
Capítulo 182
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A luz era intensa, cegante e impressionante. Em uma floresta de trevas onde nem mesmo um fio de luz passava, uma radiância tão forte fazia muitas bestas fugirem assustadas, enquanto outras—intrigadas—se aproximavam.
Mas isso durou apenas um instante antes que todas recuassem. Porque o momento em que Kaden começou o processo de fundir duas Origens Lendárias relacionadas a sangue e morte… só um tolo se aventuraria a se aproximar de algo assim.
O cheiro era desolador, carregado com o fedor de sangue e morte. A pressão ao redor dele parecia que os céus estavam prestes a desabar e enterrar tudo sob eles. O espaço ondulava com poder e tensão, parecendo água turbulenta durante uma tempestade.
Ninguém ousava chegar mais perto—nem mesmo aquela besta Grandmaster, aquela que Kaden deveria encontrar para adquirir a Origem da Morte—ninguém se arriscou a avançar, pois o poder que sentia era como… algo profano prestes a nascer. E, honestamente, era inteligente o bastante para não se incomodar com uma entidade dessas.
Assim, cuidadosamente, ela recuou pelas sombras espessas, mantendo um olho em Kaden, esperando uma oportunidade de devorar aquela criatura… porque podia sentir… se conseguisse devorá-lo,
'Então eu evoluirei. Chegarei a um nível que ninguém nesta floresta alcançou.' pensou a besta, com os olhos brilhando como um predador esperando o momento perfeito para atacar.
Enquanto isso, Kaden estava envolto por um casulo branco pulsante e experimentava uma sensação que nunca havia sentido antes. Fundir duas Origens de rank Lendário era um evento maravilhoso, e seu próprio ser… estava sendo reescrito.
Antes, mesmo que conseguisse manejar a Vontade da Morte, não possuía uma habilidade que utilizasse realmente essa vontade. Mas agora, ele a sentia… tudo isso logo mudaria.
O processo durou algum tempo até ser finalmente concluído, e o casulo desapareceu, revelando Kaden em toda sua glória.
Sua aparência física não havia mudado muito, exceto que seus cabelos pretos pareciam mais escuros, como sombras, e seus olhos… antes, havia apenas pontos negros pouco visíveis nas íris, mas agora estavam tremendamente evidentes.
Isso lhe dava um visual muito distinto, especialmente combinado com seus olhos vermelhos como sangue.
Ele fechou os olhos, sentindo a mudança em seu corpo. Seu físico parecia mais resistente, sua mana mais pura e… mais terrível. Instintivamente, ele soube que sua mana não era mais neutra… ela tinha se tornado uma mistura de mana de sangue e de morte.
Sua percepção se expandiu como uma teia e percebeu algumas coisas que fizeram seus lábios se curvarem lentamente em um sorriso de leve conhecimento.
'Vamos ver primeiro o que eu consegui. Morte, mostre-me.'
[Origem: Imperador da Espada do Ceifador Rubro]
[Tipo: Arma – Espada]
[Classificação: Lendária +]
[Descrição: Você é o Ceifador do sangue dos vivos, o Ceifador das almas dos mortos. Seu caminho é marcado apenas pelo Massacre. Então levante-se, e mate, ó Ceifador Vermelho.]
[Habilidades: Reservatório de Sangue, Roubo de Vida, Chama do Ceifador]
Os lábios de Kaden se curvaram em um sorriso satisfeito. O que tinha obtido era muito bom. O Reservatório de Sangue permanecia, permitindo manipular o sangue livremente. Roubo de Vida era uma habilidade nova—que lhe permitiria roubar a vitalidade, a própria vida de seus inimigos.
'Essa habilidade é excelente. Cada golpe meu roubando a vida dos inimigos e somando à minha. Significa que, em uma batalha em grande escala, com sangue como meio de cura e esse Roubo de Vida… matar eu talvez se torne algo que ninguém testemunhará.' Kaden não pôde deixar de se sentir animado por dentro.
