Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 171

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Dentro da caverna escura, jazeram cinco cadáveres de mortos-viventes corrompidos espalhados pelo chão, mortos. Era manhã, mas, neste reino de trevas, Kaden e Asael só conseguiam distinguir o dia da noite pelo jeito como as noites do calabouço eram.

Mas, naquele momento, nenhum dos dois tinha ânimo para se preocupar com manhã ou noite. suas expressões estavam sombrias, e até mesmo a luz parecia escuridão em seus olhos.

Asael fez uma expressão difícil, sem saber como falar com seu amigo, mas, finalmente, disse: "Quer dizer… Uhh… não foi tão ruim assim, né?" com um sorriso forçado.

Porém, Kaden nem respondeu. Estava fazendo o máximo para não xingar naquele instante e manter a educação. Mas, claro...

"Que se dane isso!" — ele, claramente, não conseguiu se segurar de palavrões — ou melhor, de expressar sua frustração.

"É isso que ganho após fundir com o meio de um fragmento do aspecto da morte, né? É só isso?" — Kaden disse com indignação, caminhando de um lado para o outro dentro da caverna escura, seus passos arranhando o chão branco com nervosismo e uma raiva crescente.

Ele esperava que, com seu novo traço, fosse capaz de inundar o calabouço inteiro de morte, convocando um exército à sua imagem e semelhança — mas não, Kaden mal conseguiu trazer de volta esses cinco cadáveres à sua frente.

Na verdade, seu limite era três. Sempre que tentava convocar mais do que isso, parecia que sua alma se despedaçava em mil pedaços e uma dor insuportável consumia ele.

No melhor dos casos, com pura força de vontade, ele poderia chegar a quatro summons, mas lutar contra uma criatura corrompida de nível Grandmaster com essa dor, sendo um Intermediário? Isso era pedir para ser morto de forma poética.

Algo que ele não podia se dar ao luxo agora.

Uma expressão profunda de desânimo apareceu em seu rosto enquanto ele cambaleava e caía ao chão, tentando pensar em uma saída para essa confusão.

Asael, sentado em frente a ele, observava seu amigo com uma expressão difícil. Seu maxilar contraído, boca fechada numa linha fina, e seu corpo tremia suavemente, fazendo as sombras ao redor dele tremerem junto com sua ansiedade crescente.

Powuk lentamente levantou a cabeça e fixou seus olhos vermelhos como sangue na sombra de Asael. Uma carranca se formou em seu rosto.

"Sei que vai rir, Asael… Eu só quero ver… eu quero ver," — ele rosnou enquanto Reditha brilhava em sua mão, sua intenção rubra ativando-se instantaneamente, envolvendo-a como um véu de luz de sangue, tornando suas tonalidades já hipnotizantes ainda mais mortais e belas.

Ao ouvir essas palavras, o corpo de Asael começou a tremer ainda mais. Em certo momento, colocou a mão na boca e abaixou a cabeça, na esperança de que não ver o rosto de Kaden pudesse ajudar a segurar o riso — mas, ao invés disso, sua mente o traiu, começando a imaginar detalhadamente como Kaden devia estar olhando para ele naquele momento: ferve de ódio, com um olhar de fúria sangrenta.

E, de forma estranha...

Isso tornou ainda mais difícil resistir, até que, finalmente, não conseguiu mais se conter e uma risada escancarada explodiu na silêncio obscuro, numa onda sonora.

Asael tinha uma voz realmente marcante.

Porém, para os ouvidos de Kaden, parecia mais uma maldita música de zombaria, cantada pelos céus só para irritar ele. Então, com os olhos vermelhos de raiva, ele agarrou Reditha e avançou.

Asael escapou para as sombras a tempo, rindo ainda mais forte.

Mas a lâmina de Kaden agora podia cortar sombras, então ele continuou sua investida frenética — só que Asael não era uma besta pantera comum.

Ele era o Príncipe das Sombras. E, assim, as sombras responderam como soldados leais, defendendo seu senhor, protegendo-o de todos os golpes. Essa pequena batalha durou um tempo até que ambos se cansaram e pararam.

Acabaram deitados lado a lado, respirando pesadamente, o suor escorrendo por seus rostos.

"Asael… Você é tão infantil. Está nos fazendo perder tempo," — disse Kaden, exasperado.

Asael lhe lançou um olhar divertido e balançou a cabeça. "Você é tão sem vergonha. Quem foi que começou tudo isso?"

"Eu? Ah, sim, claro… Sou eu que estou rindo da desgraça do meu amigo, né?" — disse Kaden, com uma tonalidade de desprezo.

Asael deu uma risadinha. "Acho que você deve ser a única pessoa no mundo que consideraria uma invocação de três summons no nível Master, mas no nível Intermediário… 'uma desgraça'." E, ao final, lançou um olhar estranho para Kaden.

"Sério mesmo, você tá puto com isso? Meu Deus, Kaden, meu amigo, quem foi que te mimou desse jeito?" — perguntou, incrédulo.

Kaden ficou quieto por um tempo, depois suspirou devagar. "Só esperava mais… Porque precisamos de mais… pra segurar os mortos-viventes e focar no Grandmaster. Não podemos nos distrair."

"Se é só isso, então não precisa se preocupar," — respondeu Asael com um sorriso.

"O Grandmaster está cercado por três mestres de pico, e os outros? Ah, por favor, Kaden, meu amigo, eles vão cair como almas a metralhadora se tentarem nos interromper. Podem ser incômodos, mas já lidamos com números esmagadores antes, não é? Vamos dar conta."

A confiança de Asael era tão forte que varreu as dúvidas de Kaden como uma brisa fresca que dispersa névoa densa.

Kaden permaneceu em silêncio, suas ideias girando rápido — mas, agora que a cabeça dele estava limpa de novo, percebeu o quão burro tinha sido. Na verdade, tinha se preocupado à toa.

Porque, com síntese, ele poderia tornar seus três summons mais fortes do que qualquer morto-vivente do nível Master corrompido. Claro, se eles ficarem fortes demais, sua alma talvez não aguente todos os três, mas dois summons ultra aprimorados eram muito melhores do que três comuns.

'Mas preciso de uma forma de aumentar a força da minha alma…' — refletiu Kaden. — 'Subir de nível ajuda, com certeza, mas a síntese ainda não está avançada o suficiente para fundir almas…'

De forma estranha — ou talvez nada estranha — seus pensamentos voltaram àquele bastardo, ao Hipócrita Sem Alma.

'O Devora-Almas… Eu só tenho um fragmento… Onde estão os outros? Talvez esse seja o caminho, ou então, ter o fragmento completo da Morte dentro de mim. Afinal, não é a morte intrinsecamente ligada à alma?'

Seus pensamentos aceleraram, surgindo ideias uma após a outra, nenhuma delas acionável no momento.

Suspirando, Kaden se levantou e se aproximou dos corpos, pronto para fundi-los.

"Isso mesmo, meu amigo. É isso mesmo!" — Asael levantou um punho cerrado no ar, incentivando Kaden com uma expressão de brincadeira séria.

Kaden decidiu — pelo bem da própria estabilidade mental — ignorar esse lunático.

Em vez disso, murmurou:

"Prepare-se, Asael…"

Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios — cheio de loucura, de insanidade, de alegria.

"Vamos atacar esta noite. Assim que eles começarem sua destruição."

Asael não respondeu imediatamente. Em vez disso, as sombras na caverna se aprofundaram ainda mais, o mundo escurecendo enquanto sua voz surgia — baixa, fria, antiga, como algo que rastejou das profundezas da sombra.

"Finalmente."

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