
Capítulo 169
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden ficou realmente encantado ao ver uma quantidade tão grande de núcleos de origem. Não eram apenas núcleos de origem de bestas de nível mestre—havia também núcleos intermediários e despertados, até mesmo um estranho talismã rúnico, mas mais do que isso…
Havia núcleos de origem humanos. Muitos deles.
Kaden franziu a testa levemente ao ver aquilo.
É verdade que humanos também podem absorver a origem de outros humanos—de fato, é mais eficiente fazer isso do que usar núcleos de bestas—mas, na maioria dos lugares, era estritamente proibido caçar seus semelhantes por suas origens.
Então, o fato de esse cadáver seco possuir tantos núcleos de origem significava que ele estava em um lugar onde coisas assim eram normais, ou…
"Um assassino. Um tipo de matador ou algo assim," refletiu Kaden, inclinando a cabeça.
Mas logo ele balançou a cabeça e se concentrou nos cadáveres secos; afinal, não estava numa situação de poder ser exigente quanto às origens de que precisava.
Ao olhar para o cadáver, percebeu que seus ossos não estavam brancos, eram negros e exalavam um forte odor de decomposição e corrupção.
Kaden pôde deduzir que esse era o efeito pós-uso de ficar tanto tempo tão próximo de uma emanção tão potente de energia pura da morte. Não pôde deixar de ficar ganancioso e decidiu sintetizar os ossos para si, ao mesmo tempo que o sangue negro que jazia atrás dele.
Sim, ele iria pilhar tudo e fazer deste lugar seu domínio.
O processo começou, e desta vez, diferente da sua síntese com a meia-lâmina, Kaden sentiu uma dor imensamente aguda atravessando seus ossos.
Ruiam sons de estalo pelo espaço escuro iluminado por chamas rubras enquanto os ossos de Kaden eram destruídos e reconstruídos continuamente.
Consegue imaginar todos os ossos do seu corpo sendo quebrados ao mesmo tempo? Consegue imaginar aquela dor?
Sim, era exatamente isso que ele estava passando. Mas não era por acaso—pois seus ossos estavam sendo recriados para serem dignos do Filho da Morte, daquele que dizem ser seu arauto.
Depois que seus ossos se rearranjaram, o sangue negro atacou. Desta vez, não houve dor.
O sangue negro da morte misturou-se de forma harmoniosa, como irmãos há muito separados, com o sangue vermelho tingido de ouro sutilmente dourado dentro de Kaden, e o resultado final foi hipnotizante. Seu sangue tornou-se vermelho carmesim, com matizes de ouro e negro brilhando por entre ele aqui e ali. Ficou espesso, pesado, e exalava um aroma extremamente doce.
Assim que a transformação terminou, Kaden ficou deitado no piso frio por um momento, recuperando o fôlego enquanto sua mente girava em pensamentos velozes.
Hoje foi um dia intenso.
Não só evoluiu sua intenção para a Verdadeira, mas também adquiriu uma nova e poderosa habilidade e, junto dela, um título. Depois, conseguiu um anel espacial cheio de centenas de núcleos de origem de bestas e humanos de nível mestre, passou por profundas transformações.
Era perigoso, mas…
"Valeu a pena," disse Kaden com um sorriso radiante.
Nesses momentos, Kaden se tornava ainda mais consciente de que só através das dificuldades é possível ficar mais forte. Só ao desafiar a si mesmo e superar o medo que invade a cada vez que se confronta com o perigo é que podemos crescer e nos tornar quem deveríamos ser.
Não há truque mágico.
Apenas inteligência, coragem e determinação.
Seus pensamentos giravam em círculos vertiginosos, refletindo sobre tudo o que tinha acontecido desde que entrou naquela floresta e depois daquele calabouço. Ele se sentia frustrado e, em determinado momento, chegou a duvidar de si mesmo, mas, felizmente…
Kaden interrompeu esses pensamentos ali, sem querer dar atenção ao bastardinho sombrio. Mas, ainda assim…
'Um amigo, hein…' pensou, enquanto um sorriso, suave como o reflexo do luar na superfície de um lago, surgia em seu rosto.
