
Capítulo 197
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Rea observava atentamente a descrição de sua missão de evolução, seu corpo tremendo de leve ao perceber a gravidade daquela tarefa.
De fato, ela relia o texto várias vezes, procurando por algo de errado ou algo que pudesse ter esquecido… porque, como ela deveria suportar todos aqueles medos, inseguranças, a dor e os pecados dos prisioneiros, que chegavam às centenas, só por uma missão de evolução?
Como poderia ser uma missão única para um Despertado?
"C-Como… como vou conseguir fazer isso?" Sua voz revelava um tremor, demonstrando o quão profundo era o terror que ela sentia.
Pois, nesta missão, A Vontade obrigava Rea a enfrentar a dor dos outros, ao invés de simplesmente desligar seus sentimentos e agir mecanicamente, como vinha fazendo com suas tarefas dentro da igreja.
Não… A Vontade queria que ela sentisse a dor.
Queria que ela carregasse cada tristeza, se afogasse em cada insegurança, desabasse sob cada trauma e pecado, e ainda assim se levantasse mais forte.
Talvez destruída. Talvez com alguma coisa completamente destruída dentro de si. Talvez com a mente e as emoções distorcidas, tornando-se algo assustador. Talvez ela mesma se tornasse algo completamente diferente.
Algo… irreconhecível.
Mas, no fim, a missão de evolução sempre tinha o mesmo objetivo: tornar o ser mais forte, transformar você na pessoa que deveria ser.
Não importava o quão horrível — por dentro, por fora, ou ambos — você pudesse se tornar após o teste.
Então, no final, Rea seria… lamentavelmente melhor.
Vale a pena?
O sorriso de Rea se curvou. O sorriso que ela tinha aprendido a mascarar tão bem após todos aqueles dias na igreja.
Era um sorriso que poderia fazer até o maior rei recuar ao vê-lo.
Afinal, era…
…um sorriso de tristeza.
"Eu vou fazer isso", ela murmurou, os olhos se tornando mais firmes, mesmo enquanto tremia como uma folha ao sabor de uma tempestade de dor.
Porém, ela não se importava com seu medo.
No final, ela tinha um objetivo a alcançar.
E estava pronta a arriscar tudo para consegui-lo.
Tudo.
Até mesmo a si mesma.
Sim… até… ela mesma.
À medida que sua vontade se fortalecia, uma pequena lágrima negra escorreu pela sua bochecha direita, que ela mecanicamente limpou, enquanto sua mente se preparava para enfrentar sua missão.
…
Fokay — Jogo Underground da Liberdade.
O tempo passou desde aquele dia em que Zaki mostrou a todos que era o Céu. Foi algo que aconteceu no calor do momento, sem planejamento prévio.
Mas aquele evento os aproximou de seu objetivo de liberdade — ou assim pensavam.
O objetivo deles era ganhar mais prestígio dentro do Jogo, e com isso, seu ranking evoluiria, permitindo que eles conseguissem mais informações sobre esse mundo underground, quem sabe, algum dia, ajudando-os a escapar dele.
Porque sim, nem todo participante tinha o mesmo nível. Afinal, seria injusto colocar Despertados contra Intermediários.
Os Mestres por trás do Jogo queriam algo sangrento, mas também divertido. Claro, seria emocionante ver Despertados lutando contra Intermediários e assistindo todos serem massacrados como porcos inúteis, mas, com o tempo, isso ficaria monótono.
Por isso, eles dividiram os grupos.
O nível ia de E até A.
Não por bondade… mas para aumentar a diversão.
Porém, mesmo o nível não determinava totalmente a competência de uma pessoa. Isso seria muito entediante.
Existiam exceções. Pessoas de nível baixo, mas com habilidades excepcionais. Essas poderiam ser aceitas para avançar de nível.
Como Zaki Caelion e seu grupo.
Cobre o destino ou o que for, mas todos eles eram surpreendentemente bons.
Zaki já era bem conhecido. Muitos poderiam achar que ele não era digno, mas seu talento era indiscutível.
Tristão, o covarde, era o inimigo que mais assustava nas lutas one-on-one. Um covarde de coração, sempre encontrando um jeito de fugir, esquivar e sobreviver. Seu poder era simples — reflexos rápidos.
Se tentasse matar, acabaria xingando enquanto perseguia, sem nunca conseguir acertar de verdade.
Saul, o sombrio, nunca se preocupava com nada. Só queria dormir, e, quando não havia o Jogo, era exatamente isso que fazia.
