
Capítulo 177
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden e Asael estavam ali, suas expressões refletindo essa liberdade recém-descoberta… essa sensação de segurança. Mas para Asael, aquilo tinha um significado muito maior do que para Kaden.
Ele estivera preso naquela masmorra por tempo demais e sofrera demais durante todo esse período. E, ao olhar ao seu redor, para a visão profana que o cercava, não pôde deixar de recordar todas as suas experiências.
Dizer que foi doloroso seria um grande eufemismo.
Ele só contou a Kaden como conseguiu evoluir naquele calabouço, mas não revelou o quanto estava destruído, o quanto tinha caído… Tão fundo que quase quis acabar com tudo e se matar.
Era tão… doloroso.
Era tão difícil estar sozinho em um espaço cheio de mortos-vivos corrompidos que queriam devorá-lo, era tão difícil estar em um ambiente hostil à sua própria existência, era tão difícil pensar toda noite na segurança da filha que deixou para trás, e, mais importante ainda… era tão duro enfrentar sozinho todos esses eventos tortuosos.
Sozinho, tentando curar suas feridas nojentas, escondido atrás de um monte de cadáveres.
Sozinho, nas noites em que os mortos-vivos invadiam tudo, gritando por dentro por alguém — por alguma coisa — que estivesse ali e pudesse ajudá-lo.
Sozinho em… tudo.
'Ah. Foi tão difícil…' Asael não conseguiu evitar, seu corpo levemente tremendo ao lembrar daqueles tempos.
Aqueles momentos em que a morte sempre pairava na sua mente.
Mas a única coisa que o mantinha de pé era o fato de que não queria ser um pai covarde.
Ele já era um mau pai. Afinal, que tipo de pai deixaria sua filha de um ano atrás, procurando uma oportunidade de se tornar Grande-Mestre só para evoluir sua força?
Por não querer que o fato de ter uma filha fosse um peso para seu objetivo?
Uma risada amarga e de autoaversão escapou de seus lábios ao pensar nisso: 'Sou tão… hipócrita.'
E, com tudo isso, como poderia ousar ser covarde?
Um que sua filha nem se envergonharia — bem, não é como se ela fosse se orgulhar dele com a besteira que acabou de fazer.
Mas, ainda assim…
Seria a maior audácia deixar sua filha sozinha para ficar mais forte, só para abandonar o caminho por ser difícil demais.
Ele não poderia aceitar uma coisa dessas.
Querendo sobreviver para voltar e pedir perdão.
E assim, com rancor e desafio, ele resistiu… até encontrar Kaden.
Nessa ideia, Asael não conseguiu evitar e virou a cabeça para olhar para Kaden, que jazia de costas no chão, completamente exausto.
Ele olhou para esse jovem com potencial assustador, olhou para o amigo que fez aqui, nesse calabouço.
Seu primeiro amigo.
Paradoxalmente, o lugar que mais odiava era exatamente o local onde havia feito seu primeiro amigo de verdade na vida.
A verdadeira ironia do destino.
'Ah… é isso que você queria dizer? A alegria de ter alguém com quem conversar, provocar, mas também ter alguém que apoie nos momentos mais escuros?’
Foi exatamente isso que Kaden fez. Ele virou sua fonte de calor num mundo repleto de cadáveres gelados. E por isso…
'Vou valorizar essa amizade,' decidiu com toda a determinação, mas logo começou a fraquejar, seu corpo e mente querendo descansar.
Caiu de costas no chão, com um baque fraco.
E foi nessas horas que A Vontade finalmente soou, como se dissesse que eles já tinham tempo suficiente para se acalmar.
DING!
{Conquista Gloriosa!!}
{Você completou a masmorra de legado escondido: Morte Abandonada.}
Kaden abriu os olhos e olhou para o painel vermelho carmesim especial que A Vontade sempre exibia quando ele fazia algo digno.
{Kaden Guerreiro Nascido, você matou uma criatura de nível Grande-Mestre como um Intermediário.}
{Fantástico!}
{Você está à altura do seu caminho de transcendência.}
{Você recebeu as recompensas: A Origem – Cavaleiro da Morte (Nível: Lendário), o cadáver do Cavaleiro Negro Nasari Ai D'Kadavre (Nível: Lendário+), Talismã de Evolução Rúnica (Nível: Único), a chave do artefato ***** (Nível: Desconhecido - incompleto).}
A Vontade fez uma pausa por um instante, então concluiu:
{Parabéns, Filho do Sangue & da Morte.}
Kaden olhou para as recompensas, seus olhos se arregalaram de surpresa e choque, antes de um sorriso largo, cheio de alegria selvagem, surgir em seus lábios.
Uma Origem e o cadáver do Cavaleiro Negro. Essas duas coisas sozinho já poderiam fazer ele se levantar e gritar para A Vontade pedir uma nova masmorra de nível Grande-Mestre para conquistar. Mas havia também as duas outras recompensas, das quais ele sabia pouco, mas tinha certeza de que eram tão incríveis quanto as duas primeiras.
Kaden, sem dúvida, estava feliz.
Todos os seus presentes haviam sido misteriosamente transferidos para seu anel de espaço, exceto a Origem. Ele não a viu.
Uma expressão de leve descontentamento surgiu em seu rosto, mas, justo quando ia vocalizar sua dúvida—
[A Origem já está dentro de você. Para ativá-la, basta desejar.]
A morte soou, e, aproveitando essa intervenção—
[DING! Você completou a missão: Sobrevivência.]
