Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 170

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Darklore — Território de Elamin, Castelo Elemental.

Dentro de uma sala de treino feita de gelo e água líquida, com um céu azul intenso e uma lua congelada pendurada bem acima, Meris Elamin estava sentada de crosségua no meio de um pequeno lago que brilhava com uma beleza translúcida.

Seus olhos estavam fechados, a respiração equilibrada, enquanto tentava se aprofundar na atmosfera para ficar mais próxima do gelo, para se tornar ele.

Mas havia algo que a distraía.

<'Sinto saudades do Kaden…' pensou Meris, internamente, e imediatamente as moléculas de água ao redor dela, que estavam começando a se transformar em gelo, tremeram e se despedaçaram por causa de seus pensamentos dispersos.

_"Meris."_ uma voz severa ecoou por trás, fazendo Meris suspirar frustrada.

_"Mãe, eu sei. Estou tentando,"_ ela respondeu sem se virar.

Mayari olhou para a filha com expressão de reprovação. Desde aquela reunião com Kaden, Meris não conseguia focar direito nos treinos. Sua mente vagava toda hora, fazendo seu controle, que já era de nível iniciante — pelo menos aos olhos dela —, se tornar completamente ruim.

Ela bufa baixinho, dá um passo à frente, agarra a filha pelas costas e a gira com força até que fiquem de frente uma para a outra.

_"Ei—!!"_ Meris gritou surpresa, desorientada com a giro repentino.

_"Meris,"_ disse Mayari novamente, com a voz ainda firme, mas agora carregada de algo mais… preocupação.

Meris parou de se contorcer como verme preso em terra molhada, ao encontrar o olhar violeta intenso da mãe.

Ela suspirou de novo — dessa vez com culpa, sabendo que estava sendo irresponsável e que isso era injusto com sua mãe, que tinha deixado temporariamente suas funções de Matriarca para treiná-la pessoalmente…

_"Mãe… Eu não consigo parar de pensar nele. Tentei, mas não consigo. Na verdade, quanto mais tento esquecer, mais penso nele,"_ confessou em voz baixa, com a cabeça abaixada, incapaz de encarar o olhar da mãe.

Mayari não respondeu de imediato. Apenas fixou o olhar na filha por um tempo, sua mente girando em círculos vertiginosos, tentando achar a melhor forma de lidar com isso.

<'Agora estou começando a me arrepender de ter permitido aquele encontro. Droga daquele Warborn intrigante.'_ ela amaldiçoou Kaden silenciosamente.

Ao se recompor, Mayari levantou o queixo da filha para que seus olhares se encontrassem novamente.

O ambiente de gelo ao redor deles ficou completamente silencioso, como se o mundo todo tivesse congelado junto. Nenhum som foi produzido. Apenas as vozes deles ecoaram, cruas e cortantes.

_"Assim você vai perder ele,"_ disse Mayari, em tom direto. Sua voz não deixava espaço para dúvidas.

O rosto de Meris se contorceu numa expressão de desaprovação profunda. Os lábios se abriram para protestar, mas a mãe não a deixou.

_"Você viu ele?"_ perguntou Mayari.

_"Viu como ele era diferente dos Warborns de sempre? Você notou, né?"_

Meris assentiu de relutância.

_"Ele tinha a força física e o instinto de combate de um Warborn, mas junto com uma inteligência assustadora."_

_"Não sei se você entende bem o que estou dizendo, então vou simplificar para sua cabeça obsessionada…"_

Os lábios de Meris se contraíram diante do insulto, mas…

<'Sou uma boa filha… Não retorno as ofensas da minha mãe… sou mesmo!'_ ela pensou internamente. De jeito nenhum arriscaria ser atingida por um raio em plena luz do dia.

Mayari prosseguiu, sem perder o ritmo.

_"Significa que ele vai superar qualquer Warborn que eu já conheci."_

_"E deixe eu te dizer uma coisa, filha…"_ sua voz ficou grave, seu rosto endureceu como pedra antiga.

_"Os Warborns são extremamente poderosos. Não estou exagerando. As armas vivas deles são tão perigosas e únicas que, até hoje, nunca vimos — nem em Darklore nem em Fokay — outro grupo com armas vivas como Origens."_

_"São os únicos. E você só vai entender a diferença quando suas espadas desenvolverem plena consciência."_

Ela fez uma pausa, deixando as palavras repousarem.

O rosto de Meris refletia sua seriedade, seus pensamentos se aguçando.