Essa habilidade era simplesmente perfeita.
Seguindo em frente, Kaden olhou para Chama do Ceifador. Essa habilidade era praticamente igual à Chama do Sangue anterior, onde ele queimava o sangue e a mana de seres e objetos. Mas desta vez… havia algo novo.
Agora, Kaden queimaria não só o sangue deles, já que sangue pode ser reposto com o tempo, mas também sua própria vida, algo que não pode ser recuperado, salvo por meios raros e especiais.
E, com a vida de cada rank sendo fixa… isso poderia ser aterrorizante.
Desta vez, um sorriso largo apareceu em seus lábios enquanto ele lentamente voltava sua atenção para uma determinada parte da floresta, sua percepção tingleava com perigo naquela direção. Era onde a besta Grandmaster estava escondida.
Kaden não era tolo. Não tinha escolhido passar pelo processo no meio da floresta à toa. Queria atrair a atenção da besta, e, felizmente, tinha conseguido.
Era imprudente, mas Kaden já tinha matado um Grandmaster—embora com muita dificuldade—e agora tinha confiança, e mais importante, a Morte era seu domínio.
Ele compreendia agora a importância da vida, e exatamente por isso, para proteger as vidas daqueles que amava… Kaden estava prestes a fazer um trato com um monstro.
Então, com um sorriso sutil, abriu a boca:
"Olá, eu sou Kaden Warborn, O Filho—!" ele interrompeu a frase de repente… então deu uma risadinha.
"Foi mal. Deixa eu começar de novo."
A atmosfera mudou instantaneamente enquanto morte e sangue começavam a perfurar a realidade objetiva, tingindo o mundo ao seu redor em um confronto violento e profano, de carmesim e preto.
Seus olhos começaram a brilhar com uma luz estranha, alienígena, que fazia a besta observadora sentir um calafrio invisível, mas a intensidade aumentou quando a voz de Kaden ecoou novamente… e desta vez, ela não soava como de um humano.
Não, parecia…
"Eu sou Kaden Warborn, O Ceifador Rubro. Quer conversar comigo?"
…como a voz de uma criatura aterradora que se alimenta tanto dos vivos quanto dos mortos.
O corpo da besta Grandmaster tremeu de medo, e, naquele momento, ela sinceramente se arrependeu de ter ficado para assistir.
…
Fokay – Jogo Subterrâneo da Liberdade
Sangue e morte.
Era tudo o que havia na arena. O chão estava rachado, cheio de buracos mais profundos do que o olho podia ver, espalhados com cabeças e membros de várias raças, seus órgãos espalhados pelo chão frio, tudo manchado de sangue.
Era impossível dar um passo sem pisar nos destroços de seus aliados ou inimigos caídos.
Era uma visão profana.
Parecia que o Inferno tinha sido libertado na terra.
E talvez… talvez fosse o Inferno. Pelo menos para alguns deles. E para Zaki.
Ele estava no chão, com uma ferida enorme nas costelas. Sangue jorrava como cachoeira, deixando sua pele pálida e seus olhos vidrados.
Ele não iria durar muito.
Ao redor dele, seus companheiros de cela ainda lutavam, ensanguentados e ofegantes, mas nenhum deles era fraco, então conseguiram resistir.
Ele era o único caído, incapaz de se mover…
"Você é tão patético."
…prestes a morrer.
Os gritos ensandecidos da multidão o deixavam ainda mais tonto enquanto ele engasgava com a própria respiração.
Zaki levantou a cabeça com enorme esforço, tentando olhar para seu oponente.
Uma mulher linda de pele negra, com cabelos vermelhos vivos e olhos negros penetrantes, estava de pé acima dele, olhando com desprezo e escárnio. Seu rosto estava coberto de sangue.
Ela se agachou, indiferente ao sangue ao seu redor, na verdade, parecia desfrutar da carnificina.
