
Capítulo 178
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Tudo ficou em branco por um instante, como se o mundo inteiro tivesse sido privado da luz do céu antes de Asael se encontrar novamente fora da masmorra.
Ele olhou ao redor, e seu campo de visão era tomado por árvores negras que se erguiam em direção ao céu, rochas escuras e grama negra que balançava loucamente com o vento tempestuoso.
"Ah. Estou de volta… finalmente de volta," murmurou Asael, fechando os olhos e respirando fundo o ar ao seu redor, um sorriso de satisfação surgindo em seu rosto ao perceber que o ar não estava mais impregnado com morte e podridão.
Ele sorriu levemente, então olhou para o portão da masmorra, que estava prestes a desaparecer… para sempre.
Ficou ali, desfrutando por alguns momentos dessa sensação — a sensação de liberdade antes de mergulhar nas sombras e voltar para sua casa.
Estava na floresta ao lado da capital do império, DamnedCity. Levaria cerca de um ou dois dias para chegar lá, mas com seu novo domínio sobre as sombras e sua ânsia de ver sua filha mais uma vez, Asael conseguiu chegar à capital em seis horas.
Ele emergiu das sombras a aproximadamente uma milha das enormes portas negras, que absorviam toda luz, da capital, andando calmamente disfarçado.
Seu corpo havia sido curado, e ele vestia roupas novas. Olhando para ele, ninguém acreditaria nas atrocidades que ele havia passado.
E é justamente aí o ponto. Asael nunca planejou contar essa história a alguém.
'Vamos manter isso em segredo entre eu e meu amigo Kaden. Ah… já estou com saudades dele. Onde é que ele mora? Em qual parte de Fokay?' Ele não conseguiu deixar de se perguntar e ficou um pouco triste ao pensar em partir seu amigo, mas sacudiu a cabeça e se concentrou no momento.
Ao chegar ao portão, Asael passou pelo procedimento que já conhecia de cor e salteado, e entrou sem problemas.
O Império dos Malditos — e sua capital, DamnedCity — eram completamente diferentes do Império Celestial. Enquanto o Império Celestial era feito de ouro e cores que inspiravam admiração, amor e confiança, com inúmeras raças convivendo em harmonia…
Era totalmente diferente em DamnedCity. Aqui, a atmosfera carregava um sabor constante de desânimo. As casas eram todas da mesma cor: preta. O chão era de pedra negra como a meia-noite, que ressoava um pouco alto demais ao caminhar sobre ela.
As ruas quase não tinham movimento, pessoas, ou sequer barulho. Era um ambiente tranquilo. Mas não aquele paz habitual — era uma calma carregada de inquietação.
As poucas pessoas que estavam lá fora tinham expressões que pareciam exaustas de tudo. Caminhavam de maneira desleixada, como se a vida não importasse. Seus olhos tinham olheiras pesadas, parecendo quem não dormia há anos.
Não havia nenhum comerciante na rua, e, honestamente, nenhum comerciante idiota tentaria vender algo ali.
Esse não era um lugar para prosperar ou buscar oportunidades.
Não, era um lugar onde pessoas que tinham perdido tudo na vida vinham procurar outros iguais a elas.
Este… este era o lugar dos condenados.
Claro que nem todos eram como esses. Os nobres do Império eram diferentes. Afinal, eles eram nascidos nesta terra lamentável.
E dificilmente se odeia algo se é tudo o que se conhece na vida toda.
Asael era um nobre deste império. Não apenas isso, mas ele era o Patriarca da Família Shadeborn, após a morte de seu pai.
E agora, parado diante da porta de sua casa aparentemente nobre, Asael fez uma pausa.
O estado da sua casa era realmente lamentável. Os telhados estavam desgastados e em ruínas. As paredes corroídas, e até a porta estava quebrada.
Uma casa nobre? Sim, mas certamente uma das mais pobres e fracas entre os nobres.
Ele suspirou pesadamente, já prevendo todos os problemas que teria que enfrentar para colocar aquilo de pé novamente.
