
Capítulo 184
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Darklore — Leste, Domínio dos Condenados.
Dentro de uma cúpula feita de miasma venenoso que tingia todas as árvores e plantas ao redor de preto e desgastado, um encontro estranho estava acontecendo.
Um entre um humano e uma besta. Mas também, um entre um Intermediário e um Grande-Mestre.
Esse tipo de encontro — humano e besta — não era propriamente incomum em Darklore ou até mesmo em Fokay. Sempre havia alguns tipos de bestas que ansiavam por paz e desejavam estabelecer boas relações com os humanos, assim como sempre havia humanos que nada mais eram do que aberrações usando pele como disfarce, procurando essas bestas por desejos distorcidos.
Mas dificilmente — se é que alguma vez — você encontraria um encontro entre um Intermediário e um Grande-Mestre, com o Grande-Mestre agindo como uma garotinha tímida que achava que estava sendo fofa, mas…
'Horrível. Não quero julgar pela aparência, mas droga… esse nível de aparência duvidosa deveria ser crime contra os olhos de todos os seres.' pensou Kaden sombriamente enquanto observava Alea e o local onde estava.
Ele estava dentro de uma tenda preta simples, decorada com flores roxas e negras que liberavam um forte aroma de veneno suficiente para matar um Intermediário com uma única fagulha de cheiro e até mesmo um Mestre, se permanecessem por muito tempo.
O teto apontava em direção ao céu, como uma pirâmide. O chão era coberto por um tapete de pele negra lisa, e sobre ele estavam dois sofás — nas mesmas cores — posicionados de frente um para o outro, feitos de ossos brancos e peles de bestas que Kaden mal conseguia identificar.
Neste momento, ele estava sentado em um deles, enquanto Alea se encontrava do outro lado, com aquela expressão tímida. Ela mexia as mãos nervosamente, olhando ao redor de sua própria tenda com olhos brilhantes, agindo como se estivesse descobrindo a oitava maravilha do mundo escondida.
Kaden estava realmente desconcertado com essa situação. Esperava qualquer coisa dessa besta. Imaginava um lich vingativo, com órbitas vazias e costelas rachadas, acima de bilhões de mortos-vivos, ou talvez um dragão de ossos que dormia com a boca, os olhos e o corpo todo exalando miasma venenoso que fazia todos os seres entrarem em pânico só de sentir, ou até algum demônio distorcido planejando uma guerra enquanto se escondia na morte.
Ele antecipava tudo isso e estava preparado para encarar — mesmo que no final fosse morrer.
Mas o que encontrou foi uma Grande-Mestre tímida que parecia não ter ouvido um elogio desde o início dos tempos.
E agora, ao pensar nisso, talvez fosse exatamente esse o caso. Afinal, quem com a cabeça no lugar elogiaria uma criatura que parecia uma deidade travessa entediada, que simplesmente juntou pedaços por diversão e chamou aquilo de obra-prima?
'Bem, eu faria…' pensou Kaden com a determinação de um soldado, como um homem prestes a entrar na sua primeira guerra.
Era uma boa oportunidade. Já tinha causado uma boa impressão nela, e se continuasse assim, talvez conseguisse obter o apoio dessa besta sem problemas.
Assim que isso fosse resolvido, ele finalmente poderia voltar para casa, descansar um pouco e planejar sua viagem de volta para Fokay.
Chegou a hora. Precisava encontrar uma pedra de evolução para se tornar um Mestre.
'Droga dessa família.' amaldiçoou Kaden mais uma vez os Warborn, achando suas tradições bárbaras e irracionais.
'Dessa vez, não aceito nada menos que Mítico.' acrescentou com um sorriso suave que só realçava seu rosto já bonito, e então falou para Alea:
"Está pronta para ouvir minha proposta agora, Grande-Mestra Alea?" perguntou em tom calmo.
Porém, ela ainda não o olhava. Em vez disso, com uma voz suave,
"Eu… sinto muito, não tenho chá nem nada que você possa comer aqui no meu domínio," disse, fazendo Kaden sentir-se tanto divertido quanto um pouco estranho por uma besta estar agindo assim.
Este mundo realmente é uma maravilha.
"Não me incomoda. Duvido que qualquer coisa comestível ou bebida para mim possa nascer dentro deste domínio," ele respondeu, olhando ao redor do ambiente venenoso ao seu redor.
"Então vamos focar na coisa mais importante."
Nesta vez, ele não esperou por resposta dela.
"Tenho uma proposta para você. Planejo criar uma organização que me ajude com tarefas simples, como coletar informações ou coisas similares. Quando soube que havia uma dama tão poderosa morando aqui, decidi tentar minha sorte." falou Kaden, olhando diretamente nos olhos de Alea, com um sorriso sincero e marcante em seu rosto.
Suas palavras soaram ainda mais fortes e profundas graças àquela expressão, e isso deixou Alea ainda mais avermelhada, um sorriso estranho assustando seus lábios.
"Ah! Eu… sou realmente bonita?" ela perguntou, colocando as mãos de cada lado das bochechas, balançando a cabeça levemente em ambas as direções.