Pegando as adagas caídas de Zaki, apontou-as para ele, com uma expressão de zombaria.
"Tão patético. Não posso acreditar que alguém como você teve coragem de vir até mim e me pedir para te ajudar. Para quê?"
"Para escapar daqui? Hahaha." Ela riu alto, zombando.
"Você é burro? Acho que pareço alguém que quer escapar deste lugar? Eu adoro minha vida aqui. Posso matar quem eu quiser, posso dizimar todos vocês sem ser considerada criminosa. Por que diabos eu sairia desse paraíso, me diga? Você não vê tudo ao nosso redor? Sangue, órgãos trêmulos, membros cortados, corpos guspindo sangue enquanto morrem lentamente, com dor?"
O sorriso dela ficou ainda mais selvagem, mais louco.
"Não consegue ver como tudo isso é bonito? E mesmo assim, quer que eu saia daqui? Que idiota, hein."
Zaki篶 dentes, a raiva e frustração queimando por trás de seus olhos vermelhos como sangue. Mas ele não conseguiu falar, seu corpo afundava na dor.
"Mas essa é só a primeira razão," continuou a mulher negra.
"Me diga, acha mesmo que tem força para sair daqui? Que piada. Você é fraco. Sua vontade é pouca, sua liderança é risível, seu corpo é… lixo."
"Quem te deu coragem para me procurar?"
"Você é só um ser patético e miserável tentando se fazer maior do que é. Conheça seu lugar, sua minhoca de merda." Ela cuspiu com repugnância e levantou a mão, pronta para atacar.
Mas a mente de Zaki nem estava mais nela. Depois de ouvir aquela palavra…
Minhoca?
A palavra ativou algo primal dentro dele, algo que Zaki nunca soube existir.
Eu? Uma minhoca?
Zaki não podia acreditar no que ouviu. Porque essa palavra… ela era o oposto de tudo que ele tinha construído dentro de si.
Ele era o filho dos céus.
Com seu poder, com a forma como sobreviveu a cada jogo brutal—even que fosse quase morrendo—Zaki moldou sua própria crença em si mesmo.
E agora alguém ousa compará-lo a uma minhoca? A essa minhoca miserável, que se contorce e come fezes até morrer?
"Eu? Uma minhoca?"
Uma onda de raiva incontrolável cruzou-o enquanto encarava a mulher.
"Quem é o louco aqui, sua vadia. Uma minhoca? Você sabe mesmo quem eu sou?"
"Sou o filho dos céus, sua vadia. Não sou uma minhoca, sou o céu que você pode sempre ver, mas nunca atingir."
De repente, uma pressão enorme caiu sobre a arena, paralisando tudo. Todos os olhos se voltaram para Zaki, que lentamente se levantava.
A pressão era colossal. Era como se o próprio céu tivesse caído.
Pessoas começaram a cair de joelhos, incapazes de suportar aquilo.
A mulher negra foi a mais afetada—mas não era fraca, então não caiu—embora seu corpo se inclinasse, rangendo sob o peso.
Zaki finalmente se levantou, seu sangue ainda jorrando, mas seus olhos brilhavam com fúria divina. Olhou para a mulher e disse:
"Você tem o céu diante de si…"
"…Ajoelhe-se quando me olhar."
BOOOM!!!
Os olhos dela se arregalaram de horror enquanto a pressão sobre seu corpo se multiplicava. Seus joelhos bateram com um estrondo ensurdecedor no chão.
A multidão permaneceu em silêncio, até que…
"OOOOHHHHHHHHHHHHHHH!!!"
Um grito selvagem irrompeu, fazendo o chão estremecer de loucura.
Então, a voz vibrante e extasiada do apresentador ecoou pelo ar:
"Senhoras e senhores, uma salva de palmas para o número 11002, também conhecido como… O Céu dos Céus!!!"
E…
Um som ensurdecedor reverberou na arena, balançando o subterrâneo até as entranhas.
—Fim do Capítulo 182—