
Capítulo 185
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden deveria ter sido mais preciso em suas palavras. Simplesmente disse para Alea acabar com a criatura mais bonita que conhecesse, sem perguntar se aquela criatura era uma fera ou… um humano.
Sim, ele não perguntou. Mas talvez devesse ter feito isso, pois depois de desaparecer por mais de uma hora, ela voltou acompanhada de uma mulher de cabelos negros, vestindo roupas justas de assassina que se grudavam ardorosamente ao corpo dela.
Ela a colocou no chão e, com uma expressão inocente,
"Será que ela serve? Não vi outros humanos por aqui," disse com uma voz animada, demonstrando sua empolgação e vontade de mudar de aparência, mas Kaden não estava exatamente atento às palavras dela. Em vez disso, fixava seus olhos aguçados na mulher inconsciente, que jazia pálida sobre o tapete de pelagem negra e fria.
"Onde você a encontrou?" perguntou suavemente, agachando-se enquanto observava as roupas que a mulher usava e encontrou um símbolo que Kaden conhecia bem…
…uma figura detalhada de um cérebro pulsando com uma luz azul suave, quase hipnotizante.
'O Cerveau…' pensou ele com uma expressão sombria.
"Eu a achei ali fora, na entrada da floresta, escondida com um artefato de furtividade, mas isso foi bastante inútil diante de mim," respondeu Alea inclinando a cabeça como uma borboleta, curiosa.
'Então eles sabem que eu fui para o leste e até mandaram alguém me seguir? Desde quando? Não estavam ocupados com o Envoy da Morte?' Os pensamentos de Kaden começaram a girar em ciclos cada vez mais vertiginosos, as perguntas vindo uma atrás da outra como uma avalanche de água.
O problema é que, se ela o seguiu desde o começo da jornada, a questão de ele não a ter sentido era ainda mais grave. Significava que sua percepção ainda não era suficiente e que essa mulher tinha visto sua luta contra os bandidos, tendo então uma ideia do seu poder.
Os Cerveau não são idiotas. Podem extrapolar perfeitamente com base em algumas pistas e, assim, estimar aproximadamente seu nível de força…
…não que aquilo importasse. Sua força nunca poderia ser mensurada em circunstâncias normais, de qualquer forma.
Mas mesmo assim…
'Esses caras são realmente obstinados, mesmo com um enigma como o Envoy da Morte, eles continuam atrás de nós. Primeiro foi a Daela, onde usaram as feras de aço—enquanto isso, ainda não acabei com aqueles filhos da mãe—and agora enviam um assassino atrás de mim?' Kaden começou a se perguntar qual diabos era a obsessão deles.
Por que eles não estão mirando em Elamin? Será que eles acham que são alvos fáceis por causa da natureza deles?
Ele clicou a língua, irritado.
Estava cansado desses idiotas que agem como se fossem os mais espertos.
"Colheitadeira, há algo errado? Ela não é bonita o suficiente aos seus olhos? Se for, espere que vou procurar outra," disse Alea com uma voz nervosa, interrompendo os pensamentos de Kaden.
Kaden apenas balançou a cabeça, colocando a mão na cabeça da mulher. "Não, ela é perfeita. Só espera um momento, tenho algumas coisas a verificar." Então, ativou sua habilidade especial.
'Olho da Mente.'
Instantaneamente, seus sentidos se distorceram enquanto ele se via em um lugar completamente diferente, bastante perturbador.
Comparado ao espaço mental de Selene — que era branco, com várias painéis piscando e mostrando suas memórias — dentro da mente desta mulher… não havia nada além de azul. Parecia que ele estava de pé sob um céu infinito azul, com os céus como seu único companheiro, mas não…
Clink, clink, clink.
Kaden virou rapidamente a cabeça ao ouvir o som de correntes batendo. Por um momento hesitou, pensando se era prudente fazer o que ia fazer, mas já caminhava devagar até o local onde ouviu o barulho, com passos calculados e uma expressão fechada, sem sequer perceber.