Você realmente não conseguiria convencê-lo a fazer outra coisa. Mesmo conversar com ele era uma tortura — o homem falava tão devagar que você podia fazer outras tarefas e terminar antes mesmo dele completar uma frase.
Sim… naquela lentidão toda.
Porém, mesmo assim, ele era forte. Seu poder, ironicamente, tinha relação com sua voz. Ele podia fazer as coisas desacelerarem com ela.
Resumindo… uma variação de manipulação do tempo.
Depois, tinha Azad, o corpulento homem de meia-idade, a voz da razão do grupo. Sempre falando sobre os mistérios da vida para as quatro crianças.
Podia parecer entediante ou incômodo, mas Azad gostava de falar sobre tudo aquilo, mesmo que não entendessem completamente. Ele acreditava que um dia entenderiam, e que isso poderia ser útil.
Era apenas… um velho tentando transmitir o pouco de sabedoria que tinha. Mas seu poder era o oposto de sua natureza gentil e cuidadosa.
Potencial de força.
Na batalha, era um monstro — um homem capaz de fazer o chão tremer com um passo.
E, por fim, Maryam… a única garota, a tímida.
Ser a única menina fazia os outros homens, surpreendentemente — ou talvez não tanto —, se protegerem dela. Nenhum outro grupo se atrevia a fazer algo com ela.
Alguns até tentaram, mas com Zaki sempre murmurando que era forte de forma assustadora, Tristan pronto para dar o bote e fugir, Saul pronto para fazer parecer que o tempo parou com sua voz, e o velho com braços do tamanho de bigornas, que podia cortar a cabeça com um movimento só, como se seus braços fossem facas…
…bem, eles aprenderam a lição rapidamente.
O poder de Maryam era a razão de eles continuarem de pé, de continuarem sendo imprudentes.
Ela era uma curandeira.
E, neste inferno, uma curandeira era algo pelo que todos matariam.
E agora, Zaki e seu grupo receberam o rank C…
Mas surgiu um problema por causa da sua bela e tímida elfa.
"E-Eu sinto muito!!" disse Maryam, com culpa na voz, cabeça baixa, mexendo nervosamente os dedos no colo.
"Ei, não é culpa sua, Maryam. São eles que querem te cobiçar. Isso é algo que não podemos — e não vamos — aceitar", disse Zaki, com voz firme, pronto a fazer qualquer coisa para protegê-la.
A face de Maryam ficou vermelha ao ouvir aquilo. Ela abaixou ainda mais a cabeça, levantou as mãos para esconder o rosto, desesperada para disfarçar o constrangimento.
"Não é hora—"
"Por favor, Saul, não fale. Você está atrasando a conversa. Basta concordar ou escrever o que quer dizer, talvez seja mais rápido." interrompeu Tristan, com tom zombeteiro.
Mas tudo mudou quando Saul lançou um olhar sombrio para ele, com seus olhos negros profundos, fazendo Tristan imediatamente se esconder atrás de Azad, usando-o como escudo, o que fez o homem corpulento rir.
"Hahaha! Vamos focar no que importa agora, como lidar com o grupo do Sharky." a voz de Azad ficou séria no final.
"E o que mais podemos fazer?" Zaki deu de ombros.
"Só nos resta lutar. Ele usou seus pontos de liberdade para nos forçar a batalhar e apostar..." Zaki não terminou, mas todos entenderam.
Sharky os forçou a uma aposta. Ele colocou Maryam nesta luta. Se perdessem, ela seria dele, gostando ou não.
Essa é a crueldade dos pontos de liberdade. Podem ser conquistados ao completar jogos ou ao chamar a atenção dos Mestres.
E, no caso de Sharky, parecia que era a segunda opção, pois a quantidade de pontos gastos só para pegar Maryam era assustadora. Não poderia ter conquistado tudo só vencendo.
E ao lutar contra o grupo de Sharky, independentemente do resultado, estariam em problemas.
Se ganharem… iriam despertar a ira do mestre por trás do Sharky, tornando a vida já difícil ainda pior.
E se perderem… Maryam desaparece. Não será mais uma curandeira, mas uma companheira, uma amiga e… sua âncora.
Conforme a realidade se firmava, um silêncio tenso e incerto envolveu a sala escura.
Maryam tremia, mas seu rosto mantinha um leve sorriso, como se dissesse para eles não se preocuparem.
Os garotos ficaram em silêncio, os ombros pesados pelo peso repentino.
…não tinham escolha senão lutar.
E, ao lutar, iriam perder de alguma forma.
Que coisa patética.
Realmente…
…não tinham liberdade de escolha.
Tudo por causa de uns malditos pontos de liberdade.
Que ironia!