
Capítulo 181
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden olhou para o cadáver de Nasari com um olhar inquisitivo. O homem era o mesmo que ele tinha enfrentado lá na masmorra, com seus cabelos negros marcantes e traços faciais familiares.
Ele examinou o corpo e viu que, desta vez, não se tratava de restos ósseos cinzentos e quebrados. Assentiu, aliviado. Não era fã daquele visual.
Colocando a mão sob o queixo, Kaden pensou se seria capaz de suportar o peso daquele ser — mas, normalmente, deveria conseguir. Afinal, já tinha feito isso com dois mestres de pico excepcionais. Então, por que não com um Granmaster?
Sentindo-se confiante, decidiu iniciar o processo.
Após alguns segundos de preparação, Kaden colocou a mão sobre o corpo e sussurrou suavemente:
"Desperte."
O ar ficou parado, e uma pressão pesada e repentina permeou o espaço ao redor dele. A floresta, já escura, ficou ainda mais obscura enquanto uma luz negra, intensa e condensada, envolvia o corpo de Nasari como uma segunda pele.
Naque instante, Kaden sentiu uma conexão começar a se formar dentro de si, uma que ele reconhecia claramente de tempos atrás.
E, de fato, logo depois, os olhos de Nasari se abriram de repente, revelando um par de íris azul céu, cheias de confusão — por um momento — até que uma compreensão repentina iluminou seu rosto.
Kaden deu um passo para trás, para inspecionar melhor.
Nasari era alto — aproximadamente um metro e oitenta — com um corpo musculoso e robusto que parecia prestes a rasgar suas roupas brancas simples. Era razoavelmente bonito, com um ar de confiança e nobreza que parecia se prender a ele como um manto.
Ele se levantou lentamente, o corpo emitindo estalos que ecoaram forte pela floresta, enquanto seus membros se moviam como se seus músculos estivessem se ajustando após séculos de sono.
Depois, ele virou a cabeça e olhou diretamente para Kaden, seus olhos ainda como a superfície de águas calmas e indecifráveis. Ambos se fixaram por um breve momento em um silêncio quase desafiante, até que, lentamente e com respeito, Nasari se colocou de joelhos, com a cabeça abaixada e a mão direita pressada de forma solene contra o seu peito esquerdo.
"Saúdo meu Senhor, a Criança da Morte." Sua voz tinha um tom profundo e resonante, carregada de reverência, fazendo o próprio ar tremer levemente com sua gravidade.
Kaden inclinou a cabeça surpreso. Não esperava que ele falasse — afinal, os dois últimos que tinha revivido não tinham conseguido.
'Acho que não deveria me surpreender, considerando sua origem misteriosa,' pensou, assentindo levemente enquanto respondia:
"À vontade. Você se lembra de quem é? Algo do seu passado?"
Enquanto ainda estava de joelhos, Nasari mostrou uma expressão de vergonha, sua voz baixa:
"Que o senhor me perdoe, meu Senhor. Tudo o que lembro é do meu nome… Nasari Ai D'Kadavre. O resto está envolto em uma neblina espessa que minha lâmina modesta não consegue penetrar."
Os lábios de Kaden se curvaram suavemente, divertido com a maneira como ele falou.
'Será que era assim que ele era naturalmente, antes de ser corrompido…' pensou brevemente, depois descartou o pensamento e focou nas palavras de Nasari.
Na verdade, ele não ficou surpreso. Seria demais esperar que todas as perguntas dele fossem respondidas daquele jeito.
A vida, como todos sabemos, não é tão generosa assim.
Então, esfregando a leve frustração, Kaden observou Nasari de joelhos mais de perto e notou algo que quase — realmente, quase — fez seu sangue ferver de indignação.
"Nasari… qual… qual é o seu rank?" perguntou Kaden com um sorriso forçado, o dedo tremendo levemente.
A expressão de Nasari manteve-se composta, ainda carregando aquela postura digna e nobre.
"Meu Senhor, meu rank é apenas de Mestre. Minha lâmina ainda não está refinada… mas juro que vou forçar seus inimigos à submissão com toda força que habita em mim." Sua voz era carregada de orgulho solene, seu rosto completamente sincero.
Kaden teria rido do tom dramático de Nasari, mas estava ocupadíssimo segurando a vontade de xingar o céu.
'Morte… por quê?'
Não pôde evitar perguntar desta vez. Esperava obter um Granmaster que pudesse mandar, mas ganhou um Mestre?