Mas logo um sorriso surgiu em seu rosto ao lembrar que, finalmente…
'Vou ver minha filha…' pensou com esperança, caminhando apressado para dentro.
Por dentro, tudo piorava: musgo e grama não completamente arrancada cresciam aqui e ali. As paredes estavam cheias de fissuras, e o cheiro de poeira e ferrugem invadia o ar.
Assim que entrou, Asael parou abruptamente.
À sua frente, um homem idoso vestindo roupas gastas de mordomo tentava limpar o chão marcado com cicatrizes, com a coluna que gemia a cada movimento.
"Velho Luke…?" disse Asael, assustando o velho com a sua presença repentina, que se assustou tanto que um estalo alto ecoou pelo ambiente antes de cair no chão, segurando as costas com uma mão e retorcendo-se como uma serpente, com a voz alta.
"Aaaah! Minhas costas! Minhas costas! Minhas costas!!!"
"VELHO!!!!" Asael correu na direção dele e entregou uma poção que Kaden lhe tinha dado.
O old man imediatamente se acalmou, respirando aliviado e olhando para Asael.
Por um instante, seu rosto ficou confuso, mas seus olhos — quase sem sobrancelhas — se arregalaram em choque.
"Mestre? Mestre Asael, você voltou!"
"Oh!! Graças às sombras! Graças às sombras!!!"
Ele segurou forte os braços de Asael, chorando com o corpo tremendo, agradecendo às sombras por terem trazido Asael de volta vivo.
O último sorriu suavemente, mas não tinha tempo para ficar ali entretido. Queria saber onde sua filha estava, pois seu coração pulsava freneticamente porque…
…porque ele não sentia a presença da filha dentro da casa.
"Velho Luke, acalme-se e me diga… diga quantos anos se passaram, e onde está minha filha? Onde ela está? Me diga onde?" falou com uma voz forte e autoritária, mas carregada de um medo além do aceitável.
O velho finalmente se acalmou, olhando para Asael com o rosto pesado de culpa e tristeza.
O coração de Asael começou a tremer ainda mais ao ver aquilo, seu corpo tremendo enquanto cerrava os dentes para se segurar.
Ele falou novamente, desta vez como um demônio de loucura.
"Onde. Está. Ela?"
O velho estremeceu com a sua voz.
"Mestre… mestre… já passaram dois anos desde que você desapareceu e… a jovem senhora Valentine foi tomada pela mãe…"
Ele fez uma pausa, então…
"Ela foi levada pela princesa dos Malditos, Rose Drought."
Ao ouvir essas palavras, toda a casa foi engolida por uma escuridão inquietante.
"ELA OUSOU!!!!!!!"
Asael gritou sob o vento tempestuoso, fazendo sua casa, já destruída, ruir completamente em pedregulhos.
O Príncipe das Sombras, Asael Shadeborn, estava furioso.
…
Darklore — Leste.
Kaden reapareceu poucos metros antes da entrada da masmorra, com a mente cheia de perguntas sem resposta sobre as últimas palavras de Asael. Mas logo seus pensamentos pararam e ele não pôde deixar de sorrir diante da cena à sua frente.
A aranha — Necroweaver — estava ali, com seus fios infinitos. Seus olhos negros e inteligentes estavam fixos nele, com uma fome controlada e uma curiosidade insaciável. Parecia que queria tanto capturar Kaden, inspecioná-lo, como se o tivesse esperando o tempo todo.
Mas Kaden estava feliz. Sinceramente feliz.
Sua boca se curvou em um sorriso mortal.
"Bom… muito bom," ele murmurou.
Reditha brilhou em sua mão, sua lâmina carmesim coberta por chamas de sangue escarlate entrelaçadas com um toque de azul.
Seu semblante ficou gélido, como um bloco de gelo de mil anos, ao olhar para a aranha.
"Venha, sua peste."
"Venha… e deixe-me conceder-lhe outra vida… uma mais adequada para um ser como você."
—Fim do Capítulo 178—