'Agora que penso… não tenho nenhum amigo, tenho?'
Ele só tinha sua família e subordinados como Rory. Então, ele…
[Você está magoando meus sentimentos, anfitrião.]
A voz da Morte interrompeu seus pensamentos de forma rápida.
[Fui seu primeiro amigo neste mundo. Aquele que lhe deu missões difíceis com penalidades injustas para fazer você mexer o rabo. Estive lá, anfitrião. Estive lá…] falou a Morte, sua voz carregada de traição, como se seu anfitrião tivesse se esquecido dela.
Se alguém não soubesse, poderia até acreditar que era apenas uma brincadeira, mas—
'Quem você acha que está tentando enganar, Morte?' perguntou Kaden, com um sorriso contido.
'Mas, sim, você está certo. Como pude me esquecer de você?' acrescentou em sua mente, então lentamente se levantou do chão, alongando-se, fazendo com que estalidos ecoassem antes de uma respiração de alívio e satisfação escapar de seus lábios.
'Você foi quem me motivou. Você me guiou. Contribuiu para que eu fosse quem sou hoje, pelo menos em parte. Eu não teria coragem de esquecê-lo. Não sou tão ingrato assim, né?'
[Você é bastante ingrato, anfitrião.]
Kaden fez um biquinho com os lábios. Queria ser gentil e doce, mas a Morte não sabia disso, então—
'Vai te catar, Morte,' amaldiçoou, então começou lentamente a caminhar em direção à porta que agora estava aberta, seus passos firmes e constantes fazendo o chão tremer sutilmente.
[Viu? É essa ingratidão que acabei de mencionar, anfitrião.]
Kaden balançou a cabeça e ignorou a Morte, mas um sorriso discreto, contido, permanecia em seus lábios.
No fundo, ele tinha um amigo. E agora…
Ele tinha dois.
Kaden não sabia se ficava feliz por ter esses dois como amigos, mas, mesmo assim,
'Amigos…'
Pensou novamente, desta vez sem conseguir evitar um sorriso.
…
Fokay — Floresta do Sol Eterno, Castelo de Ouro.
Dentro de seu luxuoso aposento pintado de ouro que reluzia como água dourada em uma terra seca, Sora estava sentada na sua escrivaninha, diante de uma folha em branco.
Desde que voltou de Asterion, ela tentou compor sua própria música, sua própria canção.
No começo, ela estava confiante. A excitação queimava no peito como fogo selvagem, e seus olhos dourados brilhavam como o sol nascente. Mas agora, após dias sem conseguir escrever uma única linha…
A expressão de Sora estava abatida. Olhando para ela, você pensaria que ela acabara de enterrar a própria família na Terra. Ela estava tão lamentável. Seus olhos, que antes eram brilhantes, agora estavam opacos, carregados de inseguranças.
'Por quê? Por que não consigo escrever nada?' se questionou. Mas nenhuma resposta veio.
Nunca aprendera a cantar de verdade. Só tinha o hábito de relembrar as músicas que lhe agradavam. Mas agora que queria criar uma, ela se sentia perdida. E, ao perceber isso, ficou consciente de que talvez precisasse de alguém para ajudá-la.
'Mas quem? Não posso pedir ajuda a ninguém. Não posso correr o risco de que meu segredo seja descoberto por alguém além daquele bast—!'
Sora parou imediatamente ao surgir uma ideia ridícula na sua cabeça.
'Ele… ele pode me ajudar, né? Quero dizer… ele tem que. Ele me deve… invadiu minha privacidade e me tocou com mãos sujas, certo? Ele pode, né?' ela se perguntou várias vezes até—
"Sim, ele pode! E vai!" Sora falou com uma determinação ardente, uma luz começando a brilhar novamente em seus olhos.
Ela estava disposta a fazer qualquer coisa para compor sua própria canção. Assim como um espadachim está preparado para tudo na busca por dominar sua técnica de espada.
Ela estava pronta para tudo e isso…
…mesmo que signifique desafiar os planos de seus pais.
Que mulher determinada.
—Fim do Capítulo 169—