E o pior é que sabia que não podia absorver mais mortos-vivos até sua alma ficar mais forte…
Como assim?
[Nasari é especial. Ele é um Morto-Vivo de Nome, como pode ver, consegue falar, possui emoções e vontade. Sua alma intermediária se despedaçaria se fosse revivido ao rank de Granmaster. E, como era para ser uma recompensa, não uma sentença de morte, A Vontade reduziu seu rank para algo que você pudesse suportar,] explicou pacientemente a Morte.
Mas Kaden não aceitou.
'Qual é a diferença entre um Morto-Vivo de Nome e um comum, além de falar estranho?' resmungou, mais incomodado do que irritado.
[Eles podem evoluir, ao contrário dos outros, que são fixos e nunca podem ultrapassar o pico do reino em que foram revividos.]
[Mas a única maneira de evoluírem é se alimentando.]
'Se alimentando… de quê?' perguntou, perplexo.
A Morte mostrou diretamente na sua frente.
[Nome: Nasari Ai D'Kadavre]
[Rank: Mestre]
[Título: Escudeiro da Morte]
[Habilidades: Honra do Cavaleiro, Espada do Escudeiro da Morte, Abraço da Morte]
[Material necessário para subir de nível: Espadas]
Kaden encarou a tela em branco, incapaz de processar completamente até que a voz de Nasari quebrou o silêncio.
"Meu Senhor…" falou timidamente, parecendo envergonhado do que ia dizer, mesmo assim com uma voz trêmula.
"Meu Senhor, sinto-me profundamente envergonhado em dizer palavras tão pouco elegantes, mas… estou com fome. Tenha misericórdia deste escudeiro esfarrapado."
Kaden o encarou, sério. "E… o que você gosta de comer?" perguntou, temendo a resposta.
O rosto de Nasari relaxou ao perceber que seu Senhor não estava bravo. Então, lentamente, com uma voz de gratidão, respondeu: "Espadas, meu Senhor."
Os lábios de Kaden se torceram. Ele levantou a cabeça mecanicamente para o céu escuro, pensando na sorte que tinha, considerando que a vida tinha sido tão injusta com uma alma tão honesta e misericordiosa quanto a dele.
Ele suspirou silenciosamente.
Olhou para seu anel de espaço e viu um punhado de espadas enferrujadas, mal preservadas, que tinha roubado na masmorra, e, justo quando ia entregá-las a Nasari para uma rápida refeição —
[As espadas que ele come podem determinar os diferentes atributos que ele pode obter, então escolha sabiamente,] ofereceu calmamente a Morte, antes de silenciar novamente.
Kaden observou Nasari, cujo rosto exibia um leve brilho de expectativa. Quase se sentiu mal por decepcionar um rosto tão sincero, mas…
"Desculpe. Não tenho nenhuma espada agora. Espere até voltarmos para casa. Por enquanto… volte para minha alma e descanse," ordenou, incapaz de resistir, Nasari se transformou em uma bola de luz negra e mergulhou no corpo de Kaden com uma expressão triste.
'Ótimo… só ótimo. Em vez de um Granmaster poderoso, eu tenho alguém que preciso alimentar e criar sozinho. O que eu sou? Um cuidador condenado?' pensou amargamente.
Felizmente, Nasari ainda era um Mestre, com um conjunto decente de habilidades. E, se for só de espadas, isso não é problema, sua família era formada por ferreiros. Quando voltar, escolheria a arma mais adequada para Nasari devorar e evoluir.
Agora que pensou nisso… não era tão ruim assim. Com recursos suficientes, poderia fazer de Nasari algo realmente assustador.
Poderia alimentá-lo com tipos específicos de espadas com propriedades únicas — espadas elementais, de morte, ou até mais raras, como a Espada da Inevitalidade.
Quanto mais pensava, mais percebia que não era tão ruim. Pelo menos agora tinha a oportunidade de definir em qual direção queria que Nasari se especializasse, tornando-o verdadeiramente monstruoso.
Encontrando conforto nessas ideias, Kaden decidiu fazer a última coisa que precisava antes de voltar para casa.
"Síntese…"
Ele sorriu ansioso.
"Fundir minhas duas Origens Lendárias."
De repente, uma luz intensa e cegante explodiu pela floresta escura, fazendo todas as criaturas próximas fugirem com medo, mas… uma certa fera, com afinidade com a morte, foi atraída por ela.
Uma fera… que todos nós conhecemos bem.
…Ou talvez não?
—Fim do Capítulo 181—