'Ela só se lembra do que eu falei?'
pensou Kaden, incrédulo.
"Sim," respondeu. "E qual é a sua decisão? Não quero te incomodar demais — tenho certeza que você tem suas coisas a fazer — então, se não estiver interessada em se juntar ao meu grupo, me poupe do incômodo."
Essas palavras imediatamente colocaram Alea em modo sério, como se estivesse prestes a entrar numa batalha horrenda com deuses como testemunhas.
Era a primeira vez que ouvia um elogio ao longo de sua vida. E a primeira vez que via um jovem tão educado e bonito.
Ela não queria mais nunca mais ver aquela pessoa que não recuava sequer por sua aparência. Não queria perder a primeira humana que não havia trucidado como um cachorro por zombar de sua aparência, nem a primeira pessoa que ela não transformou em um dos seus exércitos mortos-vivos por rancor.
Não, ela não queria isso.
Depois de tudo, Kaden a encarou enquanto ela falava — na verdade, olhou de verdade, mostrando que escutava — e isso por si só… significava algo para ela.
Um gesto simples. Mas ninguém jamais olhara nos seus olhos enquanto falava. Ninguém.
Assim… ela se sentiu indignada ao pensar em perder alguém assim. E, sem pensar nas consequências de suas ações,
"Aceito," disse Alea com voz firme, surpreendendo Kaden profundamente.
Ele estava pronto para propor algum poder ou artefato raro para conquistá-la, mas…
'Ela aceitou assim, de repente?' pensou, seu pensamento girando em descrença, 'Como assim?'
Na verdade, ele sabia. Era porque ele a elogiou.
Mas esse tipo de coisa era muito instável para confiar.
Ela pode aceitar agora por causa de como ele a tratou, mas a mente e as emoções de qualquer ser vivo são passageiras.
Não era algo que você pudesse construir uma base sólida. Especialmente com alguém como Alea, que claramente tinha inseguranças profundas. Outro que soubesse falar bem poderia vir, dizer as palavras certas, acariciar seu ego na direção certa, e ela o trairia sem pestanejar.
Então, ao invés de depender de emoções que mudam como o tempo, vamos apostar nos benefícios — a coisa mais forte capaz de unir qualquer um.
Até inimigos.
"Agradeço pela sua confiança em mim, então deixe-me oferecer algo em troca. Vou te tornar bela, se esse for o seu desejo. Mas não vou parar por aí, aumentarei sua afinidade e seu poder sobre a morte, te tornarei mais forte."
Ele fez uma pausa, observando Alea tremer de excitação.
Depois, com um sorriso suave porém firme,
"Tudo que peço é que você acredite em mim, tenha confiança, mas também… quero que jure que nunca me trairá."
Depois daquilo, ficou silêncio. Alea não conseguiu acreditar no que tinha acabado de ouvir.
Bela? Ela… finalmente seria bela?
Seu coração saltou de alegria e êxtase. Ela nem questionou se Kaden realmente conseguiria, simplesmente acreditou e confiou nele como uma garota ingênua que se apaixona pelo primeiro homem gentil com quem se depara.
E assim, ela jurou:
"Pelo meu Origem como Juíza, e com minha Alma como Testemunha, juro nunca desobedecer nem trair você, enquanto andar com fôlego."
Assim que suas palavras terminaram, ela torceu levemente a face ao sentir uma pressão profunda se instalar dentro dela. Que logo desapareceu, mas Alea sabia que ainda estava lá.
Essa maldição destruiria sua Origem e feriria mortalmente sua alma se alguma vez ela quebrasse essa promessa.
É assim que as pessoas em Darklore juram. Assim como em Fokay se jura na Vontade.
Ao ouvir aquilo, Kaden ficou verdadeiramente quase atônito com a facilidade com que tudo aconteceu. Esperava dificuldades. Talvez até uma batalha.
Mas nada disso aconteceu, e ele não ia reclamar. Afinal, ele acabara de obter o segundo membro oficial da sua organização.
O primeiro era Nasari.
'E agora—!'
"Ah, desculpe, Ceifador, mas… quando vou ficar mais bonito?" Alea interrompeu seus pensamentos, tímida, com o rosto cheio de esperança.
Kaden a observou por um longo momento antes de um sorriso surgir no canto dos lábios.
"Por favor… vá matar a criatura mais bonita que você conhece e volte com o cadáver dela. Eu vou te tornar… verdadeiramente e de maneira única, bonita."
Ele não precisou dizer mais nada. Alea desapareceu numa nuvem de miasma negro.
Kaden suspirou baixinho,
'Ah… mulheres e sua obsessão por beleza…'
Era algo que ele nunca entenderia, nem queria…
…mas não era o tipo de pessoa que rejeitava boa vontade.
No final das contas…
Essa obsessão acabara ajudando ele a conquistar uma besta Grande-Mestra como subordinada.
'Ah… minha sorte divina voltou. Senhora Fortuna, senti sua falta, e não ouse me deixar na mão de novo!!'
—Fim do Capítulo 184—