
Capítulo 189
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Lydia olhou para sua filha e viu seu rosto de repente mudar, ficando frio… e sem vida. Um sorriso satisfeito, quase sinistro, surgiu lentamente nos lábios dela.
"Sim", disse Lydia, "é para isso que você nasceu, Rose. Uma Imperatriz… e neste mundo onde a maioria dos homens detém o poder, precisamos ser frias como gelo para marcar nossa presença na história deste lugar."
"Você me entende?" ela perguntou, elegantemente cruzando uma perna sobre a outra.
Se alguma palavra dela tivesse tocado a chama interior de Rose, ela não demonstrou; apenas assentiu, com o rosto impassível.
"Agora, me diga, como você resolveria a situação causada pela Casa Nirvel?" Lydia perguntou, com seus olhos heterocromáticos brilhando intensamente.
"Nós os matamos", respondeu Rose de forma direta, sem hesitar, e acrescentou: "A primeira vez eu falhei por circunstâncias imprevistas. Desta vez será diferente, vou matar todos eles e trazer suas cabeças para você, mãe."
"Isso seria o que um governante tolo faria", Lydia retrucou, balançando a cabeça em sinal de recusa.
"Você já falhou e a Casa Nirvel certamente já entrou em contato com as casas que estão contra nós, buscando ajuda para nos derrotar. E não preciso nem te dizer que, se eles conseguirem se unir… então vamos cair, Rose." A voz dela carregava uma afiada nota de irritação cada vez que pensava nisso.
Mas não adianta perder tempo com o passado. O que importava agora era encontrar uma saída.
"Então… qual seria a solução?" Rose perguntou, incerta sobre o que dizer.
A política nunca foi seu ponto forte. Ela só sabia lutar, matar.
Sua mãe tentara incansavelmente ensiná-la os jogos e as máscaras do poder, fazer com que ela entendesse esse mundo… mas ela simplesmente não conseguia compreender.
Como uma criança que não consegue entender o peso por trás do olhar cruel dos pais.
Ao ouvir sua pergunta, Lydia levantou-se do trono e caminhou em direção às janelas amplas de vidro, de onde olhou para sua cidade — a MaldadeCidade.
Ela observou as poucas pessoas caminhando pelas ruas, os corpos oscilando como se fossem desabar a qualquer momento. Olhou para os cavalos esfomeados, com costelas à mostra sob a pele esticada, puxando carroças tão velhas e frágeis que pareciam prestes a desintegrar ao menor suspiro de vento.
O chão estava rachado.
As casas desgastadas e caindo aos pedaços.
Tudo exalava ruína, poeira, pobreza e até… fome.
Até o sol nesta terra era diferente. Se o sol do Império Celestial queimava como o coração de uma estrela moribunda — pulsante, poderoso, brilhante — então o sol do Império dos Malditos era uma brasa fraca, um único fóton morrendo lentamente… opaco, silencioso, esquecido em um mundo de cinzas.
Havia uma silêncio constante e melancólico que se espalhava pela cidade, um silêncio tão profundo que puxava as pessoas para algo pior que desespero…
…resignação.
E se até a capital vivia assim… como estavam as outras cidades?
Lydia apertou as mãos firmemente atrás das costas, enquanto o peso do império pressionava seus ombros como uma montanha celestial… vasta e implacável, ameaçando esmagá-la até que nada sobrasse além de carne moída.
Ela havia dito a Rose que seu dever era matar, travar guerras, lutar pelo império.
Mas o próprio dever de Lydia era ainda maior.
Seu dever… era fazer o Império se erguer novamente.
Garantir que o império que sua mãe havia legado não desaparecesse como poeira dispersa no rio do tempo.
Não… ela não queria que seu império fosse apenas um refúgio para aqueles que tinham perdido tudo e não tinham para onde ir.
Como então poderia olhar seus antepassados nos olhos?
Por isso, ela precisava fazer isso.
Não importava se sua filha perdesse toda emoção e chegasse a odiá-la.
Não importava se sua neta quebrasse e se tornasse traumatizada.
Não importava se o mundo inteiro a condenasse.
Seu dever era claro.
Fazer o império se levantar… se elevar além de qualquer outro obstáculo.
Mesmo que precisasse passar por cima dos cadáveres de bilhões.
Mesmo que precisasse se perder completamente nesse objetivo.
Mesmo que restasse nela apenas Lydia Draught… mas o dever.
Rose estava atrás dela, olhando para as costas da mãe, que, naquele momento, parecia tão desolada e solitária. Mas esse lampejo de sentimento desapareceu assim que Lydia se recompôs emocionalmente e falou:
"Eles querem nos derrubar. Querem a nossa autoridade. Querem que este império seja deles, certo?"
