
Capítulo 157
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Estagnação… evolução…
Essas palavras ecoaram forte na mente de Kaden enquanto, de repente e sem motivo algum, pensava na sua família.
Ele não sabia por quê. Mas sabia que era assim.
Sua família era conhecida por uma única coisa… guerra.
Vai a Waverith e pergunta a qualquer pessoa sobre os Warborns, e tudo o que irão dizer é que são um grupo de pessoas que só se importam com guerra, batalha e morte. Mas também acrescentarão que são leais e dignos de respeito.
Sim, irão dizer tudo isso.
Mas sabe o que mais irão falar?
São tolos.
E, para ser honesto, não há como discutir com esse ponto.
Os Warborns eram realmente… tolos, ou muito próximos disso. Porque como alguém pode pensar que neste mundo, só a força bruta será suficiente para prevalecer?
Talvez tenha funcionado antes. Mas agora, com seres como o Cerveau espalhados por todo o mundo, confiar apenas na força e não na inteligência pode te matar e te transformar em escravo.
Vamos lembrar… a maior força de um humano não é sua força física… mas sua mente. Sua capacidade cognitiva.
Arranque isso dele, e ele não é diferente de um chimpanzé.
E essas bestas nunca vivem muito… ou sequer vivem de forma gloriosa.
A mente de Kaden de repente se expandiu enquanto todos esses pensamentos passavam por ele.
Asael olhava para ele, vendo seus olhos nebulosos, e permaneceu em silêncio, com um sorriso suave nos lábios.
'Eu já sabia… eu já sabia que precisávamos mudar. Mas essa sensação nunca foi tão forte assim antes,' pensou Kaden.
Porque agora, ele tinha acabado de perceber algo.
Os Cerveau… estão buscando uma maneira de evoluir. Deve ter alguma coisa que os levou a atacar os Warborns com tanta intensidade.
E, segundo Kaden, as razões eram óbvias.
'Eles querem nossa força. Querem nosso poder físico e nosso conhecimento de guerra e batalha.'
E se eles conseguissem obtê-los — aliados à sua inteligência assustadora…
Então, toda Waverith estaria em suas mãos, sem dúvida alguma.
'Porra,' amaldiçoou Kaden mentalmente ao perceber o quão perigosa a situação realmente era após as palavras de Asael.
Porque, se esse bastardo sorridente e estranho estivesse certo, então isso significava que a própria natureza favorecia aquele que buscava evolução.
E não é verdade? Se Kaden não estivesse aqui para impedir que seus pais agissem sem pensar, só Deus sabe o que teria acontecido com os Warborns até agora.
Eles estariam enfraquecidos… ou destruídos por completo.
A primeira hipótese parecia mais plausível — afinal, os Warborns não eram fracos — mas ainda assim… não era uma situação que Kaden pudesse permitir que acontecesse.
Suspirando mais uma vez, pela milésima vez, os olhos de Kaden clarearam enquanto olhava para Asael sentado à sua frente, brincando carinhosamente com seu colar e sorrindo para ele.
"E aí, foi uma aula esclarecedora? Se foi, não se preocupe, é o que amigos fazem," disse.
Kaden ficou em silêncio por um momento, antes de acenar lentamente com a cabeça. "Sim. Na verdade, foi. Não é a primeira vez que ouço o termo, mas foi a primeira… de fato, ouvindo de verdade."
Era verdade — seu sistema, Morte, também tinha o costume de dizer a palavra evolução ou alguma variação dela.
Ele se perguntava por que, mesmo agora… nunca tinha questionado ou ficado curioso sobre isso.
'Ah… tenho um longo caminho pela frente,' pensou consigo mesmo.
"Isso é ótimo! Agora, meu amigo, você conhece a importância da evolução e também a importância de… ouvir."
"Quer que eu entre no modo sábio sobre esse assunto também?" Asael perguntou, sorrindo, ansioso para mostrar seu vasto conhecimento sobre a vida em geral.
Ou talvez… sua própria percepção da vida.
