Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 188

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Asael permanecia ali, suas mãos ainda firmemente agarradas às grades da prisão, observando as costas que desapareciam de Rose enquanto seu corpo tremia de raiva.

Naquele momento, tudo o que desejava era arrancar aquelas malditas grades e mergulhar tudo em suas sombras… mas não podia.

O desespero e a impotência inundaram seu coração enquanto suas mãos relaxavam, fazendo-o escorregar lentamente até que seus joelhos batessem com um baque fraco no chão rochoso, manchado de sangue.

Sua cabeça estava baixa, enquanto pensamentos começavam a girar dentro de sua mente.

'Deveria ter me tornado um Grande-Mestre antes de vir…' os pensamentos de Asael estavam carregados de culpa.

Ele tinha sido precipitado demais, impulsivo demais, e agora pagava o preço por isso. Mas Asael não se sentiria digno da amizade de Kaden se fosse só isso que fosse capaz de fazer.

Ele não seria digno do título de Príncipe das Sombras se o desespero pudesse vencer sua vontade.

Ele poderia estar acorrentado como um cão insignificante esperando ser abatido, com sua mana selada, seu coração talvez inquieto por não saber o estado de sua filha…

Mas nada disso o impediria de sair daqui.

Ele não precisava de nada… apenas sombras. E havia uma profusão delas ao seu redor. Bastava chamá-las.

Sentado no chão frio, Asael cruzou as pernas, as correntes ao redor de seus tornozelos e pulsos fazendo estalos profundos ao se posicionar.

Ele respirou fundo antes de fechar os olhos, tentando ao máximo sentir e controlar as sombras ao seu redor usando apenas sua vontade.

Sem mana para ajudar, sem truques.

Apenas pura Força de Vontade.

'Espere… apenas espere…' pensou Asael, sua mente cheia de incontáveis formas de matar todos aqui.

Eles ousaram tirar sua filha dele? Encerrá-lo?

Tudo bem.

Ele mostraria que as sombras não eram apenas feitas para refletir ou imitar a realidade com o sol como fonte de luz.

Não… as sombras podiam ser muito piores do que isso.

As sombras podiam devorar.

E um dia, eles aprenderiam isso.


Rose caminhava pelos corredores do Castelo Esqueleto, acompanhada por duas paredes vermelhas gravadas com linhas pretas intricadas, traçados místicos que narravam a antiga história de sua família, de seu império… uma história agora perdida no rio do tempo.

Em um espaço tão fechado, seus passos deveriam ecoar suavemente, mas nenhum som podia ser ouvido. Seus movimentos eram delicados, cuidadosos, como se temesse que pisar com força demais pudesse rasgar o tapete vermelho que cobria o chão.

Ela seguiu até chegar a uma porta negra simples, marcada com o símbolo do A Seca:

Uma lápide vermelha plantada em solo negro e estéril — uma terra drenada de cada gota d’água, de cada recurso que pudesse gerar vida.

Ela ficou diante da porta por alguns segundos, fechou os olhos como se reunisse forças… então a abriu e entrou.

No instante em que Rose entrou, não pôde deixar de franzir o cenho por instinto.

'Detesto essa sensação,' pensou consigo mesma enquanto observava a mulher sentada em um trono negro delicado, vestindo roupas simples de algodão sedoso com riscas vermelhas entrelaçadas na tecido de forma deslumbrante.

Seu cabelo era vermelho como o de Rose, mas seus olhos… seus olhos eram realmente perturbadores de se contemplar. O olho direito era vermelho como sangue pegajoso, e o esquerdo era dourado, brilhando de um jeito que fez Rose recuar com uma sensação de estranheza.

Esta era Lydia Seca, Governante e Imperatriz do Império dos Condenados.

Ela olhou calmamente para sua filha, com o olhar totalmente neutro.

Sua voz ecoou, carregada de uma tonalidade de diversão. "Você viu seu amado?"

"Mãe," disse Rose, sua voz baixa, mas carregada de impotência, "não é isso que você me falou."

Ela continuou.

"Asael não tem nada a ver conosco. Nem mesmo com Valentine. Mãe, por favor… dê Valentine a Asael e deixem que vivam suas vidas. Eles não nos incomodarão." Sua voz era um apelo por misericórdia, por compreensão.

Mas Lydia não concordava totalmente. Ela balançou a cabeça levemente.

"Você não conseguiu focar na sua missão. Ficou aqui todos os dias, só com uma expressão lamentosa no rosto, como se o mundo fosse cair sobre seus ombros."

Aqui, sua voz ficou fria.

"Você… até falhou em erradicar a Casa Nirvel, agora dando a eles evidências claras de que estamos contra eles."