"Então, me diga… o que aconteceria se um inimigo externo batesse à nossa porta? Eles lutariam contra nós? Ou primeiro lutariam contra esse inimigo, só para proteger o que acreditam ser seu?" ela perguntou, com uma voz carregada de diversão sinistra.
Enquanto isso, Rose lentamente recuou, os olhos se arregalando com a percepção da ameaça.
"M-Mãe… não me diga…?" ela sussurrou, com a voz trêmula.
Lydia virou a cabeça na direção dela, um sorriso profundo e inquietante curvando seus lábios, daquele tipo que fazia uma sensação gelada subir pela espinha de Rose.
"Sim, minha filha. O Oeste é uma terra desolada, dominada por muitas potências. Você consegue ver nosso estado atual? Se continuarmos assim, antes mesmo de eles nos atacarem… vamos morrer de fome e sede."
"Então é hora, minha filha… é hora."
Ela começou a caminhar em direção aos seus aposentos.
"Esteja pronta, Rose. Vamos travar guerra contra todas as potências do Oeste… e usaremos suas lâminas para matar as cobras escondidas dentro de nossa própria casa."
Rose estremeceu.
"Mas mãe, ainda não estamos prontos! Não somos fortes o suficiente para lutar contra eles! Nós vamos todos morrer!", ela gritou com urgência.
Porém, Lydia não virou a cabeça.
"Vamos estar prontos. Temos que estar, Rose", ela afirmou, com uma voz calma, porém carregada… carregada de algo mais profundo que raiva, mais profundo que ambição… algo enterrado, algo impotente.
Porque…
"Se não lutarmos, morreremos ou pelo veneno das serpentes que já estão dentro de nossas muralhas… ou pela crueldade da natureza, fome e sede."
"Mas se lutarmos, mesmo que as chances sejam pequenas, talvez consigamos vencer. E não se esqueça, Rose… somos guerreiras. Não somos covardes. Não manchamos nosso legado com medo."
"Nascemos na morte… condenadas… e vamos mergulhar todas elas na terra infértil, até que os mortos sejam suas únicas companhias."
Por fim, Lydia desapareceu.
Mas uma última frase ecoou atrás dela, como uma maldição deixada pra persistir:
"Temos cerca de cinco anos para nos preparar. Nossas reservas durarão até lá, e as serpentes não ousarão atacar até que estejamos no nosso ponto mais baixo. Então, prepare-se."
Rose ficou ali, sozinha, com as palavras da mãe ressoando como um trovão dentro da cabeça.
"Em cinco anos…"
"Valentine terá apenas oito anos."
"Ela… vai viver guerra com apenas oito anos?"
O coração que Rose achava que tinha fechado, que acreditava ter se transformado em pedra, rachou.
Ela tentou enterrar seus sentimentos.
Disse a si mesma que não era mais mulher, nem mãe — apenas uma espada, apenas uma ferramenta.
Mas como não preocupar-se?
Como não doer ao pensar que sua filha passava por sangue e morte tão jovem, tão inocente?
Ah…
O que poderia ser pior… que uma mãe incapaz de proteger seu filho da crueldade do mundo?
Dói.
Ah… dói.
…
Se passaram duas semanas, e Kaden já estava bem perto de Waverith.
Depois de deixar Alea mais linda — deslumbrante — e garantir que não havia espiões de Cerveau escondidos, ele partiu imediatamente, cavalgando seu cavalo negro que, misteriosamente, ainda estava vivo.
E agora, aqui estava ele, a poucos quilômetros da floresta ao lado de Waverith.
Hoje era sexta-feira e também manhã.
Era o horário que Kaden planejava — sem o consentimento da outra parte — encontrar o Vidente.
'Treinei minhas habilidades de provocação ao máximo nesta jornada. Agora estou confiante', pensou Kaden, com um sorriso de canto nos lábios.
Logo, ele chegou até a floresta e se posicionou num local que oferecia uma vista ampla de quem entrasse ou saísse da área.
Ele tirou sua famosa máscara preta, com manchas vermelhas sob os olhos, e a vestiu, deixando visível apenas seu olhar de sangue.
Porém, Kaden não era idiota. Sabia que seus olhos eram demasiado únicos, chamativos demais, então obteve um artefato para alterar a cor de seus olhos e cabelo.
Ele ativou o artefato.
Seu olhar rubro se transformou em preto simples. Seus cabelos escuros, selvagens, mudaram para um tom cinza claro, tranquilo.
Depois, trocou de roupa, vestindo uma longa túnica preta de tecido fluido e capuz que cobria grande parte do rosto.
Certificando-se de que ninguém pudesse ligá-lo à sua verdadeira identidade, Kaden ficou em cima de uma árvore, aguardando.
Mas ele não precisou esperar muito.
Pouco tempo depois, viu uma mulher de cabelos azuis, de beleza assombrosa, caminhando calma e serenamente em direção à entrada da floresta.
A Vidente… tinha chegado.
—Fim do Capítulo 189—