_"Se eu te disser que ele vai ser mais forte que qualquer Warborn que eu já conheci — e os deuses sabem que conheci alguns que nem se tocaria com uma lança, de tão perigosos — isso quer dizer que você está ficando para trás."_

_"Até o pai dele, Garros Warborn… aquele filho da peste que destrói o espaço, é alguém que eu preferiria evitar a todo custo,"_ ela acrescentou, demonstrando sua frustração.

_"Tudo isso para dizer… se você continuar tão fraca, tão dispersa… você vai perdê-lo, Meris."_

_"E não se esqueça…"_, a boca de Mayari se curvou numa expressão de zombaria.

_"Você não é a única. Ele também tem a herdeira da Thornspire, e ela também possui uma Origem lendária, assim como você. Se fosse você… levaria a sério."_

Era tudo que Meris precisava. Sua expressão virou sem expressão, seu olhar ficou mais frio que o gelo que manipulava. Seus olhos prateados escureceram, e seus lábios macios se comprimiram numa linha fina, determinada.

Sem dizer palavra, virou as costas e retomou seu treino. Imediatamente, a água no ar começou a se puxar ao redor dela, sendo congelada em pedaços de gelo.

Mayari sorriu satisfeita ao ver sua filha retomar o foco.

<'Hahaha. Só precisava mencionar outra garota pra você treinar mais forte? Tudo por causa de um homem?'_ ela pensou consigo mesma.

A filha dela era fácil demais.


Darklore — Calabouço da Morte Arruinada.

Dentro de uma caverna escura, iluminada pelo brilho pálido do chão branco, Kaden sentava de crosségua, um sorriso tênue brincando nos cantos dos lábios.

Ele tinha acabado de sintetizar todos os núcleos de origem que possuía, fundindo-os em um núcleo de Grande Mestre poderoso.

Agora, sua origem estava completamente saturada.

_'Agora só falta uma pedra de evolução, e posso fazer minha missão de evoluir para Mestre,'_ pensou, mal contendo a empolgação de dentro de si.

Essa velocidade… era absurda.

A maioria levava anos para chegar a esse ponto, mas Kaden?

_'Minha sorte divina voltou. Hahaha!'_ riu internamente, convencido e satisfeito — até que…

_"Eu te avisei para parar de sorrir do nada, meu amigo. Está estranho,"_ murmurou Asael de lado.

Kaden imediatamente perdeu o sorriso e olhou para Asael com uma expressão fria, ignorando-o por completo.

Estava de bom humor. Não ia deixar esse cara estragar seu dia.

_"Então agora você está me ignorando? Kaden, meu amigo, assim não funciona amizade."_

_"Será que sua definição de ‘amigo’ é essa mesmo?"_ perguntou Kaden, inclinando a cabeça com uma expressão curiosa.

Asael sorriu de orelha a orelha, como se estivesse esperando essa pergunta a vida toda.

_"Amigos são aqueles que sempre se apoiam. Que dizem a verdade, mesmo que doa. Que defendem e lutam pela reputação um do outro, mesmo sabendo que o amigo é um bigornia…"_

Naquele momento, os lábios de Kaden tremularam por um motivo que ele mesmo não conseguia explicar.

_"…Amigos são aqueles que desafiam o mundo inteiro juntos e vencem. Como uma aventura selvagem, onde enfrentamos criaturas míticas, relíquias divinas e descobrimos a história dos deuses!"_ Os olhos de Asael brilhavam de empolgação infantil, seu corpo tremia com as imagens que acabara de criar.

Kaden piscou, desconcertado.

_"…Você tem uma filha. Cresça,"_ falou seco, mas não conseguiu impedir o sorriso que se formou lentamente nos lábios ao se levantar.

_"Quer saber de uma coisa?"_ acrescentou.

Asael, pronto para fazer tipo de drama por causa da resposta fria do amigo, olhou com hesitação.

_"O quê?"_

Kaden sorriu de canto.

_"Gosto da sua definição de amigos, meu amigo."_

O rosto de Asael se iluminou como uma lanterna numa tempestade.

_"Mas antes…"_, o sorriso de Kaden desapareceu. Sua expressão ficou dura como uma lâmina pronta pra tirar sangue.

_"Vamos matar aquele maldito Grande Mestre e sair logo dessa porra de calabouço."_

O sorriso de Asael escureceu.

_"Amigo, não poderia ter dito coisa melhor."_

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