Quando chegou lá, seu coração pulou uma batida ao ver a cena diante dele. Uma mulher sentada em uma cadeira branca marcante, com correntes profundas cobertas de espinhos envolvendo seu corpo como uma serpente faminta, os olhos cerrados.
A mulher era a mesma que Alea havia capturado, e seu corpo tremia como se estivesse no lugar mais frio da Antártida.
Mas Kaden percebeu algo mais… notou que a cadeira em que ela estava lentamente começou a se transformar em uma cadeira azul… assim como tudo ao seu redor.
"Filho do Sangue… mate o filho do sangue… mate o filho do sangue… mate… Mate…"
A mulher murmurou repetidamente, fazendo Kaden arrepiar-se por todo o corpo.
'Que porra é essa?' pensou Kaden, sem conseguir segurar a curiosidade, mas naquele exato momento, os olhos da mulher se abriram de repente, revelando um par de olhos azul celeste, deslumbrantes, que pareciam cristais de safira brilhando… mas a frieza que transmitiam era algo além de tudo que Kaden já tinha visto.
Parecia que, para os olhos dessa entidade, ele era apenas um chimpanzé insignificante.
Kaden deu um passo para trás de sobrolho franzido, com o coração acelerado como uma orquestra de vozes furiosas.
O rosto da mulher se partiu em um sorriso estranho, sem vida. Um sorriso tão errado que Kaden não conseguiu evitar estremecer de puro pavor.
Então ela falou, enquanto olhava para o Kaden assustado, "Ah… um Warborn com o poder da mente. Que piada distorcida é essa?"
A voz era de um velho.
Era Calix, o Archivista.
No instante em que falou, a cadeira virou totalmente azul em um piscar de olhos… mostrando que a mente dela tinha sido completamente e irremediavelmente dominada.
Ela agora… era uma marionete.
Kaden não respondeu à pergunta do homem. Ele simplesmente não podia. Seus pensamentos corriam em todas as direções para entender o que estava acontecendo, e não demorou a perceber sua situação…
Estava diante de uma das maiores coalizões de controle do Cerveau. Uma que dominava a mente, assim como Selene. E mais…
"Você ousou introduzir sua mente aqui… melhor você se preparar—!"
"A sorte é uma dama tão volúvel…" interrompeu Kaden com uma voz carregada de irritação e exasperação, antes de, sem mais hesitar, ativar sua habilidade mental combinada com a Chama do Colheitador, desaparecendo instantaneamente na força de uma chama furiosa.
Ahhh ahhhh ahhh
A respiração de Kaden estava ofegante, o peito arfando como um barco à deriva em mar tempestuoso.
Seus olhos estavam vazios, pensativos.
"Colheitadeira! Você está bem?" Alea correu imediatamente em sua direção e se ajoelhou na frente, com uma expressão de nervosismo. Kaden, normalmente, se sentiria estranho ou constrangido nesta situação. Mas naquele momento, tinha outras preocupações.
Devagar, levantou a cabeça na direção de Alea e, com uma voz que fez o ambiente ao redor tremer, como uma forte aura de morte e sangue que se derramava ao seu redor,
"Alea," disse ele, com o rosto sem expressão, "Mate-me."
"O-O quê?" Alea recuou, surpresa, o rosto dela cheio de perplexidade, mas Kaden não tinha tempo a perder com isso.
"Ordeno que… me mate." Ele disparou, e como Alea agora era sua subordinada, e havia jurado à sua Origem e à Sua Alma nunca desobedecê-lo…
…ela cortou a cabeça de Kaden com um movimento da cauda escamosa, sangue jorrando do pescoço como uma fonte, espalhando-se pelo rosto de Alea, que permanecia ali… com os olhos vazios…
"Ah… Ahh… Colheitadeira…?" ela murmurou entre lágrimas, e logo depois, um som ensurdecedor escapou de sua garganta, mergulhando tudo ao seu redor numa onda de veneno podre.
—Fim do Capítulo 185—