enfrentar um Mestre.

Não importava se suas vidas virariam um inferno.

Não importava se pudessem morrer e perder tudo que valorizavam.

Não. Isso não importava.

Neste lugar de pesadelo onde vidas eram apenas itens de consumo, descartáveis. Onde seres humanos, com emoções, vontades e objetivos, eram reduzidos a objetos de entretenimento. Neste lugar miserável, até o homem mais honrado era transformado no mais desprezível —

Um ser como Maryam era raro.

Por isso… ela valia ser protegida.

Depois de tudo, seja admitindo ou não, percebendo ou não… Maryam era como a estrela sagrada que brilhava forte na escuridão do pesadelo deles.

Eles não podiam se dar ao luxo de perder essa luz.

Todos se levantaram e caminharam junto em direção a Maryam.

Zaki se agachou à sua frente, encarando diretamente seu rosto cheio de lágrimas e meleca. Pegou suas mãos delicadamente.

Ele sorriu.

"Você é uma chorona, Maryam."

"Pois é, não toma meu lugar. Eu que devia ser a chorona aqui," disse Tristan, acomodando-se ao seu lado direito.

"Sim," acrescentou Saul, apenas, ao lado esquerdo dela. Um doce no coração.

"Garotinha, não chore. Antes que eles cheguem até você, terão que passar por nossos corpos primeiro," disse Azad, com uma voz calorosa e brincalhona.

"E mesmo assim… vamos puxá-los junto com a gente, direto para o fundo do inferno," rosnou Tristan, com uma expressão feroz.

De imediato, o silêncio caiu na sala. Todo mundo virou-se pra ele — até Maryam — com os olhos arregalados de choque, como se não pudesse acreditar que Tristan havia dito aquilo.

"Isso é um sonho? Me belisco."

"Ora, acho que estou ficando velho, porque estou ouvindo besteira."

"Chorei tanto que estou tendo alucinações?"

"Droga."

Os lábios de Tristan se contorceram enquanto ele virou a cabeça para trás.

"Ninguém mais me deixa parecer descolado…" murmurou baixinho, fazendo o grupo explodir em risadas, com a atmosfera tensa e triste desaparecendo como névoa de repente.

Podem até enfrentar desastre no futuro. Algo que possa destruí-los. Algo que os quebre em mil pedaços.

Sim, tudo isso era possível.

Mas ainda assim…

Eles tinham um ao outro. E iriam resistir a todas as provas que viessem.

Tudo pelo objetivo deles.

Sim…

Eles tinham que lutar.

Darklore — Território de Elamin.

Em outro lugar…

Dentro de um campo de treinamento aberto, com pisos de pedras elementais que brilhavam em várias cores, duas mulheres lindas — surpreendentemente parecidas — ficaram frente a frente, com expressões severas e afiadas.

"Se quer voltar pra Fokay, primeiro tem que me impressionar." A voz de Mayari carregava sua habitual firmeza, enquanto seus olhos violetas brincavam com relâmpagos sutis, tornando-a ainda mais ameaçadora.

Meris apenas assentiu, com uma expressão fria como gelo.

Era modo de treino dela.

Mayari sorriu, levantou um dedo e apontou para o céu.

"Vamos lá. Eu vou puxar um pouco mais leve, minha filha."

Ela sorriu maliciosamente. E, de repente, o céu claro do campo de treinamento escureceu instantaneamente, nuvens roxas se acumulando acima, enquanto relâmpagos dançavam nelas como serpentes se enrolando agressivamente em torno de sua presa.

"Cai."

A voz de Mayari soou como de uma deidade catastrófica.

De repente, um raio roxo zuniu pelo ar, atravessando o céu com fogo, queimando tudo antes de atingir Meris sem dó.

Um estrondo de impacto veio logo depois, uma nuvem de poeira levantou-se, relâmpagos zumbiam enquanto o chão tremia debaixo do golpe.

—Fim do Capítulo 198—

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