Os lábios de Kaden se contorceram ao ouvir aquilo, e ele balançou a cabeça vivamente.
"Não, acho que estou bem. Sei da importância de ouvir. Afinal, é uma das primeiras percepções importantes para os humanos, e pode ser usada de diversas formas," afirmou, tentando mostrar que tinha entendido.
Asael assentiu, aceitando suas palavras, mas—
"Na verdade, estou pensando que é a melhor maneira de entender alguém."
Ele fez uma pausa, depois sorriu melancolicamente.
"Escuta, Kaden. Escuta tudo — os estranhos lá fora, seus entes queridos, as feras, e até o próprio mundo… escuta. Basta fazer isso e deixar seus sentidos te guiarem."
"…Você verá que o mundo tem muitas a dizer, e só quem lhes dá atenção consegue ouvir. E eu te garanto… é uma sensação maravilhosa. Porque só se consegue entender algo… depois de ouvi-lo."
Depois, parou, antes de seu rosto recuperar a expressão boba e sem seriedade de sempre.
"Agora, Kaden, meu caro amigo, que tal ouvirmos o que aquelas linhas estranhas lá fora estão nos dizendo? Pode ser nossa saída desse calabouço de pesadelo," disse com entusiasmo, aplaudindo as mãos animadamente.
Enquanto isso, Kaden permanecia ali, com a expressão vazia.
'Quero ouvir tudo… menos você, seu lunático demente.'
Lidar com Asael era realmente uma tarefa exaustiva.
…
Fokay — Império Celestial — Castelo Real.
Dentro do castelo real do Asterion, em uma luxuosa câmara pintada com ouro celestial e prata estrelada, uma jovem mulher estava sentada em sua escrivaninha, com uma expressão levemente furiosa.
Sora Asterion.
Após esperar dias sem que Kaden tivesse aparecido, ela não conseguiu mais ficar ali, pois seus pais a chamaram de volta.
Eles haviam investigado quem era responsável pelo estado de sua floresta — e, sem surpresa, descobriram que era Kaden.
Nada de espanto. Quase nada escapava do olhar deles dentro de seu domínio se eles realmente desejassem descobrir a verdade.
Mas não era esse o motivo de ela estar franzindo a testa. Ela soube, pelos pais, que queriam capturá-lo por um assunto relacionado ao irmão de Kaden.
Um assunto que, de modo estranho, a preocupava. Algo muito importante para seu futuro, se ela quisesse atingir um estágio superior.
"Um artefato… um Warborn roubou um artefato de nós?" Sora franziu ao imaginar.
Ela não sabia muito sobre os Warborns, mas sabia que eram conhecidos por sua postura direta.
Uma pessoa assim… roubando deles?
Era difícil de acreditar.
Porém, ao pensar em Kaden e na maneira como ele havia agido com ela, ela cruzou a língua com irritação.
"Sim. Eles definitivamente podem roubar," ela concluiu, parando por aí.
De qualquer forma, o destino deles estava selado. Porque ninguém consegue escapar do Império Celestial se ele quiser capturá-lo.
Nem mesmo os Warborns.
E isso só tinha um significado—
'Em breve, vou pegar aquele maldito. Mas primeiro, tenho que garantir que ele não diga nada aos meus pais sobre eu cantar, caso seja capturado,' pensou Sora, mentalmente já tramando formas de resolver a situação.
Após algum tempo, cansada e estressada com tudo, decidiu retornar ao castelo dourado na Floresta do Sol Eterno.
'Cantar… quero cantar…'
'…e acho que estou pronta para criar minha própria canção, certo?'
Ao pensar nisso, toda a tensão e o cansaço desapareceram de sua mente, e Sora ficou empolgada, ansiosa para escrever sua própria música e cantá-la.
Era viciador.
Era como a sensação de um leitor experiente ao finalmente iniciar sua jornada na escrita.
Uma sensação especial.
Até mesmo maravilhosa.
Uma… que todo mundo deveria — pelo menos — tentar uma vez.