"Você entende as implicações dessa falha? Você sabe quanto isso vai nos custar, Rose? Você acabou de dar a eles o álibi perfeito para se levantarem contra nós, e considerando a situação já tão difícil no oeste, com outras potências…"

"…você nem sabe qual é a nossa situação real?" Sua voz subiu, e uma profunda raiva enterrada começou a emergir.

Ela se levantou e lentamente caminhou até Rose, que mantinha a cabeça baixa e balançando.

Parou diante dela, então levantou seu queixo com força para olhar em seus olhos heterocromáticos, fazendo Rose tremer.

"Rose," sua voz foi fria, sem sentir, "qual é o seu dever?"

Rose entrou a língua no interior do lábio, resistindo à vontade de recuar, de chorar por alívio.

"A-Ampire… proteger a Empire." Conseguiu balbuciar, sua voz tremendo.

Lydia mal reagiu.

"Sim. É seu dever, Rose. Você nasceu para isso. Nada mais importa. Seu papel é ficar mais forte, proteger o Império e expandir sua grandeza para todos os seres. Você nasceu para ser a Imperatriz."

Sua voz fez o próprio espaço tremer de medo, junto com Rose.

Seu aperto no queixo de Rose se apertou, forçando uma careta de dor no rosto deslumbrante, porém assombrado, de sua filha.

"Mas me diga, o que você fez de fato?"

"Você abriu as pernas como uma prostituta para uma sombra maldita e acabou grávida. Ainda teve a audácia de manter a filha… a mancha na nossa linhagem." Uma risada gelada seguiu-se.

"E então achou que, cortando contato com eles, eu não saberia? Rose… quem você acha que eu sou?"

Neste momento, Rose tremia. Ela não aguentava mais o olhar de desprezo e decepção que sua mãe lhe dirigia.

Era demais… injusto demais.

Mas, ainda assim…

"Mãe… deixa eles irem. Eu ficarei aqui, guerrearei por você, matarei quantos forem necessários para levar esse Império à grandeza. Mas, por favor, pelo amor de todos os deuses, deixa-os ir. É tudo culpa minha. Não deles… eu imploro." A voz de Rose tremer, mas ela ainda assim se ajoelhou no chão, sob os pés da mãe, implorando.

Porém, Lydia olhou para ela calmamente antes de se voltar e caminhar de volta ao seu trono.

"Estão no Império. Seu querido amante está na subterrânea, acorrentado. E se ele acha que pode sair de lá…" ela riu com desdém.

"… então vai levar uma surpresa enorme. E sua filha… ela não está em seus aposentos? Então, você já deve saber, Rose."

Sentou-se no trono e a olhou.

"Se esse Império cair, todos irão morrer. Se você deixar rebeldes e inimigos entrarem, sua filha será a primeira a cair, seguida pelo seu amado."

"Você sabe o que precisa fazer agora?"

Rose, ainda de joelhos, não respondeu imediatamente. Sua cabeça estava baixa, imóvel, mesmo ao ouvir as palavras da mãe.

Ela não sabia o que esperava. Essa já não era a primeira vez que tinham essa conversa. Essa não era a primeira vez que sua mãe deixava claro que a única coisa que importava era esse maldito Império.

Sim, já não era a primeira vez.

Mas, ainda assim…

'Por que dói tanto?'

Dói… ah, dói tão profundamente que sua cabeça girava, e seu coração parecia ser drenado por milhares de sanguessugas, sugando tudo até que permanecesse apenas um coração morto.

Um coração de pedra.

Um coração frio.

Seu amado a odiava. Sua filha sempre pedia por seu pai toda vez que ia dormir, fazendo seu coração doer. E sua mãe não se importava com seu bem-estar.

Ela estava… sozinha.

Como no começo.

Como antes de Asael.

Um riso profundo de auto-ódio escapou de seus lábios antes que ela lentamente se levantasse.

"O que eu tenho que fazer?" repetiu as palavras da mãe, sua voz repentinamente fria e sem sentimento.

Qual o sentido de sentir todas essas emoções se ninguém quer que ela as sinta?

Sua mãe não as queria.

Esse mundo amaldiçoado não as acolhia.

Precisavam que ela fosse insensível, como um arranca-rostos que só obedece ordens.

Então…

Ela as desligou.

Porque o que sua mãe precisava…

"A razão de eu ter nascido é… proteger o Império."

…sim, sua mãe precisava de uma espada e um escudo que ela pudesse usar na sua conquista.

E ela seria essa espada. Ela seria esse escudo. Por eles.

…por… sua família despedaçada.

Porque essa é sua missão.

Porque…

'Eu tenho que…'

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