[Observação: Você foi excepcional. Aprendeu a importância da vida, e viu de perto e sentiu a face do inimigo mortal — a Corrupção. Este é seu alerta, hospedeiro. A morte não é a pior coisa que pode acontecer. Na verdade, às vezes… pode ser até a melhor.]
[Recompensas: Moedas da Morte – 10.000 | Pontos de Status – 500]
Kaden leu atentamente as palavras de A Morte e, depois, fechou brevemente os olhos para absorver aquelas palavras profundamente dentro dele. Não podia esquecer delas, nem levar isso levado a sério, pois era o Enviado da Morte, mas também… seu filho.
Deitou-se ali, suspirando lentamente enquanto sua mente passeava por tudo que acabara de vivenciar.
Ele só queria uma Origem da Morte e pretendia obtê-la ao ser morto por uma besta com afinidade de morte e voltar no tempo antes de chegar lá—mas, em vez disso, se viu em um calabouço angustiante, onde a morte era um luxo que ele não podia mais permitir-se.
Ganhou demais de uma masmorra aparentemente aleatória para escapar de um inimigo amante sequestrador.
Obteve uma metade de fragmento da morte, uma nova compreensão do que é a morte que o levou até a Sublimina Verdade, uma Origem lendária relacionada à morte e, ainda, o cadáver de uma entidade misteriosa que poderia transformar em seu próprio morto-vivo, além de, especialmente…
Fez um amigo.
Claro, tudo não foi fácil, e a ameaça da morte era tão real quanto podia ser. E isso o fez pensar…
'É assim a vida…?’
Arriscar, sobreviver, receber recompensas? E quanto maior o risco, maior a recompensa?
Parece que o mundo… A Vontade dizia isso na sua cara… esse é o caminho.
Esta vida não foi feita para ser fácil. Não foi feita para você ficar deitado, relaxando, aproveitando.
Não, esta vida é uma provação.
E apenas os dignos e os audaciosos seriam recompensados e experimentariam a doçura da evolução.
E quanto aos teimosos que recusarem a seguir esse caminho,
'Morte… ou até corrupção, ou estar numa condição de que até a morte seria o melhor presente que você poderia receber.'
Tudo isso fortalecia sua vontade e clareava seu caminho.
Ele tinha que ser forte, mais forte, e o mais forte de todos.
Nada mais serviria.
Os olhos de Kaden brilhavam com um vermelho profundo e intenso, enquanto seus pensamentos e emoções se aprofundavam, dando-lhe coragem e determinação para continuar na estrada difícil, mesmo após escapar por pouco da morte nas mãos de um Grande-Mestre.
Soltando um suspiro suave para aliviar a tensão do corpo, abriu os olhos, sua expressão voltou ao normal e ele se levantou cambaleando.
"Conseguiu algo bom?" perguntou com uma voz dura — devido ao corpo dolorido — Asael, cujo rosto exibia um grande sorriso radiante.
"Ah, Kaden, meu amigo, o que acha de mais uma rodada de masmorra? Dessa vez, vamos mais longe. Qual é o nível depois de Grande-Mestre? Ah, nem sei… mas vamos nessa," disse, com tom meio sério, meio brincalhão.
Kaden olhou para ele, pasmo, sem acreditar que esse lunático realmente ousou dizer algo assim. "Tenho pena da sua filha… se você não consegue cuidar dela, me entregue, eu cuido. Sou experiente com crianças. Só me diz onde você mora, vou buscá-la," falou, balançando a cabeça e claramente considerando seu amigo um pai péssimo.
Os lábios de Asael se contorceram.
"Sarcástico. Kaden, meu amigo, era sarcasmo, pelo amor de Deus," murmurou, sem força para falar alto.
Kaden sorriu, feliz por incomodar o amigo.
"Mas fiquei curioso, onde você mora? Vou aí te visitar," disse, com tom descontraído, fazendo a pergunta.
Eles tinham conquistado a masmorra, e A Vontade já lhes entregara as recompensas, logo seriam teleportados para fora do calabouço.
Como se fosse combinado, uma luz branca sutil começou a envolver os dois como um manto de segunda pele. Kaden pegou todas as poções de cura que tinha e as bebeu, pois nunca se sabia o que poderia encontrar fora dali.
Sua mão finalmente começava a sarar.
'Aquela maldita aranha… espera por mim, sua filha da puta. Se eu não te matar desta vez, não sou mais um Guerreiro Nascido,' pensou com raiva, já planejando mentalmente uma forma de matá-la da maneira mais dolorosa possível.
"Onde é que eu moro, hein…?" a voz de Asael puxou Kaden de seus pensamentos de vingança, fazendo-o focar nele novamente.
"Tenho vergonha do estado da minha casa, mas com a Pedra da Evolução que acabei de ganhar, vou fazê-la ficar digna antes de você aparecer lá," disse com um sorriso suave. A luz ao redor deles intensificou-se, a despedida se aproximava.
Assim, Asael acelerou suas palavras e, finalmente…
"Moro no Império dos Abandonados, Fokai Oeste. Pode ter certeza, meu amigo!!!"
"E estou tão feliz, tão grato por ter conhecido você, Kaden! Então, até nos encontrarmos novamente, e desta vez, não em um lugar cheio de seres que querem nos corromper, entendeu? Hahaha!"
Asael disse, com uma risada, a voz carregando um tom de tristeza que não passou despercebido, antes que tudo ficasse em silêncio para ambos enquanto A Vontade os levava para fora do calabouço.
Mas o último pensamento de Kaden não foi de uma despedida triste, e sim de um choque profundo e confusão…
'…Fokai?'
—Fim do Capítulo 177—